FORSLAG TIL OPPDELING AV SYSTEMER
1. INNLEDNING. DEFINISJONER 1 PALITELIGHETSBEGREPET
1.4 FEIL, FEILHENDELSE
Refletir e propor serviços públicos em rede constitui-se, hoje, grande desafio para os profissionais vinculados às políticas públicas, que respondem pela garantia dos direitos fundamentais do cidadão, principalmente num contexto em que a exclusão social está sendo refletida, a exemplo do PJU. Pensar sobre rede “exige sintonia com a realidade local, com a cultura de organização social, bem como uma sociedade civil organizada, ativa e participativa diante da administração dos interesses públicos” (CORMELATTO et al., 2007, p. 4).
Sendo assim, quando pensamos em rede nas organizações públicas é lícito enfocar o sentido etimológico do termo. Rede deriva-se do latim rete, significando entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames, etc., com aberturas regulares, fixadas por malhas, formando uma espécie de tecido (LLARENA, 2012, p. 122). Para Salgado (2008a, p. 52), o termo refere-se a:
(i) qualquer conjunto ou estrutura que por sua disposição lembre um sistema reticulado;
(ii) conjunto dos meios de comunicação ou de informação (telefone, telégrafo, rádio, televisão, jornais, revistas, etc.), ou o conjunto das vias (e do equipamento) de transporte ferroviário, rodoviário, aéreo, etc., que, pela sua estrutura e modo de distribuição, se assemelha a uma rede e se difunde em áreas mais ou menos consideráveis;
(iii) conjunto de estabelecimentos, agências, ou mesmo de indivíduos, que se destina a prestar determinado tipo de serviço.
Para a autora, as redes podem ser predominantemente tecnológicas/ informacionais, tais como redes de distribuição de água e de energia elétrica; redes de equipamentos de TV via satélite; e infovias, aquelas que congregam indivíduos ou instituições, e cujo funcionamento depende de condições técnicas para que a conexão entre as partes se dê de forma satisfatória. Isso corresponde à convicção de que quanto mais avançados são os recursos tecnológicos que lhes dão sustentação, maior será sua estabilidade.
Para Cruz; Martins; Augusto (2008), a definição de redes surge como chave cognitiva privilegiada no entendimento das mudanças de significativa magnitude que acontecem nas esferas políticas, econômicas e sociais. Martinho (2003) complementa e afirma que, no campo
das Ciências Humanas e Sociais (CHS), é natural a apropriação do termo rede na acepção de sistemas, estruturas ou desenhos organizacionais que possuem elementos dispersos no espaço e que mantêm relações entre si.
Nas ciências sociais (CS) e, em especial, na CI, o termo rede – empregado no singular ou no plural – associa-se ao qualificativo social para especificar o campo, mas sem definir uma disciplina específica (MARTELETO, 2010). Segundo Silva et al. (2014), na CI, o conceito de rede é trabalhado como um “sistema de nodos e elos; uma estrutura sem fronteiras; uma comunidade não geográfica; um sistema de apoio ou um sistema físico que se pareça com uma árvore ou uma rede” (MARTELETO, 2001, p. 72). Neste campo de estudo, as redes sociais perpassam a necessidade de compartilhamento entre informação e conhecimento, ponderando que estamos diante de dois elementos que estão
[...] em todas as esferas e áreas. Esses elementos (informação e conhecimento) são considerados essenciais tanto do ponto de vista acadêmico quanto profissional e, quando transformados pelas ações dos indivíduos, tornam-se competências valorizadas, gerando benefícios sociais e econômicos que estimulam o desenvolvimento e são, ainda, recursos fundamentais para formação e manutenção das redes sociais (TOMAÉL; ALCARÁ; DI CHIARA, 2005, p. 8).
Os autores afirmam que na esfera da CI,
[...] como um espaço de interação, a rede em CI possibilita, a cada conexão, contatos que proporcionam diferentes informações, imprevisíveis e determinadas por um interesse que naquele momento move a rede, contribuindo para a construção da sociedade e direcionando-a (TOMAÉL; ALCARÁ; DI CHIARA, 2005, p. 9).
Por este motivo, além da CI, as redes encontram acolhida em determinados ramos do saber, como antropologia, ciências políticas, comunicação social, economia, psicologia e sociologia. De acordo com Llarena (2012), os estudos sobre redes nas relações entre Estado e movimentos sociais com mediação de organizações não governamentais (ONG’s), políticas públicas e governança, por exemplo, suscitam curiosidade intelectual à ciência política e à economia. No campo da administração, predominam pesquisas sobre redes organizacionais e interorganizacionais, redes de cooperação entre pequenas e médias empresas, além de arranjos produtivos locais. Na comunicação social e na CI, prevalecem análises sobre relações interpessoais e ações colaborativas na produção do conhecimento na internet, além de redes de conhecimento, redes cognitivas, comunidades de práticas, sempre priorizando a produção, organização, apropriação, gestão e o uso do conhecimento.
Sendo assim, as redes se firmam como ponto de convergência de informações circulantes e de conhecimentos gerados ou sedimentados. Logo, no campo da CI, as redes
sociais constituem estratégias usadas pela sociedade para o compartilhamento de informações e de conhecimentos, por meio das relações entre os atores que delas participam. Da mesma forma, contribuem para o desenvolvimento da C&T e P&D, como também abrem caminho para a competitividade econômica das nações, informação e conhecimento, e como passaportes essenciais à inovação e à obtenção e gestão de poder (LLARENA, 2012).
Segundo a autora, na internet, as redes conquistam cada vez mais adeptos, aglutinando pessoas com interesses comuns. Ao que parece, as redes sociais já estão além dos muros acadêmicos e científicos. Alastram-se e ganham espaço em outras esferas, alcançando o espaço virtual e as informações eletrônicas.
No contexto organizacional, com base em seu dinamismo, as redes funcionam como espaços para compartilhamento de informações e conhecimentos. São espaços presenciais ou virtuais, onde pessoas com objetivos idênticos ou similares trocam experiências, criam bases e geram informações relevantes para o setor em que atuam (CAPRA, 2007). Na mesma linha de pensamento, Marteleto (2001, 2010) e de Marteleto e Tomaél (2005) e Tomaél, Alcará e Di Chiara (2005) afirmam que as redes sociais são estruturas invisíveis, informais e tácitas que propiciam o compartilhamento e a construção da informação e do conhecimento.
Desse modo, “o compartilhamento do conhecimento pode auxiliar as empresas, independente do porte, pois visa difundir o know-how obtido pelas experiências dos colaboradores e parceiros ao longo do tempo” (FAORO; OLIVEIRA, 2014, p. 114).
De acordo com Silva et al. (2006), a implementação de ‘estratégia de rede’ na arquitetura das organizações, consideradas ‘em rede’, visam promover as relações e interações. Baseados em Mintzberg e Quinn (2001 apud GAMEIRO 2008), Silva et al. (2014, p. 133) caracterizam as organizações em rede “como aquelas cuja forma organizacional substitui a forma multidivisional, inerente à empresa tradicional – hierárquica, burocrática e estruturada verticalmente’. Segundo Mintzberg e Quinn (2001 apud GAMEIRO 2008), nas organizações em rede, as comunicações laterais são mais importantes do que as comunicações verticais, e as estruturas organizacionais são muito mais horizontais ou desaparecem totalmente. E, com o desenvolvimento das tecnologias, elas se tornam cada vez mais complexas, diversas, úteis e necessárias a essa formação.
Silva et.al. (2014) afirmam que as redes organizacionais assumem várias estruturas, de acordo com as condições e especificidades da organização. Eles ilustram no quadro abaixo, desenvolvido por Olave e Amato Neto (2001, p. 298), uma síntese de alguns dos importantes autores que trabalham as redes organizacionais e como as diferenciam:
Quadro 7: Síntese dos tipos de redes organizacionais
Rede conforme o
autor Tipos de redes
GRANDORI e SODA (1995)
Redes Sociais: Simétricas e Assimétricas Redes Burocráticas: Simétricas e Assimétricas Redes Proprietárias: Simétricas e Assimétricas
CASAROTTO e
PIRES (1998) Redes Top-Down: Subcontratação, terceirização, parcerias Redes Flexíveis: Consórcios
WOOD JR e ZUFFO
(1998) Estrutura Modular: Cadeia de Valor e Terceirização Atividades de Suporte.
Estrutura Virtual: Liga temporariamente rede de fornecedores. Estrutura Livre: de barreiras, define funções, papéis, tarefas.
CORRÊA (1999), VERRI (2000)
Rede Estratégica: Desenvolve-se a partir de uma empresa que controla
todas as atividades.
Rede Linear: Cadeia de Valor (participantes são elos).
Rede Dinâmica: Relacionamento intenso e variável das empresas entre si.
PORTER (1998) Cluster: Concentração setorial e geográfica de empresas. Caracterizado
pelo ganho de Eficiência Coletiva. BREMER (1996)
GOLDMAN (1995) Empresa Virtual: Ponto de vista Institucional e Funcional. Institucional: Combinação das melhores competências essenciais de
empresas legalmente independentes.
Funcional: Concentração em competências essenciais coordenadas através
de uma base de tecnologia da informação. Fonte: Olave; Amato Neto (2001, p. 298)
Nesse sentido, explicam que, no início da década de 90,
[...] as redes dividiam-se entre sociais, burocráticas e proprietárias; podem ser simétricas ou assimétricas, virtuais, institucionais e funcionais. No final dessa década, surgiram as redes top-down, com o advento da subcontratação, da terceirização e as parcerias organizacionais, bem como as redes flexíveis com os consórcios e as redes estratégicas e com estruturas modular, virtual e livre. Já no Século 21, a rede linear destaca-se pelos relacionamentos intensos entre as pessoas no nível coletivo e organizacional. Seus participantes são considerados elos e é caracterizada como uma rede dinâmica (SILVA et al., 2014, p. 134).
E enfocam que, com o advento das redes, ao longo das últimas décadas, se pode observar maiores e mais completos níveis de compartilhamento de informações e redução das assimetrias informacionais, vislumbrando melhores resultados organizacionais. Portanto, a formação de redes organizacionais poderia ser denominada de
[...] mecanismos de combate à assimetria de informações e conhecimento (busca de simetria), de combate aos ruídos de comunicação (disseminação com qualidade) e garantia de melhores decisões baseadas na informação e no conhecimento adequado (SILVA et al., 2014, p. 134).
organizacional, as estruturas das redes são formadas por múltiplas relações internas e externas e podem ser analisadas nos aspectos intra e interorganizacionais. Para os autores, no aspecto intraorganizacional, são analisados apenas os aspectos internos da organização, tais como relação entre as pessoas, os setores, o processo produtivo etc. No interoganizacional, enfatiza-se as relações externas à organização, compreendendo laços pessoais, alianças estratégicas com fornecedores, clientes, transações comerciais, fluxos de recursos, fluxos de informações, dentre outras.
As redes interoganizacionais são caracterizadas por Chagas Júnior et al. (2011) como aquelas estabelecidas entre as organizações. Emergiram como maneira de organizar as atividades econômicas, essencialmente as de caráter inovador e assumem caráter sócio- técnico operacional (DE SORDI et al, 2009). Para Silva et al. (2014), elas são mais formais que informais.
Baseados em Faoro e Oliveira (2014), Silva et al. (2014) afirmam que existem dois tipos de relações interorganizacionais: a bilateral estabelecida entre empresas; e a multilateral estabelecida entre empresas, associações, universidades, institutos de pesquisas, entre outros.
As organizações intraorganizacionais são caracterizadas por Silva et al. (2014) como aquelas que grande parte das informações e do conhecimento compartilhado é de cunho estratégico e, muitas vezes, confidencial, exigindo conduta e ética bem definidas. Elas se organizam de maneira informal com muita rapidez e, em muitos casos, apresentam-se como uma rede instável com laços mais fortes, entre alguns, e fracos, entre outros. Normalmente são democráticas e com características upward (de um nível inferior para um nível superior). Se bem aproveitadas, podem dinamizar as organizações e fazer com que a informação e o conhecimento cumpram sua função num ambiente propício.
Quando as redes intraorganizacionais são formais, é natural que sejam mais impositivas e top down. Se uma empresa determinar que todos os vendedores devem se cadastrar e ficar conectados em determinado sistema de venda, essa participação é impositiva e determinada de cima para baixo, sendo por essa rede que circulará as informações necessárias ao dia-a-dia das vendas. A participação em determinadas reuniões, também espaço de compartilhamento de informações entre seus participantes, é um processo formal, no qual quem deve participar ou não é algo imposto normalmente de cima para baixo.
Em outras palavras, Silva et al. (2014) asseguram que nas redes intraorganizacionais o conhecimento está presente, em grande parte, informalmente. Assim, colaboradores de determinado setor organizam-se em pequenas novas redes colaborativas para resolver determinados processos. Além disso, formam redes de relações informais visando a
produtividade e a materialização do conhecimento desenvolvido e que pode se perder caso o funcionário saia da organização. Tudo isso são conhecimentos e informações acumulados e desenvolvidos dentro de pequenas redes e que, normalmente, não são registrados em manuais.
Independentemente de a rede ser interorganizacional ou intraorganizacional, o mais importante é a informação, o conhecimento e os insumos que são compartilhados e que, na verdade, referem-se a uma rede organizacional de um modo amplo. O que muda são as formas como essa comunicação e demais trocas são feitas e o que pode ser comunicado e trocado para cada caso (SILVA et. al., 2014, p. 140).
Logo, é, segundo os autores, nessa perspectiva, que as TIC desempenham papel relevante. São caracterizadas grandes aliadas ao processo de GC nas organizações públicas em rede por vários motivos. O primeiro deles, segundo Lyon (1992), é que elas contribuem para o desmoronamento de barreiras entre as categorias informacionais. Além disso, elas funcionam como infraestrutura responsável pelo fluxo informacional interorganizacional e intraorganizacional, desenvolvendo a potencialidade das conexões entre os atores. Para Balestrin e Vargas (2002), as TIC nas redes organizacionais públicas revelam a funcionalidade dos recursos informacionais, da infoestrutura combinada nas regras de procedimentos e ética a ser observada, e da infraestrutura para as conexões efetivas, envolvendo meios e tipos de comunicação, locais e públicos de abrangência da rede e custos de implementação e manutenção do funcionamento da rede e quem a financiará.
Já Olave e Amato Neto (2001, p. 301) afirmam que elas contribuem para a “agilização do fluxo de informação de vital importância para a implementação e o desenvolvimento de redes”, tornando-se um processo operacional, compostas por sistemas colaborativos que permitem, segundo Camargo, Khoru e Giarola (2005): gerenciar e coordenar trabalho em grupo; promover a interação síncrona (tempo de resposta imediato) ou assíncrona (tempo de resposta não imediato); integrar o ambiente interno ao externo da organização; criar, armazenar, gerenciar, recuperar e disseminar documentos; e facilitar a comunicação entre as partes envolvidas. Soma-se a esse sistema colaborativo a comunidade virtual de prática que reúne membros por interesses comuns e pelos mesmos problemas (SILVA et al., 2014).
Para Teixeira Filho (2002) e Silva et al. (2014), muito do poder nas organizações encontra-se justamente na rede de relacionamentos informais. Eles são também, junto as TIC, os grandes aliados da GC em qualquer organização. As comunidades de práticas, por exemplo, como expressão e espaço desse poder informal, apontam benefícios na redução dos custos de comunicação entre os membros da organização, no aumento da produtividade na solução de problemas, no favorecimento da criação de memória organizacional e do processo
de inovação de produtos e processos, na facilitação da cooperação entre os membros da organização e do compartilhamento de conhecimentos.
Tido o exposto, o imperativo de ver a organização pública na perspectiva de gestão em rede faz com que ela seja situada na sociedade da complexidade, na sociedade do conhecimento. Então, para entendê-la, neste contexto, o voo rumo às novas perspectivas e abrangências das organizações públicas precisa estar equilibrado aos estudos e propostas teórico-conceituais pertinentes.
De acordo com Araújo (2014), a Teoria Ator-Rede (TAR) está situada nas correntes teóricas da CI e pode contribuir para os entendimentos das organizações públicas em rede e para a implantação da GC nessas organizações.
2.4.5 Teoria Ator-Rede, organizações públicas e Gestão do Conhecimento: demandas de