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Dentre as muitas teorias sobre inovação (MOREIRA & QUEIROZ, 2007; SCHUMPETER, 1939; VIOTTI, 1997), escolheu-se adotar a abordagem que divide as inovações em duas tipologias: inovações incrementais e inovações radicais.

Primeiramente, há certo consenso entre autores sobre a inovação ser o surgimento de algo novo entre os fatores de produção, podendo ter relação com novos produtos, novos métodos ou

processos, novos mercados, novos materiais ou fontes de fornecimento ou novas formas de organização. Contudo, o impacto que este tipo de inovação causa no estado atual da indústria onde foi inserida pode variar significativamente, podendo ser uma inovação incremental ou radical.

A inovação radical “implica (...) na introdução de um novo produto, processo ou forma de

organização 'inteiramente nova’ e (...) na mudança do paradigma tecnológico” (LEMOS, 2000

apud BLUMENSCHEIN, 2004), ou seja, o impacto da introdução de uma inovação radical é de tamanho tal que o paradigma anterior a sua implantação é rompido, e um novo paradigma é estabelecido para a indústria a partir de sua inserção.

A inovação incremental, por sua vez, está na “introdução de melhorias em produtos, processos

ou organização da produção, sem ocasionar mudanças industriais (FREEMAN, 1994 apud

BLUMENSCHEIN, 2004)”, ou seja, são melhorias que trazem algo novo a produção, contudo não mudam o paradigma da indústria, somente aprimoram formas de produção já existentes.

Devido às suas características específicas, como a natureza única de uma edificação, a longa vida útil dos produtos, a dependência entre empresas e de outros setores industriais, as inovações na CPIC tendem a levar anos, e são dificilmente notadas (FLORIANI, 2010). Esta é uma das razões pelas quais a CPIC possui um perfil pouco inovador (FLORIANI, 2010):

A natureza das inovações na construção, de acordo com Toledo, Abreu e Jungles (2000), é majoritariamente gradual, com uma baixa frequência de inovações radicais. Miozzo e Dewick (2005) apontam que na indústria da construção as inovações incrementais predominam e que não são implementadas na empresa como um todo e sim, em parte dos projetos em que a empresa está engajada. Os autores acrescentam ainda que estes projetos normalmente possuam caráter colaborativo com outras empresas e, consequentemente, para implementação de inovações existe a necessidade de negociação entre as partes componentes. A especificidade da construção civil e a necessidade de cumprimento de regras e normas exigem certos procedimentos para a implementação de inovações, o que favorece a adoção de inovações incrementais, além de ciclos de implementação e difusão de inovações, geralmente, longos. A dependência de fornecedores, a diversidade de agentes envolvidos e o afastamento relativo das empresas de universidades e centros de pesquisas tornam ainda mais complexa a gestão, implementação e difusão de inovações, principalmente as radicais. Para Rezende e Abiko (2005, p. 3), a apropriação dos lucros se configura com base nas habilidades profissionais, estética do design e propaganda, mais do que no desenvolvimento de vantagens tecnológicas. A trajetória tecnológica é definida fundamentalmente com o objetivo de diminuir custos.

Entre os fatores que dificultam o processo de inovação nas empresas construtoras apresentados por Martins e Barros (2005), têm-se:

• Os oligopólios;

• A restrição de recursos destinados à pesquisa;

• As poucas parcerias entre empresas, instituições de pesquisa e universidades; • As dificuldades de lançamento e exploração de patentes;

• Mão de obra disponível a baixo custo e pouco qualificada; • A carga tributária excessiva;

• As empresas construtoras normalmente são propriedades de empresários ou familiares, nem sempre suficientemente competentes e que dificilmente profissionalizam a gestão;

• A estrutura produtiva, em geral não favorece as inovações;

Relevante para: de processo Inovações organizacionais Inovações

Fatores relativos ao custo:

Riscos percebidos como excessivos * *

Custo muito elevado * *

Carência de financiamento interno * *

Carência de financiamento de outras fontes fora da empresa: * *

– capital de risco * *

– fontes públicas de financiamento * *

Fatores relativos aos conhecimentos:

Potencial inovador (P&D, design,etc.) insuficiente *

Carência de pessoal qualificado: *

– no interior da empresa *

– no mercado de trabalho *

Carência de informações sobre tecnologia *

Carência de informações sobre os mercados

Deficiências na disponibilização de serviços externos * * Dificuldade de encontrar parceiros para cooperação em: *

– desenvolvimento de produto ou processo *

– parcerias em marketing *

Inflexibilidades organizacionais no interior da empresa: * – atitude do pessoal com relação a mudanças * * – atitude da gerência com relação a mudanças * *

– estrutura gerencial da empresa * *

Incapacidade de direcionar os funcionários para as atividades de inovação

em virtude dos requisitos da produção *

Fatores de mercado:

Demanda incerta para bens ou serviços inovadores Mercado potencial dominado pelas empresas estabelecidas

Fatores institucionais:

Carência de infra-estrutura *

Fragilidade dos direitos de propriedade

Legislação, regulações, padrões, tributação *

Outras razões para não inovar:

Não necessidade de inovar decorrente de inovações antigas * * Não necessidade decorrente da falta de demanda por inovações

Fonte: OECD (2005).

O manual de Oslo, desenvolvido pela OCDE (2005), apresenta uma tabela com os fatores que dificultam as inovações, dividindo estes em quatro tipos: inovações do produto, de processo, organizacionais e de marketing, para o trabalho apresentado aqui, dois destes tipos têm maior relevância, inovações processo, organizacionais, e por isso foram destacados e apresentados conforme Tabela 1.

Devido a todos estes fatores que dificultam as inovações na CPIC, é necessário que existam vetores de aceleração e difusão destas inovações dentro deste setor. A análise de alguns autores sobre como essas mudanças podem ser aceleradas por vetores de influência torna-se relevante. Desta forma, Blumenshein (2004) apresenta um estudo sobre os principais vetores para mudanças e inovações na Cadeia Produtiva da Indústria da Construção (CPIC). São eles:

• Mercado – Demanda;

• Tecnologia – Pesquisa e desenvolvimento;

• Produção – quem usa e aplica, aprende e melhora; • Firma – estratégia competitiva;

• Empreendedor – presença de um líder; • Políticas Públicas,

• SNI – Sistema Nacional de Inovação.