4. Teoretisk referanseramme
4.2 Fastsettelse av internpris
Moscovici (1978), ao explicar a natureza das representações sociais, apresenta e investiga suas estruturas. O autor aprofunda suas reflexões em torno de um questionamento sobre a representação como dimensão dos grupos sociais. Desta forma, apresenta algumas particularidades concernentes à representação, por meio de proposições, reações e avaliações, assumindo formato diferenciado em classes sociais desiguais, culturas e grupos, organizando- se assim em universos de opinião diferenciados. O autor, assim, formula a hipótese que cada
72 universo de opinião apresenta três dimensões denominadas de: a atitude, a informação e o campo de representação ou a imagem.
Moscovici (1978) explica que o universo de opinião, a atitude, diz respeito à orientação global em relação ao objeto da representação social, pois permite o norteamento ou posicionamento do sujeito social face ao objeto, assumindo posições desfavoráveis, favoráveis e intermediárias.
Acerca do segundo universo de opinião, a informação, o autor define a informação como aquela relacionada com a organização dos conhecimentos que um grupo possui sobre um objeto social.
O terceiro universo de opinião, o campo representacional está, segundo o autor associado à idéia de imagem, de modelo social, ao conteúdo concreto e limitado das proposições relacionadas a aspectos precisos do objeto. No pensamento de Moscovici, a existência de um campo representacional ou uma imagem encontra-se atrelada a uma hierarquização de elementos.
Moscovici (1978) postula que as três dimensões, ou universos de opinião, viabilizam a emersão de um panorama geral dos conteúdos e sentidos abrigados nas representações sociais. De acordo com as proposições antes apresentadas, faz-se necessário enfatizar a necessidade da comunicação para a elaboração das representações sociais, condição imprescindível cujas modalidades denominadas: difusão, propaganda e propagação têm papel atuante, o que é apresentado no próximo item. Este foi construído para introduzir os mecanismos de comunicação em representação social para que seja possível articular as reflexões sobre como as opiniões comunicadas através da mídia são transformadas em senso comum.
73 4.5 Sistemas de comunicação das representações sociais
Quando estudos sobre representações sociais são construídos é pressuposto que na trama textual, haja destaque para as comunicações, visto que é na fruição destas, que as representações sociais nascem, elaboram-se e manifestam-se.
Para Moscovici (1997) “a fórmula é curta, não há representação sem comunicação e não há comunicação sem divergência, e sem representações sociais concorrentes, isto é, sem as causas sociais” ( p. 17). É possível assim, perceber, deste modo, que Moscovici assume que a comunicação é condição sine qua non para a formação de representações sociais.
As representações sociais, deste modo, favorecem a compreensão de fenômenos, como é o caso da doença, descortinando o modo como uma determinada comunidade e seus grupos de pertença – ao se comunicarem informalmente – geram saberes práticos que guiam as suas interações com o universo social.
Neste raciocínio, coloca-se em evidência a dimensão da comunicação e a sua importância para a construção do conhecimento humano. Para tal, trazemos o ensinamento de Moscovici (1997) “a fórmula é simples, não há representação sem a comunicação e não há comunicação sem divergências, sem representações convergentes, isto é, sem as vivências diárias sociais” (p.01). Fica evidente, assim, que as representações sociais transitam pela via das comunicações.
Acerca das representações sociais, Jodelet (2001) conclama “circulam nos discursos, são trazidas pelas palavras e veiculadas em mensagens e imagens midiáticas, cristalizadas em condutas e em organizações materiais e espaciais” (pp.17-18). Assim, pelo acesso das representações sociais é possível a apreensão de fenômenos que se fazem observáveis.
74 A comunicação como elemento “propulsor” para a emersão das representações sociais também é conclamada por Coutinho (2001, 2005) que a ela se refere como a “pedra angular das representações sociais”.
Os estudos de Moscovici (2012) sobre a representação social da Psicanálise desvelaram o modo como o objeto social “a psicanálise” desloca-se pelo veio dos meios de comunicação de ambientes especializados e penetra na sociedade parisiense assumindo outras significações.
Sua obra seminal “A Psicanálise, sua imagem e seu público” foi composta de duas partes, na inicial, o autor apresentou o aporte teórico das representações sociais e, na segunda, particularmente, dedicou-se ao estudo da comunicação, considerado elemento relevante para a construção das bases teóricas. A condução do estudo antes mencionado por Moscovici (1978) contou com uma pesquisa sobre artigos, publicações acerca da Psicanálise que foram veiculados por jornais franceses advindos da imprensa de três segmentos, a comunista, a cotidiana e a religiosa.
Acerca da precisão metodológica conduzida por Moscovici por ocasião de seus estudos, Castro (2002) detalha que na segunda parte da obra de Moscovici, apresenta-se a noção de modalidade comunicativa cujos resultados “incidirão sobre a imprensa genérica (por exemplo, France Soir, Elle), sobre as publicações católicas (por exemplo, La Croix) e sobre as comunistas (por exemplo, L’Humanité)”.(p. 954). .
As análises de cada modalidade de publicação fazem com que Moscovici aponte a existência de “uma modalidade diferente de comunicação — a difusão, a propagação e a propaganda. (...) as quais determinam o conteúdo e a forma das mensagens” (Castro, 2002, p.954).
75 Acerca dos procedimentos que Moscovici usou para conduzir a pesquisa, Duveen (2003) detalha: “Moscovici mostrou como as categorias propagação, propaganda e difusão foram do modo que foram porque os diferentes grupos sociais representam a psicanálise de diferentes modos e procuram estruturar diferentes tipos de comunicação sobre esse objeto, através dessas diferentes formas” (p. 17-18).
4.5.1 Difusão
A difusão para Moscovici (2012) é um sistema de comunicação, que deve ser diferenciada do sentido comum do termo: operação material de distribuição. A imagem que mais se aproxima é a de um ou vários elementos que percorrem trajetórias descontinuas no interior de diversas estruturas ligadas entre si e que podem introduzir modificações ou manter a autonomia (p. 285). O autor explica que na difusão, o esforço essencial do emissor da difusão é por um lado estabelecer uma relação de igualdade, de equivalência entre ele e o seu público e por outro lado se adaptar a ela (p.285).
Moscovici (2012) então descreve os oito traços essenciais da difusão:
(i) a fonte de comunicação não manifesta intenções bem definidas e não possui orientação acentuada; (ii) as comunicações se propõem a influenciar algumas condutas particulares, sem insistir na relação entre comunicação e condutas; essas relações são de natureza incidente; (iii) o emissor tende a tornar-se a expressão do receptor; (iv) os dois termos da comunicação são definidos de maneira bastante geral, e, por isso mesmo, imprecisa; (v) o receptor – o público-não constitui um grupo altamente estruturado e orientado; (vi) o objeto das comunicações é tratado de tal forma que certa distância é mantida entre o objeto e o emissor da comunicação; o não envolvimento aparente permite e supõe uma margem de ajustamento entre a fonte
76 emissora e seu público; (vii) as mensagens guardam relativa autonomia em uma mesma fonte, manifestada pela sua descontinuidade; (viii) embora não sendo uma forma de comunicação visando abertamente condutas coletivas, a difusão pode ser eficaz (p.298).
4.5.2 Propagação
Sobre a propagação Moscovici (2012), apresenta algumas características:
(i) seu campo de ação é relativamente restrito; (ii) se propõe a integrar um objeto social, a psicanálise, a um quando já existente; (iii) visa a aceitação por todo o grupo de uma concepção dominante em uma de suas partes; (iv) seu objetivo não é provocar uma nova conduta ou reforçar uma conduta já existente; trata-se sobretudo de tornar possível uma adequação de comportamentos e normas aos quais os indivíduos aderem; em outras palavras, a comunicação tem como objetivo dotar as condutas atuais ou prováveis de uma significação que não possuíam anteriormente (p.336).
4.5.3 Propaganda
Sobre as funções da propaganda, Moscovici (2012) afirma que ela é dupla: reguladora e organizadora. O autor apresenta algumas características:
(i) a propaganda é definida ao mesmo tempo como “manipulação” (instrumentação) e como expressão do grupo; (ii) as teorias atuais colocam em evidência a natureza do objeto, do problema em questão, mas nos parece indispensável se interessar também pela natureza conflituosa das relações que tornam necessárias a expressão e a representação do objeto, (iii) ao insistir no fato de que a propaganda conduz à constituição de uma representação, fica claro que é também a organização cognitiva
77 características desse sistema de comunicação; essa organização específica explica grande parte dos “sintomas” e dos “procedimentos” constatado; (iv) finalmente o objetivo da propaganda – produzir uma conduta, uma ação – é geralmente admitido (p.397).
A autora universalmente conhecida como a propagadora das Representações Sociais, Jodelet (2001) detalhando os princípios de Moscovici em relação aos níveis de incidência das representações sociais apresenta aqueles associados à edificação de condutas e os cita: opinião, atitude e estereótipo que de acordo com a autora sofrem intervenção dos sistemas de comunicação midiática, classificando-os e conceituando-os: “A difusão é relacionada com a formação de opiniões; a propagação com a formação de atitudes e a propaganda com a dos estereótipos.” (p.30)
Rouquette (1996) contribui para o detalhamento dos conceitos de difusão, propagação e propaganda explicando que a difusão destina-se ao controle da opinião, particularmente às questões de ordem política, depende de uma instituição de poder e aparece em contextos polêmicos onde há confrontos grupais. Como exemplo o autor apresenta a guerra e a atuação do funcionamento das democracias modernas. A propagação manifesta-se como um mecanismo para regular as atitudes e as crenças de uma população, especialmente quando a estas pessoas são apresentadas novas questões. “Um exemplo eclesiástico é a tentativa da igreja católica de assimilar ou interpretar elementos da modernidade, particularmente em relação às questões econômicas e morais”. (p.02)
Para o referido autor, a terceira e última modalidade de comunicação denominada difusão “que minimiza as diferenças sociais e ideológicas com vistas à união de um grande
78 número de modalidades de pensamento não especializados, a grande circulação de jornais em muitos países desenvolvidos é um exemplo típico”. (p.2)
O que Moscovici chamou de sistemas de comunicação em contexto temporal das representações sociais, Marková (2000) afirma “atualmente ele chamaria de gêneros comunicativos”. (p. 29).
Na concepção de Marková (2006), os gêneros comunicativos propostos por Moscovici têm suas próprias regras, estas moldam as representações sociais e por elas são moldados. Para a autora, Moscovici mostrou em seu estudo que na difusão da psicanálise elaborada pelos jornais havia um estilo de construção textual concreto, atrativo e rápido. Focado no vocabulário do leitor, usou frases curtas que chamavam a atenção e eram engraçadas, a exemplo de “mergulho na subconsciência”. Por oposição, a propaganda contou com adjetivos e frases específicas como “a psicanálise como pseudociência”, “ a pseudociência burguesa” ou a “pseudociência americana” focalizando a produção de efeitos ideológicos, verbais ou conceituais. O estudo de Moscovici assim revelou que a intenção da propaganda era conceder menos valor à psicanálise como ciência, para tal, os significados linguísticos serviram a este propósito.
Acerca dos sistemas de comunicação, Nóbrega (2003) afirma que a difusão, propaganda e propagação, são chamados de sistemas indutores das representações, uma vez que cada sistema de comunicação é peculiar aos laços estabelecidos entre o emissor e o receptor. “a organização das mensagens e aos comportamentos visados”. (p.71). A referida autora apresenta a caracterização da modalidade comunicativa, a difusão, como uma
Indiferenciação dos laços entre o emissor e o receptor da mensagem. Esta noção é reatada à acepção de opinião, a medida que esses dois conceitos evocam uma certa
79 descontinuidade e contradição dos temas, tendo como resultado a instabilidade e a fluidez das posições assumidas pelos atores sujeitos à difusão. (p.71).
Diferenciada da modalidade comunicativa difusão, a propagação, demanda uma complexidade maior das mensagens, apresenta-se como um elemento com características similares à concepção de atitude. Explica a autora antes citada que “a atitude pode ser entendida como uma organização psíquica que tem uma relação (positiva ou negativa) com o objeto: a direção da relação pode manifestar-se através de uma série de reações ou por um comportamento global” (Nóbrega, 2003, p.71).
Nóbrega (2003) observa a propaganda como uma modalidade comunicativa diferenciada das outras modalidades, ou seja, da difusão e da propagação. Constituiu-se como uma forma de comunicação de um grupo “cuja dinâmica encontra-se inscrita nas relações sociais conflituosas e que tem por objetivo engendrar a ação relativa à ‘representação que ele se faz do objeto de conflito’”. (p. 72). Esta modalidade de comunicação, segundo a autora demanda unidade e autoafirmação de um grupo, posicionando-se numa relação de incompatibilidade com o outro grupo.
Conforme já foi descrito, e com o apoio das formulações teóricas acerca das modalidades de comunicação em representações sociais antes apresentadas, é possível compreender como se dá a construção do objeto sob as diferentes formas de comunicação.