E) Evaluation and Incentive Systems
3.3 FAILURES IN ENERGY TRANSITION
aprazível do Latim
Depois de compreendermos que a herança clássica continua viva enquanto realidade cultural do nosso quotidiano, resta-nos, enquanto (futuros) professores de Latim, assegurar a sua sobrevivência através de estratégias pedagógicas que contribuam para o desenvolvimento e enriquecimento cultural dos nossos alunos.
Nas últimas décadas, apesar de serem poucos os alunos do 10º ano de escolaridade que têm optado pela disciplina de Latim, a verdade é que aqueles que a escolhem revelam uma grande curiosidade quer pela Língua Latina, quer pelos valores da antiguidade clássica. Deve, por isso, o professor de Latim estimular os seus estudantes para o aprofundamento destes conhecimentos.
Após os primeiros contactos com a disciplina, os alunos começam a aperceber-se da sua importância e utilidade nas mais diversas áreas do saber, seja através da História, das Línguas, do Direito ou da Filosofia, “o que por si é já um indicador da mutação que se assiste na concepção do latim, e deverá ser esta realidade envolvente o ponto de partida de todo o acto pedagógico”, tal como defende o professor Raúl Gomes44
.
O autor alerta-nos ainda para a impossibilidade de, nos dias que correm, estudar com a profundidade necessárias as obras de Shakespeare, Camões, Eça ou Miguel Torga sem recorrer aos conhecimentos que possuímos acerca da mitologia clássica45.
No entanto, a descoberta de tais conhecimentos não se restringe apenas à transmissão e partilha de saberes entre professores e alunos. Trata-se de um processo mais amplo onde a sociedade, a escola e o meio envolvente contribuem para a conquista destes saberes.
44 GOMES, Raúl, «Aprender ensinando», in As Línguas Clássicas – II – Investigação e Ensino – Actas,
Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1995, p. 290.
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Concluímos, portanto, que o estudo do Latim implica, sobretudo, uma dimensão humana, social e cooperativa e cabe essencialmente ao professor “a partir dos princípios veiculados por cada mito, por cada fábula ou lenda, permitir ao aluno a descoberta […] do que pode ser útil no momento presente.46”
Em contexto de sala de aula, procurei sempre que os meus alunos reconhecessem a importância dos temas tratados e compreendessem não só a sua relação com aspetos da sociedade atual, como também a sua presença no mundo que lhes é familiar através de diferentes manifestações artísticas.
É natural que os estudantes que iniciam o estudo do Latim no 10º ano de escolaridade considerem, de uma forma geral, a aula de Latim longa e monótona tendo em conta a obrigatoriedade do ensino da gramática e a necessidade frequente de memorização.
Neste sentido, considero que é dever de qualquer professor tornar a aula de Latim interessante e dinâmica, explorando os temas retratados nos textos em Língua Latina e explicando aos alunos o seu conteúdo e significado no Mundo Clássico, assim como a sua ligação com o nosso.
Para tal, é imperativo variar as estratégias de ensino e aplicar, ao longo da prática letiva, diferentes processos didáticos que contribuam para um ensino mais motivador e aprazível, capaz de incentivar e entusiasmar os nossos estudantes.
O professor António Manuel Ribeiro Rebelo defende precisamente que:
Uma maneira de tornar o ensino mais atraente é através da criação de suportes lógico didáticos que vão ao encontro dos desejos e hábitos dos jovens, sem questionarmos o valor ético ou educativo desses mesmos costumes.47
Tendo por base esta linha de pensamento, recorri, no decorrer da prática letiva, à utilização dos meios audiovisuais que, por si só, são materiais pertencentes à realidade dos
46
Idem, p.290.
47
REBELO, António Manuel Ribeiro, «Suportes lógicos na didáctica das línguas clássicas», in As Línguas
Clássicas – Investigação e Ensino – Actas, Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da
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alunos. O objetivo foi precisamente mostrar-lhes alguns exemplos da permanência da cultura Greco-Latina no mundo atual, através da música, cinema, pintura, vídeo e fotografia, tal como é descrito no quarto capítulo deste relatório.
Apesar de os meios audiovisuais serem utilizados, sobretudo, no que concerne à didática das línguas modernas, a antipatia que o Latim suscita em alguns alunos pode incentivar o professor a apostar neste género de materiais, “susceptíveis de transformarem este processo de ensino/aprendizagem em algo de menos antipático do que habitualmente ocorre”48
.
A verdade é que tornou-se imperativo motivar os nossos alunos para o estudo do Latim, “fazê-los pulsar por aquilo em que acreditamos, pois só nessa aproximação de interesses conseguiremos que a aprendizagem se concretize”49.
E há muitas formas de o fazer: seja através dos jogos, que consegui implementar numa das aulas lecionadas, dos documentários sobre temas civilizacionais, das imagens, dos vídeos, das músicas. O mais importante é que estes elementos contribuam não só para o conhecimento cultural dos alunos, como também suscitem a sua autonomia e espírito crítico, ultrapassando a ideia de que o audiovisual, em sala de aula, é utilizado apenas como componente lúdico.
Estes materiais permitem aos professores ampliar estratégias de ensino, incentivando a participação dos alunos e a partilha de experiências e saberes.
Ao entrarem em contacto com a Cultura Clássica através de materiais que suscitam o seu interesse e curiosidade, os estudantes compreenderão, certamente, que os aspetos culturais estudados são “veiculadores não só de interesse para todos nós, mas também
48 ANDRÉ, Carlos Ascenso, «Meios audiovisuais no ensino da sintaxe latina: as orações infinitivas», in As
Línguas Clássicas II – Investigação e Ensino – Actas, Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade
de Letras da Universidade de Coimbra, 1995, pp. 115-116.
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AZEVEDO, Maria Alexandra Afonso de, «Etruscos: a prática do audiovisual na aula de Latim…», in As
Línguas Clássicas – II – Investigação e Ensino – Actas, Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade
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portadores de informações valiosas sobre uma cultura que, sendo tão antiga, se reflete tão profundamente na nossa”50
50 SILVA, Cristina Maria Vilares da Rocha, «O mito como pretexto », in As Línguas Clássicas – II –
Investigação e Ensino – Actas, Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da
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