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A presença de receptores de adenosina A1 (ARs A1) foi relatada em diferentes tipos de células humanas importantes na fisiopatologia da asma, incluindo APCs, células epiteliais das vias respiratórias humanas e células da musculatura lisa brônquica, linfócitos, mastócitos, neutrófilos, monócitos, macrófagos, fibroblastos e células endoteliais (CRONSTEIN et al, 1990, 1992;. SALMON & CRONSTEIN, 1990; MARONE et al, 1992;. SALMON et al, 199.; PEACHELL et al, 1998;. FORSYTHE et al, 1999; PANTHER et al, 2001; McNAMARA et al, 2004;. ETHIER & MADISON, 2006; CLARK et al, 2007; BROWN et al, 2008).Estes são diferencialmente expressos no pulmão humano (VARANI et al., 2006). Sob condições fisiológicas normais, ARs A1 estão quiescentes, no entanto, são induzidos em condições de estresse, tais como isquemia, e em condições de inflamação, tipificado pelo envolvimento inflamatório das vias aéreas em humanos asmáticos (LAI et al, 2005;. ROGACHEV et al, 2006;. BROWN et al., 2008). Situação esta comum entre os pacientes falciformes.

AR A1 exibe tanto atividade pró e anti-inflamatória em modelos celulares e animais de inflamação (HASKO et al., 2008). No contexto de modelos dirigidos ao estudo da asma humana, no entanto, os estudos sugerem que este receptor tem uma função pró-inflamatórias (POLOSA & BLACKBURN, 2009).

A ativação do AR A1 nestes diferentes tipos de células induz a liberação de mediadores e citocinas que levam à hiper-reatividade, inflamação e remodelação das vias aéreas. Esta ativação do AR A1 em células epiteliais das vias aéreas, mastócitos, neutrófilos, monócitos, macrófagos e células

5. Discussão

Página | 89 endoteliais induz a liberação de substâncias que causam efeitos celulares pró- inflamatório que causam a broncoconstrição, edema e a secreção de muco nas vias aéreas que levam a obstrução ao fluxo aéreo na asma (CRONSTEIN et al, 1990, 1992;. SALMON e CRONSTEIN, 1990; SALMON et al, 1993;. FORSYTHE et al, 1999.; WILSON & e BATRA, 2002; McNAMARA et al, 2004;. ETHIER & MADISON, 2006, CLARK et al, 2007).

Em neutrófilos humanos, a ativação dos ARs A1 induz a quimiotaxia de neutrófilos, aderência de neutrófilos às células endoteliais ativadas, fagocitose e geração de ânion superóxido (CRONSTEIN et al, 1990, 1992;. SALMON & CRONSTEIN, 1990). Em culturas de monócitos humanos, o efeito da adenosina sobre receptor A1 é pró-inflamatório, aumenta fagocitose e induz a liberação do fator de crescimento endotelial vascular (SALMON et al, 1993;. CLARK et al, 2007). Além disso, foi relatado que a ativação da A1 ARs em células endoteliais pulmonares humana de artérias induz a liberação de tromboxano, IL-6 (WILSON & BATRA, 2002) e a expressão do gene 2 MUC (que atua aumentando a produção de muco) em células epiteliais humanas das vias aéreas é aumentada na presença de adenosina (McNAMARA et al., 2004).

Ponnoth et al., 2010 também investigou os efeitos da adenosina na reatividade e inflamação vascular, utilizando camundongos selvagens e nocautes para ADORA 1 sensibilizados com um análogo da adenosina, e observou que os animais selvagens tiveram inflamação tecidual vascular, uma expressão aumentada de ADORA1 e aumento da hiperresponsividade das vias aéreas, em relação aos animais nocaute, indicando que ADORA 1 é responsável pela aumento da hiperresponsividade e aumento da inflamação sistêmica.

5. Discussão

Página | 90 Em modelo com coelho alérgicos, demonstrou-se que o tratamento com um antagonista A1R pode atenuar a inflamação pulmonar, bem como broncoconstrição (NADEEM et al., 2006).

Estudos pré-clínicos mostram que antagonistas A1R poderiam atenuar características da asma, incluindo a inflamação das vias respiratórias, produção de muco e broncoconstrição (RUSSO et al., 2006)

Tomando conhecimento da importância deste gene para sintomatologias pulmonares, comuns em pacientes falciformes, decimos estudar este gene. Analisando o polimorfismo (rs16851030) para o gene ADORA 1, encontramos um aumento da freqüência do alelo T em pacientes afetados com síndrome torácica aguda, apesar de não termos encontrado associação estatística relevante (p=0.112).

Em concordância com os nossos dados, este mesmo SNP foi estudado por KIM et al., 2009, em 136 pacientes com asma intolerante à aspirina e em 183 indivíduos normais, onde foram encontrado diferenças significativas da freqüências genotípicas do SNP (rs16851030) entre pacientes normais e pacientes com AIA (P=0.001). Apresentando uma frequencia de homozigotos do alelo mutante T/T maior em pacientes com asma aspirina intolerante do que nos pacientes normais (p=0.001), indicando o alelo T como fator de risco forte para asmáticos aspirina intolerantes. Foi avaliado também o papel funcional deste polimorfismo onde mostrou-se que indivíduos com genótipo T/T mostram uma reação mais rápida ao desafio de inalação com aspirina (p=0.009). Ainda não foi esclarecido como uma variante 3’UTR poderia induzir alterações na resposta brônquica à aspirina; no entanto, uma possibilidade é que a mudança

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Página | 91 do nucleotídeo poderia alterar a estabilidade do mRNA transcrito levando a um aumento de expressão do receptor, influenciando o desenvolvimento da associação positiva a este fenótipo (KIM et al., 2009). E outro estudo, três polimorfismos na região 3’UTR de ADORA1 foram associados a alterações específicas no infarto isquêmico do coração; estes polimorfismos levariam a diferenças estruturais no mRNA (TANG et al., 2007).

Observando a tendência positiva desta associação, podemos sugerir que os pacientes falciforme que apresentam o alelo T, se tornam mais vulneráveis em situações de stress onde ocorre o aumento dos níveis de adenosina, que sensibilizará os receptores A1, que estarão com sua expressão aumentada pela mutação, consequentemente levará a liberação de citocinas, aumento da hiper-reatividade das vias aéreas, inflamação e remodelação das vias aéreas e até a broncoconstrição. Porém são necessários maiores estudos com este objetivo, inclusive com um maior número amostral.

Analisando os casos de hipertensão pulmonar, a freqüência deste polimorfismo não foi significativamente diferente entre os grupos afetado ou não. A ativação dos receptores pela adenosina, cujos níveis variam em diferentes condições fisiopatológicas, depende da afinidade dos 4 receptores, da densidade, tipo de célula que está expresso e tipo da proteína G envolvida (FREDHOLM et al., 2001). Indicando que este polimorfismo possivelmente não esteja relacionado realmente como hipertensão pulmonar.

O receptor de adenosina também poderia estar envolvido com algumas alterações óssseas.

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Página | 92 A homeostase do osso depende do equilíbrio entre formação óssea pelos osteoblastos e reabsorção óssea pelos osteoclastos, estes processos estão intimamente ligados (CLOHISY, 2007).

Os osteoblastos são as principais células formadoras de ossos, sendo derivados de células tronco mesenquimais (BIANCO & GEHRON, 2000). Os osteoclastos, que são células gigantes multinucleadas responsáveis pela reabsorção óssea, formadas a partir da fusão dos precursores mielóides dos monócitos e linhagem de macrófagos (MIYAMOTO et al., 2001) sob o controle hormonal sistêmicos e fatores locais produzidos por osteoblastos e células da medula óssea (KATA et al., 2010). Quando este equilíbrio é perturbado em favor da reabsorção óssea o resultado é a destruição patológica do osso, como observado na osteoporose (SCHETT, 2007) ou doenças inflamatórias, tais como a artrite reumatóide (OCHI et al., 2007).

Foi demonstrado que a ativação do receptor de adenosina A1 é necessária para a formação e função adequada dos osteoclastos in vitro (KARA et al., submitted for publication).

Kara et al., 2010, analisou a densidade mineral óssea em camundongos ovariectomizados, selvagens e nocaute para ADORA 1 e após 5 semanas quando a osteopenia tinha se desenvolvido, exames histológicos dos camundongos mostraram que os animais nocaute apresentavam um aumento significativo do volume ósseo e ausência de reabsorção osteoclástica. Em análise imunohistológica demonstrou que apesar de os osteoclastos estarem presentes em camundongos nocaute, eles foram menores e muitas vezes não associado com o osso. Além disso, a administração do antagonista do receptor

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Página | 93 de adenosina A1 (DPCPX - 1,3-dipropyl-8- cyclopentylxanthine) impediu a indução de perda óssea em modelo ovariectomizados de osteoporose.

Esse resultados sugerem que antagonistas de receptor de adenosina A1 podem representar uma classe promissora de drogas anti-absorvente para o tratamento da osteoporose e outras doenças do osso associada com aumento da atividade dos osteoclastos (KARA et al., 2010).

Apesar da importância deste gene para a reabsorção óssea, não encontramos nos nossos resultados associação significativa para nossos pacientes, apesar de observarmos uma diminuição dos genótipos C/T e T/T entre os afetados (p=0.698).

A adenosina tem um papel importante de sinalização fisiológica no sistema nervoso periférico e central (DUNWIDDIE & MASINO, 2001). Durante injúria isquêmica e traumática cerebral (BELL et al., 1998; WINN et al., 1979), adenosina é liberada em grandes quantidades e exerce uma influência neuroprotetora em grande parte através do receptor A1 (DE MENDONÇA et al., 1995; PEARSON et al., 2003).

Pela inibição da hiperatividade neural, a adenosina neutraliza a atividade de apreensão e promove a sobrevivência dos neurônios (BIBER et al., 2001).

Foi relatado que a estimulação com IL-6 de astrócitos cultivados de fatias do córtex cerebral de camundongos induz a expressão de mRNA do receptor de adenosina A1 de forma tempo-dependente, levando a um aumento dos efeitos neuroprotetores da adenosina (BIBER et al., 2001).

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Página | 94 Nos nossos resultados não encontramos diferenças de freqüência genotípicas e alélicas significantes, embora exista um aumento da freqüência dos genótipo C/T e T/T entre os pacientes afetados (p=0.511).

A adenosina é conhecida por inibir a liberação de noradrenalina dos nervos simpáticos, através da ativação pré-sináptica dos receptores A1 (RONGEN et al, 1996;. BURNSTOCK, 2006). Existem evidências experimentais para a inibição da noradrenalina mediada pela adenosina lançada em corpos cavernosos, estabelecendo inequivocamente o papel neuromodulador da adenosina na ereção peniana, pelo receptor A1 (PHATARPEKAR et al., 2010).

Em estudos anteriores com animais de múltiplas espécies, incluindo humanos (KILLIC et al., 1994), mostrou-se que a injeção intracavernosa de adenosina resultou em tumescência peniana (CHIANG et al., 1994; YONEZAWA et al., 2002; NOTO et al., 2001).

Já Tostes et al., 2007, mostrou o envolvimento do receptores A1 na modulação da contração neuronal induzida por adenosina. Ambos receptores A2A e A2B não apresentaram nenhum papel na modulação dos neurônios.

Segundo Noto et al., 2001, a teofilina, um antagonista do receptor de adenosina, inibiu tumescência peniana induzida pela adenosina.

Em nossos pacientes não encontramos associação significante deste polimorfismo para priapismo, apesar de notarmos um aumento da freqüência genotípica de C/T e T/T entre os pacientes afetados em relação aos não afetados (p=0.793).

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Página | 95 São raros os trabalhos realizados com este polimorfismo para que possamos ter uma base de comparação com os nossos resultados, nem mesmo existem certezas a respeito dos efeitos que tal polimorfismo possa causar. Notando-se a necessidade mais estudos com este objetivo.

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