No segundo aspecto questionado (APÊNDICE A), a saber, “Na sua experiência profissional, você já recorreu a algum tipo de assessoria da área pedagógica?”, dos vinte e dois professores consultados, 09 (nove) responderam que não recorreram a uma assessoria, o que gera um percentual de 41%. Em contrapartida, 13 (treze), totalizando 59%, sinalizaram positivamente, indicando que já procuraram a assessoria pedagógica. Esses números nos mostram que não chega a 50% o número de professores que em cujo cotidiano procuram buscar orientações no setor de assessoria pedagógica na universidade. Mas, dos docentes que responderam positivamente, apresentamos no Gráfico 2 quais foram os conhecimentos ou auxílios buscados.
Gráfico 2 – Demandas por auxílio pedagógico
Fonte: Dados coletados pela pesquisadora
Identificamos nas respostas que a assessoria está ligada à busca por conhecimento sobre: Projeto Pedagógico Institucional (6), Projeto Político Pedagógico do Curso (9), Proposta Curricular do Curso (8), Planejamento da Disciplina (8), Plano de Aula (10), Metodologia (7), Utilização de Recursos de Ensino (5) e Avaliação da Aprendizagem (5). Os professores consultados podiam marcar mais de uma caixa de seleção, por isso a soma dos resultados ultrapassa 22 respostas.
Todos os itens apresentados nas respostas se interligam, por exemplo, o Planejamento da Disciplina e o Plano de Aula. No primeiro, o professor recebe uma ementa que precisa ser trabalhada com a sua turma contendo uma variedade de assuntos. Estes, por sua vez, precisam estar contemplados em seu fazer em sala de aula, no Plano de Aula. Assim, como desenvolver seus conteúdos de forma a colaborar de modo eficiente para que seus alunos aprendam?
O professor precisa pensar na organização de sua disciplina, refletir sobre “o que é necessário que os alunos aprendam com aquela disciplina para sua formação profissional” (MASETO, 2012, p. 58). O professor, ao elaborar o Plano da Disciplina e desenvolvê-lo por meio do Plano de Aula, realiza o ato de pensar em diferentes formas de como poderá trabalhar os conteúdos. Ação que exige uma tomada de decisão e organização, para agir de forma a ser um mediador e incentivador da aprendizagem de seus alunos.
Por isso, o planejamento é um grande instrumento que facilita a ação educativa, “uma vez que por meio dele se torna possível definir e organizar objetivos a serem atingidos, tempo, atividades, temas, recursos tecnológicos e processo de avaliação para que o processo de aprendizagem se efetive” (MASETTO, 2012, p. 38-39).
Com essa ação, o conhecimento trabalhado em sala de aula tem a chance de se tornar mais significativo para o aprendiz, e as habilidades, atitudes e valores inerentes ao seu processo de formação são desenvolvidos. No entanto, faz- se necessário que o docente compreenda que a atividade de planejar não se resume em uma tarefa burocrática a ser entregue à coordenação do curso, mas um instrumento que respalda a sua atividade educativa.
Nesse contexto, o pedagogo pode auxiliar, uma vez que, durante sua formação, de acordo com as DCNP, estuda o planejamento, bem como sua execução e avaliação frente às atividades educativas, passando a compreender a importância do ato de planejar, podendo, assim, auxiliar o docente na organização do seu trabalho pedagógico.
Outros dados da pesquisa nos mostram a busca dos docentes por auxílio referente ao Projeto Pedagógico Institucional (PPI), Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC) e a Proposta Curricular do Curso (PCC). Estes estão intrinsecamente ligados ao planejamento da disciplina e da aula, pois, para existirem, dependem de um curso a ser ofertado; como nosso campo de pesquisa é a universidade, é preciso um curso de graduação.
Por isso, um curso não é isolado no universo da IES, ele faz parte dessa grande estrutura que chamamos de universidade. Esta, por sua vez, apresenta à comunidade seus objetivos, princípios educacionais e concepções orientadoras para todas as atividades desenvolvidas no PPI, por ser o guia mestre dos objetivos traçados para a instituição, e para o ensino ofertado.
O curso de graduação, além das Diretrizes Curriculares Nacionais a serem seguidas, deve estar em consonância com o PPI da instituição, uma relação expressa no PPC de cada curso. Por isso, Masetto (2012, p. 70) reporta-se ao Projeto Político Pedagógico do Curso como um documento que “organiza as atividades de ensino, pesquisa e extensão, dos cursos de graduação […]”, pois ele responde às questões da infraestrutura acadêmica, administrativa e pedagógica, ou
seja, ele é a organização interna do curso e, consequentemente, da IES, devendo estar de acordo, como já fora dito, com o PPI da instituição.
O PPC é um instrumento norteador, que planeja o curso, define o perfil do profissional que se pretende formar, o campo de atuação, os objetivos do curso, os conteúdos a serem trabalhados, além de orientar todas as atividades a serem desenvolvidas. Por isso, sua elaboração exige o envolvimento de todos, por meio de uma construção coletiva, mediada pelo docente que coordena o curso e seus professores, como também funcionários, alunos e diretores da instituição, sujeitos presentes no cotidiano da IES, para que consigam articular o ideal e o real, para que não se torne um simples documento guardado na gaveta, mas tome vida por meio das ações de todos envolvidos com o curso.
No projeto, encontramos a Proposta Curricular do Curso (PCC), o currículo, que não deve se resumir apenas ao conjunto de disciplinas a serem ministradas pelos professores, mas sua organização define “[…] as características que já se espera que os profissionais formados por esse curso desenvolvam quanto ao conhecimento, às habilidades humanas e profissionais, aos valores e atitudes [...]” (MASETTO, 2012, p. 78). O alcance dessa formação demanda, por parte do professor, a compreensão de que o currículo organiza e estrutura a sua disciplina e, sua atividade docente o implementa, o executa e o coloca em prática; ele é o gestor desse currículo.
Nesse contexto, o pedagogo pode contribuir com o trabalho da equipe na elaboração, implementação e no desenvolvimento do currículo, assessorando o docente para que compreenda a relação existente entre o currículo e sua prática em sala de aula, pois “O docente, com sua ação perante aos alunos e sua participação na organização curricular, terá papel fundamental de ativação no desenvolvimento do próprio currículo” (MASETTO, 2012, p. 82).
Quando o currículo é colocado em ação, exige do professor conhecimentos pedagógicos; é o que nos revelam os demais dados apresentados em nossa pesquisa, uma vez que os professores disseram buscar auxílio pedagógico em relação à Metodologia, Utilização de Recursos de Ensino e Avaliação da Aprendizagem, saberes necessários a prática docente. Nesse contexto, sinalizamos como é importante criar espaços para a formação continuada dos professores dentro da própria IES no que tange ao conhecimento pedagógico,
além dos específicos ofertados nos cursos de pós-graduação lato sensu e stricto
sensu.
Para Pimenta e Almeida (2011), ao oportunizar institucionalmente esse apoio pedagógico para formar, atualizar e criar novos conhecimentos pedagógicos entre os professores juntamente a um programa ou setor de assessoria pedagógica, a IES oportuniza a profissionalização de seus professores para a atuação na educação superior. Segundo Morosini (2008), para dar conta do compromisso social da IES, o cotidiano da sala de aula exige, além do conhecimento científico, o pedagógico, sendo ambos a essência dessa profissão.
4.1.3 Valorização do conhecimento pedagógico e da assessoria pedagógica