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Familiehensynsprinsippet i EU/EØS-retten

3.4.1 - Questionário

Para a recolha de informação, o investigador não se deve limitar a uma única técnica, mas de uma pluralidade delas, consoante o tipo de informação que pretende obter (Costa, 1986). Deste modo, no presente estudo recorremos ao inquérito sob a forma de questionário escrito e à observação participante.

A nossa opção pelo questionário escrito, residiu no facto de este se revelar uma técnica válida e fiável, que encerra em si a vantagem de o investigador não influenciar a recolha de dados, por colocar os sujeitos inquiridos em situação de igualdade quanto à natureza das questões e tempo de resolução e, por fomentar a exploração de fenómenos que por seu intermédio, possibilitam antever ligações e interpretações antes insuspeitas (Tukman, 1978).

Cientes de que o interesse de um questionário reside na pertinência da informação recolhida e que as primeiras impressões são importantes como determinantes para a decisão de uma boa colaboração por parte do inquirido, considerámos na sua elaboração, qualidades como: a) não ser demasiado extenso; b) colocar questões claras; c) ser adaptado à cultura do inquirido; d) evitar a vulgaridade e a negação, e) não recuar demasiado no

passado; f) ser anónimo; g) confidencial; h) e esclarecedor da intencionalidade (Hill e Hill, 2002; Huot, 2002).

Com base nestas premissas, o nosso questionário, foi construído de raiz, sendo anónimo e composto por questões abertas, relacionadas com uma imagem que previamente os alunos pintaram, dando-nos também esta, informações em relação às concepções alternativas dos alunos quanto ao tema em estudo, “Separação dos Resíduos Domésticos

uma Prática ou um Conceito?”

A nossa preferência pelas questões abertas reside no facto de estas “permitirem que

o sujeito responda utilizando o seu próprio vocabulário, expresse a sua opinião, forneça pormenores e engendre comentários úteis, para a compreensão dos conceitos, das atitudes, dos valores que estes manifestam” (Malaton e Ghiglione, 1997: 115). Deste

modo, quanto ao seu conteúdo, as questões colocadas caracterizam-se como perguntas de facto, ou seja, perguntas que dizem respeito a assuntos concretos e de fácil determinação e resposta (sexo, idade...) e perguntas de opinião, que induzem o inquirido a emitir os seus conceitos, a sua opinião, as suas atitudes ou os seus valores, perante uma situação concreta, ou em relação a uma problemática (Pardal e Correia 1995).

Assim, perante a necessidade de conhecermos as concepções alternativas das crianças, suas opiniões, valores e atitudes, optamos por recorrer à aplicação de um inquérito por questionário escrito (pré-teste).

Para avaliar se, após a intervenção pedagógica ocorreram ou não mudanças conceptuais e, em particular se estas se traduziram ou não em mudanças ao nível dos valores e atitudes, como um contributo para a conservação do Ambiente, recorremos à aplicação do pós-teste, que optámos que fosse o mesmo que o pré-teste. Isto porque, considerámos que utilizando o mesmo instrumento de recolha de dados, poder-se-ia em termos comparativos, avaliar mais concretamente o papel da intervenção pedagógica nas mudanças conceptuais, atitudinais e nos sistemas de valores das crianças relativamente a essa mesma problemática.

Nesta perspectiva, o questionário é composto por dez questões que avaliam conceitos, atitudes e valores. A questão 1 avalia atitudes, a 2 avalia conceitos e atitudes, as questões 3, 5, 7 e 9 apenas conceitos, as questões 8, 4 e 10 avaliam conceitos e valores.

Relativamente à questão 6, foi integrada no questionário apenas com a finalidade de avaliar a concentração dos alunos durante a resolução do mesmo, funcionando, assim, como questão distractora.

Quanto à imagem apresentada, esta pode ainda funcionar como meio para facilitar a compreensão e a comunicação, desempenhando uma função de apoio à aquisição de conceitos e fazendo assim, parte do processo de construção do conhecimento (Amador e Carneiro, 1999). Desta forma, foi também ela, uma fonte de dados considerada e sujeita a análise.

Assim, na base da sua concepção, pretendeu-se que esta retratasse uma situação concreta, onde se opusessem duas práticas distintas, a separação e a não separação dos resíduos domésticos e, que levasse ao questionamento de conceitos, atitudes e valores, ou seja, que a partir desta pudéssemos construir uma sequência lógica de questões que relacionadas entre si avaliassem conceitos, atitudes e valores dos alunos.

Neste sentido, a imagem foi sendo construída progressivamente com base em critérios como: objectividade (retratar apenas a situação que pretende); simplicidade (incluir apenas os elementos necessários para retratar essa mesma situação); ambiguidade (não comportar situações ambíguas); dimensão (adequada aos elementos que a compõem de modo a facilitar a sua ilustração e a atenção a pormenores que facilitem a sua interpretação). Por isso, à medida que foi sendo construída, foi sendo alvo de modificações.

Numa primeira fase esta apenas contemplava um ecoponto constituído por três contentores (vidrão, embalão, papelão) e duas crianças, um menino que transportava um saco com resíduos domésticos não separados e uma menina que transportava um saco com apenas objectos de vidro. Contudo, perante este esboço, logo nos surgiram as seguintes questões:

▪ Onde vai o menino colocar o seu saco de resíduos?

▪ Será que o facto de ser o menino a transportar o saco dos resíduos não separados, não induzirá os sujeitos a inferirem conceitos errados? Como por exemplo: Os meninos não separam os resíduos, não se preocupam com o Ambiente. As meninas separam os resíduos, preocupam-se com o Ambiente.

▪ Será que não deveríamos aproveitar a “onda” de publicidade ao pilhão e anexar um no ecoponto?

Na tentativa de responder às questões apresentadas, o esboço final (pág.81) passou a contemplar o ecoponto com três contentores (vidrão, papelão e embalão), tendo anexado a este o pilhão e acrescentado um contentor de lixo indiferenciado.

Quanto às crianças, optámos por duas meninas, podendo também ter optado por dois meninos. Embora a nossa opção tenha colmatado o problema colocado na segunda questão, pensamos que poderá sempre suscitar um outro. Por exemplo a atribuição da tarefa de separação dos resíduos ao sexo feminino, caso da nossa opção, duas meninas, ou ao sexo masculino, caso optássemos por dois meninos.

Conscientes de que qualquer uma das opções poderá suscitar sempre o despontar dos conceitos mencionados, caso estes surjam poderão ser clarificados na intervenção pedagógica.

Em relação aos sacos que as crianças transportavam, optamos que estes dessem a ideia de transparência, para ao pintarem os objectos que neles se apresentam, tivessem uma melhor percepção do conteúdo de cada um, bem como a oposição de situações apresentadas (separação e não separação dos resíduos domésticos).

Mediante tudo o que foi referido e para melhor compreendermos as razões das nossas opções, apresentamos de seguida a versão final do questionário na sua integra.