5. CONCLUSION
5.1 F UTURE RESEARCH
O primeiro transecto do mês de janeiro foi marcado pelo ar quente e úmido da massa Tropical Atlântica, que proporcionou temperatura máxima de 38ºC e umidade em torno de 75%. A umidade elevada também esteve associada às pequenas precipitações ocorridas no dia 14 de janeiro, decorrentes da Repercussão da Frente Polar Atlântica (3,6mm). As chuvas se estenderam durante madrugada do dia 15 de janeiro (quinta-feira) e ocorreram exclusivamente na área rural do munícipio, a nordeste da malha urbana, onde o total pluviométrico foi de 13,7mm. Os ventos foram calmos e atingiram 1,3m/s no horário da coleta dos dados (21h).
Esse episódio também apresentou intensidades elevadas, com máximas de 6,8ºC e 27%. A máxima temperatura de 32,4ºC foi registrada no começo da Rua Rui Barbosa, ponto 26 do percurso L-O, área central de ocupação antiga e uso comercial com intenso fluxo de veículos e elevada densidade de edificação. Temperaturas elevadas, acima dos 32ºC, também foram encontradas entre os pontos 27 e 33 do mesmo percurso, onde as intensidades oscilaram de 6,4ºC a 6,7ºC. Ainda nessa parte do trajeto, foram registrados os menores valores de umidade relativa com mínima de 51% no ponto 27, onde a intensidade atingiu zero. Esses pontos correspondem a todo quadrilátero central, marcado pelo uso majoritariamente comercial, densamente edificado e elevado fluxo de veículos e pessoas (Figura 43).
O percurso N-S apresentou valores mais baixos, com máxima de 31,6ºC e mínima de 53%, ambos registrados no ponto 41, local de uso residencial e comercial, com coberturas metálicas e um semáforo bastante movimentado. Ainda nesse percurso, no ponto 57, a intensidade da umidade específica chegou a zero, com valor absoluto de 15,5g/Kg, local de transição da área urbana para a rural, marcado predominantemente por pastagens e que possui em sua proximidade áreas de expansão urbana, com lotes recém- abertos, ou seja, com pouca vegetação arbórea e bastante solo exposto, que podem ter gerado seu aquecimento.
A respeito das áreas úmidas permeou o mesmo padrão de localização observado nas análises anteriores, com máximas de umidade nas áreas de fundo de vale da área rural que possuem vegetação densa e curso d’água. Portanto, as áreas de máxima umidade, com valor absoluto em torno 78% e intensidades de 27% e 2,9g/Kg, ocorreram novamente no início do percurso L-O (do ponto 06 ao 09) e no final do percurso N-S (pontos 58 e 59).
Outro padrão que se repetiu foi o aquecimento do trevo da Rodovia Assis Chateaubriand, pontos 6 e 7 do percurso N-S, que apresentou intensidades entre 4ºC e 5ºC, 10% e 12% e 1,6g/Kg e 2,1g/Kg. Além disso, ocorreu novamente o aquecimento dos
conjuntos habitacionais Benone e Gimenes, que correspondem ao ponto 13 do percurso L- O, local em que as temperaturas atingiram intensidade de 5,7ºC e 7% (valores absolutos de 31,3ºC e 58%). Após a passagem por esses bairros, a temperatura decresceu, ficando nos pontos 16 e 17 com valores de 30,4ºC e 29,8ºC, respectivamente (intensidades de 4,8ºC e 4,2ºC, respectivamente), fato que demonstra a interferência dos espaços livres de edificação sobre o ar urbano, visto que essa área corresponde a vazios urbanos descontínuos ao tecido urbano que apresentam baixa densidade de edificação e vegetação arbórea média (Figura 39).
Figura 39 - Vista parcial dos vazios urbanos a leste entre os residenciais Benone e Gimenez e o tecido urbano consolidado
Fonte: Google Earth (2015).
Uma peculiaridade desse episódio foi o aquecimento no início da Estrada do Mineiro, mais precisamente no ponto 49 do percurso N-S, onde a temperatura se elevou e a intensidade registrada foi de 4,5ºC (valores absolutos 30,1ºC, 59% e 16,5g/kg). O ar mais aquecido e seco nesse local pode ser atribuído à construção de um condomínio fechado, situado à esquerda da via (à direita na imagem) e que no momento da coletada dos dados, possuía grande quantidade de solo exposto e pouca vegetação arbórea (Figura 40).
Figura 40 - Vista parcial do condomínio fechado (final do percurso N-S)
Fonte: Google Earth (2015).
Novamente foi possível verificar a influência que exercem os fundos de vale, ainda que urbanizados, sobre o campo térmico e higrométrico de Penápolis. Todavia, nesse dia, diferentemente do que ocorreu no último episódio, não houve variações significativas de temperatura e umidade na passagem pelo córrego Maria Chica. Na Rua Irmãos Crisóstomo de Oliveira, nos pontos 30, 31 e 32 do percurso N-S, a temperatura e umidade relativa apresentaram-se constantes, entre 31,3ºC e 31,4ºC e 53% e 54%, valores bastante semelhantes aos registrados no centro urbano densamente edificado (32,0ºC e 32,4ºC).
O destaque foi para o fundo de vale do córrego da Estiva (Figura 41), ao norte da malha urbana, que apresentou maior modificação do ar dentro do perímetro urbano, visto que no final do trajeto pela Estrada Irmãos Buranello, no percurso N-S, a temperatura diminuiu de 30,2ºC no ponto 16 para 28,9ºC ponto 17 (intensidades de 4,6ºC para 3,3ºC, respectivamente) e a umidade relativa se elevou de 61% para 63% (intensidade de 10% para 12%).
Figura 41 - Vista Parcial do córrego da Estiva
A realização das medidas móveis nesse dia foi muito importante para demonstrar a relação existente entre o aquecimento da superfície e o aquecimento do ar, já que o padrão observado no mapeamento dessas duas variáveis se assemelha. Apesar das medidas terem sido realizadas em horários diferentes, sendo a temperatura da superfície registrada às 10h24mim e a temperatura do ar às 21h, a análise desses dois mapeamentos (Figura 42) comprova, mais claramente, um dos mecanismos de aquecimento da cidade, que se inicia com o aquecimento do solo através da radiação solar recebida, o qual, por sua vez, emite através de ondas longas parte da radiação a atmosfera.
Portanto, é possível observar elevada correlação entre os valores de temperatura da superfície e do ar, visto que as áreas mais frescas e quentes se corresponderam em localização. Os fundos de vale com cursos d’água foram os locais que apresentaram os menores valores em ambas as temperaturas. Ao mesmo tempo em que, as ilhas de calor de superfície e atmosférica também se corresponderam, com localização dentro do perímetro urbano, particularmente no centro adensado.
Figura 42 - Temperatura de superfície às 10h24min e a temperatura do ar às 21h no dia 15/01/2015 em Penápolis/SP
Fonte: Elaborado pela autora.
Dessa forma, identificou-se novamente no dia 15 o aquecimento centro-periferia semelhante ao encontrado nas análises anteriores (Figura 43), no qual bolsões de ar quente e seco se configuraram na região central da malha urbana, mais precisamente no centro comercial e parte do bairro adjacente a leste, tendo o pico de intensidade localizado nos bairros Centro e Leste. Já o ar mais fresco e úmido esteve situado nas áreas periféricas a leste e sul, onde se encontram os fundos de vale com vegetação densa e corpos d’água.