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Hvem skal fange tidstyvene?

In document Tidsbruk i barnehager i Bydel Alna (sider 93-100)

Roy (1999), aponta que a inserção da mulher no mercado de trabalho passa pela divisão sexual do trabalho e as inovações tecnológicas não ocorrem do mesmo modo entre homens e mulheres, pois também levam em conta a idade, raça, sexo. Há uma acentuação dessa divisão no mercado de trabalho, pois ocorre uma segregação vertical onde as mulheres ocupam cargos baixos, enquanto os altos cargos ficam por conta dos homens.

Por sua vez Souza-Lobo (1991) aponta que o trabalho feminino na indústria de São Paulo possui algumas características específicas como: a) salários femininos mais baixos que os masculinos, se acentuando com a idade, b) as mulheres se concentram em atividades não qualificadas ou semi-qualificadas, c) as tarefas são monótonas e repetitivas d) as atividades requerem destreza e habilidade.

Ao se assalariar, as relações estabelecidas no âmbito privado do lar, passam a ser reproduzidas no âmbito público e assim o gênero feminino submisso no âmbito privado, pelo marido ou pai, passa agora a ser submetido às condições do capitalista e este a subjuga não somente como classe, mas como gênero, provedor da força-de-trabalho.

Faria e Nobre (1997) colocam que a mulher ao se inserir no mercado de trabalho, realiza atividades tipicamente femininas, como professoras, enfermeiras, secretárias, assistentes

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Ant onio Thom a z Júnior

Apesar do número de mulheres no mercado de trabalho estar aumentando, juntamente com o aumento da escolaridade, poderiam indicar uma maior qualificação e maior estabilidade do setor produtivo, porém o que ocorreu foi o contrário, ou seja, o aumento do número de posto de trabalho tendo a frente às mulheres, se dá às custas da ausência de registro e à base de rendimentos menores do que os percebidos pelos homens.

Segundo Oliveira (1997), a tendência de aumento da participação da mulher no mercado de trabalho nas últimas décadas vem acompanhada de duas características interessantes:

Primero la permanencia de la segregación entre trabajo doméstico y extradoméstico impide la igualdad de condiciones en el acesso al trabajo remunerado y refuerza la situación de desvantaja social de las mujeres en ambos espacios. Segundo, es necesario evaluar la calidad del trabajo extradoméstico que las mujeres están desempeñando para tener una idea del tipo de inclusión social que éste les propicia.

(OLIVEIRA, 1997, p. 188).

Para Roy (1999), a qualificação está baseada na construção histórica de homens e mulheres trabalhadoras, pois ambos não são capacitados de forma igual na família e na escola, para o mercado de trabalho.

Esse processo acaba desqualificando a mulher, pois mesmo com a qualificação real, ou seja, o conhecimento adquirido, quando analisados seu dados curriculares, esse saber não constará oficialmente. Seria o mesmo que dizer que a desqualificação do posto de trabalho vem ao encontro à sua própria desqualificação6.

A questão da qualificação com a implantação dos programas de Qualidade Total (QT) e Círculo de Controle de Qualidade (CCQ), passou a ser implantada com a retomada do crescimento econômico, que entrou numa nova fase a partir da década de 70, no Brasil. Essa fase se dividiu em 3 momentos diferenciados: o primeiro momento ocorreu com a difusão do CCQ, no início da década de 70, o segundo momento em 84, com a Inovação Tecnológica e Organizacional e a terceira fase no início dos anos 90, com a reestruturação produtiva e a implantação por muitas empresas, do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP). Ou seja, as transformações no mundo do trabalho trouxeram a exigência da qualificação profissional, para saber manipular e operar os equipamentos, porém a exigência da formação não condiz com as funções e o salário. Não é a alfabetização que determina o salário, pois este tem sido tendencionalmente achatado e deflacionado e no caso da mulher trabalhadora, ela sofre duplamente com a discriminação, pois na mesma função é muitas vezes mais qualificada que o homem e recebe menor remuneração7.

O fato é que, se a tecnologia possibilita que uma pessoa execute várias tarefas, por outro lado, existe a inutilidade de se qualificarem tantas pessoas para dado trabalho, pois certas funções na fábrica são extintas com o emprego da tecnologia.

É sabido que o CCQ objetivou disciplinar a iniciativa operária, principalmente os trabalhadores mais qualificados e assim desviar o ímpeto participativo para formas que contassem com o controle gerencial, haja vista que no final dos anos 70 houve uma retomada do movimento sindical. Assim, a implantação da QT foi também uma meta para atingir a produção e assim dominar a força-de-trabalho. Ou seja, essas novas formas de organização do trabalho trouxeram uma

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característica nova aos trabalhadores, que é a sensação de comando da situação na produção, pois em sintonia com os demais componentes do grupo, podem se organizar e atingirem patamares mais elevados de produtividade, ficando a responsabilidade e sustentação da firma nas mãos dos funcionários.

No caso da mulher, essa questão é mais firmemente ideologizada, com sua inserção nos programas de QT, apesar dela não ocupar os cargos de comando, essa inserção traz não só a sensação de participante, mas faz com que sinta mulher-trabalhadora-responsável na produção, assim como é socialmente reconhecida como mulher-mãe-responsável-na esfera-doméstica. (ROY, 1999)

Porém, o que está colocado para os trabalhadores de forma geral, apoiado nesses programas de controle de qualidade, é a busca da produtividade pela intensidade e sem o conhecimento do processo completo de trabalho. A inovação trouxe a substituição do homem pela máquina, o conhecimento passou a se fragmentar e a realização de toda a etapa da produção, antes realizada por uma única pessoa se fragmentou, com a implantação da divisão técnica do trabalho.

O capitalismo, com a “ajuda” da ciência, substituiu o saber artesanal de todo o processo produtivo das mãos do trabalhador, para a fragmentação das etapas, pela utilização da máquina, assim distanciou o trabalhador cada vez mais do produto de seu trabalho.

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