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Fagområdeforskjeller – sammenfatning og diskusjon

Como conseqüência da manutenção da certitud salutis, pela perseverantia gratia conquistada por meio consagração à “igreja do Senhor”, a certificação da salvação vem acompanhada da manifestação individual de uma efusão de dons espirituais, na medida em que o novo convertido dispõe-se, a partir de agora, a ser um esteio do Espírito Santo. Nesse sentido, o aparecimento destes dons espirituais: de sabedoria, da palavra, de fé, de cura, de obrar milagres, de profecia,

do discernimento, da glossolalia e do dom da interpretação, contidos em Atos dos Apóstolos

(cap.12, v.1–11), manifestados geralmente em espaços e tempos de evocação religiosa a esse poder, ocorrem ex post à nova condição de “povo remido”, a certificar a salvação

33 F o l h a C a n a ã : u m a p r o m e s s a d e D e u s . M i n i s t é r i o C a n a ã B a t i z a 5 1 7 p e s s o a s n o

p r i m e i r o s e m e s t r e d e 2 0 0 7 , ó r g ã o O f i c i a l d o M i n i s t é r i o C a n a ã d a A s s e m b l é i a d e D e u s

n o B r a s i l , D e p a r t a m e n t o d e M a r k e t i n g e P u b l i c i d a d e , E d i ç ã o 5 6 – A n o n º 0 6 , a g o s t o d e 2 0 0 7 .

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individualmente alcançada, bem como a desempenhar a função de reforço institucional ao trabalho de direção hierúgica desenvolvida pela oferta de bens religiosos de salvação.

A manutenção desta carys individualmente conquistada, percebida como um “estado de

graça” religiosa, com implicações práticas na condução da conduta cotidiana, é o principal

motivo para a instauração de uma espécie de vigília constante em relação às “ciladas de

satanás”, principal agente ao qual se atribui a perda do estado de salvação, impedindo o crente de “habitar no tabernáculo do Senhor” de forma permanente e definitiva. Como argumenta a

cantora oficial do Ministério Canaã quando afirma:

“Se você tem o Espírito Santo de Deus, você vê coisas que ninguém vê. Se você tem o Espírito Santo de Deus, você vê coisas que o carnal não vê, porque você tá em espírito e o senhor diz que a nossa luta não é contra a carne, nem o sangue, é contra potestades malignas que há entre os céus e a terra e essa potestade maligna que há entre os céus e a terra, foi jogada na época em que houve uma grande guerra no céu com Jesus, seus anjos e Satanás. Naquele momento Satanás foi jogado na terra com a legião, que ele quis se corromper contra Deus, no que ele quis se levantar contra Deus, foi jogado aqui na terra. Lá em Apocalipse diz assim: (...) aí de quem está na terra, porque Satanás e seus anjos desceram” (Irene

Barbosa, 05 de setembro de 2007).

Segundo Rolim (1978), tanto o batismo no Espírito, como o dom de línguas, ao mesmo tempo em que reforça o grupo, na medida em que assinalam o momento por excelência da manifestação do fogo do Espírito Santo, reforçam também a dimensão institucional que se apropria dessa experiência para proclamar sua autoridade. É respaldando-se na manifestação destes dons, que a instituição se afirma como igreja privilegiada, já que escolhida pelo Espírito. Para este autor, a glossolalia é a principal característica de efusão do espírito, utilizada pela

Igreja Assembléia de Deus e suas diversas ramificações como prova da ligação (religare) e da

eficácia religiosa de suas imposições simbólicas.

Nesse sentido, foi a manifestação do estranho fenômeno da glossolalia, ocorrido no ano de 1911, em uma igreja Batista em Belém do Pará, que deu origem, segundo este autor, ao surgimento da Igreja Assembléia de Deus dentro do campo religioso brasileiro. O fato ocorreu quando uma crente falou em línguas estranhas (glossolalia), não uma vez, mas muitas. O fato foi presenciado por muitos outros crentes que passaram a difundir a notícia do inusitado fenômeno. Assim, a glossolalia teve o dinamismo contagiante de constituir-se como uma prática capaz de unir muitos crentes num projeto religioso comum de constituição de uma nova denominação religiosa, a encenar seus feitos dentro do cenário da multifacetada religiosidade brasileira.

No Ministério Evangélico Assembléia de Deus Canaã, um ramo sectário dentro do corpo das

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glossolalia é manifestada pelo próprio pastor Jecér Góes Ferreira, quando dirige orações coletivas

inspiradas na eficácia do poder de ação do Espírito Santo. Os dons de revelação e glossolalia se associam, neste momento, uma vez que, segundo a doutrina, Deus usa o pastor como um “canal

de bênçãos” ao relevar em línguas estranhas seus desígnios para aquela “nação santa” em forma

de membresia congregada. Sobre a observação desse fenômeno específico, encontramos no site do Ministério Canaã a seguinte passagem:

“(...) traz representando os seus filhos e com lágrimas pedem socorro, meu Deus tu sabes o problema de cada um, vai libertá-los e traga-os aqui, ‘chambalecantalabari’! Deus manda dizer para vocês que contem os dias, começando de hoje ‘chambalecantalabari’! Porém, Deus manda dizer para vocês que não se assustem, escuta bem, com a notícia quando chegar, não queiram ensinar ao Senhor como fazer. Porém quando a notícia chegar, lembrem-se do que Deus está dizendo hoje. Apenas diga sim, o meu Deus está no controle ‘chambalecantalabari’! Deus manda dizer que vai criar circunstâncias, porém Deus diz que não perderá nenhum. Alguns que estão flagelados, quebrados, em farrapos, Deus manda dizer para ti ó mulher, é que ele não vai morrer ‘chambalecantalabari’! Porque o Senhor escolheu no teu ventre e o Senhor tem ouvido os teus rumores e lamentos pelas madrugadas. Meu pai, os sinais da tua vinda estão a cada dia mais evidentes, o adversário do teu povo, da igreja, dos teus filhos trabalham diuturnamente e incansavelmente para conquistar o maior número possível de almas ao inferno. Senhor e quase toda a família evangélica neste Brasil chora, se não é o marido desviado é a esposa, é a filha, é o filho, é o genro, é a mãe, é a nora, é o neto, a neta. E o Senhor me mostra que dentro deste grande santuário centenas de vidas vêm aqui em desespero e Deus manda dizer hoje aqui pra vocês que já assentou-se na cadeira do juiz e vai dar a sentença ‘chambalecantalabari’! (aplausos).

(Culto da Vitória, Igreja do Ministério Canaã, 2008).

Assim, depois de uma série de cânticos, dá-se início a oração coletiva, com alguns se posicionando de joelhos, outros em pé, uns ainda com as mãos para o alto à meia voz encetando uma “hosana” (prece) particular. Nenhuma fórmula deve ser prescrita, pois a espontaneidade é a marca precípua dessas manifestações espirituais. Com o desenvolvimento da oração passamos a escutar expressões, tais como: “aleluia”, “obrigada Jesus”, “Deus maravilhoso” que vão se transformando gradualmente em uma espécie de alarido coletivo de orações que se estendem por cerca de alguns minutos. Ocasionalmente ocorre, de súbito, o elevar-se da voz de algum crente presente à cerimônia, com “petições” direcionadas em nome do grupo. Estas orações continuam num crescendo, impondo-se às outras em línguas estranhas (glossolalia), momento em que aos poucos vão diminuindo de tonalidade até silenciarem. Os crentes acreditam que é nessas ocasiões que passam a ser inspirados pelo poder de Deus.

Ao participarem desses ritos coletivos, em que o ponto central refere-se à manifestação da oração em línguas estranhas, esses sujeitos acreditam estar recebendo o “ruah”, uma espécie de

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“sopro divino do espírito” capaz de tocá-los revelando-lhes a “grei”, a verdadeira sabedoria

buscada por aqueles que se dispuseram, por livre arbítrio, a seguir o caminho da iluminação através da aspersão religiosa.

Assim, o “fiel”, para não incorrer em equívocos ou pecar, internaliza os dogmas e restrições apresentados pela Igreja em seu trabalho de curialização, bem como busca cumprir as necessárias obrigações do crente para com Deus, como é o caso do dízimo, por exemplo. Nesse sentido, podemos dizer que o cananense ideal típico passa a realizar suas ações apenas dentro de um estreito campo (tagma) delimitado pelo “que é certo aos olhos da Igreja do Senhor”. Neste campo, ele é livre para fazer tudo o que quiser, desde que, de acordo com as idéias e valores apreendidos na igreja, sendo o limite último de sua liberdade a proximidade com o pecado. Tal consciência, moldada por dogmas religiosos, indica como o indivíduo deve agir para manter-se de acordo com as leis divinas, pré-estabelecidas e perpetuadas pela Igreja, portadora legítima destas verdades sagradas. Ao final, resta apenas uma regra geral que deve ser seguida pelo fiel cananense, pois este possui a liberdade, contida na possibilidade de fazer o que quiser desde que permaneça dentro de determinados limites impostos pelo que “agrada a Deus”.

4.5 A prosperidade espiritual e material pela atestação da eficácia de ação do poder no