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No Brasil, por muito tempo, o serviço de assistência técnica era voltado para a importância da adoção de tecnologias, cujo objetivo era o aumento da produção e da produtividade, ou seja, o foco consistia no aumento da quantidade produzida. Entretanto, isso não implicou necessariamente em aumento da renda do produtor, levando muitos produtores a criar resistência para a adoção de inovações (FRANCO, 2002).

Embora tenha ocorrido no Brasil diversos estímulos ao desenvolvimento da agropecuária a partir dos anos de 1960, o pequeno produtor não foi beneficiado. Tal fato contribuiu para que a agricultura familiar ficasse a margem das políticas de desenvolvimento tecnológico, produzindo com baixa tecnologia, auferindo baixa produtividade. O principal obstáculo ao acesso a esse

processo de modernização foi a carência de recursos e a descapitalização dos produtores familiares (BUAINAIN et al. 2007).

De acordo com Franco (2002), a etapa de adoção de tecnologias no setor rural brasileiro muitas vezes deixa de ser realizada devido à dificuldade de comprovar, na prática, os resultados esperados da inovação. Ocorre que para acreditar nos resultados que a tecnologia proporcionará, o produtor rural precisa ver previamente a eficiência e eficácia da inovação, principalmente no que diz respeito à produtividade, que quase sempre se dá através de visitas a outras propriedades, pioneiras na utilização de determinadas tecnologias.

Na literatura, encontram-se uma série de fatores que podem constituir barreiras ao processo de difusão e adoção de tecnologias na agropecuária brasileira. Buainain et al. (2007) listou alguns desses fatores, agrupando-os de acordo com a natureza das variáveis envolvidas. Os principais são os seguintes:  Característica sócio-econômica do produtor e de sua família: a experiência e o

nível educacional das famílias é um dos fatores determinantes no processo de adoção de tecnologia. Quanto menor a escolaridade, maior é a dificuldade em obter informações e decodificá-las, bem como usar técnicas novas e de gerenciá- las.

 Grau de organização dos produtores: na agricultura familiar, o tamanho das propriedades e a escala de produção constituem barreiras à adoção de tecnologia. A organização dos produtores em cooperativas, associações e em organizações informais, é uma alternativa a este gargalo.

 Disponibilidade e acesso à informação: muitas tecnologias não são adotadas devido à falta de informações do produtor, contudo, esta nem sempre constitui o determinante na adoção de tecnologia, podendo ser de outra natureza como econômica, capital, mão-de-obra, creditícia, etc.

 Direitos de propriedade: a questão da propriedade legal das unidades de produção dificulta o acesso às políticas públicas, principalmente de crédito, na qual poucas famílias possuem documentação legal que comprovem a posse das terras pelos produtores. Por conseqüência, a descapitalização dos mesmos restringe o acesso às tecnologias.

Rogers (2003) destaca alguns fatores que afetam a difusão e adoção de tecnologias. Dentre estes fatores destacam-se: estrutura social, sistemas de

normas, opinião de líderes, tipos de decisão de inovação e conseqüências da inovação.

 Estrutura social: pode ser definida como o arranjo desenhado de unidades no sistema a fim de regular e estabilizar o comportamento humano no sistema, permitindo predizer o comportamento com certo grau de precisão, representando um tipo de informação que reduz a incerteza.

 Sistemas de normas: representam os modelos de comportamento estabelecidos pelos membros de um sistema social; definem um conjunto de comportamentos toleráveis e servem como guia ou padrão para o comportamento dos membros do sistema, além de servir como barreiras às mudanças.

 Líderes de opiniões: os inovadores, em grande parte, são vistos como exceções e possuem baixa credibilidade por vários membros do sistema. Todavia, outros membros do sistema possuem a função de líderes de opinião, fornecendo informações e conselhos sobre inovações para muitos outros membros do sistema.

 Tipos de decisão sobre inovação: a decisão de inovação opcional é feita por um indivíduo em adotar ou rejeitar uma inovação independente dos demais membros do sistema. Pode ser influenciada pelas normas do sistema ou pela comunicação através da rede interpessoal, em que o indivíduo é a principal unidade de tomada de decisão, ao invés do sistema social. Na decisão coletiva, as escolhas são realizadas em consenso entre os membros do sistema e todas as unidades pertencentes ao sistema devem concordar com a decisão. A decisão de inovação autoritária na qual as escolhas de adotar ou rejeitar uma inovação são feitas por poucos indivíduos que possuem poder, status ou experiência técnica.

 Conseqüências da inovação: são as mudanças que ocorrem para um indivíduo ou para o sistema social, como resultado da adoção ou rejeição da inovação. Existem três tipos de conseqüências: (I) desejáveis ou indesejáveis, ou seja, se os efeitos da inovação no sistema social é funcional ou disfuncional; (II) direta ou indireta, se as mudanças ocorrem como resposta imediata ou como resultado de segunda ordem da conseqüência direta da inovação e; (III) esperada ou não- esperada, caso as mudanças são, ou não, reconhecidas ou pretendidas pelos membros do sistema social.

tecnologias. Cada autor, todavia, tem uma abordagem diferente para descrevê-las, focando diferentes aspectos. Outros fatores ainda podem ser listados como determinantes no processo de adoção de tecnologias. Nas regiões mais carentes do país, questões como energia elétrica ainda é um grande problema para a difusão e a adoção de tecnologia. A escolaridade é outro fator que pode ser destacado. O fato é que, para que o produtor possa utilizar adequadamente as tecnologias, é necessário um mínimo de instrução para codificar as informações relacionadas ao novo produto adquirido, a fim de maximizar sua utilização e conferir os ganhos esperados com a adoção (FRANCO, 2002).

A assistência técnica possui grande importância nesse processo, principalmente no caso de difusão. Atualmente, a assistência pública é o tipo mais comum de assistência utilizada pelo produtor familiar, apesar de o sistema já não ser suficiente para atender a demanda, limitando o acesso à informação. Todavia, cabe ressaltar a relação direta existente entre a adoção de tecnologia e a assistência técnica, em que é visível a melhoria da produção agropecuária quando o produtor rural é assistido pelos programas de extensão rural. No Brasil, grande parte das informações relacionadas às tecnologias é difundida pelas entidades de assistência técnica, principalmente pelas ATERs. Nas regiões onde esta se faz de modo mais eficiente, há predominantemente o uso de tecnologias no processo produtivo, como é o caso do Sul do País (BUAINAIN et al., 2007).

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