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Com o objetivo de compreender como o uso das TIC pode aproximar e promover interações multiculturais críticas a distância, dentro da escola formal, na disciplina de artes, esse subcapítulo se propõe a descrever e analisar os dados da experiência ocorrida durante o período escolar regular, entre os meses de março e junho de 2010.

A experiência ocorreu com duas turmas de nono ano do Ensino Fundamental e suas respectivas professoras de arte, nas escolas Roberto Simonsen da cidade de Aracaju (SE) e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Freire da cidade de Caxias do Sul (RS), A escola Roberto Simonsen de Aracaju (SE) cuja qual faz parte da rede de Ensino do Serviço Social da Indústria - SESI e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Freire de Caxias do Sul (RS) à rede pública municipal. As respectivas cidades estão localizadas nas regiões nordeste e sul do país e a distância física entre as duas cidades é de aproximadamente 2.500 km.

A experiência, fora planejada de forma concomitante às aulas presenciais de arte, com atividades no ambiente presencial e no ambiente virtual, bem como os currículos e planejamentos foram flexibilizados pelas professoras participantes com objetivo de adequar-se as exigências propostas no projeto.

As atividades didático-pedagógicas ocorreram no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA, situado na Plataforma Moodle do Centro de Educação a Distância CEAD/UDESC, disponível em www.moodle.udesc.br, localizado fisicamente na cidade de Florianópolis (SC). Esse espaço virtual serviu como base para a realização do projeto de intercâmbio online entre as duas turmas.

As atividades iniciaram no dia 14 de março entre as professoras de arte das duas cidades juntamente com a Tutora e coordenação. As escolas participantes receberam um email do CEAD/UDESC formalizando a participação.

Estiveram imersos nesse ambiente virtual, 68 sujeitos, que construíram conhecimento de forma colaborativa. Entre eles, 36 estudantes e uma professora, residentes na cidade de Aracaju (SE); 27 estudantes e duas professoras (artes e informática74) residentes na cidade de Caxias do Sul (RS); uma tutora75 residente em Porto Alegre (RS); e a coordenadora do projeto em Florianópolis (SC).

Nos antecedentes dessa pesquisa observou-se, por meio de questionário respondido pelas duas professoras de arte, que ambas já utilizavam a sala informatizada e aparatos tecnológicos, como câmeras fotográficas e vídeocâmera digitais com seus alunos na escola, mas não haviam trabalhado com ambientes

73 A professora de informática exerceu o papel de técnica em momentos presenciais e de

observadora dentro do AVA, mas não participou das discussões dentro do AVA.

75 O papel da tutora nesse projeto foi de dar suporte técnico e pedagógico no que se refere a

educação a distância online, bem como auxiliar as professoras no conhecimento das ferramentas do AVA Moodle.

virtuais de aprendizagem, como também não tinham participado de projetos que envolvessem atividades online, ou mesmo de interações com objetivos educativos.

Por tratar-se de uma experiência inovadora, porém não inédita, interessa a esta pesquisa a dimensão didático-pedagógica, essa que, talvez seja um dos elementos mais instigantes para o professor que atua na Educação online pois, a forma como ele organiza, orienta o processo educativo e lida com a questão do conhecimento, pode interferir diretamente na (não) aprendizagem e na (não) interação entre os alunos. A prática educativa neste contexto requer a consideração, por parte do professor, das especificidades e características desta modalidade educativa, do AVA onde ela se efetiva, assim como, o perfil do profissional para atuar em tal contexto.

Sartori e Roesler (2005) discorrem sobre um perfil de professor narrador dentro do Ambiente online, aquele que compartilha experiências e não aquele que apenas informa, mas abre espaço para a palavra do aluno, provocando-o a participar. A experiência não utilizou nenhum material didático formatado. Todo o material utilizado foi sendo selecionado e anexado conforme indicações e escolhas das professoras, e disponibilizados no AVA em forma de citação, preservando as autorias, em diferentes formatos. O material disponibilizado aos estudantes era contextualizado e problematizado por meio de enunciados dentro dos fóruns, ou mesmo em rótulos, dentro do AVA. Os enunciados escritos pelas professoras substituíram o tratamento especializado do designer instrucional76, objetivando uma

linguagem dialogada e uma comunicação eficaz. Por se tratar de uma experiência com objetivos de trocas culturais e uma nova forma de trabalhar com ferramentas virtuais, não foram utilizados métodos avaliativos sobre as atividades realizadas com os alunos dentro do AVA,77 pois o foco da mesma foi direcionado aos professores de artes.

Entre os objetivos traçados pelas professoras estavam: vivenciar as trocas culturais e artísticas utilizando a arte como meio de expressão; oportunizar as interações entre professores e alunos à vivência educativa nas aulas de arte privilegiando a diversidade cultural e artística em dois diferentes contextos regionais; explorar e utilizar as tecnologias digitais contemporâneas no processo de construção

76 Profissional responsável pela formatação e diagramação dos materiais específicos para ensino a

distância. [nota da autora].

de conhecimento; favorecer uma reflexão sobre o respeito às diferenças culturais; possibilitar novos olhares, a partir do registro fotográfico da escola; resgatar e refletir, através da linguagem poética, suas origens e histórias de vida; favorecer uma produção artística à identificação das origens e histórias de vida; identificar nas obras dos artistas Fábio Sampaio e Iberê Camargo a relação que existe entre a vida e a arte, identificando-as dentro da Arte Contemporânea brasileira; possibilitar novas linguagens, relacionando a arte do artista Iberê Camargo e de Fábio Sampaio; promover pesquisa bibliográfica dos artistas em evidência; favorecer um encontro pessoal dos alunos com o artista local (Fábio Sampaio); possibilitar a criação de um blog, das cidades envolvidas à promoção da arte local; favorecer uma nova interpretação na utilização de instrumentos do cotidiano como o celular, a máquina digital e o computador como apoio de material artístico; oportunizar aos alunos uma nova forma de aprendizagem, incluindo uma leitura de culturas diferentes na interação com meios tecnológicos; despertar o interesse por novas culturas, novas linguagens de expressão, especialmente para a arte contemporânea e suas relações com os artistas e a produção regional; construir e aplicar conceitos, evidenciando as características de uma instalação de arte, interagindo com materiais e suportes diferenciados; contribuir para a formação da cultura visual ampla e contextualizada promovendo o desenvolvimento estético e formando leitores visuais.

Durante os três meses da experiência, as professoras planejaram todas as ações, configurando a arquitetura do AVA, dividiram-no em seis tópicos, no qual o primeiro tratava da programação e atividades gerais como avisos, notícias, instruções de primeiro acesso, bem como os fóruns compartilhados apenas por professores, e os outros cinco tópicos relacionavam-se com os cinco eixos outrora propostos.

No total foram criados 20 fóruns, sendo 5 gerais e 15 de atividades de aprendizagem. Anexados cinco vídeos como recursos, quatro apresentações de slides e um link para um blog na página principal do AVA. Foram realizadas cinco sessões de chat com a participação das duas professoras e a Tutora, entre 11 de abril e 9 de maio de 2010. Finalizando a experiência em 1º de junho de 2010. Os registros ficaram disponíveis na plataforma para a pesquisa.

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