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Fagfelt i utdanningsforskningen

Para a explanação das experiências relatadas, foi possível considerar o texto transcrito das falas dos atores relacionados no Quadro 14, que pela ordem, a primeira é Maria Irene Mota, a idealizadora do projeto “Tecnomoda no Semi-Árido” a época, primeira dama de Tejuçuoca, atuava também como gestora em parceria com o prefeito João da Silva Mota, seu esposo. Hoje ela é Secretária de Ação Social do município de Tejuçuoca. É conhecida na região como a pessoa que toma as decisões sobre os programas desenvolvidos no município, principalmente, na Vila Retiro. Tem uma residência em Fortaleza como ponto de apoio, mas segundo ela, seu habitat natural é na região do semi-árido nordestino, envolvendo-se com a comunidade na qual nasceu e se criou, ou seja, no município de Tejuçuoca, na localidade denominada Fazenda Boqueirão.

Na ocasião da primeira visita ao campo de pesquisa, encontrei Irene Mota na pousada Hotel Fazenda Luz do Sol. Como proprietária, passa sempre os finais de semana lá. De imediato, solicitei uma rápida entrevista, com formato de conversação informal, mesmo porque muitas informações já tinham sido enviadas por emails meses antes, as quais foram úteis para iniciar a contextualização do projeto de qualificação. Foi nesse dia que ela comentou estar de posse de todos os documentos relacionados à implementação e finalização do projeto. Esta informação causou certo alento, pois até então, não sabia onde se encontravam os registros sobre o projeto em processo de avaliação.

A condução da entrevista se deu a partir de uma pequena introdução de conversa que foi desenvolvida pela professora Maria de Jesus Medeiros, que me acompanhou durante a primeira visita, com a intenção de contribuir com as anotações das informações coletadas. Vale ressaltar que suas anotações foram deveras relevantes para complementar o conteúdo da entrevista. Ao enfocar as origens do Projeto, a entrevistada declarou:

Tivemos a idéia do Tecnomoda para utilizar o bordado e também das possibilidades de melhorar o design dos produtos fabricados aqui. Como aqui já tinha o Projeto Florescer, os jovens que saiam de lá sabiam bordar e

precisavam aprender costurar. Como aqui também tinha uma facção de jeans e estava sempre precisando de mão-de-obra, buscamos idéias para suprir essa carência. A Associação local buscou alternativas através de parcerias para financiar o projeto. Vimos o edital do Brazilfudation para financiamentos de projetos através da disponibilidade de equipamentos. Eles nos forneceram as máquinas e a partir daí fomos até a Universidade Federal do Ceará, no curso de Estilismo e Moda para falar com a coordenadora e lá localizamos a professora Artemísia, pessoa que acreditou no projeto. Foi então, que comentamos que o SEBRAE poderia apoiar disponibilizando o pagamento da coordenação e dos instrutores (MARIA IRENE MOTA, Secretária de Ação Social34, entrevistada em 03/04/2010).

Conforme consta nas palavras da idealizadora do “Projeto Tecnomoda no Semi-Árido”, a idéia inicial era procurar um meio de aproveitar a mão-de-obra disponível que executava o bordado manual, ofertando cursos que possibilitasse uma melhoria no design do produto desenvolvido na comunidade. Tinha a intenção de inserir os jovens que participavam do projeto Florescer, oferecendo uma oportunidade de continuar a capacitação por intermédio de outro projeto mais elaborado, que envolvesse a moda, tecnologia e o artesanato local. É fato que, não aconteceu o esperado pela idealizadora quanto ao público previsto inicialmente, visto que, conforme aconteceu, no período de inscrição, uma quantidade significante apresentavam perfis diferenciados daquele pensado por ela.

Prosseguindo com a fala, Irene Mota afirmou que, como tinha conseguido o financiamento da BrazilFoundation para a compra de equipamentos, buscou o curso de Estilismo e Moda da UFC para a viabilização do projeto. A partir desse contato foi sugerido o Sebrae para financiar os recursos humanos, resultando, desta forma, o desenho e a execução do projeto Tecnomoda.

Na sua fala, Irene Mota esclareceu que, à época, as condições eram favoráveis para inserção dos jovens, porque havia uma empresa de facção de jeans sempre à procura de pessoas, no município, qualificadas para suprir a carência de mão-de-obra com habilidade em costura. Prosseguindo em seu depoimento, esclarece:

34 Entrevista concedida em 3 abr. 2010 por Maria Irene Mota Secretária de Ação Social. Vale observar

que, nas descrições na íntegra das falas dos diferentes atores entrevistados, achei sensato apresentá-los conforme suas profissões/ocupações atuais, como constam os relatos a partir das experiências no olhar de cada ator abordado.

O João Mota conversava comigo sobre os meninos daqui, com mais de 17 anos, já com idade de trabalhar, não via como colocar em trabalhos que desse um retorno financeiro pra ele as famílias daqui. Foi daí a idéia de montar uma facção de jeans e nesta hora para que fosse instalada aqui, como prefeito, concedeu a isenção de impostos e o local de funcionamento (MARIA IRENE MOTA, Secretária de Ação Social, entrevistada em 03/04/2010).

Ao tentar avaliar os resultados do projeto em termos de inserção dos jovens, citou, de forma pontual, alguns deles que concluíram o curso com interesse e desempenho. Continuou da seguinte forma:

O Cléudes deu uns cursos de modelagem em Itapajé, me parece que ele e... , acho que foi com a Joana, parece que hoje trabalha em Itapajé, não sei bem. Foram muitas oportunidades para eles, não foram todos, mais alguns estão trabalhando na área através desse aprendizado. Depois, ainda teve vários cursos de costuras, e quem dava os cursos era Ivana que hoje se destaca aqui como uma excelente costureira que produz peça bem elaborada. Ainda participaram do projeto vários jovens que hoje estão por aqui (MARIA IRENE MOTA, Secretária de Ação Social, entrevistada em 03/04/2010).

No trecho descrito, Irene Mota citou o caso da capacitada Ivana Dias. “Vocês já procuram a Ivana? Hoje confecciona peças bem elaboradas!” E também citou Cléudes Marques, “era um garoto tímido e hoje se desenvolveu muito na área da modelagem e costura, está trabalhando numa confecção em Fortaleza”. Acrescentou: “acredito que a maioria desses jovens está na área, alguns aqui e outros trabalhando nas confecções fora”. A fala da atual Secretária de Ação Social, não consegue delinear, com segurança, resultados atingidos pela proposta do projeto, visto que sua afirmativa se depara sustentada apenas em três jovens dos capacitados lembrados por ela, que conseguiram se destacar durante o curso e que ao término das oficinas, foram convidados para trabalhar no espaço do Projeto.

Vale lembrar que após a finalização do Projeto, Irene Mota aproveitou o espaço do “Tecnomoda no Semi-Árido” e todos os equipamentos, para formar uma célula de produção de peças do vestuário. Foi, então, que contratou em torno de sete capacitados, os que mais se destacaram nas oficinas de modelagem e costura - inclusive Ivana Ramos e Cléudes Marques - para trabalharem ganhando por produção, com condições mínimas de trabalho e sem nenhum vínculo empregatício de direito. Face a estas precárias condições, alguns jovens saíram para trabalhar em outros locais, segundo informação coletada, uns três capacitados continuaram se

sujeitando a trabalhar nestas condições pela falta de opções. Isto ainda durou um período, até o fechamento das lojas de Fortaleza em 2009. Para a idealizadora, esta era uma boa oportunidade ofertada com o objetivo do desenvolvimento através das práticas, sendo até certo ponto confirmado, pelo desempenho profissional tanto da parte do jovem Cléudes Marques, como também da Ivana Ramos.

Segundo informou Irene Mota, continua acontecendo ações no município que ainda proporcionam reforços para a sustentação da profissão, ou seja, foram disponibilizadas oficinas de costuras para os jovens, oficinas de patchwork35 em couro, para desenvolverem suas habilidades de artesãos, como mostra as fotos abaixo:

Figura 8 – Jovens executando peças de patchwork em couro Fonte: Acervo Pessoal

A partir desta entrevista, constatei que Irene Mota continua com uma visão otimista em relação ao Projeto, mesmo sem ter nenhuma sustentação concreta das suas afirmativas. De fato, seu olhar em relação aos acontecimentos diante da realidade local é baseado apenas em suposições, a partir de poucas informações sobre o destino dos capacitados concluintes. Durante a entrevista, pela pressa em relatar fatos pontuais que foram destacados por ela em partes da fala, observei que suas respostas eram evasivas, porque quando era solicitado para que desenvolvesse uma avaliação da realidade dos resultados esperados, apelava para casos pontuais.

35 Patchwork – Patchwork é a união de duas palavras Patch + Work de origem inglesa, que significa remendo ou retalho + trabalho feito de pedaços, retalhos. Processo de costurar vários retalhos de tecido para formar uma peça maior. Pedaço de tecido costurado a outros para formar um bloco, arte de unir retalhos.

Na qualidade de coordenadora do Projeto “Tecnomoda no Semi-Árido”, cabe destacar fatos não qualificáveis ocorridos durante a realização do trabalho, que colocam em questão a própria gestão dos recursos. Um deles foi à falta de alguns materiais importantes para andamento do curso e a situação agravante de à falta de água potável para suprir a sede dos participantes durante todo tempo das oficinas, período mais quente da região. No entanto, em meio a todas as limitações, os capacitados chegaram até o final do curso, exibindo suas certificações e muitas expectativas. Hoje, apesar da idealizadora se encontrar em posição confortável, que poderá ser expressado pelo seu cargo político como Secretária de Ação Social, onde desenvolve e acompanha vários projetos citados anteriormente, não consegui perceber ações mais efetivas direcionadas aos jovens capacitados do Projeto “Tecnomoda no Semi-Árido, no sentido de oportunidades ofertadas na comunidade.