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EPISCOPAL

TÊXTEIS panos de Londres verdes sem guarnições usados

nas portas, paredes e sobre os bufetes couros sem feitio

almofadas de pano preto e cordovão, para uso pessoal

almofadas de veludo preto, para hóspedes «de respeito»

chamalote preto usado no sitial, cadeira e quartinha.

tapeçarias e panos de Raz brocados, sedas

guadamecis dourados coxins e almofadas de veludo de cores

Príncipe da Igreja Pastor da Igreja

MESA baixela de prata baixela de estanho, louça de barro

MOBILIÁRIO mobiliário sumptuoso cadeiras, mesas e bofetes de pau de nogueira chãs; sitial

cama de seda e colchas cama ordinária; estrado de madeira, catre de pau de nogueira

REPOUSO

VESTUÁRIO hábito de clérigo

raxa preta, baeta, saragoça, estamenha parda ESTREBARIA cães de caça (galgos e perdigueiros)

cavalos, mulas, ginetes

machos, azémolas

TRANSPORTE coche, liteira coche, liteira

Tabela 1

Habitar o paço episcopal de acordo com os modelos de conduta referidos na literatura comportamental e biográfica.

NOTAS

* Este estudo resulta do trabalho de investigação desenvolvido no Doutoramento, tendo parte inte- grado a minha Tese intitulada A sacristia e a encomenda episcopal em Portugal no período da Reforma Católica. O caso da Sé de Coimbra e o patrocínio do bispo D. Afonso de Castelo Branco (2013) e realiza- da com o apoio de uma Bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH / BD / 45995 / 2008).

1 Os oficiais eram diversos, havendo um para cada função particular. Destacam-se, entre outros, o

vedor do paço e da fazenda; o secretário; o guarda-roupa; o manteeiro; os camareiros e moços de câmara; o porteiro da câmara; os pajens; os capelães, confessores e cantores de capela; o prebendeiro; os esmoleres; os escudeiros; o estribeiro e caçador; o físico; músicos e cantores; mestres de obras e artistas. Veja-se a este propósito, por exemplo, os estudos PAIVA (2005) e NUNES (2010).

2 Sobre este assunto veja-se PALOMO, 2006, p. 33, 33; e sobre a história da reforma da vida diocesana

e da literatura a ela associada cf. DIAS, 1960, I 67-92.

3 DONNELLY, 2002.

4 Esta temática é bem problematizada e tratada por John Alexander, no estudo sobre o patrocínio de

arquitectura pelo cardeal e arcebispo de Milão, Carlo Borromeo. ALEXANDER, 2007.

5 MÁRTIRES, 1981, 227-28, 229, 240-41. 6 CONTARINI, 2002, 51. 7 MÁRTIRES, 1981, 137, 236. 8 CONTARINI, 2002, 95. 9 MÁRTIRES, 1981, 137. 10 Idem, 194. 11 Ibidem, 233. 12 CONTARINI, 89. 13 CONTARINI, 2002, 121. 14 MÁRTIRES, 1981, 135.

15 O tratado de Gasparo Contari, escrito em 1517, só foi publicado nas três edições das suas Opera,

29 anos depois da sua morte: 1571 em Paris; 1578 e 1579 em Veneza. Em 1572, o cardeal Scipione Rebiba, comissário da Inquisição, proibiu a venda do livro até à sua diligente revisão, notificando os livreiros em 1574. DONNELLY, 2002, 17 e 20.

16 Exemplar da Biblioteca Nacional de Portugal, com a cota R. 3308 A.

17 Sobre o desempenho e reformas de D. Jorge de Ataíde enquanto bispo de Viseu, veja-se NUNES, 2010. 18 NUNES, 2010, 74-76. O paço e quinta do Fontelo tinham recebido uma importante campanha de

obras patrocinada pelo bispo D. Miguel da Silva (1526-1547), cf. MOREIRA, 1988 e 1995, 333-40.

19 Biblioteca da Ajuda, 51-IX-9, fl. 275. 20 BA, 51-IX-9, fls. 275 e 274.

21 BA, 51-IX-9, fl. 275.

22 Biblioteca Nacional de Portugal, COD. 13117, fl. 92. 23 BA, 51-IX-9, fl. 274.

24 BA, 51-IX-9, fl. 274. 25 BNP, COD. 13117, fl. 94.

26 Sobre o percurso de D. Teotónio de Bragança vejam-se os estudos monográficos ESPANCA, 1984-

27 Carta de D. Teotónio de Bragança à Câmara de Évora. Évora, 9 de Outubro de 1592. Arquivo Mu-

nicipal da Câmara de Évora. L. 9 dos Originais, fl. 502. In ESPANCA, 1951, p. 38.

28 Carta de D. Teotónio de Bragança à Câmara de Évora. Évora, 9 de Outubro de 1592. Arquivo Mu-

nicipal da Câmara de Évora. L. 9 dos Originais, fl. 502. In ESPANCA, 1951, p. 38-39 e HESPANHOL, 1993, p. 300. 29 ESPANCA, 1951; HESPANHOL, 1993. 30 ESPANCA, 1966, 230. 31 AGOSTINHO, 1614, f. 15v-16v. 32 TELES, 1645, I: 411-412. 33 AGOSTINHO, 1614, f. 81. 34 Idem, f. 63-63v.

35 FRÓIS, 1993 e SANDE, 2009. O episódio é também narrado por Baltazar TELES (1645, I: 410). 36 SANDE, 2009, V. 1: 358.

37 SANDE, 2009, V. 2: 652. 38 FRÓIS, 1993, 40.

39 SANDE, 2009, V. 1: 358 e FRÓIS, 1993, 39. 40 FRÓIS, 1993, 39.

41 AGOSTINHO, 1614, f. 53v. D. Teotónio de Bragança colocou ainda à disposição do povo os celeiros

episcopais em 1597. ESPANCA, 1984-1985, 140.

42 TELES, 1645, I: 414.

43 O patrocínio artístico de D. Afonso de Castelo Branco mereceu um primeiro estudo realizado por

António Filipe Pimentel (1982), o qual procurei acrescentar e aprofundar na minha Tese de Dou- toramento, no âmbito da encomenda e patrocínio episcopal da sacristia da Sé Velha de Coimbra (MARQUES, 2013). Os dados sobre o paço episcopal e a biografia do bispo-conde de Coimbra aqui apresentados recapitulam, por isso, alguns dos tópicos da investigação publicada na Tese.

44 Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, Ms. 194 V; Biblioteca Pública de Évora, Cod. CIV

e CV. Neste estudo, foi usada a cópia da BACL.

45 Completada cerca de 1592, a empreitada contemplou o provimento de água canalizada, e a regu-

larização da planimetria da residência com a construção do bloco sul, o lançamento da loggia, e a definição da entrada principal pelo portal na fachada nascente. Sobre a história do paço episcopal de Coimbra, e em particular sobre as obras promovidas por D. Afonso de Castelo Branco, veja-se o estudo de Milton PACHECO, 2009, 104-123.

46 BACL, Ms. 194 V, fl. 66.

47 Ver GARCIA, 1892 e MARQUES, 2013, 228-231 e 329-331. 48 GASCO, 1807, 138.

49 GARCIA, 1892, 9: 263.

50 Sobre este ciclo de pintura, actualmente exposto no Museu da Universidade de Coimbra, veja-se

SERRÃO, 2005.

51 MARQUES, 2013, 328, 217 e 219. 52 PAIVA, 2005, 234.

53 «Uma noite estando jogando com D. Fernão de Mascarenhas (que era Reitor da Universidade)

já se entende que jogo lícito». BACL, Ms. 194 V, fl. 89. D. Afonso de Castelo Branco foi criterioso na eleição das suas amizades: D. Fernando Martins Mascarenhas (1548-1628) era considerado um homem de grande cultura e um dos melhores teólogos do seu tempo, estudou Artes, Teologia e

Humanidades em Évora e doutorou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, da qual foi Reitor entre 1586 e 1594, cargo que abandona para tomar posse do bispado do Algarve.

54 Pela primeira vez concedido por D. Manuel a D. Jorge de Almeida em 1525. PAIVA, 2005, 229-30

e 2006, 119 n. 23.

55 Sobre a quinta de São Martinho do Bispo e as obras que D. Afonso de Castelo Branco aí empreen-

deu, veja-se MARQUES, 2013, 233-236.

BIBLIOGRAFIA

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FONTES IMPRESSAS

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ESTUDOS

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Daniela Viggiani é mestre em Conservação dos Bens Culturais pela Universidade de Génova (2000).

Actualmente é doutoranda no Departamento de História da Arte da Universidade de Montréal (Québec, Canadá). A sua tese de doutoramento compreende uma análise crítica das notícias artísticas relativas a Portugal. Desde 2010 é membro da Chaire sur la Culture Portugaise da Universidade de Montréal. Em 2012 obteve uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar in loco a maté- ria da sua tese. [email protected]

“L’ Abecedario Pittorico” de Pellegrino Antonio Orlandi de 1753

“L’ Abecedario Pittorico” de Pellegrino Antonio Orlandi, na reedição de Pietro Guarienti de 1753 (Veneza, Ed. Pasquali), é uma fonte de conhecimento de grande importância para o colec- cionismo artístico português. Mercador de arte e restaurador, Pietro Guarienti (Verona 1678 - Dresden 1753) viveu em Lisboa nos anos trinta-quarenta do século XVIII onde conheceu muitos coleccionadores, cujos nomes e objectos artísticos refere na sua obra. Na presente contribuição apresentarei alguns dos coleccionadores citados por Guarienti, em particular o conde de Cocu- lim e D. Diogo de Nápoles Noronha e Veiga, figuras pouco conhecidas da Historiografia da Arte, que, pela qualidade das suas colecções, merecem uma atenção particular.

Pellegrino Orlandi’s 1753 “Abecedario Pittorico”

The Abecedario Pittorico of Pellegrino Antonio Orlandi, in the 1753 edition by Pietro Guarienti (Venezia, ed. Pasquali) is a very important source of knowledge about art collecting in Portugal. Art dealer and restorer, Pietro Guarienti (Verona 1678 - Dresden 1753) lived in Lisbon during the thirties and forties of 18th century and he got in contact with many collectors whose names are mentioned in his work. This contribution aims to present some of these collectors, in particular D. Diogo de Nápoles Noronha e Veiga and D. Francisco Mascarenhas, conde de Coculim, personalities who are little known by the Art Historiography and who, instead, deserve better attention.

Resumo/Abstract