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FAREN, USIKKERHETEN, RISIKOMULIGHETEN Kvalitativt kan ordet risiko på samme måten som ordet

Risiko som kvalitativt begrep

2.1 FAREN, USIKKERHETEN, RISIKOMULIGHETEN Kvalitativt kan ordet risiko på samme måten som ordet

Silvio Julio publica o livro Del estilo en la historia, em Lima, pela editora da

Universidad de San Marcos, no ano de 1969, propondo apresentar alguns problemas

metodológicos enfrentados pelo historiador e fazer uma reflexão crítica acerca das especificidades do trabalho do historiador que se dedica à América Ibérica.156

Nessa obra o autor discute, primeiramente, sobre a cientificidade da narrativa histórica, que, apesar de buscar a objetividade, produzirá sempre mais de uma interpretação. A impossibilidade, segundo Silvio Julio, da construção histórica como ciência leva-o a compreender que os conceitos são elementos chaves da narrativa histórica porque contribuem para a elaboração e o sentido dos fatos.

La Historia no consigue contenerse en los límites del método objetivo; por eso su vocabulario traduce apenas los conceptos que le pertenecen.157

A linguagem do discurso histórico é, ao seu ver, condicionada não só pela razão como, também, pela emoção. A ciência, a filosofia e a literatura complementam o discurso histórico, apesar deste ser regido por uma outra lógica. Desse modo, o autor indaga: Qual seria o estilo da escrita histórica? Existe uma linguagem apropriada para as ciências humanas? A narrativa histórica é diferente da linguagem literária? E conclui que a história:

156

Apesar desse livro não ter sido publicado no Brasil, ele se encontra em bibliotecas de algumas das principais universidades brasileiras, como a USP, a UFRJ e a PUC do Rio Grande do Sul.

157

Tiene su categoría propia, su índole particular, su finalidad original, su estilo único. Como los hechos o acontecimientos del pasado que no desaparecen y el crítico selecciona de acuerdo con su cultura, tema e intención no se repiten ni pueden hacerse reversibles, variando siempre cada uno con relación a todos los demás, el lenguaje del técnico que los describe a su modo tiene que poseer estilo, singularidad, carácter propio. Es muy vecino de la literatura.158

Para Silvio Julio uma obra historiográfica de qualidade depende da subjetividade estética do autor, que, com o seu estilo próprio, constrói o conhecimento. A linguagem histórica muda com a história e o historiador não só descreve o passado como também atribui sentido a ele. Porém, o que não cabe ao historiador é legitimar o presente com os argumentos do passado.

A partir dessas concepções, a história da América Ibérica, segundo o autor, não encontrou, em sua maioria, bons historiadores porque muitos dos estudiosos eram nacionalistas – o que ele entendia como “latifundiários do oficialismo didático” -, que viam no passado uma forma de legitimar o presente. Além disso, a tendência de ou se valorizar o índio, o negro, ou o branco dificulta a compreensão geral da história da América Latina revelando, segundo o autor, uma forma diferenciada de racismo.

De acordo com Silvio Julio, nas repúblicas hispano-americanas em que a maioria da população é de origem indígena, inúmeros intelectuais afirmam que o futuro depende dos antepassados astecas, maias, chimús, incas etc. Em sentido oposto, nas repúblicas hispano- americanas em que os índios, na maioria, foram dizimados, elevam o europeu com entusiasmo exclusivista. Não faltam os que, oriundos da África, se esforçam para demonstrar as supremas vantagens étnicas, morais e físicas dos negros. Dessa forma, o autor questiona:

Es posible escribir sobre la historia de los países hispano-americanos bajo la influencia de tantos prejuicios? No deforman ellos la lógica, la justicia y la verdad?

Todos los estilos de exceso localista son contrarios a la esencia humana de la historia. Los pensadores que la cultivan no deben de revelarse caciques espirituales.159

158

Percebemos que, para Silvio Julio, a luta pela “autenticidade” nacional pode prejudicar a compreensão da formação do conhecimento histórico.

Creemos provechoso que se haga una justa y sistemática revisión de la literatura histórica de América, entre la segunda parte del siglo XVIII y la primera del XX, examinando errores, equívocos, falsedades, mentiras de cada obra, como determinando los relativos valores que pueda contener por circunstancias especiales.160

O interessante a observar é que, apesar de criticar visões particulares da história, ele acaba por defender a produção de uma história particular, a história ibero-americana. O autor não muda a lógica da busca por identidades, e sim amplia as possibilidades de compreensão das identidades americanas. Por outro lado, entende que cada historiador tem o seu estilo criativo e a liberdade de enfatizar o tema que lhe agrada.

Como acredita que a história ibero-americana precisa se desenvolver, ele auxilia, em seu texto, o historiador ibero-americano a formar uma biblioteca, ler não apenas autores norte-americanos e europeus, realizar uma revisão crítica da historiografia ibero-americana, trabalhar na reorganização dos arquivos e rever os projetos editoriais que tendem a desconsiderar essa temática. O autor chega a propor uma nova política editorial:

Las colecciones sugeridas no siempre interesarán a editores comerciales, que no piensan en cosa que no parezca lucro fácil. ¿Cómo publicarlas ininterrumpidamente? Por un acuerdo continental de las universidades, niveladas y unidas en un ideal común, sin orgullos matricidas de dominio cultural y político. La integración de las repúblicas ibero-americanas comenzó en lo intelectual y en las imposiciones de la lucha por la Independencia, desde sus primeros pasos durante el XVIII.161

A discussão historiográfica que Silvio Julio faz, nessa obra, é muito crítica sobre a escrita da história e comprometida, a todo instante, com a idéia de que os intelectuais necessitam desenvolver, com mais afinco, a historiografia latino-americana. Nessa direção, a pesquisa do historiador da América Latina seria fundamental para a “redescoberta” de novos objetos e novas interpretações sobre a formação desses países.

159 Idem, Ibidem, p.41. 160 Idem, Ibidem, p.38. 161 Idem, Ibidem, p.49.