• No results found

Foram poucos os materiais de divulgação e as notas localizadas em jornais, que estão arroladas na pasta “História dos Bairros”, na Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal.

Edições do Concurso e

ano de realização

Cartazes Notas em Jornais

Número de Inscritos

III – 1970 Não consta 23/07/1970 – Folha de São Paulo

“A cidade e seus bairros” Não consta

VI- 1973 Não consta 03/06/1973 –Diário de São Paulo

“História dos bairros paulistas” 5

IX – 1976 Não consta

28/03/1976 – Folha de São Paulo

“Concurso de Monografias sobre bairros” 17/08/1976 - O Estado de São Paulo.

“Concurso Analisa 7 trabalhos” 7

X – 1977 Não consta

05/08/1977 – Diário de São Paulo

“Concurso de monografias sobre os bairros

paulistanos”. 3

XII – 1979 Houve cartaz de divulgação

15/04/1979 – O Estado de São Paulo “História dos Bairros”.

25/07/1979 – Folha de São Paulo

“Nos bairros, pedaços da história de todos nós” 11 XIII – 1980 Não consta 22/07/1980 – Folha de São Paulo

“Concurso vai revelar história dos bairros”. 7

XIV - 1981 Não consta

18/05/1981 –A Construção, São Paulo, nº1736. “História dos Bairros de São Paulo”.

11/11/1981 – Diário de São Paulo

“Trabalhos sobre a Aclimação e Jardim América

vencem concurso”. 10

XV – 1982 Houve cartaz

de divulgação Não consta 3

XVI – 1983 Houve cartaz

XVII –

1984 Não consta

18/ 07/ 1985 - Folha de São Paulo “Historiadores são acusados de plágio” 06/08/1984 – Zona Sul

“17° Concurso de Monografias “História dos Bairros de São Paulo.” 31/09/1984 – Jornal da Zona Sul “17° Concurso de Monografias

“História dos Bairros de São Paulo”. 15

XIX – 1986 Houve cartaz de divulgação

21/07/1986 – Folha de São Paulo

Pequena nota com informações básicas para

quem quiser participar. “Concurso” 5

XXI – 1988 Não consta 06/08/1988 – Diário Oficial do Município –

matéria. 3

XXII –

2000 Não consta

28/07/200 – O Bairro do Butantã

“Concurso premia melhor monografia do bairro” 16/08/2000 – Metro News – Registrando

“Arquivo Histórico retoma concurso de

monografias” 20

XXIII – 2003

Houve cartaz

de divulgação Não consta 9

Quadro 5 - Divulgação e repercussão do Concurso de Monografias72

Os recortes são de períodos aleatórios e de variados jornais e revistas. Com tal material não podemos dizer com certeza que não houve outras notas de divulgação ou repercussão do Concurso, mas relacionando o escasso material com o número de monografias inscritas podemos inferir que a divulgação dos editais poderia ter se dado apenas através do Diário Oficial do Município. Vejamos o quadro 5.

Nas notas e nas matérias dos jornais o que foi publicado é geralmente um apanhado do edital, apresentado de forma mais leve e explicativa. Há menção as monografias já premiadas e em alguns casos, há sugestão sobre bairros ainda não abarcados. No entanto, algumas poucas matérias fazem reflexões mais alongadas sobre o Concurso, sobre o sentido e importância do mesmo e realizam até breves resenhas sobre as obras já premiadas.

72 Recortes: 1970 a 1988/ 2000/2007, Pasta Concurso de Monografias História dos Bairros de São Paulo,

Sobre os objetivos do Concurso:

A finalidade do concurso promovido pelo Departamento de Patrimônio Histórico, através da Divisão do Arquivo Histórico, é incentivar a pesquisa da história da Cidade de São Paulo por seus próprios habitantes de modo que estes participem diretamente da recuperação e preservação de sua memória. E ao mesmo tempo tornando-a acessível a todos, através da publicação de uma coleção sobre a história de cada um dos seus bairros.

[...] Vale ressaltar que parte das pesquisas para elaboração dos trabalhos pelos concorrentes encontra como fonte primária o próprio acervo do Arquivo Histórico Municipal, que reúne vasta documentação referente à cidade de São Paulo desde 1562, acessível a todos os estudiosos.73

Interessante que o autor da matéria acima citada destaca o sentido público do Concurso: são os próprios habitantes que podem escrever a sua própria história, é qualquer cidadão que pode ler essas produções – o que o jornalista não menciona, mas como sabemos que as monografias foram disponibilizadas nas bibliotecas públicas –, e a própria fonte primária também é de documentos públicos, acessível a todos os estudiosos. A palavra chave da notícia é acessibilidade.

No artigo a seguir, o autor intensifica o papel grandioso do concurso de monografias, que seria o de construir a história da própria cidade.

[...] Cada bairro paulistano contem uma parte da história de São Paulo que deve ser pesquisada pelos candidatos ao concurso de monografias ao fim de que no conjunto denominado História dos Bairros de São Paulo encontre o estudioso os elementos fundamentais que lhe permitirão reconstituir ou simplesmente conhecer o passado desta cidade, que por sua vez, está tão intimamente ligada à história do Brasil.74

Nogueira Moutinho também aponta o papel das histórias de bairros na construção da história da cidade. Sobre os bairros disse que “[...] todos eles todavia, por esta ou por aquela razão, nos dizem inteiramente respeito: são as partes privilegiados desse todo ideal que é a cidade.” Em seguida afirma a importância das monografias para

novos estudos sobre o município e elogia a iniciativa do Departamento de Cultura, afirmando que:

73Sem nome do autor. “17° Concurso de Monografias”. Jornal da Zona Sul. 31/09/1984. 74Sem nome de autor. “História dos Bairros de São Paulo”. O Estado de S. Paulo. 31/09/1984.

Dos velhos cronistas aos nossos dias há vastos hiatos da historiografia urbana que cumpre preencher para que amanhã não nos vejamos como estranhos neste solo que todavia é nosso.75

A importância das produções do Concurso “História dos Bairros” em futuras pesquisas históricas também foi afirmada na revista sobre urbanismo chamada Construção:

A coleção de grande importância para os estudiosos da cidade, mas conhecida por um público restrito em decorrência da pequena tiragem (mil cópias), a série História dos Bairros de São Paulo, editada pela prefeitura municipal, já está no 18º volume.76

De todas as notas e artigos, o texto mais completo e mais crítico foi o do escritor Ernani Silva Bruno. Famoso por sua produção sobre São Paulo, inclusive com a obra que foi chamada de biografia da cidade, História e Tradições da cidade de São Paulo, Ernani Bruno também foi membro da banca julgadora de sete das vinte e três edições do Concurso, tamanho o seu prestígio na vida intelectual paulista e com os diretores da Divisão do Arquivo Histórico, do Departamento de Cultura e do Departamento do Patrimônio Histórico.

Em um artigo de página inteira de jornal (folha A2) Ernani inicia apontando a importância do Concurso e a natureza diversa da formação dos escritores que inscrevem seus trabalhos.

[...] é um torneio cultural que tem mobilizado desde estudiosos já familiarizados com a pesquisa histórica até “marinheiros de primeira viagem”, ombro a ombro em saudável competição em torno da escavação das raízes e do desenvolvimento dos grandes compartimentos da urbe paulistana [...].

Uma coleção portanto, que corresponde a um vivo e colorido painel em que se traçam as marcas que o tempo veio imprimindo a cada recanto da maior cidade do Brasil. [...]77

Silva Bruno também coloca o concurso como uma contribuição muito rica na construção da história da cidade:

75MOUTINHO, Nogueira. “A cidade e seus bairros”. Folha de S. Paulo. 23/07/1970.

76Sem nome de autor. “A História dos bairros de São Paulo”. Revista A Construção, São Paulo, nº1736.

18/05/1981.

Mas não é difícil entender a importância para a memória local, desses estudos que focalizam a evolução “das regiões da cidade”, sobretudo no caso de um burgo como São Paulo, que se expandiu, como todos sabem, em ritmo (com perdão da palavra) vertiginoso. [...]

Os traços mais característicos, a atmosfera particular de cada uma dessas porções da grande metrópole – e que talvez só o pesquisador com toda a sua atenção concentrada na história de um bairro que seja capaz de surpreender em seus detalhes mais específicos – poderão sempre fertilizar a obra síntese, mais complexa que os historiadores da cidade venham empreender. Esses historiadores terão, nas pesquisas selecionadas e publicadas todos os anos pela Divisão do Arquivo Histórico que vão, de certa maneira, compondo um mosaico de memórias distritais, riquíssimo material diversificado sobre a evolução de todas as áreas urbanas e suburbanas de São Paulo.78

Mas o texto que inicia com elogios tece críticas ao sistema de administração cultural do país que, segundo Ernani, teria preconizado eventos de visibilidade e notoriedade em detrimento de ações com menor prestígio midiático:

Em um país que muita gente ainda pensa que disputar medalhas e condecorações, crachás e caracaxás, constitui atividade cultural, é confortador que passam sobreviver empreendimento como esse. Impermeáveis à politicagem barata à perniciosa pressão do poder econômico, às injunções de representantes das comadres de “nossa melhor sociedade”, que tantas vezes destroem ou mutilam realizações positivas no campo de cultura.

O concurso de monografias de bairros não tem tido, entretanto, a repercussão que deveria ter. E permanece, de certa forma a margem das avaliações que às vezes se fazem das manifestações culturais que ocorrem em São Paulo. Talvez porque, das chamadas atividades culturais, aquelas que se traduzem em espetáculos – teatro, música, balé, exposições, festivais – absorvem quase que por completo a atenção do público e da imprensa. O que de certo se explica pela índole festiva do brasileiro. Ou por se tratar de coisas que entram, com facilidade, pelos olhos e pelos ouvidos de toda a gente – em uma época de crescente predomínio da comunicação pelo som e pela imagem, deixando meio na sombra outras atividades culturais de não menor importância, apenas porque se cumpre através de tarefas silenciosas e, pouco visíveis, que não divertem nem dão Ibope.79

Curioso que tantos anos antes da substituição do Concurso de Monografias pelo Concurso de Documentários “História dos Bairros de São Paulo”, Ernani Bruno aponta para o perigo das atividades que dão mais destaque se realizarem em detrimento daquelas menos populares.

78 Idem. 79 Idem.

No entanto, o artigo que mais se diferenciou dos demais foi certamente o que trata da denúncia realizada por Maria Luiza Tucci Carneiro sobre o plágio que teria sofrido dos escritores que foram premiados com o primeiro lugar no concurso ao qual também concorreu. Segundo a alegação do advogado de defesa dos autores Fernando José Valiendo Furquim de Campos e Eder Olivato Ferreira, citado no artigo, os seus clientes “apenas utilizaram uma forma menos convencional de citar as fontes a que recorreram”. 80

A divulgação sobre o Concurso aparentemente sempre foi precária e escassa. Na mesma pasta encontramos cartazes de divulgação contendo informações básicas sobre a inscrição, acompanhados de imagens arquitetônicas simbólicas ou de impacto da cidade. Seguem as Ilustrações 6 a 10 dos cartazes que encontramos.81

Ilustração 6 - Reprodução do cartaz do XII Concurso de Monografias existente na pasta História dos Bairros, Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal

80A foto da reportagem foi anexada no item “Anexos”. A ilustração referente a foto do documento que

está disponível na pasta História dos Bairros, já citada. Esses artigos se apresentam colados em folhas de sulfite com a descrição no alto da página realizada através de carimbo e marcação em caneta. Essas folhas são armazenadas em sacos plásticos e depois em pasta catálogo. Já percebemos a deterioração do documento apesar de ser recente.

81 Fotos A.P - V.P.D.C.: reprodução de cartazes existentes na pasta História dos Bairros, Biblioteca do

Arquivo Histórico Municipal.

Acervo pessoal VPDC

Ilustração 7 - Reprodução do cartaz do XV Concurso de Monografias existente na pasta História dos Bairros, Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal

Acervo pessoal VPDC

Ilustração 8 - Reprodução do cartaz do XVI Concurso de Monografias existente na pasta História dos Bairros, Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal

Acervo pessoal VPDC

Ilustração 9 - Reprodução do cartaz do XIX Concurso de Monografias existente na pasta História dos Bairros, Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal

Acervo pessoal VPDC

Ilustração 10 - Reprodução do cartaz do XXIII Concurso de Monografias existente na pasta História dos Bairros, Biblioteca do Arquivo Histórico Municipal

Acervo pessoal VPDC

1.4 “HISTÓRIA DOS BAIRROS”: DAS MONOGRAFIAS AOS DOCUMENTÁRIOS

Não é suficiente constatar que o cinema fascina, que inquieta; eles se apercebem que, mesmo fiscalizado um filme testemunha. [...] A câmara revela o funcionamento real daquela, diz mais sobre cada um do que queria mostrar. Ela descobre o segredo, ela ilude os feiticeiros, tira máscaras, mostra o inverso de uma sociedade, seus lapsos. [...] A ideia de que o gesto poderia ser uma frase, esse olhar, um longo discurso, é totalmente insuportável: significaria que a imagem, as imagens, esse passantes, essa rua, esse soluço, esse juiz distraído, esse pardieiro em ruínas, essa jovem assustada, constituem a matéria de uma outra história que não a História, uma contra-análise da sociedade.

[...] Resta estudar o filme, associa-lo ao mundo que o produz. A hipótese? Que o filme, imagem ou não da realidade, documento ou ficção, intriga autentica ou pura invenção, é História; o postulado? Que aquilo que não se realizou, as crenças, as intenções, o imaginário do homem, é tanto a História quanto a História.82

O Concurso de Documentários “História dos Bairros de São Paulo”83 surgiu em novembro de 2005 durante o primeiro ano da gestão de Carlos Augusto Machado Calil na Secretaria de Cultura do município de São Paulo e ficou a cargo do Escritório de Cinema – ECINE.

Foram premiados diversos projetos sobre os bairros paulistanos, através de editais lançados anualmente até 2012. Após aprovação, os produtores receberam patrocínio para a realização dos documentários, que possuem cerca de 26 minutos cada, e se comprometeram a desenvolver seus projetos em até oito meses.

Em 2012, último ano da gestão de Calil – que também é cineasta e professor de audiovisual da Escola de Comunicação e Artes/USP –, foi lançada na Cinemateca Brasileira a caixa com 60 dvds84 dos documentários até então produzidos, sendo que além desses ainda há outros documentários com projetos premiados para serem filmados e editados.

Inicialmente a Secretaria da Educação coproduziu esses documentários com a finalidade de veicular os filmes para os estudantes do ensino básico da cidade, o que demonstra a proposta inicial do caráter pedagógico potencial dessas produções. Esses

82 FERRO, Marc. O filme: uma contra-análise da sociedade. In: NORA, Pierre (org.) História: novos

objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.

83As informações, listagem dos resultados e editais estão disponíveis no site do Escritório de Cinema

ECINE: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/ecine/

documentários foram veiculados para o público mais amplo através dos canais televisivos Futura, Cultura, Bandeirantes e TV PUC-SP, bem como em amostras na Cinemateca Brasileira, no Cine Olido, no Centro Cultural São Paulo, no Cine da Laje (projeto da Cooperifa) e nos SESCs (Serviço Social do Comércio). Além dessas transmissões e amostras é possível assistir alguns desses documentários no site Youtube.com. , o que possibilita um grande acesso do público a essas produções.

Apesar da plataforma completamente diferente das monografias para os documentários, julgamos ser necessário tratar do concurso de audiovisual porque, nas próprias palavras do ex-secretário houve uma substituição:

É, a gente mudou, porque na verdade, quando eu estava trabalhando na Secretaria havia algumas monografias já escolhidas, já julgadas prontas para publicar e a alegação sempre da Secretaria é que não tinha dinheiro para publicar. Então juntamos o pessoal do Arquivo e achamos melhor publicar o que já estava esperando e fizemos a avaliação do nível das monografias e achamos que hoje em dia talvez não fosse mais adequado continuar com aquele tipo de concurso, porque ele não atraia grandes historiadores. Era gente simpática, porém amadorística, gente que tinha amor pelo seu bairro, alguma coisa mais sentimental, não tinha um caráter profissional.

E pensamos então qual seria o substitutivo natural desse, e alguém lembrou que, como muito dessas monografias eram baseadas em testemunhos orais e que o documento oral é o documento mais importante para o bairro... então mudamos a mídia. Continuou o programa dos Bairros, mas passou a ser feito em formato de cinema. [...]

A questão das monografias: se você comparar as monografias iniciais com as monografias finais, você vai ver que a diferença de qualidade de estilo de postura é enorme. As primeiras monografias eram feitas por gente de primeira qualidade e historiadores, com pesquisa científica, rigor, metodologia e etc. Os últimos eram quase memorialísticos. Menos parece hoje que haja público. Avaliamos em 2005, pegamos tudo que estava pronto, analisamos isso, lemos, distribuímos para as pessoas lerem, gente que não tinha feito parte da comissão julgadora. E, portanto, a gente achou que não era aquele o caminho.85

Nessa declaração percebemos que a mudança significou a criação de um novo concurso, através da inclusão de uma ideia nova em uma prática já existente, que alterou o suporte e também os órgãos internos responsáveis, deixando o AHSP e passando para a ECINE. Ele justifica a mudança pelo fato que a seu ver e de algumas outras pessoas

85 Entrevista com Carlos Augusto Machado Calil, realizada em maio de 2013, concedida na sala do

que consultou, não identificadas, que as monografias mais recentes não possuíam tanta qualidade quanto as primeiras – o que em nossas análises não pode ser verificado, conforme consta nos capítulos adiante, visto que nunca houve uniformidade entre as produções escritas.

Outro aspecto levantado foi que as últimas monografias tinham perfil de trabalhos memorialísticos, de amadores, de amantes do bairro. Em nosso entender, tal tipo de afirmação não desqualifica o material produzido, pois o concurso de monografias nunca colocou entre as exigências a participação de profissionais, quer em termos de formação, quer em termos de exercício profissional, o que podemos comprovar através do supracitado prefácio de Arroyo. Não entendemos também como os documentários devessem ser os substitutos naturais para alcançar as críticas apontadas por Calil em relação às monografias.

E foi apenas a partir do terceiro edital do concurso de documentários que passou a existir a exigência que um especialista assinasse o projeto que se propusesse a concorrer ao edital de documentários, mas, no entanto, não se exige a participação desse profissional na realização da obra. Aliás, profissional esse que poderia ser um historiador, mas também arquiteto, jornalista, ou de qualquer outra profissão desde que se apresentasse como especialista do bairro estudado, o que não difere muito da proposta das monografias.

Outro ponto que nos cabe explicar em relação a declaração do ex-Secretário, ao contrário do que Calil afirma, as últimas três monografias premiadas não foram impressas, existindo apenas em meio digital no site do Arquivo Histórico, no link Publicações História de Bairros, conforme referimos anteriormente.

Ana Maria Camargo, em sua opinião pessoal, quanto à substituição das plataformas e se a linguagem audiovisual deve substituir a escrita, declara que:

[...] Se fosse necessária essa substituição as nossas teses e dissertações poderiam ser vídeos de 25 minutos. Isso é interessante porque na ECA, quando não haviam antecedentes acadêmicos nessas áreas para servir de modelo, ao invés da analise do discurso sobre a arte, se produzia por exemplo uma peça do teatro, ou exposição de arte e etc. Para nós não pode ser apenas o vídeo, ele tem que estar acompanhado do discurso. Não são equivalentes, apesar de ser uma linguagem mais palatável para as pessoas...86

86 Entrevista com Ana Maria de Almeida Camargo, em março de 2014, na sede da Associação dos

Se no concurso de monografias havia uma possibilidade de um historiador local concorrer e ganhar, projetando assim seu trabalho, com o concurso de documentários apenas produtoras estruturadas conseguem vencer os editais, que avaliam projetos e não materiais prontos. Isso fez com que apenas algumas produtoras fossem responsáveis pela realização dos 60 documentários já divulgados e gravados. Situação muito diferente de iniciativas como a intitulada “Meu bairro vale um filme”, no Rio de Janeiro87. Sobre as exigências dos editais e da figura do especialista, Calil diz que:

Num primeiro momento pensávamos ainda em um cinema com alguma intenção educativa, num sentido explicativo, e depois isso foi evoluindo naturalmente para uma combinação entre um diretor e um pesquisador, a gente não pode acreditar que o diretor de cinema será necessariamente capaz de dar conta do universo da pesquisa, então ele