Para alguns estudiosos, os estudos organizacionais se desenvolveram como uma união de faces multidisciplinares, mais ou menos articuladas entre si. Contudo, para Reed (1999) estes estudos se constituem num terreno historicamente contestado ou uma “torre de Babel” no pensamento de Burrell (1999), tendo como características predominantes à fragmentação, a heterogeneidade e a falta de continuidade.
Entretanto, a elasticidade existente nos planos de sistematização do estudo, na argumentação das teorias e estudos produzidos nesse campo do conhecimento revela variados panoramas, possibilidades de atuação e engajamentos acadêmicos. (DAVEL & ALCADIPANI, 2002)
Acerenza (2002) e (2003), nos livros titulados Administração do Turismo, volumes 1 e 2, dimensiona a relação entre administração e turismo, de modo a aprofundar na compreensão dos aspectos qualitativos e quantitativos de cada um, permitindo, também, situar e estudar meticulosamente todas as relações que esses eixos devem manter entre si. Torna-se um reforço em sua abordagem, a necessária fundamentação administrativa para a atividade turística.
Interpretações mais profundas e amplas da realidade devem ser fundamentadas pelos conhecimentos das estruturas e dos paradigmas que formam o arcabouço teórico nas compreensões do turismo, no âmago epistemológico, sendo na linha dos pensamentos de Guedes (2003: 3) “preciso
conhecer as novas configurações capitalistas pós-industriais para objetivar um melhor entendimento do turismo”.
Além disso, em seu artigo, Mac-Allister (2002) em meio a reflexões e debates epistemológicos sobre a administração, assume-se uma posição e, nesta posição, propõe-se uma forma de produção de conhecimento. Com base no conceito de signo, o campo dos estudos organizacionais torna-se absolutamente fragmentado em signos e assume a condição de "ciência propriamente dita" e orientada para o "fazer ciência", isto é, para a inovação do conhecimento.
Na mesma direção, Mac-Allister (2002: 1) que:
Também com base no conceito de signo, define-se produção de conhecimento no campo dos estudos organizacionais como uma prática "semiótica" caracterizada por uma produção contínua de signos sujeitos à generalidade, mas passíveis de inovação, tendo, como estratégia de produção e inovação do conhecimento, o pragmatismo ou, mais exatamente o método abdutivo ou abdução que rompe com a continuidade do conhecimento pautado na generalidade, o hábito, e faculta a inovação do conhecimento, a mudança de hábito, ao admitir hipóteses apenas plausíveis ou possíveis, desde que passíveis de verificação como interpretação.
Em levantamentos realizados, nos anos de 1994, 1996 e 2002, Ansarah (2002: 89) constatou a primeira pesquisa não acusa cursos de bacharelado em administração com habilitação nas áreas de turismo e hotelaria. A primeira ocorrência dá-se na pesquisa de 1996. Entretanto, na pesquisa de 2002 surgem habilitações com nomes variados, mas enquadradas em quatro categorias: gestão hoteleira, gestão em turismo, gestão em turismo e hotelaria, e gestão em turismo e lazer. Os cursos de administração com habilitação em turismo e hotelaria, na pesquisa de 2002, localizam-se em 11 Estados brasileiros, com um universo de 48 cursos.
Numa abordagem sobre o turismo no âmbito da administração pública, DE OLIVEIRA (2003: 53) considera que:
No tocante ao turismo, os modelos de atuação da administração pública encontra ressonância na própria evolução histórica da atividade e, também, na maneira pela qual o setor do turismo foi se tornando objeto da ação administrativa.
O turismo como a administração, se caracteriza num fenômeno social e o futuro de ambas devem considerar as transformações da sociedade nos aspectos econômicos, políticos, sociológicos, culturais e ambientais, dando ênfase cadê vez maior ao papel do homem na sociedade e ao fortalecimento do indivíduo que, por sua vez, determinam novas atitudes em relação aos objetos estudados. Contudo, Guedes (2003: 7) ainda lembra que “os gurus da economia, da administração e da informática não se cansam de produzir textos reinterpretando a conjuntura, que se atualiza a cada momento”.
No artigo Tourism research on greece:a critical overview, Galani- Moutafi (2004) avalia o contexto da produção científica em turismo na Grécia, destacando prática metodológicas, produção bibliográfica, sugestões para um direcionamento em pesquisas futuras e identificação de um discurso.
Ao se referir à linha de pesquisa relacionando administração e turismo, Galani-Moutafi (2004: 168) concebe que:
As far as the management of tourism development is concerned, works on marketing and planning document a series of problems ensuring from the lack of coordination of various types of action undertaken by local, regional, and central agencies. At the same time, they propose regulatory and policy measures for the implementation of programs aimed either to develop alternative types of tourism or to restrict its development in already saturated areas. However, although they acknowledge the need to facilitate participation of local communities, organizations and agencies in decision-making processes, researchers often take for granted the local sociocultural context, approaching it in terms of its "objective" qualities. Yet such context is of paramount analytical importance, as it constitutes the field where conflicts of interest unfold, rivalries over land use find fertile ground to grow, and often contradictory views about the environment are expressed.
O panorama econômico-político contrasta com a visão sócio-cultural e ambiental, e os caminhos nem sempre resultam em aproximação no pensamento de gerenciamento do turismo. Os objetivos institucionalizados pelos principais órgãos e associações ligadas ao turismo, articulam objetivos que podem representar interesses de classe, não interesses sociais. A atmosfera da administração pública, aplicada a percepção da busca pelo bem- estar social se rende frente às expectativas empresariais (perspectiva no capital), num caminho antagônico aos interesses e perspectivas do desenvolvimento sustentável do turismo.
Barreto (2000: 22) esclarece que esses fatores têm levado justamente a um planejamento caótico, não atendendo aos interesses das comunidades receptoras nem aos preceitos de conservação ambiental, mas apenas aos interesses econômicos dos grupos empresariais. A autora ainda discute o planejamento turístico nos vários níveis, que vão desde políticas gerais, com diretrizes para um determinado território, até projetos específicos.
Ponto não menos relevante ao futuro no desenvolvimento de pesquisas em gestão turística, tanto na atmosfera pública quanto na privada, se vincula à abordagem de filtro do ambiente onde se localizam, buscando as necessidades das minorias e/ou populações tradicionais e riscos potencias de impactos incontroláveis. Operacionalmente, esta fragilidade se expressa com clareza pela prioridade marginal dos programas econômicos, quando ocorrem, linhas de desenvolvimento sem planejamento atrelado a projetos turísticos ineficientes.
3.3 Indicadores para o progresso no turismo: identificando um