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Faller dronningen?

Inicialmente, foram construídas planilhas com todos os dados, relacionados por participante: escola, início de experiência profissional, formação acadêmica, quando iniciou sua carreira profissional , série em que trabalha e quantas horas por semana.

Um total de 2225 palavras foi identificado. Isto é, todos os participantes responderam ao solicitado: escrever cinco palavras ao indutor proposto (Apêndice C). Após o trato das palavras evocadas espontaneamente ao indutor proposto (“Leitura é...”), esse conjunto de palavras foi processado pelo software EVOC, (versão 2000, 3.0), proposto por Pierre Vergès em 2002, o qual possibilitou constatar 254 palavras diferentes, naquele universo vocabular.

Conforme disposto no Manual desse Programa (LIMA, 2003) quando se verifica uma grande variabilidade lexical nos dados colhidos, inicialmente, deve-se proceder a algumas transformações.

Dada a semelhança lexical, algumas palavras para serem processadas pelo programa EVOC foram submetidas a um tratamento. O procedimento utilizado foi o seguinte, respeitou-se a concordância com a evocação “Leitura é...” e a quantidade de palavras evocadas, prevalecendo a de maior frequência. O plural foi alterado para o singular, excetuando-se o termo ideias, visto que o número de vezes que a palavra foi evocada foi alto; adjetivos ou substantivos foram transformados em verbo, no infinitivo. No Apêndice E são apresentadas as transformações realizadas, bem como a quantidade de termos submetidos ao trato das palavras.

Embora o software EVOC tenha sido criado visando identificar como prováveis elementos centrais os componentes mais frequentes e prontamente evocados tendo

como referência a média das freqüências (MF) e a média das ordens médias de evocação (MOME), para a realização deste estudo foram criadas duas planilhas em Excel, uma com a ordem natural das evocações e outra com a hierarquização das evocações. Em ambas foi utilizado o mesmo trato de palavras (Apêndice E), aproveitando as possibilidades do software, conforme descritas a seguir.

O software EVOC propicia verificar a organização das palavras evocadas por um grupo, em função da hierarquia implícita de cada uma, gerada pela combinação entre a sua frequência com a ordem de sua respectiva evocação.

Além disso, o software possibilita a obtenção de outros resultados estatísticos, a partir dessas matrizes de coocorrências, as quais, por sua vez, servem de apoio para rodar o Randgraf, também conhecido por Tabrgrq, um dos 16 programas disponíveis desse software. Uma vez rodado, o Randgraf apresenta um quadro de quatro casas, identificando os elementos que constituem o provável núcleo central e o sistema periférico da representação social que foi investigada pelo teste de associação livre.

Esse programa apresenta resultados, sistematizados e explicados na Figura 4, os quais além de situar as palavras evocadas por quadrante, tendo por base a frequência média de ocorrência das palavras e as ordens médias de evocação (OME), pelos parâmetros sugeridos pelo programa ou pelo pesquisador, informando os elementos que provavelmente constituem o núcleo central e o sistema periférico da representação em estudo.

Figura 4 – Matriz do EVOC: distribuição por quadrante das palavras evocadas (VERGÈS, 1994).

Neste estudo levamos em consideração para as análises, tanto a ordem natural das evocações, as quais denominamos de OME‟s, como a hierarquização efetuada pelos professores participantes no momento da coleta dos dados, isto é, as ordens médias de importância atribuída pelos participantes à palavra evocada, a qual chamaremos de OMI‟s. A opção por trabalhar com as duas ordens médias, definida quando da montagem do instrumento, deve-se ao fato de que além da análise prototípica que caracteriza a estrutura da representação, obtida pelas OMEs, a identificação de possíveis mascaramentos, provocados por pressões normativas (WACHELKE; WOLTER, 2011) poderem ser desvelados pela análise das OMIs.

Em suma, essa decisão teve por base a ideia de que ao assim procedermos somaríamos uma dupla vantagem para a análise dos dados: a de dispor dos termos mais acessíveis à consciência dos participantes, pela evocação livre (VERGÈS, TYZSKA & VÈRGES, 1994), e a de colher o resultado do trabalho cognitivo dos participantes sobre as palavras que evocou, resultante da análise, comparação e hierarquização sobre sua própria produção, as quais geraram as OMIs.

O desenho da análise relativa às representações sociais em estudo foi traçado como segue: apresentação inicial das informações recolhidas em situação de evocação livre, seguida pela análise dos resultados obtidos no segundo momento da

situação da aplicação do teste de associação livre, isto é, quando os participantes indicaram a importância de cada uma das palavras que registraram no primeiro momento. Nas análises realizadas com vista à obtenção dos elementos constitutivos dos quadrantes, os critérios adotados para definir os pontos de corte foram: 10% dos participantes para a frequência média, um valor que fosse metade dessa freqüência para a freqüência mínima e de três para a ordem média.

Para a análise inicial dos resultados, tendo em conta todos os participantes (N=445), os valores 22 para a frequência mínima e 45 para a freqüência intermediária foram os informados para rodar o Randgraf. . Desse modo, os resultados informam os dados de pelo menos 10% do total de participantes. Este critério foi usado, também, quando das análises dos grupos e subgrupos que constituímos, para fins de análise, a partir do tempo de exercício profissional e formação acadêmica inicial dos participantes.

Finalmente, regularam esta apresentação as ponderações de Vérges (2001, p. 346-347), acerca do funcionamento cognitivo. Este autor distingue três processos cognitivos responsáveis pela escolha das palavras que o indivíduo emite quando provocado a falar sobre um objeto de representação: a) a seleção dos elementos organizadores da representação decorre da importância que o sujeito atribui aos elementos. O resultado desse processo possibilita ao investigador identificar quais são os elementos mais pertinentes e periféricos de um determinado objeto, por exemplo, para um grupo de sujeitos; b) as dimensões conotativas que o indivíduo associa a um determinado domínio, pela série de atributos, avaliações e práticas, isto é, como qualifica os elementos selecionados e lhes atribui umas e não outras propriedades; c) a esquematização, “organiza o conteúdo da representação numa rede da qual cada elemento retira sua significação apenas do conjunto dos outros elementos aos quais está vinculado” (VERGÈS, 2001, p. 347).

Em vista disso, apresentaremos inicialmente a análise do corpus das evocações livres dos 445 participantes ao indutor proposto (“Leitura é ....”), seguida do exame do corpus constituído pela hierarquia atribuída pelo participante a cada uma das palavras que evocou. Isso possibilita que além do conteúdo, possamos dizer

acerca da estrutura dessa representação social, visto que esta última série de dados quando associada ao cálculo das médias de frequência permite “uma análise da centralidade dos diversos elementos produzidos” (OLIVEIRA et al. (2005).