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F IRST I TERATION

Em outubro de 2013 Katie Shelly92 publicou um livro de culinária

integralmente ilustrado recorrendo à infografia. A obra, “Picture Cook: See. Make. Eat”, inovadora, teve o aplauso de vários autores tanto pela originalidade da comunicação da informação como pela eficácia da mesma. Na verdade as receitas com textos densos e longos passaram a poder ser seguidas duma forma mais simples, rápida e concisa com recurso infografias ilustradas e a uma quantidade mínima de palavras.

Relativamente ao livro de Katie Shelly, “Picture Cook: See. Make. Eat”, considera Tan (2013) que sabendo como pode ser entediante ter que se ler receitas de um texto denso, as instruções ilustradas de Shelly com as palavras reduzidas ao mínimo, utilizando desenhos simples e setas consegue transmitir a sua mensagem.93 Afirma ainda

que um aprendiz visual irá apreciar os desenhos deste invulgar livro de culinária, que lhe permitirá entender receitas complexas num piscar de olhos.

O livro de Katie Shelly tem um design visual explicativo, que passo- a-passo, conduzirá ao saboroso produto final, recorrendo a poucas palavras. Apresenta-se assim uma nova forma de receber orientações para a culinária: as receitas não são exactas e rígidas, são mais casuais o que permite interpretações e alterações.

92 Katie Shelly: Designer e

ilustradora, foi membro da equipa de meios digitais e emergentes do Museu Cooper Hewitt.

93 “Knowing how tedious it can be

to wade through text-heavy recipes, Shelly’s illustrated instructions keep words to a minimal and instead, use simple drawings and arrows to bring their messages across”

As receitas apresentadas nas figuras 29, 30 e 31, não pretendem ser modelos rígidos de culinária. Em vez disso, são feitas para estimular a experiência, improvisação e divertimento na cozinha.94

(Krum, 2013) 94 “The following recipes are

not intended as precise culinary blueprints. Instead they are meant to inspire experimentation, improvisation and play in the kitchen.”

Figura 29: Receita de molho

de pesto

Figura 30: Receita de sopa

Figura 31: Receita de beringela

com queijo parmesão

Segundo Norkin (2014) este livro transforma o tradicional livro de receitas uma vez que em substituição das instruções extensas, oferece cinquenta receitas ilustradas.

Já Wilson (2013) considera que este é um livro de culinária engenhoso que utiliza infografias e questiona quem é que nunca se perdeu numa longa narrativa de instruções ao tentar seguir uma receita. O recurso à iconografia de forma subtil é destacado dando como exemplo o número de chamas sob uma panela que representa a temperatura do lume a ser utilizada. Os desenhos deixam de ser convidativos quando o assunto se torna sério e intimidante e onde as ilustrações de Shelly se tornam radicais é no seu alcance: utilizando o mínimo possível de texto, tudo aparece representado. Defende ainda que, apesar da ilustração não ser uma ideia nova nos livros de receitas, esta é normalmente aplicada na demonstração detalhada de técnicas especificas, como por exemplo o método para picar uma cebola.

Dá-nos como o exemplo a receita de lasanha, (figura 32), que consta do livro “Picture Cook: See. Make. Eat” de Katie Shelly por se apresentar sob a forma de um simples esquiço que desconstrói a lasanha nos seus diferentes componentes. O autor considera que qualquer um pode aprender a sobrepor os diferentes ingredientes e a executar a receita.

A ideia, algo invulgar, surgiu a Shelly quando ao telefone com uma amiga, escrevia uma receita de beringela e parmesão. O autor cita a ilustradora que descreve a conversa telefónica em que a amiga lhe terá dito “começas por tirar três taças…”, e para Shelly o natural foi desenhar três taças no momento, tendo ficado depois envolvida a desenhar o resto da receita. Conta ainda que nessa noite, quando foi cozinhar e recorreu ao desenho da receita, descobriu que este era realmente útil e mais eficaz que uma receita em texto

em que é necessário interromper o que se está a fazer para ler e reler as etapas descritas. 95 (Wilson, 2013)

Também Norkin (2014) cita Shelly ao afirmar que se alguém escolher um livro de Emeril Lagasse96, Julia Child97 ou Mario Batali98

ou quem quer que seja, vai considerá-lo um pouco intimidativo. Com este livro desenhado por Shelly o leitor não terá que se sentir como se estivesse numa competição Top Chef com o que criar. Assim, aponta o livro como despretensioso e simples e dispensa catalogá-lo para pessoas preguiçosas ou que não sabem ler. Considera o conceito novo e interessante e que seria uma grande ajuda para aprendizes visuais (visual learners), ou qualquer pessoa que considera a culinária intimidante.

“Um dos meus objectivos para este livro é encorajar as pessoas a largarem as regras rígidas da cozinha e serem soltas e livres em relação à culinária. O charme das ilustrações é óptimo para si, e tem ainda a função de fazer a culinária parecer fácil, leve e exequível.” 99 Shelly in Wilson (2013)

95 “That night when I got down to

cooking, I pulled out the drawing of the recipe and found that it was really useable, more useable than a text récipe where you have to stop what you’re doing and read and re-read the steps.”

Shelly in Wilson (2013)

96 Emeril Lagasse: Célebre

personalidade televisiva e chefe de cozinha americano. É proprietário de restaurantes e autor de vários livros de culinária.

97 Julia Child (1912-2004): Autora

de diversos livros de culinária e apresentadora de televisão nos Estados Unidos da América.

98 Mario Batali: Chefe de cozinha,

escritor e uma celebridade nos Estados Unidos da América. Especialista em história e cozinha italianas, é co-proprietário de restaurantes em várias cidades do mundo.

99 “One of my goals for this book

is to encourage people to just let go of rigid kitchen rules and be loose and free about cooking. The charm of the illustrations is great for its own sake, but it’s also performing a real function in helping make cooking feel easy, lighthearted, and do-able”. Shelly in Wilson(2013)

Reconhece-se assim que pela sua eficácia e rapidez a linguagem visual é cada vez mais o recurso óbvio à obtenção de informação. Quando comparamos as figuras 29, 30, 31 e 32 facilmente nos apercebemos que a sequência de leitura é diferente em todas as receitas apresentadas – não existe um padrão de disposição dos elementos o que obriga o leitor a adaptar-se a uma determinada lógica de leitura em cada página.

Este facto dificulta a leitura da infografia e da narrativa, composta pela sequência de passos necessários para executar a receita, e cuja importância foi referida ao longo do “Enquadramento Teórico” da presente dissertação. Outro facto importante de referir é a complexidade da ilustração envolvida que pode dificultar ao leitor o processamento da informação.

O projecto que a presente dissertação vem suportar não é ilustrativo mas elaborado com recurso aos pictogramas tendo estes sido criados com base numa grelha geométrica que conferem maior consistência e redução. A sequência de leitura é baseada num sistema lógico aplicado de igual forma a todas as receitas, procurando conferir maior consistência e unificando todo o projecto.