6 DE ENKELTE LÆRESTEDENE
6.4 Faglig miljø
Os primeiros estudos desta caminhada metodológica foram realizados mediante dois estudos-pilotos. O primeiro foi desenvolvido numa ONG, e o segundo, na Escola Municipal Educador Paulo Freire – ambos os estudos desenvolvidos com crianças da educação infantil, entre quatro e cinco anos, na cidade de Fortaleza, Ceará. Essa experiência contribuiu para refletirmos sobre as ações mediadoras entre os espaços escolar e museológico, como também sobre a efetividade dos recursos mediadores da intervenção, dentre eles, desenhos, contação de histórias, cartilha da Dorinha, visitas ao Museu.
Após a experiência desses pilotos e do exame de qualificação que apontou novos rumos nessa difícil, no entanto necessária, caminhada, entramos em contato com duas instituições públicas: uma escola e um museu, que foram cenários desta pesquisa-intervenção. Nesse primeiro momento, apresentei-lhes o projeto de pesquisa aos professores da escola e aos mediadores do museu, para que conhecessem o nosso projeto de pesquisa. Importa ressaltar que a reunião na escola demorou um pouco aacontecer, pois, nesta, as aulas estavam retornando em agosto de 2009, depois de uma longa greve de três meses. O pessoal responsável pela direção concordou que apresentássemos o projeto de pesquisa desde que ocorresse no dia da reunião de planejamento escolar.
67 Fortaleza é dividida por 6 Regiões administrativas, com o intuito de descentralizar os serviços prestados pelos
diversos órgãos que compõem a Prefeitura Municipal de Fortaleza. A Escola Antônio Sales está subordinada à Regional III.
Levando em consideração o exíguo tempo de mestrado, tratamos logo de conversar e marcar o início da pesquisa de campo com a professora do Jardim II, turno tarde, no intuito de adiantar o nosso trabalho, já que era nessa classe que ocorreria o processo de mediação. Como já havíamos entrado em contato com ela e com a escola, antes da greve, logo a professora se prontificou em colaborar e acolheu com solicitude a referida pesquisa.
Quando a reunião de planejamento aconteceu, tivemos que participar de vários encontros tanto pela manhã, quanto pela tarde, porque o planejamento é por séries – por exemplo, os 1º e 2º anos, 3º e 4º anos, turno manhã, e 5º ano, turno tarde. A ausência de alguns professores impossibilitou que todos conhecessem o nosso projeto de pesquisa. Vale destacar que a professora Cleonice68 ficou empolgadíssima quando expus o projeto. Ela foi logo solicitando ajuda. Participamos de várias vezes de reuniões com Cleonice e alguns jovens monitores que ela pretendia que trabalhassem no projeto. Esta professora- coordenadora leu com entusiasmo os livros “O Caixeiro”, de Rodolfo Teófilo, e “Padaria Espiritual”, de Gleudson Passos, além de outros livros infantis e da cartilha da “Dorinha”. Ela pretendia trabalhar a leitura com as crianças do “Projeto mais educação”, por estar coordenando na escola o referido projeto. Interessou-se por este trabalho sobre o Museu do Ceará e sobre um estudo acerca de Antonio Sales e de Rodolfo Teófilo. Todavia, o projeto demorou a iniciar e, quando iniciou, logo teve que parar por razões as quais desconheço. A professora Andrea da classe do Jardim II também recebeu a nossa pesquisa com alegria e vontade de colaborar. Foi muito importante a abertura de sua sala de aula e a sua participação nas atividades durante o nosso trabalho de campo.
Outra reunião que havíamos solicitado à escola era com os pais das crianças, com a mesma intenção, além de esclarecer sobre o termo de consentimento69 exigido pelo Conselho de Ética, cuja aprovação saiu com bastante atraso. A professora solicitou várias vezes à vice- direção e à equipe pedagógica, mas desencontro nas negociações sobre a data protelou a referida reunião para o dia 22 de outubro de 2009. Estiveram presentes 16 mães, de uma classe de 27 alunos. Segundo a professora, foi um bom número, pois os pais não costumam participar. Tal alegação já tinha sido comentada pela vice-diretora, quando havíamos solicitado a reunião. A bem da verdade foi uma luta conseguir marcar essa reunião, que foi
68 Coordenadora do “Projeto Mais Educação”. É um projeto da prefeitura que visa auxiliar às crianças nas
atividades de leitura, no turno oposto ao qual a criança estuda.
69 Este termo faz parte das exigências do Comitê de Ética da Universidade Federal do Ceará, pois pesquisas com
crianças, dentre outras, necessitam de autorização desse conselho. Como demora muito a aprovação desse comitê e a pesquisa de mestrado tem um tempo exíguo para ser realizada, as normas instituídas pela universidade acabam sendo contraditas. O fato de a pesquisa ter entrado para o planejamento da professora e o bom relacionamento da pesquisadora com mães/pais das crianças foram razões mais do que suficientes para iniciar a pesquisa.
desmarcada tantas vezes, na qual seriam discutidos dois assuntos: o nosso projeto e a reunião pedagógica da professora com os pais (entrega de tarefas das crianças do 1º semestre que foi interrompido por uma longa greve).
Antes dessa reunião acontecer, pesquisadora e professora buscaram outras táticas, inspiradas nas “artes de fazer” práticas orientadoras do cotidiano, conforme nos ensina o pensador francês Michel de Certeau (1994). Nesse sentido, oralmente e por via de circulares, informávamos aos pais das crianças na chegada e na saída das aulas que se tratava de uma pesquisa relacionada com o museu, e a escola que faria parte do planejamento da professora da classe do Jardim II – o que foi muito bem aceito pelas mães/pais que vinham buscar os seus filhos. É importante dizer que a direção da escola tinha conhecimentos de nossas atitudes e não se opunha a elas, até mesmo porque aprovou a nossa entrada na escola. No entanto, os modos de operacionalização escolar são complexos. Esteban (2003, p. 201-202), que discute sobre os estudos do cotidiano, reconhece os riscos e compreende que
A imprevisibilidade e a invisibilidade tecem o cotidiano, rede em que também se atuam previsibilidade e visibilidade. Os pontos se cruzam, se tecem, se aproximam, se distanciam, indicam rupturas, promovem encontros, convivem nas contradições, criam um movimento difícil de ser percebido, acompanhado, apreendido, interpretado, compreendido, traduzido.
As contradições podem ser indícios ou pistas que se apresentam numa realidade opaca, constituída de relações alteritárias. Nessa arena, os micropoderes respingavam nas ações da pesquisa e, consequentemente, nas atividades escolares, pois, como as reuniões eram desmarcadas, atrapalhavam o andamento de alguns procedimentos metodológicos da pesquisa-intervenção.
As pesquisadoras Costa e Cabral (2007, p. 101) nos alertam sobre a pesquisa- intervenção, ao dizerem que as opções metodológicas são mais diretas e constantes. As autoras acrescentam que “Sustentar tal postura metodológica é estar aberto a se surpreender, a realinhar o trajeto, a desenhar novos contornos do objeto e a lidar com dissensos, sob pena de manter na invisibilidade justamente o que se desejava entrever”.
Essa abertura suscitada pela escolha metodológica possibilitou realinharmos o nosso caminho e refletirmos sobre as práticas do cotidiano escolar. Que condições de produção teríamos para encontrar resposta(s) para o nosso objeto? Podemos dizer que este trabalho foi possível porque a professora da classe do Jardim II, do turno tarde, permitiu que esta pesquisa fizesse parte de seu planejamento escolar. Essa atitude foi imprescindível, já que a
intervenção demandou um tempo considerável de suas aulas. Foi realizada com a participação dela, que sempre buscou facilitar a nossa permanência na escola, em particular na sua sala de aula. Auxiliou-nos nas contações de histórias, nas fotografias e nas videografias. Estabeleceu- se entre nós uma colaboração mútua, ou seja, nas atividades que eram da pesquisa e em atividades que não eram. A seguir, destacaremos os mediadores da intervenção.