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3.2. Falafels

É tarefa do professor avaliar os seus alunos para ter uma perspetiva da sua evolução e mais ainda, para perceber se os objetivos das planificações dos próprios professores foram alcançados ou, por outras palavras, para avaliar a prática educativa do professor. Será importante recorrer à avaliação formativa, pois é aplicada de forma contínua ao longo das atividades e situações propostas em aula, centrando-se no processo educativo, isto é, nas aprendizagens, dificuldades, etc. Desta forma, o professor poderá reunir

dados que lhe permitam ver o progresso dos seus alunos e agir de acordo com o que vai analisando (Bassedas, et al., 1999).

Sabemos que a aprendizagem da escrita é um processo moroso e o progresso poderá ser lento; uma das razões consiste no facto deste processo ser complexo, tal como já foi referido. Aumentar o número de produções e atividades de escrita irá aumentar as oportunidades dos alunos se confrontarem com dificuldades e de as superarem, bem como fornecerá ao professor oportunidades para ir analisando, observando o processo de aprendizagem, avaliando e reformulando as suas ações em prol do desenvolvimento das capacidades de escrita. Porém, avaliar a escrita pode ser uma tarefa um pouco subjetiva. Dizer que um texto está bem ou mal escrito deve restringir-se a critérios de avaliação que permitam ao professor manter-se focado em elementos que possam ser avaliados objetivamente.

1.4.1 Critérios da escrita de qualidade

É de extrema importância salientar que o professor não pode avaliar o que não ensina e, neste sentido, não poderá avaliar um texto de um aluno de 1º ciclo da mesma forma como avaliará o de um aluno de 2º ou 3º ciclo, por exemplo. Ou, ainda, avaliar aspetos que ainda não tenham sido abordados. Neste sentido, é fundamental que a avaliação se centre nas capacidades e competências que os documentos oficiais, emitidos pelo ministério da educação, preveem ser desenvolvidas neste grau de ensino.

Assim sendo, e de uma forma sistematizada, segundo o Programa de Português do 1º Ciclo do Ensino Básico (2009, pp.41-46), no âmbito do ensino da escrita, pretende-se que as crianças venham a:

 utilizar adequadamente maiúsculas e minúsculas;  assinalar a mudança de parágrafo;

 aplicar regras dos sinais de pontuação (vírgula, ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, dois pontos);

 redigir textos, respeitando as convenções gráficas, ortográficas e de pontuação; utilizando os mecanismos de coesão e coerência adequados.

Quanto a este último descritor de desempenho, pode ler-se nas notas que se espera uma utilização de retomas nominais e pronominais; uma adequação dos tempos verbais; a

utilização de conectores discursivos; a estrutura compositiva e formato adequado; o respeito pelo tema e intenção definidos.

Por outro lado, é de frisar que, quando se avalia um texto, não se procura apenas erros ortográficos, já que escrever bem não significa que não se dê erros desta natureza. Este é um outro aspeto para o qual o mesmo documento orientador chama a atenção, referindo que se deve atender aos diferentes níveis de análise da língua.

Existem outros tipos de erros a que se deve atender e que, através de um processo de aprendizagem, permitirão gradualmente que os alunos possam praticar uma escrita mais cuidada e, consequentemente, escrever melhor. Estes erros podem servir de critérios aquando da avaliação do professor, e/ou em cooperação com os alunos, das produções textuais, mas também podem ser considerados objetivos das atividades e tarefas de escrita que se quer desenvolver. De qualquer das formas, antes de qualquer exercício de escrita, o professor deve explicitar claramente o que pretende ver nos textos dos seus alunos e os aspetos que serão tomados como mais relevantes na avaliação.

Para além dos erros ortográficos e de pontuação, que já foram abordados anteriormente podemos encontrar nos textos dos alunos outros tipos de erros, tais como, os erros de sintaxe e erros de morfossintaxe.

Os erros ortográficos, como já foi referido, verificam-se quando as palavras escritas não cumprem as normas estabelecidas pela comunidade linguística a que pertencem. Outros erros da escrita referem-se aos erros de sintaxe que são relativos à combinação de palavras em frases como os de concordância interfrásica, por exemplo. A sintaxe é, portanto, a parte da gramática que estuda as regras de combinação e disposição das palavras e das frases no discurso. Detetam-se, assim, incorreções nas concordâncias em género, número e pessoa entre o sujeito e o verbo ou entre o sujeito e o predicativo do sujeito. Exemplos: Os pássaros são bonitos -> Os pássaros são bonito; A rapariga é simpática -> A rapariga é simpático.

Segundo Dubois (1979, citado em Acosta et. al, 2006), a morfossintaxe é a descrição da estrutura interna das palavras e regras de combinação dos sintagmas em orações. Segundo Xavier & Mateus (1992) a morfossintaxe divide-se em morfologia que diz respeito à análise da estrutura interna das palavras e os mecanismos de formação de palavras, e em sintaxe que diz respeito a regras, condições e princípios subjacentes à

organização estrutural dos constituintes das frases. Os erros de morfossintaxe incluem então palavras variáveis que permitem flexão, nomeadamente a flexão nominal e adjetival (género, número e grau) e verbal (tempo-modo-aspeto e pessoa-número). Por fim temos os erros de pontuação, referentes à colocação incorreta dos sinais de pontuação ou a falta deles nas frases, tirando-lhes o sentido ou modificando o sentido pretendido (Baptista, A., et al., 2011). Como já foi abordado na competência gráfica, os sinais de pontuação e os sinais auxiliares desempenham funções importantes e têm como principal objetivo a clareza e a expressividade de um texto.

Taberosky e Gallart (2003) identificam as seguintes estratégias como sendo essenciais para que as crianças aprendam e melhorem cada vez mais a sua capacidade de escrita: (i) identificar o que cada criança já sabe; (ii) realizar atividades com foco no sistema de escrita; (iii) realizar atividades com foco nas práticas de linguagem; (iv) utilizar processos didáticos para alfabetizar; (v) trabalhar com sequências didáticas e, por fim, (vi) incluir atividades permanentes na rotina da criança. Seguindo estes passos, é de esperar que a criança desenvolva as suas capacidades de modo a que consiga escrever progressivamente com maior correção.

Neste sentido, cabe ao professor fazer com que as crianças superem os erros acima indicados, de modo a atingirem um grau de excelência em termos de escrita do Português. O professor deverá atender à superação dos erros de escrita através de processos constantes de sistematização e avaliação formativa. Além de escrever melhor, também é importante que as crianças escrevam mais, isto é, que escrevam mais vezes e que os seus textos sejam progressivamente maiores, mais detalhados e elaborados. Para isso, pretende-se que sejam motivadas a escrever, que sintam prazer ao fazê-lo, e vão eliminando dificuldades que possam ter, já que estas são muitas vezes um entrave à motivação e à prática de escrita.