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Fast Fourier Transform

Com o objetivo de corroborar a compreensão do manto na borda oeste do cráton São Francisco, optou-se por utilizar os mesmos métodos geotermobarométricos para os xenólitos mantélicos estudados por Carvalho (1997), obtidos no kimberlito Três Ranchos IV, de acordo com a denominação da De Beers. Esse kimberlito encontra-se intrudido nas rochas da Faixa Brasília (Figura 7.6).

Os xenólitos do kimberlito Três Ranchos IV são formados por: granada lherzolitos, espinélio flogopita lherzolito, olivina websterito, granada wehrlito e espinélio wehrlito. A Tabela 7.3 e a Figura 7.7 mostram os resultados dos valores médios de T e P obtidos para vários termômetros e barômetros, utilizando-se a planilha de Brey et al. (2008).

Tabela 7.3. Resultados de T e P obtidos para os xenólitos do kimberlito Três Ranchos IV.

Amostra Termômetro e/ou barômetro utilizado T (°C) P (kbar)

Granada lherzolito (JBTR1)

MacGregor (1974) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 51 ± 3

Wells (1977) – Opx-Cpx solvus 974 ± 18 -

Ellis e Green (1979) – troca Fe-Mg entre

Cpx e Grt 958 ± 30 -

O’Neill e Wood (1979) - troca Fe-Mg entre

Ol e Grt 887 ± 180 -

Harley (1984) - troca Fe-Mg entre Opx e Grt 888 ± 92 - Bertrand e Merrier (1985) - Opx-Cpx solvus 1014 ± 26 - Nickel e Green (1985) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 52 ± 3

Powell (1985) – troca Fe-Mg entre Cpx e

Grt 937 ± 50 -

Krog (1988) - troca Fe-Mg entre Cpx e Grt 885 ± 100 - Brey e Köhler (1990) – Al em Opx para Grt

peridotitos 1065 ± 60 50

Brey e Köhler (1990) – partição de Na entre

Cpx e Opx 1217 ± 60 -

Brey e Köhler (1990) – Cpx-Opx solvus 1046 ± 60 - Köhler e Brey (1990) – partição de Ca entre

Ol e Cpx 1108 26 ± 1,65

Berman et al. (1995) – troca Fe-Mg entre

Cpx e Grt 828 ± 43 -

Ryan et al. (1996) – Zn em Spl para

peridotitos - 47 ± 3

Taylor (1998) - Opx-Cpx solvus 1158 ± 62 - Krog Ravna (2000) – troca Fe-Mg entre Cpx

e Grt 883 -

Nimis e Taylor (2000) – Cpx para Grt

peridotitos 1007 ± 30 59 ± 3

Nakamura e Hirajima (2005) - troca Fe-Mg

entre Cpx e Grt 864 -

Brey et al. (2008) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 43 MÉDIA 982 47 OTIMIZADO 1012 49 Granada lherzolito (JBTR3)

MacGregor (1974) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 45 ± 3

Wells (1977) – Opx-Cpx solvus 1037 ± 18 - Ellis e Green (1979) – troca Fe-Mg entre

Cpx e Grt 1162 ± 30 -

O’Neill e Wood (1979) - troca Fe-Mg entre

Ol e Grt 1410 ± 180 -

Harley (1984) - troca Fe-Mg entre Opx e Grt 1056 ± 92 - Bertrand e Merrier (1985) - Opx-Cpx solvus 1066 ± 26 - Nickel e Green (1985) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 42 ± 3

Powell (1985) – troca Fe-Mg entre Cpx e

(Cont.) Tabela 7.3. Resultados de T e P obtidos para os xenólitos do kimberlito Três Ranchos IV.

Amostra Termômetro e/ou barômetro utilizado T (°C) P (kbar)

Granada lherzolito (JBTR3)

Krog (1988) - troca Fe-Mg entre Cpx e Grt 1115 ± 100 - Brey e Köhler (1990) – Al em Opx para Grt

peridotitos 1139 ± 60 40 ± 5

Brey e Köhler (1990) – partição de Na entre

Cpx e Opx 1390 ± 60 -

Brey e Köhler (1990) – Cpx-Opx solvus 1131 ± 60 - Köhler e Brey (1990) – partição de Ca entre

Ol e Cpx 1188 10 ± 1,65

Berman et al. (1995) – troca Fe-Mg entre

Cpx e Grt 1117 ± 43 -

Ryan et al. (1996) – Zn em Spl para

peridotitos - 46 ± 3

Taylor (1998) - Opx-Cpx solvus 1224 ± 62 - Krog Ravna (2000) – troca Fe-Mg entre Cpx

e Grt 1137 -

Nimis e Taylor (2000) – Cpx para Grt

peridotitos 1082 ± 30 49 ± 3

Nakamura e Hirajima (2005) - troca Fe-Mg

entre Cpx e Grt 1156 -

Brey et al. (2008) – Al em Opx para Grt

peridotitos - 36

MÉDIA 1160 38

OTIMIZADO 1186 49

Granada wehrlito (JBTR50)

Ellis e Green (1979) – troca Fe-Mg entre

Cpx e Grt 1529 ± 30 -

Powell (1985) - troca Fe-Mg entre Cpx e Grt 1546 ± 50 - Köhler e Brey (1990) – partição de Ca entre

Ol e Cpx 1315 -

Nimis e Taylor (2000) – Cpx para Grt

peridotitos - 40 ± 3

MÉDIA 1463 40

OTIMIZADO - -

Olivina websterito (JBSB5)

Wells (1977) – Opx-Cpx solvus 715 ± 18 -

Bertrand e Merrier (1985) - Opx-Cpx solvus 918 ± 26 - Brey e Köhler (1990) – Al em Opx para Grt

peridotitos 756 ± 60 -

Brey e Köhler (1990) – Cpx-Opx solvus 870 ± 60 -

Taylor (1998) - Opx-Cpx solvus 827 ± 62 -

MÉDIA 817 - OTIMIZADO - - Espinélio flogopita lherzolito (JBTR2)

Wells (1977) – Opx-Cpx solvus 743 ± 18 -

Bertrand e Merrier (1985) - Opx-Cpx solvus 680 ± 26 - O’Neill e Wall (1987) – troca Fe-mg entre

Ol e Spl 896 ± 100 -

Brey e Köhler (1990) – partição de Na entre

(Cont.) Tabela 7.3. Resultados de T e P obtidos para os xenólitos do kimberlito Três Ranchos. IV.

Figura 7.7. Diagrama contendo os valores das médias e otimizado de P e T dos xenólitos do kimberlito Três Ranchos IV. As curvas com valores de 30 a 90 representam as geotermas e seus respectivos valores de fluxo de calor em mW/m2; as linhas pontilhadas indicam o aumento

da transferência de calor por outros modos que não a condução (Pollack et al., 1993). As linhas I, II e III são solidus para o manto e representam: I. ausência de voláteis; II. mistura de voláteis; III. presença de água (Pollack et al.,1993). A área acima de 10 kbar corresponde à crosta. (Pollack et al.,1993). As linhas 1, 2 e 3 correspondem a: 1- limite entre as fácies plagioclásio e espinélio; 2 e 3- limite da fácies espinélio e granada, as linhas paralelas em 2 e 3 representam “granada in” (menor P) e “espinélio out” (maior P); 5. solidus para o manto, segundo Hirschmann (2000). A linha G/D indica o limite grafita- diamante de Kennedy e Kennedy (1976).

Amostra Termômetro e/ou barômetro utilizado T (°C) P (kbar)

Espinélio flogopita lherzolito (JBTR2)

Brey e Köhler (1990) – Cpx-Opx solvus 855 ± 60 - Ballhaus et al. (1991) – troca Fe-Mg entre

Ol e Spl 890 ± 30 -

Witt-Eickschen e Seck (1991) – Al em Opx

para Spl peridotitos 875 -

Ryan et al. (1996) – Zn em Spl para

peridotitos 618 ± 50 -

Taylor (1998) - Opx-Cpx solvus 860 ± 62 -

MÉDIA 785 -

Os valores médios de P e T dos xenólitos de Três Ranchos IV espalham-se entre as geotermas de 38 a 63 mW/m2. Os granada lherzolitos caem no campo de estabilidade do diamante. Os resultados de P e T mostram que os xenólitos se espalham entre as geotermas de 40 e 60 mW/m2 e são semelhantes àquelas do kimberlito Canastra-01. Em ambos os conjuntos de xenólitos, os dados não indicam uma única paleogeoterma, mas se espalham por intervalos semelhantes.

Os valores médios de T e P, dos xenólitos de Três Ranchos IV, são menores que os valores otimizados, principalmente para as pressões (Figura 7.7). Apenas um granada lherzolito fica sobre a linha grafita-diamante entre as geotermas de 40 e 50 mW/m2. O outro granada lherzolito fica na geoterma menor que 40 mW/m2.