7. HISTORISK AVKASTNINGSKRAV
7.3 F INANSIELLE KRAV
A relação entre informação e capitalismo avançado foi estabelecida, entre outros, por Herbert Schiller (1981). Este autor realça a informação como elemento fundamental do sistema capitalista, pois a sua produção e disseminação na época actual são actividades indispensáveis a todos os sistemas. Por isso, para este autor, apesar da informação adicional e do virtuosismo das tecnologias, as prioridades do capitalismo permanecem as mesmas.
Shiller considera que se verifica a pertinência dos critérios de mercado nos desenvolvimentos informacionais, isto é, as inovações na informação e nas comunicações são influenciadas decisivamente pelas pressões do mercado. Assim, as características do sistema capitalista há muito estabelecido são os elementos arquitectónicos chave da sociedade da informação a qual, por isso, reflecte imperativos capitalistas.
As novas tecnologias desempenham uma dupla função. Diz Schiller (1981: 38), “em primeiro lugar consolidam o sistema empresarial das corporações e em segundo, intensificam a dependência do mundo periférico no que respeita a hardware, sofware, formação técnica e administração”, obrigando as nações menos desenvolvidas a aceitar estes desenvolvimentos. O objectivo é colocar tecnologia de informação e comunicação no máximo de lugares e o mais rápido possível e daí ter-se criado uma atmosfera de estímulo e até de urgência para a sua adopção rápida. Em simultâneo, “as novas tecnologias da informação promovem-se nas nações em vias de desenvolvimento como
um meio de passar, com um salto, para a era moderna [...] e nos países industrializados a promessa consiste em democracias, plebiscitos e escrutínios induzidos electronicamente” (Schiller, 1981: 40- 41).
Schiller defende que os critérios de mercado, nomeadamente a procura do máximo lucro, se verificam no domínio da informação, tal como em outros aspectos do sistema capitalista. A informação será produzida e tornada acessível só quando existe a perspectiva de ser vendida com lucro e será gerada mais frequentemente e com maior qualidade sempre que as oportunidades de ganho sejam evidentes. Segue-se que as pressões do mercado são decisivas quando se trata de determinar que tipo de informação é produzido. Logo, coloca-se a questão de saber quais são as prioridades dos fornecedores das empresas ao nível da investigação e do desenvolvimento. Parece a Shiller, tal como a Lyotard (1989), que a investigação por si só terminou e que é um luxo comercialmente orientado, no qual cientistas e tecnológos são olhados como factores de investimento dos quais o capital espera um retorno adequado. Diz Schiller:
“Aquilo a que chamamos a ‘Sociedade da Informação’ é na realidade, a produção, processamento e transmissão de uma quantidade muito elevada de dados relativos a todo o tipo de questões – individuais e nacionais, sociais e comerciais, económicas e militares. A maioria dos dados são produzidos com a finalidade de satisfazer necessidades específicas das super-corporações, das burocracias dos governos nacionais, do sistema militar e do estado industrial avançado” (Shiller, 1981: 46).
Tudo isto abala a concepção de que a informação é um bem social, um recurso que beneficia toda a comunidade quando é de acesso público. É possível e é rentável tratar a informação como uma mercadoria, a qual se torna cada vez mais privada.
O papel principal do mercado no domínio da informação das tecnologias da informação e comunicação significa que estas são criadas e estão disponíveis para aqueles que as podem pagar. Todos os membros da sociedade têm algum acesso a produtos e serviços de informação tais como televisão, rádio e jornais. Contudo, o facto de ser o mercado o mecanismo de alocação, significa que este é sensível a uma sociedade diferenciada pelo rendimento e pela riqueza. As desigualdades de classes reflectem-se no acesso, distribuição e capacidade de gerar informação. Dependendo do lugar que se ocupa na estratificação hierárquica, pode-se ser um beneficiário ou não da
sociedade da informação.
Do ponto de vista de Schiller, o grande beneficiário da revolução da informação é o capitalismo empresarial. As novas tecnologias facilitam as estratégias de descentralização das actividades e facilitam o comando centralizado porque as agências locais e as suas performances podem ser facilmente observadas. Permitem às empresas conduzir os seus negócios globalmente sem as restrições impostas pelos Estados-nação uma vez que
“não estão ao serviço de uma autoridade nacional benigna, interessada em reduzir as antigas diferenças de níveis de vida (...), ao contrário, estas formas avançadas de comunicação estão agora à disposição, na sua maior parte, dos interesses e aplicações oficiais e privados norte-americanos dominantes (...) [e] debilitam a autoridade do Estado nacional, que é incapaz de controlar o tremendo poder económico e tecnológico destas estruturas transnacionais” (Schiller, 1981: 131).
Shiller demonstra, assim, uma das formas de erosão do Estado-nação, o qual tem sido apresentado por algumas visões neoliberais como um obstáculo ao desenvolvimento económico.
Por outro lado, a indústria da informação tem vindo a revelerar-se um dos negócios mais oligopolístas e globais. O objectivo é fazer com que os clientes necessitem no futuro de redes de computadores cada vez mais fáceis de usar e tão acessíveis como o telefone actualmente. Por um lado, o desenvolvimento da informação é central para a expansão do consumismo. Por outro, as novas tecnologias permitem uma maior vigilância do público pelas empresas que estão numa posição melhor para enviar mensagens de persuasão, desenvolvem perfis de consumidores e de potenciais consumidores pelo cruzamento de diferentes dados.
A noção de capitalismo avançado de Shiller permite-nos entender os factores que estão na origem da penetração das tecnologias da informação e comunicação em tudo e em todo o lado e de como elas se tornaram centrais nas economias capitalistas.