3.1 Undersøkelsesprosessen
3.1.7 Fase 7: Hvor gode er konklusjonene vi har trukket?
O interesse sobre as estratégias de leitura inicia nos anos 80 quando a pesquisa em leitura e cognição ganha espaço. Em especial, pode-se considerar o artigo de Hosenfeld (1977) como um marco, pois foi o primeiro a disseminar a ideia de que o uso de estratégias poderia distinguir os leitores bem sucedidos ou não na leitura. Além disso, a autora também é uma das primeiras a utilizar o método de protocolos verbais, já que, nesse período, conforme descreve Alderson (1984), a maioria das pesquisas coletavam dados na forma de testes de leitura com múltipla escolha ou cloze, o que avaliava o resultado, mas não o processo de como o leitor chegou à interpretação.
Não há um senso comum quanto ao conceito de estratégias de leitura, e menos ainda quanto à classificação. Alguns autores distinguem-nas quanto às estratégias globais e locais, cognitivas e metacognitivas, outros autores diferem estratégias de habilidades. De modo mais abrangente, Weinstein e Mayer (1986) definem estratégias cognitivas como ações que ajudam a governar o comportamento, a emoção, a motivação, a comunicação, a atenção e a compreensão. Entretanto, este é um conceito bastante amplo, e não se refere exclusivamente às estratégias de leitura. Koda (2005, p. 203) menciona a definição de Wasik e Turner, “ações selecionadas deliberadamente para atingir objetivos em particular”, como aquele aceito por muitos pesquisadores da área como ponto de partida.
Sob o olhar das estratégias de leitura globais (top down) e locais (bottom up), Block (1986) verificou que as do primeiro grupo contribuem para uma compreensão melhor. Huang (1999) encontrou resultados similares, segundo os quais os leitores proficientes tendem a usar também estratégias globais, e os menos proficientes, as locais. Shen (2003) verificou que, em textos mais complexos, os leitores proficientes usaram mais estratégias de monitoramento ou aplicaram seu conhecimento de
mundo, enquanto os leitores menos proficientes continuaram a usar suas estratégias locais ou mesmo ignoravam seus problemas. Entretanto, sabe-se que tanto leitores proficientes como os não proficientes usam as mesmas estratégias em textos acadêmicos, conforme descreve Anderson (1991). Entretanto, a diferença é que os proficientes aplicam as estratégias mais eficiente e apropriadamente. Assim, conforme já afirmado anteriormente neste trabalho, não basta saber qual estratégia utilizar, mas como utilizá-la.
A descrição dada por Chamot e El-Dinary (1999) também repercutiu nos estudos, conforme descrevem: “estratégias são procedimentos mentais que assistem a aprendizagem e que ocasionalmente podem ser acompanhadas por atividades abertas”. Entretanto, essa definição não parece ser a mais satisfatória, já que as estratégias de aprendizagem não são as mesmas que as de leitura.
Uma definição que parece bastante clara é a de Barnett (1989, p. 66) em que: O termo estratégia se refere a operações mentais envolvidas quando o leitor propositalmente aborda um texto para dar sentido ao que leu. As estratégias podem ser técnicas conscientes controladas pelo leitor ou processos inconscientes aplicados automaticamente.
Essa definição é criticada por alguns autores, porque os processos automatizados são considerados estratégias ao invés de processos. Essa diferença já foi tratada no início desta tese. Outra definição de estratégias de leitura é a de Koda (2005, p. 203), segundo a qual, “elas são comportamentos de leitura que se ajustam para acomodar as dificuldades do texto, demanda nas tarefas e outras variáveis contextuais”. Koda (2005) considera como ponto central os objetivos da leitura, pois eles organizam o processamento do leitor ao abordar o texto. Ela descreve como:
[…] diferentes objetivos despertam um tipo de leitura, por exemplo, “passar os olhos” em um memorando para verificar um horário, escanear um manual de instruções para ligar um DVD, ler um artigo de jornal para adquirir informação nova, revisar um texto para estudar para prova. Isso significa dizer que a natureza da leitura é fundamental no tipo de processamento e na estratégia a ser aplicada (KODA, 2005, p. 206).
Os dois conceitos descritos acima não são totalmente compatíveis, porque Barnett fala sobre os processos inconscientes. Já em Koda as estratégias são manipuladas pelo leitor, portanto, conscientes.
Estreitando o foco para as estratégias utilizadas por estudantes de graduação que leem textos acadêmicos, foco deste trabalho, o estudo de Akarsu e Harplutu (2014) com alunos turcos identificou que a maioria lê para buscar informações gerais do texto. Ao mesmo tempo, também se observou que esses alunos não quebravam a sequência do texto em pequenos segmentos. Isso leva a crer que o tipo de leitura desse perfil é o da estratégia global. Os autores explicam esse comportamento pelo impacto da memória de trabalho durante a leitura, já que os leitores dizem que esqueceriam o que leram até o momento, se fizessem uma pausa, nas palavras dos autores they would miss the point.
A segunda estratégia mais utilizada nesta pesquisa foi a leitura mais devagar para compreender melhor. Nesse sentido, o controle da velocidade é uma estratégia consciente do leitor para melhorar o que entendeu. Por outro lado, a estratégia menos usada é a leitura em voz alta. Isso pode ser explicado, porque a leitura em voz alta demanda mais cognitivamente, o que seria mais dispendioso para a compreensão. Além disso, os autores mencionam que o texto acadêmico envolve uma leitura cuidadosa, pois o objetivo é ler para aprender conceitos científicos e necessita de mais atenção. Esse é um dos pontos que questionamos nesta tese, se a leitura de textos acadêmicos demanda mais atenção, como ela pode ser feita com uma ferramenta que traduz com deficiências? Cremos que essa leitura só poderá ser bem sucedida, se o leitor for preparado estrategicamente.
Muitas pesquisas já foram realizadas sobre a compreensão leitora e as estratégias na leitura acadêmica. Contudo, outras variáveis que influenciam as estratégias de leitura também estão em jogo. O estudo de Perfetti (2001) dedicou-se a investigar os tipos de processamento que ocorrem durante a leitura. No nível da palavra, o leitor pode ter problemas ao reconhecer uma sequência de letras ou o significado específico. Ainda, há o processamento fonológico envolvido que poderia dificultar na identificação de uma palavra. Além disso, o leitor pode falhar ao realizar inferências ou monitorar a compreensão. Nesse sentido, um leitor mais experiente, em princípio, deve ter mais intimidade com a leitura, sendo capaz também de ter
mais consciência quanto aos seus objetivos. É possível que esse leitor saiba o tipo de estratégia a ser usada ao que ele visa a encontrar no texto.
Por fim, o famoso estudo de Alderson e Urquhart (1988) cujo título I´m not an economist já sugere o que é discutido ali, e mostra que as disciplinas acadêmicas também têm importância na leitura. Os participantes de uma universidade americana das áreas de economia, engenharia, física, matemática e psicologia foram testados com instrumentos de compreensão leitora de suas áreas de conhecimento bem como de outras áreas. Os resultados mostraram que a performance dos participantes foi superior nos textos lidos de suas áreas específicas. Sob esse aspecto, o estudo demonstrou como o background acadêmico tem impacto na compreensão leitora.
De um modo geral pode-se considerar as estratégias como comportamentos cognitivos utilizados durante a leitura para melhorar a compreensão. Contudo, elas não atuam sozinhas, já que a compreensão depende de outras capacidades mentais como a memória (principalmente a de trabalho), a atenção (foco na tarefa desenvolvida) e a consciência (como awareness, ciência do que conhece). De toda sorte, elas servem para que o leitor desenvolva uma rotina de uso que lhe garanta não apenas uma leitura, mas leituras futuras mais eficazes.