5.2 The Perceived Benefits
5.2.1 The Fascination about Commercial Actors
Na antiguidade grega e romana, a educação da criança cabia exclusivamente à família. Segundo Coelho (2003), na Grécia e na Roma antigas, a criança era educada exclusivamente pela família. Para aprender, espelhava-se no comportamento dos adultos. Não havia diferença entre adulto e criança – todos eram tratados da mesma forma e não existiam escolas formais. O patrimônio recebido pela criança era de mitos, lendas e romances épicos, os quais eram adquiridos da mesma forma que os adultos.
Segundo informa Áries, (1981, p. 68),
“ Na Idade Média, com o poder da Igreja, passou-se a propiciar à criança o ensino da religião, da moral, habilidades da leitura, escrita e aritmética. Surgem então os primeiros livros de caráter pedagógico com função moralizadora.”
Nesta época, tudo que viesse a desviar o pensamento para o lado crítico ou imaginativo era contrário às ideias moralistas.
Com o Renascimento, conforme Coelho (2003), a literatura passou a sofrer menos influência da vida dos Santos e da Bíblia, e os contos e fábulas com elementos mitológicos, lendários e da tradição popular começaram a fazer parte da literatura para as crianças. Rainhas, príncipes, princesas, fadas, magas e bruxas mesclaram-se à escola formal e se incluíram na literatura infantil.
Na época do Iluminismo, de acordo com Zilberman (2003), passou-se a valorizar a razão, desprezando-se a imaginação. A criança não deveria perder tempo com as histórias de fadas. Mais tarde houve uma revisão desse procedimento, manifestando-se uma preocupação maior com o desenvolvimento infantil.
Durante o Romantismo, a fantasia, a imaginação, o mistério dos contos de fadas e o folclore foram introduzidos nas histórias infantis, dando liberdade à criança para criar e imaginar. A partir daí, conforme Coelho (2005), principalmente no século XX, elas ganharam ênfase e passaram a ser consideradas importantes para o desenvolvimento infantil.
Zilberman (2005) comenta que o conto de fadas surgiu da tradição popular. Histórias como A Bela Adormecida, Cinderela e Chapeuzinho
Vermelho, antes escritas para adultos, foram transcritas e publicadas para o
público infantil por autores como Charles Perrault (1628-1703), na França, Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) e depois pelos mesmos irmãos Grimm( 1812- 1822), na Alemanha. Essas histórias passaram juntamente com as dos autores Daniel Defoe e Jonathan Swift, a ser sinônimos de literatura infantil.
Um dos pioneiros na literatura infantil brasileira foi o jornalista alemão Carl Jansen (1823–1889), que aqui viveu e trabalhou. Jansen traduziu alguns clássicos como Robinson Crusoe (1885) e Viagens de Gulliver (1888). Outro desbravador da literatura infantil foi Figueiredo Pimentel (1869-1914), um brasileiro que seguiu o caminho dos irmãos Grimm e publicou Contos da
Carochinha, em 1894, mostrando as histórias de fadas européias juntamente
com narrativas coletadas entre os descendentes dos povoadores brasileiros, os portugueses, e as histórias contadas pelas escravas que tinham a missão de educar a infância brasileira do século XIX. Esses dois autores foram pioneiros na arte de introduzir a tradição oral e popular brasileira.
No final do século XIX, as mudanças no regime político brasileiro já despontavam e a Monarquia estava prestes a desaparecer, dando lugar a um estado republicano com pensamentos mais independentes. Essas idéias de satisfação e insatisfação da sociedade apareciam em praticamente todas as manifestações liberais e dinâmicas da sociedade da época. Um grupo emergente passou a exigir e a reivindicar mais em todos os setores, incluindo o econômico, o escolar, além do social. No universo escolar, sentia-se a mudança na exigência de uma literatura para os currículos escolares. Os primeiros livros infantis para as crianças surgiram nessa época, pois atendiam aos anseios desse grupo social.
De acordo ainda com Zilberman (2000), essas manifestações aconteceram em um momento em que não havia uma tradição literária de literatura infantil, por isso traduziram-se obras estrangeiras, de autores consagrados para o
público adulto, adaptando-as ao universo infantil brasileiro. O legado literário que resultou, mais tarde, nas histórias infantis não era apenas o de contos de fadas. Era um novo projeto para uma educação de caráter ideológico que representava, nos textos infantis, a intenção da escola de ser uma importante aliada para a formação de cidadãos críticos.
Carl Jansen e Figueiredo Pimentel, mais uma vez, foram pioneiros ao editarem os primeiros livros didáticos. São eles: Seletas, Antologias ou Livro de
Leitura. Depois, foi a vez de Olavo Bilac (1865-1918) brilhar na literatura com
suas poesias, muitas delas cívicas, que foram declamadas por várias gerações. Monteiro Lobato veio mais tarde, publicando a sua primeira obra Menina do
Narizinho Arrebitado, em 1922, e, a última, Os Doze trabalhos de Hércules, em
1944. Esse sucessor dos desbravadores da literatura infantil brasileira talvez não soubesse que a sua obra e seus personagens pudessem chegar até os dias de hoje, como praticamente um sistema literário sozinho, mesmo tendo sido acompanhado por outros escritores.
Em 1930, Viriato Correa, com um realismo bem expressado em Cazuza, seguiu a tradição de Lobato na arte de escrever para crianças. Depois foi a vez de Graciliano Ramos, em 1937,contar a Terra dos Meninos Pelados, livro em que predomina a fantasia e o fabuloso. Nesse mesmo período, Érico Veríssimo criou uma série de histórias curtas, entre as quais pode ser citada a História do
Avião Vermelho, em que predomina o aparecimento dos bichos que chamam a
atenção pela sintonia entre crianças e animais. Para Zilberman (2000), as narrativas em que aparecem bichos são muito bem aceitas pelas crianças, pela proximidade e pela sensibilidade que elas têm com animais. Isso pode ser comprovado pela quantidade de histórias em quadrinhos, popularizadas por Walt Disney, desde 1930.
Apesar do desenvolvimento do País, na década de 1960, a literatura infantil sofreu a falta do ímpeto de imaginação de Monteiro Lobato. Em 1970, o Brasil ganhou a Copa do Mundo, mas a época foi de aumento de inflação, recessão econômica, recessão de crédito, e o País perdeu credibilidade entre os grupos dominantes. A classe mais conservadora da sociedade agora monitorava o
Brasil e a nova política, dita revolucionária, se instalou. Veio o golpe militar e com ele o AI 5, trazendo junto o momento considerado mais crítico da sociedade brasileira, a Ditadura.
A Ditadura provocou inúmeras consequências atingindo os vários estados brasileiros, na governabilidade, na educação, na cultura e, na literatura, que passou, nessa época, a sofrer repressão. Felizmente, quem menos sofreu com isso foi a literatura infantil, pois não era lembrada por ser literatura endereçada às crianças. Com isso, os escritores tiveram mais liberdade e puderam desenvolver nela as suas ideias democráticas e independentes, sendo esse o momento em que eles conquistaram um maior número de leitores.
A partir de 1970, a literatura infantil recomeçou a contar a História, como se ignorasse o que a antecedeu, recusando os mecanismos simples da aceitação e inserção social, conforme o assegura Zilberman (2000).
Foi nos anos de 1980, que a literatura, além de insubordinar-se em relação ao sistema vigente, literário ou político, acabou por mostrar que era hora de se escrever uma nova história, ou seja, buscar novos caminhos, através dessa literatura infantil que já vinha se estabelecendo.
Para Coelho (2005, p. 49), “essa dialética, natural ao fenômeno literário, é a responsável básica pelas mutações de estilo e de temas que a literatura infantil vem apresentando desde as suas origens.” Diz ainda a autora que “toda a leitura, que consciente ou inconsciente, faça sintonia com a essência do texto lido, resultará na formação de determinada consciência de mundo no espírito do leitor”.
É necessário, ainda, mencionar, no que se refere à literatura infantil, a opinião de Elias José (2007). Para esse autor, o livro infantil é uma viagem pelo mundo do imaginário. É um brinquedo que faz rir, vivenciar e aprender coisas novas. Juntos, o autor e o leitor podem brincar, fugindo da relação distante e senhoril que afasta o mundo do adulto do universo da criança.
Bettelheim (2000), discorrendo sobre o mundo infantil, considera que, com as histórias de fadas, o mundo é descrito e é visto de outra forma. O conto de fadas tem a função de agir como terapia para as crianças. Através da leitura da
história e dos conflitos que apresentam entre príncipes, princesas, animais, reis e rainhas, a criança aprende a resolver os próprios conflitos internos, tornando- se ela também um príncipe, uma princesa.
As palavras de Coelho (2005, p.45) vêm a complementar tais concepções. Segundo a autora,
“O caráter fundamental da literatura é traduzir verdades individuais, de tal maneira integradas na verdade geral e abrangente, que a forma representativa escolhida, mesmo perdendo, com o tempo, o motivo particular que a gerou, continua falando aos homens por outros motivos, também verdadeiros, no momento em que surgem”.
Quanto ao ensino, esse também sofreu com as reformas educacionais da época da Ditadura. Instalou-se a reforma da educação brasileira em 1970, com a Lei nº 5.692, que estabelece, no seu Art. 20: “O ensino de 1º grau será obrigatório dos 7 aos 14 anos, cabendo aos Municípios promover, anualmente, o levantamento da população que alcance a idade escolar e proceder à sua chamada para matrícula”.
Esse aspecto facilitou a chegada da literatura infantil, que passou a ser considerada material adequado ao ensino nos primeiros anos de escolarização. As obras preferidas nos primeiros tempos foram as de Monteiro Lobato.
Seria essa a nova era da literatura infantil, a qual resultaria na formação de leitores conscientes e críticos por excelência.