• No results found

6. DISKUSJON OG KONKLUSJON

6.5 F ORSLAG TIL VIDERE FORSKNING

A distribuição dos gêneros textuais, como já descrito, reflete a própria organização da sociedade, pressupondo-se, dessa maneira, que um estudo sócio-histórico desses gêneros possa ser uma das formas de compreender o próprio funcionamento da língua no período elencado. Quanto aos gêneros do jornal, as suposições não poderiam ser diferentes. São considerados fenômenos históricos, específicos de determinado tipo de produção linguística e concebidos para alcançar os fins sociais pleiteados – oriundos das manifestações culturais de cada sociedade.

O estudo dos gêneros jornalísticos, há um bom tempo, além de propiciar informações relevantes para os profissionais da área do jornalismo e fornecer recursos para aqueles que buscam aprofundar seus conhecimentos a respeito do tema, tem despertado grande interesse nos estudiosos que se dedicam aos fatos da língua, por serem reconhecidos como uma rica fonte de extração e análise de dados. Segundo Bonini (2004, p.-.), “Apesar dessa longa história, no entanto, pouco se sabe sobre os gêneros do jornal, de um modo mais sistemático, no que toca a temas como os fundamentos desta categoria, os princípios que a instauram e os seus limites.”

Assim, somados ao fato do número de estudos que focalizam os gêneros do jornal de forma meticulosa até agora ser limitado, podem ser indicados outros princípios que explicam o porquê de os gêneros jornalísticos não serem facilmente classificáveis. Há, no jornal, um contínuo expositivo, o que dificulta estabelecer as delimitações entre os gêneros que o formam. Em outras palavras, “[...] as fronteiras entre os gêneros são frouxas, do ponto de vista de como a enunciação se dá.” (BONINI, 2006, p. 65). De acordo com Bonini (2006, p.65),

A vagueza nas fronteiras intergêneros pode ser observada de dois pontos de vista: o estrutural e o semântico-pragmático. O estrutural, neste caso, diz respeito ao modo como o jornal se organiza e o semântico-pragmático corresponde ao modo como os textos são enunciados.

Ainda quanto à definição, pode-se asseverar que “[...] nenhuma classificação lógica de gêneros é possível. A demarcação dela é sempre histórica, quer dizer, só vale para um momento específico da história [...]” (TOMASHEVSKY apud MEDINA, 2001, p. 49), justificando-se, assim, a dificuldade encontrada nesta pesquisa para nomeá-los. Nos jornais do

século XIX e início do século XX, nem sempre são aplicáveis os tipos de gêneros descritos para os jornais atuais. Observa-se que as discussões sobre esses aspectos ainda são preliminares. No entanto, deve-se ressaltar que, embora sofram alterações com o tempo, as especificações dos gêneros não são dispensáveis; ao contrário, são importantes para que sejam compreendidos quais os gêneros vigentes e quais as perspectivas jornalísticas de determinada época.

Contudo, ao selecionar um rótulo para determinado gênero jornalístico, necessita-se averiguar se este corresponde a uma unidade materializável na forma de texto, se é praticado na comunidade discursiva como uma unidade textual e se está relacionado às atividades centrais do jornal observado (BONINI, 2003a).

Em um jornal, percebe-se também, como dito anteriormente, de acordo com os recursos linguísticos utilizados e a função comunicativa almejada, que nos textos, representantes dos gêneros, podem se concentrar variantes linguísticas padrão e não-padrão.

Cabe, aqui, inclusive para enriquecer o quadro teórico em questão, discorrer a respeito do tratamento do jornal, visto como suporte31 convencional em Marcuschi (2005, 2008) e suporte convencionado em Bonini (2003b, 2004, 2006). Ambos os autores afirmam que,

embora bastante importante para o estudo dos gêneros, a discussão sobre suporte, ainda pouco considerada no meio acadêmico, está em andamento. Entretanto, quanto aos tipos, Marcuschi (2008) elege dois: (i) suportes convencionais e (ii) suportes incidentais. Para ele,

Há suportes que foram elaborados tendo em vista a sua função de portarem ou fixarem textos. São os que passo a chamar de suportes convencionais. E outros que operam como suportes ocasionais ou eventuais, que poderiam ser chamados de suportes incidentais, como uma possibilidade ilimitada de realizações na relação com os textos escritos. (MARCUSCHI, 2008, p. 177)

Para o autor, o jornal, diário e mesmo semanal, é nitidamente um suporte convencional com muitos gêneros. Produzido para fixar os textos e assim torná-los acessíveis para fins comunicativos, cumpre regularmente sua finalidade. Por outro lado, Bonini (2006), que considera “ir mais no sentido de tentar caracterizar o que vem a ser um “portador” de texto e, mais especificamente, em que nível se dá essa interferência do suporte no gênero e vice- versa” (BONINI, 2006, p. 60), acredita existir o suporte físico e o suporte convencionado, ocorrendo, no primeiro caso, uma distinção nítida, porém, no segundo, uma sobreposição entre gênero e suporte. Segundo o autor,

31 “Entendemos aqui como suporte de um gênero um locus físico ou virtual com formato específico que serve de

[...] um gênero pode ser convencionado como suporte de um outro gênero (ou de outros). O jornal, nesse sentido, é um típico exemplar de suporte convencionado que eu tenho denominado de hipergênero, uma vez que é um gênero constituído por vários outros. (BONINI, 2006, p. 61)

Para Bonini (2004), o jornal deve ser considerado um gênero que abriga outros, isto é, um hipergênero porque preenche quesitos como propósitos comunicativos próprios, organização textual característica, embora ainda não conhecida em seus detalhes, e produtores e receptores definidos. Para ele, “sendo o gênero um material sígnico relativamente compartilhado entre os membros de determinada comunidade, e que, tendo o jornal a mesma propriedade sígnica do gênero, ele seria também um tipo de gênero [...].” (BONINI, 2003, p. 72)

Ressalta-se, por fim, que os gêneros jornalísticos, além de serem utilizados como aporte, para diversos fins, para pesquisas que investigam os fenômenos linguísticos, sob as mais diferentes orientações teóricas, segundo Medina (2001, p.50),

Com certeza servem para orientar os leitores a lerem os jornais, permitindo-os identificar as formas e os conteúdos dos mesmos. Servem, também, como um diálogo entre o jornal e o leitor, pois é através das exigências dos leitores que as formas e os conteúdos dos jornais se modificam. Os gêneros servem ainda para identificar uma determinada intenção, seja de informar, de opinar, de interpretar ou e divertir.

3 O TRATAMENTO DOS CLÍTICOS PRONOMINAIS SOB DIVERSAS ÓTICAS

Para que sejam acrescentadas informações ao quadro dos estudos que envolvem, sob os mais distintos aspectos, questões sobre os clíticos pronominais, é necessário que se levantem os principais pontos até então discutidos. Eis o que se faz nesta seção. Apontam-se considerações acerca dos pronomes, com ênfase nos clíticos pronominais e, na maior parte dos casos, privilegiando o tema da posição, presentes nas gramáticas tradicionais, em abordagens descritivas e em determinados estudos linguísticos, fundamentados, entre outras, na Teoria da Variação e Mudança Linguísticas e na Teoria de Princípios e Parâmetros.

Ademais, apropriando-se das palavras de Vieira (2002, p. 408):

Sem dúvida, o tema da ordem dos clíticos é ‘fértil’ para diversas especulações científicas na busca de respostas a questões advindas da interface gramatical. Trata-se de uma aventura em que o retorno é garantido, mas certamente para novas partidas.