4. Vurderingskompetanse
4.2. Fagmiljøenes vurderingskompetanse
Wood et al. (2008) apontam que a fase experiencial da Terapia Centrada no Cliente foi a base a partir da qual sobreveio a ACP. Os autores afirmam que
Rogers considerou a Abordagem Centrada na Pessoa como uma forma singular de abordagem, organizadora da experiência bem sucedida, em diversas atividades. A Terapia Centrada no Cliente foi a primeira dessas aplicações e consistiu na facilitação do crescimento pessoal e saúde psicológica de indivíduos numa psicoterapia pessoa-a-pessoa (WOOD et al., 2008, p. 14).
A denominação de Abordagem Centrada na Pessoa foi adotada a partir de 1976, formalizada no livro Sobre o poder pessoal, de 1977 (MOREIRA, 2010b; ROGERS, 2001). A utilização do termo Abordagem traria a dimensão de uma ampliação para os preceitos
rogerianos para além da clínica, abarcando as experiências com grupos, com mediação de conflitos, na educação, dentre outros (AMATUZZI, 2010; WOOD, 1983; WOOD et al., 2008).
A ACP relaciona-se mais a um modo de ser, que acarreta modos de fazer, do que a uma aplicabilidade específica, um jeito uniforme de agir (AMATUZZI, 2010). Ela é “É meramente uma abordagem; nada mais, nada menos. É um ´jeito de ser´ [...] ao se deparar com certas situações [...]” (p. 14). Este jeito de ser seria, portanto, uma postura diante da relação com o outro em vários contextos, que consistiria numa perspectiva de vida positiva; na crença da tendência formativa direcional25; na intenção de eficácia nos objetivos; no respeito à autonomia e dignidade do individuo; na flexibilidade de pensamento e ação e na tolerância quanto às incertezas; e senso de humor, curiosidade e humildade (WOOD et al., 2008). Para Cury (1993), esse jeito de ser se afasta da adoção de uma técnica, mas encontra-se na expressão de atitudes e comportamentos do terapeuta.
No que se refere mais diretamente à psicoterapia, foco de nosso trabalho, a fase experiencial aparece como o momento final de participação direta de Rogers em formulações acerca da psicologia clínica (CURY, 1993). Com o afastamento de Rogers dessa atuação, enveredando pelo trabalho com grupos, o que rendeu uma grande difusão da Abordagem em diferentes países26, a produção teórica acerca da clínica individual destoou das novas experiências com grupos e com os poucos escritos acerca dessa nova etapa.
É visando uma atualização da psicoterapia embasada nessa Abordagem, na evolução trazida pelas experiências de grupo, que Cury (1993) propõe uma nova fase de desenvolvimento dessa prática clínica, a Psicoterapia Centrada na Pessoa. Isso se deu diante da necessidade de uma denominação para a psicoterapia desenvolvida a partir da evolução da Terapia Centrada no Cliente em Abordagem Centrada na Pessoa27, o que, para essa autora, é mais do que uma ampliação dos campos de atuação da teoria rogeriana no que diz respeito à terapia. Cury (1993, p. 231) afirma:
25
Refere-se à tendência formativa, uma ampliação da noção de tendência atualizante, que será melhor explicitada a seguir. Essas tendências “São tendências naturais de um organismo para atingir um maior grau de harmonização dinâmica interna e externa, exercitando suas potencialidades adaptativas e transformativas” (BRANCO, 2008, p. 69).
26 A vinda de Rogers para o Brasil, nos anos 1977 e 1978, por exemplo, impulsionou a Abordagem no país, proporcionando a experiência com grupos nessa vertente a um grande número de pessoas, formando uma primeira geração de profissionais da Abordagem que ainda hoje contribuem e influenciam as novas gerações de profissionais (BANDEIRA; CHAVES, 2011).
27 A mudança do termo cliente por pessoa é trazida por Wood (1983) como uma mudança de perspectiva das atitudes do terapeuta na relação. O centro não é aqui o paciente, nem o cliente, nem mesmo a teoria, a pessoa como um todo. Para Moreira (1990, 2007), o termo pessoa, assim como a ideia de centro, é insuficiente para descrever uma relação intersubjetiva por acarretar numa dicotomia interior-exterior. Ao nosso entender, a proposta de Cury (1993) rompe com essa dicotomia a partir de uma proposta de Psicoterapia Centrada na Pessoa.
É nosso posicionamento que a Terapia Centrada no Cliente somente poderá ser considerada uma Psicoterapia Centrada na Pessoa quando sua teorização privilegiar o enfoque fenomenológico como método de acesso à interação entre o terapeuta, seu cliente e os aspectos culturais determinantes do seu setting.
Segundo Moreira (2010b, p. 538), a Abordagem Centrada no Cliente “[...] tinha como foco o desenvolvimento de um sistema de mudanças na personalidade, concentrando-se no mundo subjetivo do indivíduo”; e na Abordagem Centrada na Pessoa, de uma forma geral, as interações sociais ganham ênfase. Já Amatuzzi (2010, p. 56) cita a concepção de Psicoterapia Centrada na Pessoa de Cury (1993) ao afirmar que as aplicações da ACP em diferentes espaços “[...] resultaram uma nova teorização da abordagem e uma nova compreensão de psicoterapia”.
Nosso estudo, portanto, situa-se numa perspectiva existencial-fenomenológica ou humanista-fenomenológica (MOREIRA, 2010b) com a adoção da compreensão de psicoterapia tal como formulada por Cury (1993). Segundo Moreira (2010b), essa vertente pós-rogeriana da ACP, que agrega autores brasileiros que são referência na área e de grande importância para nosso estudo, parte da fase experiencial da psicoterapia rogeriana, ampliando seu caráter fenomenológico.
É nesse sentido que nos parece que a ideia de Psicoterapia Centrada na Pessoa, cunhada por Cury (1993) e utilizada por Amatuzzi (2010), se desenvolve. Esse conceito parte da psicoterapia proposta na fase experiencial, em direção a uma teorização consonante com o desenvolvimento da prática em relações humanas da ACP, abarcando um período que vai de 1965 aos dias atuais. Com isso, a autora citada busca dar um maior suporte teórico para a prática psicoterapêutica exercida a partir das experiências vivenciadas em grupos intensivos.
Contudo, não se pode falar de um formato uniforme de teoria e prática psicoterapêutica da Abordagem Centrada na Pessoa. Moreira (2009a, 2010b) aponta a diversidade de propostas atualmente desenvolvidas a partir das formulações rogerianas. Tal heterogeneidade dá vazão a diferentes formas de se pensar-fazer a ACP. No entanto, nos parece que a proposta de Cury (1993) é consoante com nossa necessidade de estabelecer preceitos básicos que caracterizem a relação terapêutica da psicoterapia embasada pela Abordagem Centrada na Pessoa em prol de nossa pesquisa. Conheçamos melhor essa proposta e a relação terapêutica que a permeia, utilizando-nos, também, de outros autores para melhor fundamentar nosso estudo.