Chapter 2: On Language, Women and Perceptions of Power in The Great Hunt
2.3. Fantastic Women and Shifting Perceptions of Power and Status
A relação escola-família foi outro dos pontos que considerei importante refletir uma vez que nos contextos onde efetuei as diferentes PP ter tido a oportunidade de verificar que a mesma existia, embora com diferentes graus de envolvimento e diferentes intenções, fruto das especificidades dos contextos e dos intervenientes. Assim consegui perceber que esta mesma relação apresentava diferenças entre o contexto de Educação Pré-Escolar e o contexto de 1.º CEB. Outra das diferenças proveio das instituições em que estive inserida devido ao facto de terem sido instituições públicas e privadas. Ao longo deste ponto irei referenciar um pouco esta relação nos diversos contextos.
No contexto de Creche não me foi possível vivenciar a relação que existia entre os pais e a instituição mas pude observar alguns momentos de conversa entre a educadora e os pais sobre os seus filhos, como também, pude presenciar a chegada e a partida de algumas crianças. Segundo Post & Hohmann (2003:210):
Na hora da chegada, as boas vindas calorosas e descontraídas por parte dos educadores ajudam os bebés e as crianças a terem certeza de que, mesmo que os pais tenham de se ausentar, eles estão nas mãos de pessoas em quem poderão confiar e que os irão respeitar e deixá-los em segurança até que os pais os venham buscar. Na hora da partida, as despedidas agradáveis e simpáticas dos educadores permitem que as crianças se voltem a reunir com os pais livres de preocupações sobre o sentido de pertença ao centro infantil; eles ficam aliviados por verem os pais, mas, ao mesmo tempo, sabem que os adultos de quem se estão a despedir se preocupam realmente com eles.
Ao longo da PP em contexto Creche tive oportunidade de observar estes momentos calorosos entre a educadora, os pais e a criança. Foi nesse momento que percebi o quão são importantes para o bem-estar da criança como também para a confiança das famílias. Para os pais deve ser difícil deixar o filho a chorar, mas sabendo que os seus filhos se encontram com educadores carinhosos e que contribuirão para o seu bem-estar e para o desenvolvimento harmonioso dos mesmos é uma mais-valia para a criança e para as famílias.
No contexto de Jardim de Infância já tive a oportunidade de estabelecer uma relação mais próxima com as famílias e vivenciar a preocupação dos mesmos pela criança. Os pais questionavam-me relativamente ao desenvolvimento do dia, ao comportamento do filho, às atividades realizadas, entre outros aspetos que revelaram uma grande preocupação por parte dos mesmos. Atualmente, “os discursos (…), vão no sentido da articulação mútua, em que uns se entendem como parceiros dos outros” (Sarmento & Marques, 2006:71), ou seja, a relação entre a instituição e as famílias deve ser uma relação de parceria.
Nesta instituição, também existia um esforço por parte dos pais ou familiares próximos em sugerir e participar em algumas atividades com o grupo de crianças. Nestes momentos, os familiares dirigiam-se até à instituição e realizavam a respetiva atividade com as crianças. Estas famílias não só se esforçavam para proporcionar estes momentos carinhosos para com as crianças, como também, participavam nas diversas festas que ocorriam na comemoração de alguns dias importantes. Como refere o Ministério da Educação, nas Orientações Curriculares
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para a Educação Pré-Escolar, as escolas devem “incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efetiva colaboração com a comunidade” (Ministério da Educação, 1997:16).
Esta relação entre a instituição e a família é crucial porque pode ser uma oportunidade de articular esforços no sentido de levar a criança a ir mais longe ao nível do seu desenvolvimento e aprendizagem, da relação de confiança, como também, proporciona novos desafios à criança. E sendo alguém que não pertence à instituição e leva às crianças desafios que a mesma provavelmente desconhece pode suscitar novos interesses e proporciona-lhe um maior leque de experiências. O “trabalho com os pais/família/encarregados de educação é crucial num ambiente que se quer harmonioso e de desenvolvimento global da criança” (Simões, 2004:12).
Nestes dois contextos pude vivenciar uma relação escola-família positiva pela participação e comunicação direta que existia entre as educadoras e os pais, onde as informações eram comunicadas de forma pessoal e onde existia uma preocupação diária por parte dos pais pelos seus filhos. A existência da relação de proximidade entre as famílias e os Jardins de Infância, segundo Sarmento e Marques (2006), deve-se às idades das crianças, à relação de proximidade entre o cuidador e a criança enquanto componente da educação, e pelo facto de ser a primeira instituição (pública) a promover esta experiência em práticas de educação. No contexto de 1.º CEB a relação escola-família era um pouco diferente da vivenciada anteriormente. As comunicações entre os pais e o/a professor/a eram realizadas por escrito, não existindo uma comunicação pessoal diária entre os mesmos pois provavelmente a relação entre a professora titular e a família foi estabelecida desta forma. Excecionalmente quando as crianças se encontravam em situações bastante preocupantes, os pais eram chamados à escola com o objetivo de estes e os professores tentarem resolver a situação.
Quando os comportamentos das crianças eram incorretos pelo facto de as mesmas não cumprirem as regras estipuladas na sala de aula, por não obedecerem às ordens dadas pelo professor ou por não respeitarem os colegas e o professor, a informação do respetivo comportamento era dada por escrito aos pais/encarregado de educação através de uma caderneta. Também a preocupação por parte dos pais, era menos visível relativamente aos contextos anteriores, pois não mostravam diretamente o interesse em querer saber em que situação o seu filho se encontrava, o comportamento que tinha tido na escola, as suas dificuldades, entre outros aspetos. A escola acaba por não ser “um sítio simpático para os pais, que não se sentem confortáveis e geralmente vêm à escola quando têm mesmo de o fazer” (Mendel, 2007:203). Nunca tive oportunidade de experienciar um encarregado de educação, a deslocar-se até à sala e questionar a professora pela situação do filho, sem que o mesmo tivesse sido solicitado a comparecer na escola. Os pais, neste contexto de aprendizagem, participavam nas festas comemorativas organizadas pela escola como foi o caso do “Dia da Mãe” ou o “Dia do Pai”. No entanto, percebi que apesar de não comparecerem tão sistematicamente na escola, não significa que estes pais não se preocupem
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com os seus filhos. No final do ano letivo, pude experienciar um momento de entrega das avaliações a um encarregado de educação e o mesmo mostrou-se muito interessado em querer perceber como poderia ajudar o seu filho nas férias a ultrapassar algumas dificuldades sentidas. O tipo de relação que se estabelece entre as famílias e os professores:
não parte do pressuposto da assumpção das famílias como parceiras co-construtivas da educação das crianças, ou seja, como actores sociais que também devem ser autores dos processos educativos formais, promovendo o seu desenvolvimento pessoal e colectivo, contribuindo para a transformação da escola em tempo e espaço de permanente construção e reconstrução da comunidade (Sarmento & Marques, 2006:75)
Foram dois contextos muito diferentes quanto à relação escola-família. Esta mudança de comunicação entre os pais e a escola, quando as crianças entram para o 1.º CEB deixou-me um pouco preocupada.
Considero que a comunicação entre a escola e o lar deveria existir também neste contexto de forma mais sistemática visto que, muitas das vezes, apercebemo-nos que as crianças não estão bem, apresentando comportamentos que não são comuns e, por vezes, mais violentos. Se existisse uma comunicação mais pessoal entre estes dois interlocutores talvez o professor conseguisse compreender melhor a criança e até ajudá-la a ultrapassar os problemas que possam existir. Como refere Costa (2005) são necessários mais pais participantes na escola, ou seja, aqueles que são responsáveis, interessados e ativos a fim de reforçarem a relação escola-família:
Os professores são vistos como tendo um papel central como educadores dentro da “sua área específica” (a sua disciplina) e “na sua relação com as famílias e o ambiente circundante”. Os pais têm “o dever de reconhecer os saberes de especialista dos professores”. A escola é vista como um “local educativo de socialização e motivação, a escola precisa necessariamente dos pais participantes” – “participação” essa definida “como presença articulada dos pais” (Costa, I., 2005:81).
Um dos objetivos do Ministério a Educação é melhorar esta relação escola-família, mas para existir uma prática de parceria entre as mesmas terá de existir um esforço de mudança de ambas as partes, pois “quanto mais estreita a relação entre escolas e famílias, maior sucesso educativo das crianças e jovens” como também, “os docentes tendem a reportar uma maior satisfação profissional” e “as famílias vêem-se valorizadas socialmente” (Silva, 2008:116).