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A categoria particularidade, em sua complexidade e riqueza ontológica nos possibilita compreender a pesquisa em sua vinculação orgânica com a prática profissional. Esta vinculação se constrói no movimento histórico da própria profissão e se constitui como possibilidade de avanço teórico – prático coerente com o projeto ético - político do Serviço Social.

“...O particular, porém, é mais do que um momento da mediação apenas formalmente necessário. Vimos que estão em jogo conexões reais da realidade, da natureza e da sociedade, que recebem na lógica seu mais abstrato reflexo, mas um reflexo que corresponde tendencialmente à realidade.(...)” (LUKÁCS, 1970, p.66)

Não se trata, portanto, de ilustração teórica, mas de apreendermos a pesquisa em sua íntima relação com a prática profissional e no contexto sócio – histórico em que a profissão se constrói, se consolida e se reconstrói, num movimento em que as contradições e desafios presentes neste contexto instigam a profissão permanentemente à sua superação. Segundo BATTINI (1991, p.52) O movimento entre o singular e o universal é mediatizado pelo particular....

... A união que a particularidade realiza entre uma determinada singularidade e uma determinada universalidade, mediante uma série de determinações mediadoras resgatadas na tensão dos polos, constantemente em ato, expressa as contradições, fazendo existir uma autêntica e verdadeira aproximação à compreensão adequada da realidade.

O particular, entretanto, não se configura como um simples elo de ligação entre o universal e o singular. Possui um caráter posicional, apresentando-se com relação ao singular como universalidade relativa e ao universal, como singularidade relativa. Mesmo assim, essa relatividade posicional deve ser concebida como um processo que engendra uma base crítica que se obtém no movimento permanente de “...descoberta das reais mediações para cima e para baixo na relação dialética do universal e particular.” É na particularidade que devemos ver, tanto um princípio de movimento do conhecimento, quanto uma etapa, um momento do caminho dialético.32

Como campo de mediações a particularidade manifesta a possibilidade de compreensão do movimento e das relações presentes nos fenômenos. Ao se pensar pesquisa enquanto particularidade estamos refletindo sobre os processos e elementos que mobilizam, inspiram e sustentam a atitude investigativa e a prática da pesquisa no âmbito do Serviço Social.

Concordamos com BATTINI (1991, p. 53) ao afirmar que a atitude investigativa é manifestação de um processo que envolve o questionamento permanente dos fatos , buscando sempre novas explicações, superando os limites impostos pela realidade social e pelo conhecimento acumulado pelas ciências. Constitui-se em “...posição viva, ativa e aberta para o emergente, podendo, na prática, serem levantadas questões ou problemáticas que possam vir a se constituir em objetos de pesquisa científica.”

A prática da pesquisa no Serviço Social se põe como construção histórica que se processa na medida em que a profissão enfrenta as demandas sociais decorrentes do agravamento da questão social em suas múltiplas manifestações, tendo como referência perspectiva teórico – metodológica crítica que sustenta a produção de conhecimento e a intervenção na profissão.

32 Citação entre aspas utilizada por BATTINI (1991) refere-se a LUKÁCS, G. Introdução a uma estética

marxista. Tradução Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder, 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Consolida - se no processo de construção e afirmação do projeto ético – político profissional comprometido com a democracia e justiça social, materializado no Código de Ética de 1993 e no processo de Revisão Curricular que fundamenta a formação profissional. Também se constitui na medida em que a profissão alcança maturidade intelectual, evidenciado pela sua produção teórica e capacidade de diálogo crítico com diferentes áreas de conhecimento das Ciências Sociais e Humanas.

É notório o protagonismo dos Assistentes Sociais nesta construção, que através das suas organizações representativas (CFESS,CRESS,ABEPSS), e dos espaços de socialização de conhecimentos (congressos, conferências, encontros, seminários, cursos, publicações, entre outros) têm se mobilizado e se feito presente como sujeito político diante das questões que afetam o exercício profissional e a garantia dos direitos sociais no campo das políticas públicas, bem como têm mantido importante interlocução com os movimentos sociais da sociedade civil, ampliando seu potencial de enfrentamento das crises e transformações do mundo contemporâneo.

Acreditamos, como IAMAMOTO (2002, p.18) que “O ponto de partida

para análise do Serviço Social é o de que a profissão é tanto um dado histórico, indissociável das particularidades assumidas pela formação e desenvolvimento da sociedade brasileira no âmbito da divisão internacional do trabalho, quanto resultante dos sujeitos sociais que constroem sua trajetória e redirecionam seus rumos. ...”

Neste processo histórico em que a produção de conhecimento se materializa via pesquisa no Serviço Social muitos elementos se colocam como mediações possíveis. Retomaremos neste capítulo, em função dos objetivos desta tese, os eixos que orientam a nossa investigação e que em decorrência do processo de coleta e sistematização dos depoimentos

expressam as possibilidades de se compreender a particularidade da pesquisa no Serviço Social. São eles:

1- A compreensão da realidade social e o enfrentamento das demandas postas à prática profissional através da pesquisa;

2- A centralidade ocupada pelos sujeitos que participam das pesquisas do Serviço Social;

3- O retorno e alcance social das pesquisas desenvolvidas pelo Serviço Social;

4- A particularidade da pesquisa para o Serviço Social.

Subjacente a estes eixos temos a experiência profissional de cada sujeito participante da pesquisa. A compreensão que cada um revelou sobre a pesquisa tem uma vinculação direta com sua prática profissional no espaço das organizações sociais e da docência ocupados pelo Serviço Social e possibilitou traçar um perfil de cada sujeito em relação à temática da pesquisa. Buscando demonstrar este aspecto temos as epígrafes.33

Mais do que um caráter ilustrativo a epígrafe, selecionada do contexto dos depoimentos dos sujeitos, demonstra um perfil deste sujeito em relação à temática da pesquisa, assegurando a perspectiva de que estes sujeitos representam um sujeito coletivo. Com as epígrafes temos nuanças das relações entre pesquisa e Serviço Social.

Como perfil, a epígrafe traz à tona relações orgânicas entre o sujeito e a possibilidade que a pesquisa traz à profissão no enfrentamento dos dilemas presentes na sua realidade de intervenção. Dilemas que se colocam no cotidiano da prática profissional – campo empírico das inquietações profissionais e estimulador da atitude investigativa. Relações orgânicas que

33 Epígrafe: ... Título ou frase que serve de tema a um assunto; mote.(...) Sentença ou divisa posta no

frontispício de livro, capítulo, princípio de discurso,conto, composição poética, etc. (FERREIRA, 1988, p. 256)

permitem compreender o que seja pesquisa para os profissionais do Serviço Social.

Neste momento é imperativo resgatar a pesquisa enquanto concepção teórica no contexto da profissão, enquanto uma das possibilidades de objetivação da prática profissional e como consolidação de seus avanços recentes em relação às discussões sobre formação profissional e exercício da prática profissional.

Poderíamos nos perguntar que implicações, então, a pesquisa traz enquanto concepção ao Serviço Social?

“E acho que eu fui bastante estimulada, talvez seja uma curiosidade minha, a ter esta noção da totalidade das coisas. Eu não sei, talvez um traço de personalidade, eu não sei desenvolver um pensamento se eu não consigo compreender o título, certo? Quero dizer, o conceito subjacente. Então eu tenho sempre essa necessidade de compreender a totalidade de alguma coisa, seja até a totalidade do aparecer ou até mesmo ir desdobrando o objeto em múltiplas faces pra poder compreendê-lo um pouco melhor. Então eu gosto muito da pesquisa, eu gosto muito do mergulho na realidade, eu não sou uma teórica, eu não tenho um raciocínio dedutivista. Eu trabalho muito mais do real pra cima e eu acho que isso são partes do compromisso de pesquisa.” (Aldaíza Sposati)

Alguns aspectos devem ser observados. Indagar-se, questionar-se, perguntar-se pelo desconhecido constitui parte da natureza humana. O que aparece no discurso como “ traço de personalidade”, através do processo de

formação acadêmica é estimulado e culmina com o desenvolvimento de uma atitude de inquietação frente ao aparente, que busca a compreensão da

natureza e determinantes mais gerais dos fenômenos sociais, isto é o “conceito subjacente”.

A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizadora ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos.

Este processo deve-se dar com uma direção teórico – crítica que busca compreender a realidade em suas manifestações múltiplas. No âmbito profissional o Assistente Social hegemonicamente tem uma orientação crítica para mergulhar na realidade, buscando compreendê-la a partir de uma perspectiva de totalidade. A atitude investigativa tem que ser estimulada desde a formação na graduação e compõe, ao longo do processo de inserção do profissional na realidade, um dos pilares para construção e investigação dos objetos de atenção do Serviço Social.

Do ponto de vista teórico – metodológico, sob o abrigo da teoria social crítica, torna- se fundamental imprimir a atitude investigativa no trabalho profissional cotidiano, como um dos significativos espaços geradores de condições transformadoras. A dimensão investigativa na prática dos sujeitos cria suporte para o conhecimento, que também produz condições para a capacidade de expressão e objetivações humanas. Essa dimensão é entendida como produto real e objetivo, pois considera o ato de conhecer, exercido sobre a matéria mediatizada ou imediata, destinado a criar novo objeto para nova ação, visando a transformação do real. O exercício permanente da pesquisa, impulsionado pela atitude investigativa, como expressão do inconformismo, da crítica reiterada à realidade, do questionamento rico e vivo sobre os fatos, cria possibilidades de novas explicações permitindo ir além do limite dado. (BATTINI, 2003, p. 17)

A atitude crítica precisa ser trabalhada, desenvolvida , embora seja constitutiva da natureza humana, não se desenvolve sem estímulos apropriados e em um contexto sócio – educacional. FREIRE (1996, p. 32 e 85) identifica que “...uma das tarefas precípuas da prática educativo - progressista é exatamente o desenvolvimento da curiosidade crítica, insatisfeita, indócil. ...” O processo de produção de conhecimento em torno de um objeto determinado não se dá sem o exercício da curiosidade e da

capacidade crítica de “ ... ‘tomar distância’ do objeto, de observá-lo, de delimitá-lo, de cindi-lo, de ‘cercar’ o objeto ou fazer sua aproximação metódica...”

Nesta perspectiva em que a pesquisa implica em desenvolvimento da atitude investigativa, a tomamos como princípio educativo e científico. Conforme análise de DEMO (1997, p. 33) “ Na condição de princípio científico, pesquisa apresenta-se como a instrumentação teórico – metodológica para construir conhecimento. Como princípio educativo, pesquisa perfaz um dos esteios essenciais da educação emancipatória, que é o questionamento sistemático crítico e criativo.”

Como questionamento sistemático a pesquisa sinaliza para o estabelecimento de diálogo crítico e criativo permanente com a realidade. Concepção que rompe com a imagem de que pesquisa é processo restrito a alguns privilegiados acadêmicos e que requer domínio de técnicas sofisticadas, aproximando-a das requisições da prática profissional cotidiana. Entendemos que

...Trata-se de atitude cotidiana, não de hora marcada, lugar específico, instrumento especial, e é isto que se espera da cidadania moderna: um cidadão sempre alerta, bem informado crítico e criativo, capaz de avaliar sua condição sócio – econômica, dimensionar sua participação histórica, visualizar seu horizonte de atuação, reconstruir suas práticas, participar decisivamente na construção da sociedade e da economia. (DEMO, 1997, p. 34)

Assim reconhecemos que a pesquisa articula o processo educativo, estimulação da atitude crítica e investigativa, ao comprometimento com uma prática interventiva capaz de inovar. “Neste sentido, pesquisar é, lidimamente, saber pensar, aprender a aprender (DEMO, 1997, p. 35)

“Pesquisa poderia servir, em nosso caso, como conceito maior, abrangendo todo o processo de construção de caminhos científicos e de resultados inovadores, incluindo-se também sua ilação educativa, na condição

de estratégia de questionamentos crítico e criativo, teórico e prático.” (DEMO, 1997, p. 39)

Como disse a participante da pesquisa trata-se de um “mergulho na

realidade”, buscando apreender os elementos constitutivos em suas mútuas

relações, dinâmicas e contraditórias, orientado por um compromisso ético de desvelamento do real para poder transformar. “...A realidade social é complexa, contraditória, constituída por nexos, relações, processos, estruturas que não se deixam conhecer pela observação empírica, convencional. O pesquisador precisa refletir, demoradamente sobre o real. ...” (IANNI, 1984, p.97)

“...Sou daquelas que defende que precisamos sempre pesquisar tendo em vistas as determinações macro-sociais do real com o aporte da teoria crítica, seguindo a velha lição marxiana de que “o concreto é síntese das múltiplas determinações do real” . Contudo é fundamental – e aí é que reside o desafio – é necessário a apropriação de outras categorias mediadoras para podermos trabalhar as particularidades e singularidades presentes na realidade. Me explico com um exemplo: trabalhar com programas de trabalho e renda, por exemplo, é uma requisição objetiva para o serviço social. Subjacente a esta atividade concreta está o desemprego e as possibilidades da economia brasileira. Claro que o desemprego e o crescimento da economia são questões que invocam determinações macro-sociais, mas para construir um programa, outras questões que informam sobre a particularidade brasileira e as singularidades regionais, locais, etc., necessitam ser apropriadas.”(Ana Elizabete Mota)

O processo da pesquisa não se faz sem nenhum esforço e orientação teórico – metodológica. O depoimento define e assume a orientação profissional de que o sustentáculo deste processo é a perspectiva crítica, fundada na teoria social de Marx.

...a teoria social de Marx informa a pesquisa na perspectiva prático - crítica. Esse movimento do pensar/agir coloca em discussão o compromisso da pesquisa que é o de pôr em crise o universo de certezas, instigando a sociedade a repensar, ontologicamente, acontecimentos e teorias na busca de novas civilidades. É essa a via através da qual entendemos a pesquisa como importante ferramenta para a reconstrução das relações sociais. (BATTINI, 2003, p. 11)

O depoimento retoma uma das importantes afirmações de Marx quanto ao método dialético: “...O concreto é concreto por ser a síntese de múltiplas determinações, logo, unidade da diversidade. É por isso que ele é para o pensamento um processo de síntese, um resultado, e não um ponto de partida, apesar de ser o verdadeiro e portanto igualmente o ponto de partida da observação imediata e da representação. ...” (MARX, 1983, p. 218 – 219)

Devido a complexidade do real e de sua processualidade histórica, o processo de investigação de um objeto determinado se dá de forma aproximativa e continuada. O processo de construção de conhecimento deve fazer um caminho em que parte-se da realidade concreta, através de processos de abstrações e aproximações às suas determinações, relações e processualidade e volta-se à ela após desvendá-la em sua totalidade complexa. O método histórico – dialético é o caminho pelo qual se pode desvendar a constituição dos fenômenos através de aproximações contínuas sem a pretensão de esgotar a realidade. O conhecimento é sempre uma reconstrução da realidade em nosso pensamento e o movimento de elevar-se do abstrato ao concreto – enquanto método de apreensão do real – restitui, recupera o movimento do real.

Conforme IANNI (1985) o esforço de desvendar o real através do método histórico – dialético supõe desvendar as contradições que movimentam as relações sociais no real. Para tanto é preciso apreender de forma articulada as determinações passadas que se expressam no presente e determinam as possibilidades de transformações que possam ser engendradas

por um sujeito que é político e coletivo. Assim, o método tem caráter histórico – pois contextualiza as relações sociais numa dada estrutura social e econômica de produção – e caráter universal, na medida em que determina a natureza das relações humanas e o processo em que se reproduzem material e espiritualmente.

Trata-se de um processo em que as mediações ganham relevância para apreender, no movimento de constituição da realidade social, os elementos que dão complexidade e expressão concreta aos objetos de investigação. “ A categoria de mediação tanto possui a dimensão ontológica quanto reflexiva. É ontológica porque está presente em qualquer realidade independente do conhecimento do sujeito; é reflexiva porque a razão, para ultrapassar o plano da imediaticidade (aparência) em busca da essência, necessita construir intelectualmente mediações para reconstruir o próprio movimento do objeto.” (PONTES, 2000, p. 41)

O processo de ir da aparência à essência se opera pelas mediações que auxiliam na construção da síntese (sempre provisória porque historicamente determinada) dos fenômenos, expressando sua imediaticidade e mediaticidade. É o processo pelo qual se plasmam instâncias e passagens que se forjam no cerne das relações sociais, implicando a subsunção do universal, do singular e do particular. Pelas mediações assim postas, particularizam-se significados dos fenômenos nos evidenciando novos sentidos e descobertas, proporcionando aprofundamento e avanço do conhecimento.(...)

Assim, a pesquisa é a ferramenta através da qual o investigador mergulha nas mediações (e também as produz) que revelam as particularidades e, municiado pelo seu compromisso político – ideológico, forja novo sentido às explicações do mundo, contribuindo para uma nova civilidade. (BATTINI, 2003, p.11 - 12)

Ainda retomando o depoimento acima “... é necessário a apropriação de outras categorias mediadoras para podermos trabalhar as particularidades e

singularidades presentes na realidade...” , ou seja sustentado num arcabouço

teórico - metodológico crítico é preciso que o profissional de Serviço Social conheça a realidade em sua complexidade e através de diálogo permanente

com ela apreenda e construa as categorias explicativas capazes de orientar e mobilizar as ações profissionais em consonância com o projeto sócio - profissional.

Para IAMAMOTO (1998,p. 273 )

Sendo o Serviço Social uma profissão – e, como tal, dotado de uma dimensão prático- interventiva – supõe uma bagagem teórico – metodológica como recurso para a explicação da vida social, que permita vislumbrar possibilidades de interferência nos processos sociais. Para isso a apropriação do acervo teórico – metodológico legado pelas ciências sociais e humanas e pela teoria social crítica, como pressuposto para iluminar a leitura da realidade, afigura-se como requisito indispensável, mas insuficiente. A dinamicidade dos processos históricos requer a permanente pesquisa de suas expressões concretas informando a elaboração de propostas de trabalho que sejam factíveis, isto é, capazes de impulsionar a realização das mudanças pretendidas. Em outros termos, o domínio teórico - metodológico só se atualiza e adquire eficácia quando aliado à pesquisa da realidade, isto é, dos fenômenos históricos particulares que são objetos do conhecimento e da ação do assistente social.

Enfrentar os desafios que as transformações societárias colocam ao Serviço Social em seu cotidiano e nos diferentes espaços que ocupa profissionalmente requer do Serviço Social a percepção de que o processo de produção de conhecimento tem uma natureza teórico – prática. Ao Assistente Social cabe, além de interpretar criticamente a numa perspectiva de totalidade a realidade social, imprimir a esse conhecimento concretude através das ações profissionais que respondam as demandas sociais.

A construção do conhecimento no Serviço Social se faz, também, na relação com outras áreas de conhecimento.

“...Eu fiz uma caminhada para fora...Eu me formei e fui pra dentro da saúde pública e depois eu fiz uma caminhada da saúde pública pra dentro, pra o Serviço Social... Eu acho que isso foi super importante pra mim, sabe essa caminhada. Eu até brincava dizendo que eu botei meu sapatinho de chumbo e voltei.(...)

Quando eu voltei fazer o mestrado, quando eu vim trabalhar aqui, na verdade eu vim carregada de uma experiência concreta.” (Jussara Maria Rosa Mendes)

MARTINELLI ( 1998, p. 136) nos lembra que vivemos num momento em que as profissões ganham dimensão social. “...Mais do que nunca, estamos diante de uma nova forma de conceber o saber, não um saber como posse, não um saber apenas como aquele campo de conhecimento que se tem domínio, mas um saber como algo que se exerce, o saber como encontro heteredoxo de signos.”

Neste encontro o Serviço Social estabelece interlocução com outras áreas do conhecimento e outras práticas profissionais e numa perspectiva interdisciplinar reconstrói seu objeto de intervenção/investigação. Assim recorremos à concepção de interdisciplinaridade enquanto atitude pertinente ao processo da pesquisa.

“Interdisciplinaridade é uma nova atitude diante da questão do