Kapittel 2 Kunnskap om pensjon
2.3 Faktisk kunnskapsnivå
O surto de crescimento cerebral que se inicia aproximadamente no terceiro trimestre de gestação e continua até pelo menos o quarto ano de vida é importante para o desen- volvimento do funcionamento neurológico (Gabbard, 1996). Sorrir, balbuciar, engati- nhar, andar e falar - todos os principais marcos sensórios, motores e cognitivos da in- fância - só são possíveis com o rápido desenvolvimento do cérebro, especialmente do córtex cerebral.
Até meados do século XX, os cientistas acreditavam que o cérebro crescia de um modo imutável, genéticamente determinado. Isso realmente parece estar muito perto da verdade antes do nascimento. Hoje, porém, acredita-se, sobretudo com base em es- tudos com animais, que o cérebro pós-natal é "moldado" pela experiência, principal- mente durante os primeiros meses de vida, quando o córtex ainda está crescendo rapi- damente e organizando-se (Black, 1998). O termo técnico para essa maleabilidade ou modificabilidade do cérebro é plasticidade. As primeiras conexões sinápticas, algumas das quais dependentes da estimulação sensória refinam e estabilizam a "fiação" gene- ticamente determinada do cérebro. Assim, as experiências iniciais podem ter efeitos du- radouros sobre a capacidade do sistema nervoso central de aprender e armazenar in- formações (Black, 1998; Chugani, 1998; Greenough, Black e Wallace, 1987; Pally, 1997; Wittrock, 1980).
Em uma série de experimentos, ratos foram criados em gaiolas com rodas para correr, pedras para subir, alavancas para manipular ou outros animais com os quais interagir. Esses animais foram então comparados com outros criados em gaiolas co- muns ou em isolamento. Os animais "enriquecidos" apresentaram cérebros mais pe- sados com camadas corticais mais espessas, mais células no córtex visual, mais célu- las complexas e níveis mais elevados de atividade neuroquímica, facilitando a forma- ção de conexões sinápticas (Rosenzweig, 1984; Rosenzweig e Bennett, 1976).
Pela mesma lógica, o abuso ou empobrecimento sensório pode deixar suas mar- cas no cérebro (Black, 1998). Em uma experiência, filhotes de gato com óculos que lhes
Desenvolvimento Humano 173 V E R I F I C A D O R Você é capaz de ... Descrever as características mais importantes do desenvolvimento cerebral antes e depois do nascimento?
Explicar as funções dos comportamentos reflexos inatos e por que alguns desses reflexos
desaparecem nos primeiros meses de vida enquanto outros permanecem?
plasticidade
Modificabilidade ou "modelação" do cérebro através da
permitiam ver apenas linhas verticais eram, quando adultos, incapazes de ver linhas horizontais e batiam em tabuleiros horizontais à sua frente. Outros gatos, cujos óculos só lhes permitiam ver linhas horizontais, cresceram cegos para colunas verticais (Hirsch e Spinelli, 1970). Isso não aconteceu quando o mesmo procedimento foi realiza- do com gatos adultos. Ao que parece, os neurônios do córtex visual ficaram programa- dos para responder somente a linhas que corressem na direção que os filhotes conse- guiam ver. Portanto, se determinadas conexões corticais não são estabelecidas bem ce- do na vida, esses circuitos podem "parar" para sempre.
O desenvolvimento emocional inicial pode igualmente depender da experiência. Bebês cujas mães estão profundamente deprimidas apresentam menos atividade no lo- bo frontal esquerdo, região cerebral envolvida com emoções positivas, como felicidade e alegria, e mais atividade no lobo frontal direito, associado a emoções negativas (Daw- son, Klinger, Panagiotides, Hill e Spieker, 1992; Dawson, Frey, Panagiotides, Osterling e Hessl, 1997).
Às vezes, experiências corretivas podem compensar privações anteriores (Black, 1998). A plasticidade continua por toda a vida, já que os neurônios mudam de tamanho e forma em resposta à experiência ambiental (Diamond, 1988; Pally, 1997). Ratos com dano cerebral, quando criados em um ambiente enriquecido, desenvolvem mais cone- xões dendríticas (Diamond, 1988). Essas descobertas geraram tentativas bem-sucedidas de estimular o desenvolvimento físico e mental de crianças com síndrome de Down e ajudar vítimas de dano cerebral a recuperar funções.
Limitações éticas impedem a realização de experimentos controlados sobre os efeitos da privação ambiental sobre bebês humanos, mas a descoberta de milhares de bebês e crianças pequenas que passaram praticamente toda a vida em orfanatos rome- nos superlotados ofereceu a oportunidade de realizar um experimento natural (Ames, 1997). Descobertas após a queda do ditador Nicolae Ceausescu em dezembro de 1989, essas crianças abandonadas pareciam famintas, inertes e sem emoção. Elas tinham pas- sado muito tempo deitadas em silêncio em seus berços ou camas, sem nada para ver. Tinham pouco contato entre si ou com seus cuidadores e nunca ouviram muita conver- sação ou mesmo barulho. A maioria das crianças de 2 ou 3 anos não andava ou não fa- lava, e as crianças maiores brincavam a esmo. Tomografias de seus cérebros mostraram extrema inatividade nos lobos temporais, que regulam as emoções e recebem dados sensórios.
Muitas dessas crianças foram adotadas por famílias estrangeiras. Os pesquisa- dores da Universidade de Simon Fraser de British Columbia estudaram 46 crianças, de 8 meses a 5 anos e 6 meses, que foram adotadas por casais canadenses (Ames, 1997; Morison, Ames e Chisholm, 1995). Na época de adoção, todas as crianças apre- sentavam atrasos no desenvolvimento motor, lingüístico e psicossocial, e quase 80% delas estavam atrasadas em todas essas áreas. Três anos depois, quando comparadas com crianças que ficaram nos orfanatos romenos, elas apresentavam um progresso notável. Mesmo quando comparadas com crianças canadenses criadas em seus pró- prios lares desde o nascimento, aproximadamente um terço não tinha nenhum pro- blema sério e estava bem - em alguns casos até melhor do que uma criança mediana criada em casa. Outro terço delas - geralmente aquelas que permaneceram interna- das por mais tempo - ainda tinha sérios problemas de desenvolvimento. O restante estava encaminhando-se para comportamento e desempenho normais.
Outro estudo, contudo, sugere que a idade de adoção faz diferença. Entre 111 crianças romenas adotadas na Inglaterra antes dos 2 anos de idade, as que foram adotadas antes dos 6 meses haviam recuperado-se fisicamente e tinham tido uma recuperação cognitiva total aos 4 anos, quando comparadas com um grupo-contro- le de crianças adotivas inglesas. Entretanto, 85% das crianças adotivas inglesas eram cognitivamente mais desenvolvidas do que uma criança romena mediana adotada depois dos 6 meses de idade (Rutter e the English and Romanian Adoptees [ERA] Study Team, 1998). Parece, portanto, que a estimulação ambiental precisa ocorrer muito cedo para que os efeitos da privação extrema sejam plenamente su- perados.
• Considerando-se o que hoje se sabe sobre a plasticidade do cérebro de um bebê, será um dever da sociedade garantir que todo bebê tenha acesso a um ambiente adequadamente estimulante? Nesse caso, como isso pode e deve ser feito?
V E R I F I C A D O R Você é capaz de ...
Discutir o papel das primeiras experiências no crescimento e no desenvolvimento cerebral?
Desenvolvimento Humano 175
Como os sentidos desenvolvem-se durante a primeira infância?