5. KHATAMI SITT HOVEDSYMBOL: DET ISLAMSKE DEMOKRATI
5.2 F RA RELIGIØSE ABSOLUTTER TIL SEKULÆR PLURALISME
Através da observação participante, o investigador pode acessar as perspectivas dos indivíduos observados, uma vez que vive o mesmo tipo de experiências, e pode compreender a realidade que se propôs observar.
Na observação participante, o investigador integra o meio a investigar, podendo ter acesso às perspectivas dos atores sociais, ao participar dos mesmos problemas e as mesmas situações que eles. Assim, a participação tem por objetivo recolher dados (sobre fatos, ações, processos ou concepções) aos quais um observador exterior não teria acesso.
Segundo Lessard-Hérbert, Goyette & Boutin, (2010, p. 155)
Na observação participante, é o próprio investigador o instrumento principal de observação. Isto significa que, de acordo com os postulados epistemológicos do paradigma interpretativo ou compreensivo, o investigador pode compreender o mundo social do interior, pois partilha a condição humana dos indivíduos que observa. Ele é um ator social e o seu espírito pode aceder às perspectivas de outros seres humanos, ao viver as “mesmas” situações e os “mesmos” problemas que eles.
Fino (2008, p.46) referindo Lapassade (1991, 1992, 2001) diz que:
Observação participante tende a designar o trabalho de campo no seu conjunto, desde a chegada do investigador ao campo de investigação, quando inicia as negociações que lhe darão acesso a ele, até ao momento em que o abandona, depois de uma estada longa. Enquanto presentes, os observadores imergirão pessoalmente na vida dos locais, partilhando as suas experiências.
As observações foram realizadas nas reuniões de Coordenação Pedagógica e de Direção. Nestes momentos, procurei atentar para as intervenções, individuais e coletivas, dos gestores para a existência ou não de planejamento e estratégias para a diferenciação curricular.
Há doze anos participo, semanalmente, das reuniões da equipe pedagógica da escola, uma vez ao mês, aproximadamente, estas reuniões contam com a presença das Diretoras. As reuniões de equipe pedagógica são momentos semanais, de duas horas, onde se discute uma variada gama de assuntos pertinentes aos mais diversos setores da escola, planeja-se reuniões e eventos, compartilha-se preocupações e decisões.
Normalmente, recebe-se, com antecedência, uma pauta organizada pela Coordenadora Geral. Entretanto outras pautas, invariavelmente, são agregadas devido ao grande número de assuntos a resolver.
Este ano, contudo, minha observação ficou mais atenta e cuidadosa em relação aos movimentos de discussão e deliberação destas reuniões. Explico: devido ao compromisso de
“participação e estranhamento”, necessário à condição de pesquisadora, pude perceber elementos importantes no funcionamento da equipe de gestão no tocante à tomada de encaminhamentos e decisões.
Observei, por exemplo, que os momentos de discussão neste grupo são sempre extensos, sobrando muito pouco tempo para as deliberações. A equipe de Coordenação Pedagógica tem uma autonomia limitada para a tomada de decisão e, por isso, as discussões são sempre levadas para a equipe de Diretoras. Nesta instância, também observo uma certa dificuldade de objetivar questões, de delegar e de encaminhar ações. Há muitos movimentos de idas e vinda, discussões e rediscussões sobre o mesmo assunto. A possibilidade de diálogo é um valor importante, sem dúvida, por outro lado, há necessidade de avançar para ações concretas, definindo prazos e atribuições a cada um dos membros da equipe.
Talvez, pelo fato de as pessoas terem uma boa relação interpessoal e de se conhecerem há muito tempo, assuntos, às vezes, completamente fora da pauta, são trazidos e consomem um tempo precioso da reunião. A organização da reunião e o cumprimento da pauta são elementos frágeis nesse contexto. A participação das Diretoras e das Coordenadoras dos Setores de Desenvolvimento Institucional e de Desenvolvimento Humano não modifica o caráter organizativo das reuniões.
Algumas vezes, outros profissionais são convidados a participar desses momentos, como o consultor para o “Projeto de prevenção ao uso precoce de álcool e outras drogas” (há cinco anos participa mensalmente) e a consultora para Educação Inclusiva (há um ano na escola). Eventualmente, também são convocados profissionais da área administrativa e financeira para esclarecerem ou encaminharem algum assunto específico.
Nas reuniões de Equipe Diretiva, quando a pauta se refere a algum assunto polêmico e complexo, normalmente tendem a se estender e raramente chegam à etapa de deliberação.
Por exemplo, a discussão acerca da nova Lei Brasileira de Inclusão foi planejada para acontecer em duas reuniões de três horas, especialmente programadas para esse estudo, contudo, não foram suficientes sequer para terminar a primeira leitura coletiva. Levanto algumas hipóteses acerca dessa dinâmica: as pessoas deveriam ter lido a lei previamente (como havia sido combinado) e não o fizeram, o assunto ainda é confuso e desperta uma série de dúvidas em todos os membros da equipe. Não fica claro, neste momento, qual o posicionamento da Direção sobre a questão da diversidade e da inclusão na escola. As Coordenadoras Pedagógicas, entretanto, posicionam-se acerca de seu entendimento da necessidade de se aprofundar as discussões a fim de construir uma política inclusiva da escola.
O discurso da Direção remete para os primórdios da existência da escola, onde já eram atendidos alunos com deficiências e, para as práticas mais atuais onde, vários alunos, com várias e diferentes condições são atendidos. “ A escola sempre se preocupou com a inclusão”, foi uma fala repetida muitas vezes.
Essa afirmativa pode ser uma realidade, pois a escola atende um grande número de alunos com condições diferenciadas de aprendizagem e convívio social, muitos professores são sensíveis e engajados no trabalho com esses alunos, já são realizadas modalidades de atividades a avaliações diferenciadas em todos os segmentos de ensino. Todavia, não há uma política institucional clara acerca das questões da diversidade na escola, sobre as possibilidades pedagógicas para a inclusão de todos os alunos, sobre a formação continuada de professores e sobre a alocação de recursos.