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Factors influencing Air Travel demand

2.1 Theoretical Framework

2.1.3 Factors influencing Air Travel demand

[...] Escreva-me suas impressões; tenho muita confiança em seu bom senso e na firmeza de suas opiniões. Será que a aborreci? Veja, para mim o ato de escrever substitui o de conversar: parece mesmo que estou lhe falando, quando lhe escrevo: só que tudo se reduz a um monólogo, porque suas cartas ou não me chegam ou não correspondem à conversa iniciada. Por isso me escreva, e muito, cartas e também cartões; vou lhe escrever uma carta todo o sábado (posso escrever duas por semana) e desabafar. Não retomo a narrativa de minhas vicissitudes e impressões de viagem, porque não sei se lhe interessam; por certo, elas têm um certo valor pessoal para mim, por se ligarem a determinados estados de espírito e também a determinados sofrimentos; para torná-las interessantes para os outros, talvez fosse necessário expô-las em forma literária, mas eu tenho de escrevê-las de imediato, no pouco tempo em que me permitem o uso do tinteiro e da caneta. A propósito – o pezinho de limão continua a crescer? Você não me falou mais dele [...]. (GRAMSCI, 2005, p. 129-130).94

A instigação pela influência de Gramsci estendeu-se pelo entusiasmo frente à instigação dos olhos e das mãos – do coração também – pelos volumes das ―Cartas do

cárcere‖. Isso se deu ainda, mais adiante, associado pelo contato com os ―Cadernos do cárcere‖, volumes 2 e 4.

Manuesear, cheirar, sentir e pensar, também aprender.

A leitura das cartas gramscianas (volumes 1 e 2) pontuou a necessidade de continuidade teórica, uma vez que, a partir do contato com sua redação, o desejo pela consecução de ideias mereceu aprofundamento.

Para Gramsci, os apontamentos e as notas registradas em seus 32 cadernos, com elaboração de 2.848 páginas, lhe permitiram reflexões em tempos de prisão. Pelos registros, observa-se a inauguração dos mesmos desde 8 de fevereiro de 1929 até sua conclusão em agosto de 1935.

Tatiana (Tânia) Schucht95, sua cunhada, os enumerou, sem levar em conta sua cronologia. Felice Platone os organizou e ordenou por temas, publicando-os em seis volumes, juntamente com as cartas que, da prisão, escrevia. Em 1975, Valentino Gerratana os publicou segundo a ordem cronológica em que foram escritos.

Os cadernos gramscianos formam divididos em ―cadernos especiais‖ e ―cadernos miscelâneos‖. Nos primeiros, ocorre um agrupamento de notas sobre temas específicos; no segundo, apontamentos de diferentes assuntos (COUTINHO, 2010).

O caráter da escrita de Gramsci, com o risco de imprecisão pela intuição, quer nas cartas ou cadernos, manifesta-se em desalinho metodológico. Sua escrita aberta deixa espaço para a continuidade. A inquietação o sustenta e impede que sejam estabelecidas posições absolutas e definitivas. Suas cartas e cadernos, por extensão, são percorridos pela luta contra os limites de quem entende o mundo pelas grades, nas celas da prisão por meio dos livros, revistas, das cartas. É alguém de pensamento aprisionado.

Pensamento e escrita movem-se na conquista e verificação constantes de certezas, de pontos alcançados, que, porém, devem ser sempre redefinidos, enriquecidos, combinados de maneira diferente e, às vezes, até mesmo deslocados para novas direções: a forma textual dos Cadernos, seu próprio corpo físico, seu estatuto filológico revelam o percurso dramático e, ao mesmo tempo, a conquista que Gramsci faz da fragmentação, do não-acabamento, de um projeto que não pode, em momento algum, alcançar uma realização definitiva. Nesse sentido, mereceriam especial atenção todas as passagens em que ele esboça seus diferentes projetos de pesquisa, indicando as perspectivas metodológicas e a maneira com que pretende construir seus trabalhos (FERRONI, 2007, s/p).

95 Registra-se que, em diferentes documentos, para a cunhada de Gramsci, ocorrem os nomes ora Tatiana, ora

Pela instigação da escrita gramsciana, é possível dizer que os ―cadernos‖, instrumento adotado para registrar, para descrever a apreensão dos encontros em grupo, compõem a categoria das aprendizagens da escrita, que agregaram dedicação, insistência, (re)descoberta do prazer da escrita: exercício cotidiano do significado pela escrita; exercício organizador do mundo subjetivo, de (re)ação ao vivido (BARBOSA, 2010).

Pelo exercício de percorrer com os ―cadernos‖ a tradução da trajetória vivida no GE, assume-se, do mesmo modo, o entendimento do ―diário profano‖ de Hammouti (2002), que o concebe como instrumento com implicação de ―observação participante‖, com espaço dedicado para escrita e anotações do dia-a-dia: fatos marcantes, descobertas, incidentes, encontros, reuniões. Nesse espaço, registram-se as leituras, os conflitos e os problemas enfrentados; é espaço para contar atividades rotineiras, eventos corriqueiros, ações e detalhes observados. Neles é possível historiar uma ocorrência de diferentes fenômenos, especialmente os ocorridos no cotidiano educativo, que vão desde os conteúdos trabalhados na escola até os diálogos e conversas (in)formais que se refletem em procedimentos de raciocínio prático. Neles ainda incidem os acontecimentos mediante dados cronológicos, lugares, cenas e situações de diferentes expressões. São partes que integram o inventário da ―com-vivência‖.

Sua autoria é frequentemente negociada pela expressão do registro do ―aqui-e-agora dos contextos de trocas, interações e relações, processos de negociação dos conflitos de estabelecimento da ordem social, comunicação de normas e valores, ensino/aprendizagem formal e informal‖ (HAMMOUTI, 2002, p. 15).

É a expressão que negocia a perspectiva da interpretação pessoal do processo que se dá pelo simbolismo social. Assenta-se no ―paradigma interpretativo‖ de quem necessita traduzir o observado a partir do ponto de vista ―indígena‖. Logo, é fabricação com implicação pessoal atravessada por ―enfrentamentos, desafios, tensões, conflitos de ambivalência, alegrias ou grandes entusiasmos e ansiedades (até associações livres do imaginário, sonhos e fantasias)‖ (HAMMOUTI, 2002, p. 15).

As etapas descritas96 firmaram-se pelo entendimento da retomada, pela continuidade dos avanços teóricos, seguidos por dúvidas e desafios somados à intencionalidade também da pesquisadora.

Pelo contexto do vivido, percebe-se o quão complexo e vasto é o campo de seu estudo. Esta afirmativa sustenta-se pela extensão de possibilidades bem como por sua relevância.

Por esse acesso, afirma-se que

[...] escrever sobre o que estamos fazendo como profissional (em aula ou em outros contextos) é um procedimento excelente para nos conscientizarmos de nossos padrões de trabalho. É uma forma de ―distanciamento‖ reflexivo que nos permite ver em perspectiva nosso modo particular de atuar. É, além disso, uma forma de aprender (ZABALZA, 2004, p. 10).

Revisitar o GE fundou-se na inexorável releitura pela necessidade de sua (re)instituição, pela riqueza de sua existencialidade que nem sempre foi possível rememorar, ou mesmo, de tingir pelas teclas da escrita. Tal riqueza deve-se pôr em paralelo à complexidade do fenômeno humano; do contrário, pouco se poderia fazer com o presente estudo.

Fruto de profundas discussões, que na maioria das vezes se deram por uma avalanche de indagações, fluiu pela forte base do compromisso de 28 educadores, pois foi ―com ele‖ e ―por ele‖ que se construiu este grupo de estudos.

Com a materialidade da (re)institucionalizada GE, dúvidas pontuaram o prelo de seus encontros: Com que dinâmicas recomeçar os estudos? O grupo de educadores não é mais o mesmo, pois sofreu alterações desde as conquistas iniciais ―das leituras em diálogos‖. De que jeito(s) (re)começar?

O que vale a pena ser contado? Como eleger algo a contar? O que na história vivida é elegível para ser narrado? O que é preciso compreender narrando? O que escolho para escrever e para tornar público? Que critérios utilizo para selecionar? O que me move à escolha do que sendo meu, ao ser compartilhado, não pertence mais tão somente a mim, e já não é mais o que foi? O que constitui conhecimento? Nos relatos que lemos, encontramos o que nos parecem ser possíveis pistas à escolha do que contar neste contexto: uma experiência

96Tais etapas serão desenvolvidas na seção ―Cadernos de apontamentos e notas sobre a história do Grupo de

significativa na área profissional a ser relatada, por escrito, a um grupo de pesquisa/estudo (ALBUQUERQUE et al., 2007, p. 3).

Além dessas, para o presente estudo, a pesquisadora é também partícipe do GE e, por esse respeito, viu-se envolvida por algumas indagações pela (re)feitura do mesmo: Como (re)fazer o GE? - uma vez que não é o mesmo, cheio de feições singulares. Como encaminhar a obra, ou outras obras? Leem-se trechos, páginas, capítulos e se segue à discussão? Estudar categorias emergidas pela obra a cada reunião? Estudar um tema a cada encontro? Ou dialogar a leitura aos pouquinhos?

Indagação pela estrutura do registro como fundamento indispensável para a presente tese: Como registrar sem inibir o GE? Escrever ou gravar?

Indagação pela insustentabilidade do projeto inicial que pretendia dialogar com a totalidade da obra ―Medo e ousadia‖: Que tempo se disponibiliza para as sínteses da tese?

Indagação pela redundância de respostas que pudessem inibir as perguntas: Como se legitimam os poderes no GE? Quem fala mais, quem fala menos? O que fala quem fala?

Essas e outras questões pontuaram a relação da pesquisadora com o GE.

Não é a prática por si mesma que gera conhecimento. No máximo permite estabilizar e fixar certas rotinas. A boa prática, aquela que permite avançar para estágios cada vez mais elevados no desenvolvimento profissional é a prática reflexiva. Quer dizer, necessita-se voltar atrás, revisar o que se fez, analisar os pontos fortes e fracos de nosso exercício profissional e progredir baseando-nos em reajustes permanentes. Sem olhar para trás, é impossível seguir em frente (ZABALZA, 2004, p. 137).

Por essa inclinação, pretende-se apontar anotações do final de quinze tardes, seguidas por parcelas de noites, entre as terças e quartas-feiras, na maioria das vezes de modo quinzenal, totalizando assim os encontros do GE entre os meses de março e setembro de 2010.

Pelo crivo de que (re)começos exigem começos, seguem ―cadernos‖ descritivos dos 15 eventos que sustentaram a (re)instituição do GE.

A (re)instituição do GE por um período aproximado de seis meses, seguiu-se pela análise em cadernos de apontamentos e notas sobre a história de grupo de estudos: os orgânicos.

6.4 CADERNOS DE APONTAMENTOS E NOTAS SOBRE A HISTÓRIA DO GRUPO