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3. TEORETISKE FORKLARINGER

4.3 F ORSKNING KNYTTET TIL KORTSIKTIG HELSETILSTAND

A investigação feita acerca da equipe técnica responsável pelos cursos (educadores e outros profissionais) teve menor abrangência. Limitou-se principalmente a dois aspectos bastante discutidos, por serem considerados relevantes para a qualidade dos cursos oferecidos pelas ONGs: o trabalho voluntário e a formação dos educadores.

Primeiramente apresenta-se uma visão geral da quantidade de educadores que ministram aulas e outros profissionais atuantes nos cursos de formação profissional. Dados colhidos revelam que 70,4% das ONGs lidam com um grupo de até 10 educadores, ou seja, são pequenas equipes de trabalho (tabela 22). Para complementar a equipe, quase o total das ONGs – 59 entre 64 respondentes – afirma manter outros profissionais, além de educadores, envolvidos com a realização dos cursos de formação profissional. Grande parte das ONGs conta com até quatro profissionais: o mais citado foi o pedagogo, com presença em 75% das ONGs, seguido pelo Assistente Social (61%) e pelo Psicólogo (54%). Destaca-se a atuação conjunta dessas três profissões em 27,4% das ONGs. Outra formação citada em 19% das respostas foi Ciências Sociais, não aparecendo nenhuma outra formação em quantidade, apenas uma resposta para as seguintes formações: Gestão Ambiental, Gestão Social e Nutrição.

TABELA 22. Quantidade de educadores que ministram aulas nos cursos de formação profissional Nº educadores Frequência (%) Até 5 25 39,1 6 a 10 20 31,3 11 a 15 7 10,9 15 a 20 4 6,3 Acima de 20 8 12,5 Total 64 100,0 Fonte: A autora (2011)

A questão relativa à escolaridade dos educadores obteve inúmeras formas de resposta. Verifica-se que numa mesma Organização existem educadores com níveis de formação bastante distintos: desde ensino fundamental completo (em apenas uma ONG), ensino médio completo, curso técnico, superior incompleto e completo, superior com licenciatura, pós-graduação e até doutorado (também apenas em uma ONG). No total das 64 ONGs, a única consolidação de dados possível é a parcela de 23 delas que contrata somente educadores com nível superior completo, porém outras 36 ONGs possuem também em seu quadro educadores com nível superior Duas observações são preocupantes, levando-se consideração que esses profissionais atuam como formadores: há 10 ONGs que contratam educadores com apenas ensino médio completo e um pequeno número de 20 ONGs que possui educadores com licenciatura. Outra observação curiosa, somente 21 ONGs possuem educadores formados em cursos técnicos.

No tocante ao trabalho voluntário, os dados não confirmam o senso comum de que as atividades das ONGs dependem fundamentalmente de voluntariado. Pelo menos no que diz respeito aos profissionais envolvidos nos cursos profissionalizantes (educadores e equipe de apoio), 68,8% das ONGs dizem que eles são todos remunerados. A segunda maior parcela das ONGs (18,8%) possui 90% de profissionais remunerados e 10% de voluntários (tabela 23).

TABELA 23. Relação de trabalho entre profissionais e ONG

Frequência (%)

Todos são remunerados 44 68,8

90% são remunerados e 10% são voluntários 12 18,8 70% são remunerados e 30% são voluntários 2 3,1 25% são remunerados e 75% são voluntários 1 1,6

10% remunerados 90% voluntários 3 4,7

Todos são voluntários 2 3,1

Total 64 100,0

Fonte: A autora (2011)

Quando a ONG possui voluntários, a maior parte deles é responsável por palestras – especialmente sobre as áreas profissionais nas quais atuam e sobre inserção no mercado de trabalho –, bem como por disciplinas complementares como inglês,

etiqueta, moral cristã, música, teatro, dança, grafite e artesanato. Em algumas Organizações, os voluntários são responsáveis pelas aulas de educação sexual, atendimento à família e realização de eventos e festas. Em menor quantidade, o voluntariado é citado em funções de infraestrutura; limpeza, cozinha e manutenção. Também foram referidas algumas funções específicas realizadas por voluntários: atendimento odontológico e psicológico, comunicação, instrutora da disciplina de parasitologia, reforço escolar, cabeleireiro, aulas de manutenção de computadores. Num caso, foi mencionado o seguinte: “no curso de culinária, todas as aulas são dadas por voluntários (chefs, donos de restaurantes)”.

Entre as 64 ONGs pesquisadas, cinco delas são diferenciadas em relação ao padrão do trabalho voluntário descrito acima: possuem de 90 a 100% de voluntários em seu quadro funcional106. Na verdade, duas dessas ONGs adotam uma metodologia diferenciada: a realização do curso dentro de uma empresa parceira que disponibiliza espaço para sala de aula, e seus funcionários para atuarem como educadores voluntários. Entretanto, de acordo com descrição da própria ONG, “são voluntários que têm vínculo empregatício com as organizações (empresas) franqueadas e, portanto, voluntários na unidade do Projeto (...) em seus horários de trabalho nas organizações (empresas)”. Isto é, os funcionários das empresas são voluntários na medida em que se dispõem a participar espontaneamente como educadores de um projeto social de educação profissional e não são remunerados pela aula ministrada, porém, ao mesmo tempo, continuam a ter sua hora de trabalho remunerada pelas empresas onde o projeto está instalado107. Uma terceira declara que 90% dos educadores são de uma instituição parceira, entendendo-se que são remunerados por esta. O relato das últimas duas ONGs – ambas de origem comunitária – revela a ação voluntária tradicional como essencial para o desenvolvimento do curso, ou seja, apenas nesses dois casos os educadores não são remunerados.

Um fato interessante manifestou-se ao longo das discussões nos grupos focais. Foram falas – que aparecem espontaneamente inseridas em opiniões sobre os diversos temas – sobre uma característica especial que as pessoas que trabalham em ONGs precisariam ter, que poderia ser denominada “caráter humano”.

106 Uma delas escolheu a resposta “todos são remunerados”, porém ao analisar a perguntar aberta sobre a função dos voluntários, chegou-se à conclusão que a ONG enquadrava-se nessa categoria.

107 Para saber mais, ver o conceito de voluntariado empresarial em GOLDBERG, 2001 e Programa voluntários et al, 1999.

Tem que ser alguém capacitado pra aquilo, além de ter dentro da sua qualificação, o desejo de trabalhar o ser humano. (ORG1a).

Quem tenha a disponibilidade de usar recursos que saem do padrão de ensino normal. Então que venha com outras formas de aprender e ensinar, mas com uma visão muito social, se for procurar um psicólogo tem que ter uma visão mais social, se é um pedagogo, é de um âmbito maior do ser humano. (ORG8).