Chamado originalmente True Romance, este filme foi realizado em 1993 e teve seu roteiro escrito por Tarantino antes de lançar Cães de Aluguel. Aliás, a venda desse roteiro e do roteiro de Assassinos por Natureza completaram os fundos para a realização de seu primeiro filme. Amor à Queima-Roupa tem a direção de um amigo do cineasta, o diretor inglês Tony Scott, conhecido por filmes como Fome de Viver (The Hunger, 1983), Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun, 1986), Dias de Trovão (Days of
Thunder, 1990), Maré Vermelha (Crimson Tide, 1995), Estranha Obsessão (The Fan,
1996) e Chamas da Vingança (Man on Fire, 2004), entre outros.
Na abertura do filme, em um bar, um jovem chamado Clarence Worley declara seu amor por Elvis Presley, numa referência clara a elementos da cultura pop, uma
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marca de Tarantino. Depois, confessa ser fã dos filmes de artes marciais de um ator pouco conhecido chamado Sonny Chiba. Em voz off, Alabama fala do amor encontrado em Detroit e dos tempos ruins e sem perspectivas de outrora.
Os dois encontram-se e conhecem-se no cinema enquanto assistem um filme de Sonny Chiba. Depois vão a uma lanchonete, conversam sobre gostos pessoais e fazem amor. Tarantino, simplifica a forma como exibe a relação que estabelece entre Clarence e Alabama, adiciona aspectos de uma suposta neutralidade quando adiciona o gosto por filmes pouco conhecidos do grande público. Em seguida, Alabama confessa ter sido paga para estar com ele no dia do seu aniversário. Diz a Clarence que é o seu terceiro cliente e que está presa a um cafetão chamado Drexl.
Numa prestação de contas com traficantes, Drexl assassina dois deles à queima- roupa. Enquanto isso, Clarence e Alabama se divertem. Ele tem conversas imaginárias com Elvis Presley que o aconselha a matar Drexl. Essa é a única forma de ele ficar com Alabama.
Clarence resolve procurar Drexl. Ele oferece ao cafetão um envelope com uma compensação financeira em troca da liberdade de Alabama. Drexl irrita-se quando vê o envelope vazio e o agride violentamente. Já no chão e bastante machucado, Clarence saca uma arma e atira várias vezes em Drexl, matando-o. Em seguida, foge esquecendo a carteira de motorista e levando uma mala supostamente cheia com as roupas de Alabama.
Já em casa, conta a Alabama o assassinato de Drexl. Ela chora emocionada com a atitude de Clarence. Ao abrir a mala têm uma surpresa: ela fora trocada por outra recheada com meio milhão de dólares em cocaína pura.
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Clarence procura o pai para pedir ajuda. Este investiga junto a amigos policiais e descobre que a morte de Drexl está relacionada ao narcotráfico segundo a versão da polícia.
Clarence e Alabama partem para Hollywood à procura de Dick, um amigo. Enquanto isso, o pai de Clarence é procurado por Vincent, capanga de Lou Boyle, sócio de Drexl que quer a droga de volta (o envolvimento de Clarence foi descoberto a partir do documento esquecido no local onde ele matou Drexl). Ele é interrogado e torturado. Na cena, os requintes de crueldade são a marca principal. Segue um diálogo frio e
patético entre Vincent e o pai de Clarence sobre a Sicília e sua origem negra. A frieza
desse diálogo amortece o clima de suspense e a explosão da violência latente. Tudo é mostrado com atuação milimetricamente montada pelo diretor. Acena é apresentada em forma de sátira aos filmes policiais onde acontecem torturas semelhantes.Vincent ri parecendo gostar quando é chamado de berinjela em alusão à sua cor mestiça. Repentinamente, ele beija o pai de Clarence e atira nele à queima-roupa.
Em Hollywood, Clarence encontra Dick e pede-lhe ajuda para vender a droga. O contato é feito com um produtor de filmes chamado Lee através de Elliot, amigo de Dick. Os traficantes encontram o casal, pois haviam achado o endereço de Dick na casa do pai de Clarence.
Num quarto de hotel, Alabama é espancada, pois se nega a revelar o paradeiro de Clarence e da droga. O gângster que a tortura fala acerca da dificuldade em matar
pela primeira vez. Ele resolve matá-la e ela reage. Alabama ri enquanto é espancada. O
bandido se irrita. Ela consegue se safar e o mata com vários tiros. Mesmo depois de morto, Alabama ainda o espanca. Clarence aparece e eles fogem.
Elliot é preso com cocaína. Ele confessa a transação com Clarence. A polícia arma um plano para pegá-lo através de um microfone escondido em Elliot. Enquanto
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isso, os traficantes também se preparam para pegá-los, pois descobrem todo o esquema através de Floyd, amigo de Dick que, sempre drogado, não tem noção do que acontece à sua volta e responde a tudo perguntado por bandidos quando estes procuram por Clarence e Alabama.
Clarence, Alabama e Dick chegam ao hotel para o encontro com Lee. Elliot se junta a eles e vão ao quarto de Lee. A polícia acompanha todos os movimentos pelo microfone escondido em Elliot. No quarto, a conversa gira em torno de filmes e séries
de TV. No roteiro, Tarantino repete a mesma fórmula ao criar um diálogo banal para
amortecer o conflito principal, prestes a acontecer.
A polícia e os traficantes estão preparados para invadir o apartamento. A negociação com Lee é acertada. Alabama conta o
dinheiro enquanto Clarence vai ao banheiro. Elvis Presley está lá e conversa com ele.
A polícia invade o local e os traficantes também. Policiais, traficantes e os seguranças de Lee
atiram ao mesmo tempo. Há sangue e matança generalizada. Plumas das almofadas flutuam em meio ao tiroteio e música erudita. O padrão estético das imagens atenua sensivelmente a matança. O hotel é cercado. Clarence é ferido. Ele e Alabama saem tranqüilamente com o dinheiro.
Na estrada, fogem para o México. Em off, Alabama narra a felicidade depois do caos e da violência. Têm um filho chamado Elvis.
No filme, o roteiro de Tarantino foi dirigido por Scott mantendo os recursos que dão à narrativa a unidade procurada: a violência é o elemento principal para resolver todos os conflitos. No final, ainda há espaço para a felicidade do casal de protagonistas.
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