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3. Gender Distribution in Research Group Leadership

3.2. Faculty level

Artista, educadora, ilustradora, escritora de livros infantis e designer gráfica, Edith Derdyk nasceu na cidade de São Paulo em 16 de junho de 1955. Sua formação inicial em arte (da infância até perto dos 20 anos) se deu no ateliê de Paulina Rabinovitch, experiência que Derdyk considera fundamental em sua constituição “sensível, humana e intelectual” (DERDYK, 1994, p. 5). Segundo a autora,

Dei-me conta de que toda a fundamentação e o alicerce que asseguraram a minha relação de paixão com o desenho e com a arte, estão diretamente vinculados à vivência que por sorte do destino me foi dada por meus pais em minha infância: a de frequentar um espaço de ateliê, coisa rara na época, principalmente um como o de Paulina Rabinovitch. A memória é viva. A lembrança das tardes densas em que passei por lá, aparece de uma forma colorida e nítida. Desenhando, fazendo expressão corporal, pintando o corpo, confeccionando máscaras, construindo coisas, brincando de teatrinho com os pequeninhos, na época em que era professora assistente. A raiz do gosto de desenhar provém de uma infância e de uma adolescência “não- adormecida”, um dos segredos brilhantes do trabalho realizado intensamente por Paulina.3

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A partir desta formação inicial sua experiência cresceu, segundo a autora, por meio da prática constante do desenho. Frequentou de 1971 a 1973 o Instituto de Artes e Decoração e cursou entre 1977 e 1980 a Licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP - em São Paulo. Sua trajetória docente está ligada a escolas da rede básica de ensino e cursos em instituições culturais4, sendo que ultimamente tem se dedicado à formação

de professores nestas instituições. Seu percurso profissional não passa pela docência universitária, e portanto, seus livros são fruto de vivências fora do contexto acadêmico de pesquisa.

Seu trabalho poético nos últimos 15 anos é centrado nas possibilidades tridimensionais da linguagem do desenho (Fig. 1 e 2). “Sempre desenhei” (DERDYK, 1994, p. 5) é a frase que inicia a fala da autora no livro Formas de pensar o desenho, denotando o lugar que o desenho possui em sua trajetória. Atualmente tem trabalhado também com livros de artista (obras realizadas na forma de livros).

Realizou exposições individuais e coletivas em diversas importantes instituições artísticas no Brasil e no exterior.

Além dos dois livros teóricos analisados, organizou Disegno. Desenho. Desígnio. (2007), uma coletânea de textos sobre a linguagem do desenho nos mais variados campos do saber.

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Mais informações em <http://www.edithderdyk.com.br/portu/biografia.asp > – Acesso em 22 de julho de 2011.

Fig. 1: Edith Derdyk, Sopro/ Bolwing, 2010

Cerca de 1000 agulhas com 1 linha preta de algodão. Foto: Kátia Kuwabara. Memorial da América Latina – São Paulo. Fonte: <http://www.edithderdyk.com.br/> Acesso em 07 de junho de 2012.

Fig. 2: Edith Derdyk, Entre ser um e ser mil, 2004.

Linha preta de algodão e grampeador de parede. Fonte: http://www.edithderdyk.com.br/

Fig. 3: Capa. Fonte: DERDYK, 1994.

Escreveu também obras de cunho poético sobre a linha como Linha de Costura, pela Editora Iluminuras em 1997, e em 2001 lançou pela Editora Escuta o livro Linha de Horizonte – por uma poética do ato criador. Lançou três publicações como escritora e ilustradora de livros infantis: Estória Sem Fimmm (Summus Editorial/1980), O Colecionador de Palavras e A Sombra da Sandra Assanhada (ambos editados pela Editora Salesianas / 1986 e 1987 respectivamente). Atualmente coordena a coleção Siricutico de CDs infantis do selo Palavra Cantada que vêm acompanhados de livretos editados pela CosacNaify.

Os dois livros estudados parecem fazer parte de uma pesquisa ampla de Derdyk sobre a linguagem do desenho, interligando suas produções artísticas com suas experiências como professora.

Primeiro livro teórico da autora, Formas de pensar o desenho – desenvolvimento do grafismo infantil. (2ª Edição – 1994, Fig. 3) trata das questões que envolvem o desenho infantil usando como ponto de partida a sua experiência pessoal com o desenhar e com a atividade de professora. A obra é dirigida principalmente a professores especialistas em artes, professores generalistas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I. A autora, no entanto, indica que seu conteúdo pode ser útil para todos aqueles que lidam cotidianamente com crianças, como pais e familiares em geral, além de estudantes de arte, pedagogia e psicologia.

De forma resumida, interpreto que as ideias e conceitos mais relevantes da obra sejam: a compreensão do desenhar infantil como uma atividade pensante e sensível e, que, portanto, constrói conhecimentos e ajuda na construção destes; a

ideia de que a experiência prática do professor com o seu próprio desenho é fundamental para trabalhá-lo com as crianças, não bastando apenas o conhecimento sobre as teorias da aprendizagem infantil do desenho ou o domínio teórico dos conteúdos sobre a linguagem gráfica; o fato de que a própria autora possui vasta experiência como desenhista; o conceito de desenho como linguagem passível de uso em diversos campos do saber e não como uma linguagem pertencente prioritariamente ao universo da arte; a ideia de que o desenho infantil se desenvolve por meio dos conteúdos vivenciais5 pelos quais a criança passa no decorrer de 5

seu crescimento, não trabalhando em termos de etapas.

Neste livro, a estruturação geral do discurso se dá pelo uso de muitas imagens provenientes de diversas áreas do saber (inclusive desenhos infantis), de diferentes locais e épocas – uma possibilidade que o livro oferece de ampliar consideravelmente o repertório imagético dos leitores –; pelo registro de citações de artistas, teóricos e filósofos; pela reflexão sobre sua experiência como artista; e pela construção da argumentação aparentemente baseada em suas pesquisas poéticas.

Na apresentação, Derdyk conta sobre sua formação e escreve sobre a necessidade do professor não somente conhecer o processo criativo infantil, mas igualmente conhecer o seu próprio processo criativo. No capítulo Vivências fala brevemente sobre a importância do desenho na escola, da prática poética na formação do professor e da forma como a criança opera quando está lidando com as diversas linguagens; em Conceitos e pré-conceitos traz suas concepções sobre desenho, apresentando 46 imagens de variadas fontes; no capítulo O desenho das crianças, explica a sua proposição teórica para o desenvolvimento do desenho infantil e aborda questões do cotidiano dos professores como a imitação e a cópia, a fala e a escrita, a observação, a memória e a imaginação. Logo após, há o capítulo Breve passeio no tempo, com análises suas sobre as obras de vários artistas, cada um deles permeado de imagens de seus trabalhos. Por fim apresenta em Exercícios de interpretação, sugestões de atividades práticas de desenho e em Pequenos Ensaios, desenhos e pequenos textos de seis artistas brasileiros contemporâneos à escrita da primeira edição (1989).

Fruto de experiências na arte e na docência, este livro possui linguajar acessível e conteúdos que ampliam concepções senso comum sobre desenho e sobre o desenho da criança. Por ser direcionado à formação de professores, possui vários conteúdos ligados à realidade do desenho dentro da escola formal. Derdyk não parece pretender formular metodologias de ensino ou de leitura de imagens, mas introduzir um campo de conhecimento ao professor – o da linguagem do desenho, especialmente nas artes visuais - com o qual ele provavelmente se depara diariamente, mas nem sempre tem formação específica para lidar de forma abrangente e aprofundada.

O segundo livro estudado, Desenho da figura humana (1ª edição – 1990, Fig. 4) é o resultado de uma pesquisa sobre a representação da figura humana no desenho infantil e na história da arte desde os tempos mais remotos. Identifiquei um tom menos didático na abordagem do tema e na estruturação do discurso do que em Formas de pensar o desenho.

Fig. 4: Capa. Fonte: DERDYK, 1990.

Esta publicação foi pensada para estudantes, artistas e professores de arte e professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

Interpretei que a escolha da organização do texto em temas como O corpo e a figura ou A geometria do corpo, podem revelar interesses pessoais da artista, já que não pareceram ser temas selecionados por sua presença ou paralelo nas imagens infantis ou por serem assuntos presentes no processo de desenvolvimento da criança.

Entendi que uma das ideias mais relevantes apresentadas no texto é a de que na medida em que mudam as noções que o homem tem de si, mudam também as formas de ele representar a sua imagem. Para Derdyk, estudar a história da representação da figura humana é estudar a história das noções que o homem teve de si próprio. Uma outra ideia relevante foi a de que a percepção não é algo somente mecânico ou orgânico, mas um conjunto de elementos combinados que incluem também a consciência e a cultura. Todos esses elementos influenciam na produção de significado sobre a coisa percebida. Outro dado importante revelou-se na extensa pesquisa imagética que Derdyk nos apresenta e que amplia não só o repertório de imagens dos leitores como a própria concepção de desenho.

A estruturação do discurso se dá pelo uso de uma vasta gama de imagens relacionadas aos textos. Apresenta um panorama extenso sobre a representação da figura humana, com imagens de diferentes épocas e culturas. Traz teóricos da arte, filósofos, artistas e poetas na construção de seus argumentos.

A introdução localiza o leitor sobre o assunto do livro. O primeiro capítulo, O corpo e a figura, fala de diferentes concepções de ser humano em épocas e culturas diferentes; em A geometria do corpo discorre sobre a forma do homem lidar com o tempo e sobre as maneiras como a ciência contribui para as representações que o homem faz de si em épocas e culturas diversas; em Percepção, conceito e estilo, a autora usa filosofia e história da arte para apresentar fundamentos da criação e da fruição estéticas, falando da relação entre os três conceitos que nomeiam o capítulo; Representação e Figuração traz conceitos sobre a ideia de

imagem e sobre como os códigos gráficos representam os valores de cada cultura, inclusive suas noções de sujeito; em O tempo da História fala das criações poéticas sobre a relação do homem com o tempo e de como essa percepção mudou no decorrer da História. Interpretei esta grande parte do livro como um panorama conceitual sobre as ideias da autora acerca do assunto figura humana.

Todos os capítulos são ricamente ilustrados. Após essa parte, é apresentado o capítulo A Representação da Figura Humana no Desenho Infantil, sobre o percurso gráfico das crianças em relação à representação da figura humana. Aqui o tom do discurso é mais poético e pessoal do que didático e não há indicação de qual tenha sido sua experiência com as crianças para a escrita da proposição. Em seguida, Crianças, escolas, museus trata da importância dos museus na formação das crianças e por fim, Derdyk cria um longo Índice Iconográfico com todas as imagens do livro e concisas explicações sobre origem, artista e contexto de criação da obra, além de sugerir exercícios a partir das imagens e informações disponibilizadas.

Diferente de Formas de pensar o desenho (1994), livro que trata de maneira mais geral e abrangente o tema do desenho e do desenho infantil para professores, Desenho da figura humana (1990) é um livro mais específico sobre um único gênero de representação e, talvez em razão disto, seu linguajar possa ser interpretado como menos acessível por professores com pouco contato com o campo das artes visuais. A autora toca em temas e conceitos do universo da representação da figura humana usando uma gama de expressões verbais mais comuns nos livros de artes visuais do que nos livros de ensino de arte ou de pedagogia. Além disso, trata de assuntos que provavelmente não foram trabalhados nos cursos universitários de licenciatura em artes ou em pedagogia. Mas apesar desta maior especificidade, não creio que se trate de uma obra de difícil compreensão ao professor que tem pouco contato com o campo das artes visuais.

Para finalizar, acredito que sua experiência como artista tenha sido a responsável pela maneira aprofundada como aborda assuntos específicos da área, como por exemplo, aspectos intrínsecos do processo de criação. Temas que dificilmente encontrei em livros sobre ensino de arte escritos por grandes profissionais da educação, mas com pouca experiência na prática artística.

A seguir apresento os conceitos de desenho formulados por Derdyk e os usos que ela indica para o campo das artes visuais.

Fig. 7: Edgar Degas. S/ Título. 1874.

Fonte: DERDYK, 1994, p. 19.

Fig. 6: Anônimo, Ovo

Filosófico. 1625. Ilustração de um processo alquímico do livro Viatorum spagyricum, de Jamsthaler. Fonte: DERDYK, 1990, p. 40.

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