Para que a rede social pudesse começar a ser usada e a pesquisa fosse de fato acontecendo no dia 15 de setembro de 2015 foi criada uma página no Facebook. Dois grupos de alunos foram formados e as turmas de trabalho se constituíram nos dois turnos, manhã e tarde. Abaixo estão apresentadas as duas páginas identificadas de sua entrada para a rede social de cada grupo (Figuras 5 e 6).
Figura 5 – Entrada Facebook (turma manhã).
Fonte: https://www.facebook.com/groups/1497011650612633/
Figura 6 – Entrada Facebook (turma tarde).
Fonte: https://www.facebook.com/groups/1619377774990888/
Para iniciar o uso do Facebook foram sugeridas algumas recomendações pela pesquisadora, seguida do levantamento do número de componentes (alunos), seus papéis e atuação na rede social; foram repassadas, em linhas gerais, quais e como cada ferramenta poderia ser explorada; diretrizes sobre ética, segurança e privacidade; sugestão de como o Facebook seria usado para fins pedagógicos e, por fim, como se daria o acompanhado pela pesquisadora de todo o conteúdo e atividades publicadas pelos estudantes.
Cada grupo pode escolher uma logomarca e nomear uma identidade e por iniciativa dos próprios alunos foi feito uma votação para escolha do nome. Subgrupos foram constituídos e ao final foi feito uma votação gerando duas identificações: TECNOMONITOR, para o grupo da manhã; GMTS (Grupo Monitores e Tecnologia Sustentável), para o grupo da tarde.
A seguir, serão apresentados alguns dos recursos da rede social Facebook; estes subsídios serviram como instrumentos promotores do engajamento.
4.6.1 Ferramentas da rede social usadas como apoio ao projeto de intervenção
O Quadro 3 explicita sobre algumas ferramentas existentes na rede social e como podem servir de aporte para o desenvolvimento de algumas atividades educacionais.
Quadro 3 – Rede social (Engajamento)
O que? Como?
Chat - Comunicação on-line
Fotos e Vídeos - Divulgar ações e atividades realizadas - Postagem de vídeo
- Permutas e Compartilhamentos
Eventos - Criação e Informação
Comentários e Mensagem - Comunicação e Orientação
Enquetes - Coletar opiniões dos discentes sobre um
tema.
Compartilhar / Conteúdo - Temas e Conceitos
- Criação de novos conceitos e reutilização dos conceitos de outrem. Postagem de assuntos diversos.
Marcação de imagens, vídeos e comentários.
- Marcação participante. (estímulo na troca das imagens)
- Troca de Vídeos
Debates - Espaço para discussão de assuntos gerais
Curtir - Aprovação
- Menção - Participação
Fonte: Dados da pesquisa.
Na sequência serão vistos os mecanismos que possibilitaram a instrumentalização para o alcance dos dados trazendo uma perspectiva prática para análise da investigação. Assim no próximo trecho serão vistos os instrumentos utilizados para a composição da investigação.
4.7 Instrumentais da pesquisa
A pesquisa qualitativa assim como qualquer outro método de investigação, precisa ter na sua essência as técnicas e procedimentos para sua realização. Strauss e Corbin (1998, p.
8) apontam: “a importância desta metodologia (qualitativa) é que dá uma sensação de visão, mostrando aonde o analista quer ir com a pesquisa.”
Os instrumentais que foram utilizados nesta averiguação estiveram assim consistidos: questionário; entrevista; registro completo na rede social utilizada através da leitura das telas do Facebook, alguns prints e diálogos, transcrições de depoimentos e registro por fotos (Apêndice D). Estas ações serão postuladas nas seções seguintes.
4.7.1 Questionário
Segundo Parasuraman (1991), um questionário consiste em um conjunto de questões feito para gerar os dados necessários para se atingir os objetivos do projeto. O questionário pode trazer resposta a diversos aspectos da realidade dos envolvidos. As perguntas, assim, poderão ter, segundo Gil (1999), conteúdos sobre fatos, atitudes, comportamentos, sentimentos, opiniões, padrões de ação, comportamento presente ou passado, entre outros.
O questionário da investigação em pauta foi construído buscando a verificação do perfil dos alunos no que cerne aos aspectos da tecnologia, apropriação, utilização e coleta de algumas opiniões dos discentes. Este instrumento pode ser aplicado na iniciação do processo de intervenção, visando decifrar também qual a rede social que deveria ser adotada pelos alunos e qual o entendimento deles acerca destes espaços virtuais.
A ação diagnóstica nesta pesquisa de mestrado decifrou qual o perfil dos discentes que estiveram diretamente ligados à intervenção, no sentido de buscar respostas acerca dos possíveis conhecimentos prévios destes, quanto ao uso das tecnologias digitais no seu cotidiano, mais notadamente das redes sociais. Foi feito também a verificação sobre o significado do uso das redes sociais em contexto escolar. Este questionário foi nomeado Apropriação Tecnológica.
4.7.2 Entrevista
A entrevista é vista como um procedimento usual nas pesquisas de campo e consiste na comunicação entre pesquisador e pesquisado durante a coleta de informações. Pode-se atestar que é uma conversa, de natureza individual ou coletiva, cujos objetivos e estratégias são definidos previamente. Deslandes et al. (2003, p. 57) compreendem a entrevista “como uma conversa a dois com propósitos bem definidos”.
A entrevista é um dos principais instrumentos usados nas pesquisas qualitativas, desempenhando papel importante nos estudos científicos, pois segundo Lüdke e André (1986, p. 34) “permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”.
Lüdke e André (1986) também asseveram que, a técnica de entrevista é a que mais se adapta aos estudos do ambiente educacional apresentando um esquema mais livre, já que esse instrumento permite mais flexibilidade no momento de entrevistar os professores, os alunos, os pais, os diretores, os coordenadores, os orientadores.
No processo da pesquisa foi realizada uma entrevista breve com os discentes que pontuou de forma direta, por meio de depoimentos, sobre como foi à experiência de trabalhar atividades pedagógicas numa rede social. Este ponto de análise consistiu basicamente numa reflexão sobre a ação buscando principalmente saber o entendimento dos partícipes da investigação como foi trabalhar numa rede social. Nesta ação foi possível captar algumas opiniões dos alunos acerca de um entendimento comparativo sobre o que significou a utilização de uma rede social para uso pedagógico em relação aos métodos ditos mais convencionais de estudo. Este resultado também pode ser visto como uma das subcategorias de análise.
4.7.3 Registro de ações na rede social
Este registro tornou-se um instrumento de fundamental importância na metodologia da investigação. Neste espaço foi possível ter em mãos toda transcrição das ações das atividades desenvolvidas pelos discentes, por se tratar principalmente do próprio espaço de estudo. Este recurso foi o subsídio mais importante para que a pesquisadora pudesse descrever com bastante critério o desenvolvimento da atuação dos estudantes.
A transcrição registrada na rede social foi o recurso mais importante por se tratar do próprio lócus da pesquisa. O investigador teve em mãos toda a dinâmica da investigação e pode acompanhar também em alguns momentos como participante e interventor do processo. Neste espaço social toda a dinâmica da investigação pode ocorrer e ficar registrada.
Neste sentido, como atesta Creswell (2007, p. 190) “o pesquisador qualitativo pode se envolver em papeis que podem variar de não participante até integralmente participante” e, no caso da rede social, o pesquisador pode participar e intervir, quando necessário na dinâmica das ações pedagógicas planejadas.
Nesta perspectiva foram coletadas ações práticas realizadas pelos alunos por intermédio do próprio registro permanente na rede; ações, diálogos virtuais e presenciais complementados com depoimentos e fotos.
Foram vistos e tipificados os diversos recursos utilizados na apropriação da rede social por meio principalmente da contagem de uso de alguns recursos e trocas comunicativas realizadas no exercício da atividade em rede.
Todas as ações feitas na aplicação da atividade que ocorreram no site da rede social ficaram devidamente registradas, visto que o próprio recurso já traz esta possibilidade de armazenamento. Foram vistas principalmente ações que puderam caracterizar o engajamento discente, seus tipos e suas estratégias.
4.7.4 Registro de atividades na transcrição de alguns diálogos, fotos e imagens das telas da participação dos alunos na rede social
Esses meios tecnológicos são de fácil acesso e manuseio, por este motivo considera-se importante e necessário que façam parte das pesquisas na atualidade. Flick (2009) destaca que são essenciais para o registro de dados, no entanto devemos ter a preocupação de manter os pesquisados cientes do uso desse material.
As telas do Facebook foram registros importantes, pois serviram para elucidar ao pesquisador todos os detalhes das ações na rede social articuladas pelos discentes, estimulando melhor reelaboração das situações ocorridas, além de enriquecer a apresentação dos resultados.
Esses subsídios foram cruciais para o registro e análise dos dados, uma vez que a pesquisadora não poderia observar todas as ações dos grupos de alunos de forma abrangente e simultânea, visto que as duas turmas investigadas tinham um número significante de alunos.
No apanhado de dados, as fotos são registros visuais que podem servir para reavivar as lembranças do pesquisador em sua análise, estimulando melhor reelaboração das situações ocorridas, podendo enriquecer a apresentação dos resultados e trazer ao público imagens de situações do processo de participação dos alunos na investigação (FLICK, 2009). (Apêndice D).
No trecho seguinte está apontado o caminho que foi trilhado para análise de dados da pesquisa realizada neste projeto de dissertação.