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X FRUSTRAÇÃO

XI ALTERRREFERÊNCIA

XII ALTERCOBRANÇA Idem

Foram contemplados 12 grupos semânticos subjetivos, os quais serão definidos a seguir.

(I) Referência musical pessoal: será definida como toda e qualquer atividade, pensamento ou sentimento efetuado pela violista e relacionado ao seu universo musical, destacando universo como qualquer prática ou pensamento, opinião, sentimento, vivência associados à área musical. Desse modo, a fala, “o violino barroco mudou minha maneira de ver o tocar. Sempre foi um sofrimento muito grande com a viola, o violino me fez tocar sem tanto compromisso” – demonstra que tocar viola sempre causou sofrimento, o que torna esse ato desfavorável no ponto de vista da violista; bem como tocar violino barroco ameniza esse peso, provocando um novo posicionamento frente à atividade de tocar – o violino barroco fez mudar a visão e a relação da violista/violinista com a atividade musical, determinando-lhe dessa feita uma referência favorável em relação à música.

(II) Referência musical familiar: será definida como toda e qualquer memória, opinião e sentimento do sujeito relacionado especificamente às vivências e relações familiares. É exemplo de referência musical familiar a fala: “meu pai nunca me deu força, mas também nunca foi contra”.

(III) Referência musical pedagógica: será definida como toda e qualquer atividade, pensamento ou sentimento do sujeito relacionado especificamente às vivências e relações pedagógicas musicais. É exemplo de referência musical pedagógica a fala: “foi ruim ser humilhada por um professor”.

(IV) Referência musical profissional: será definida como toda e qualquer atividade, pensamento ou sentimento do sujeito relacionado especificamente à prática e vivência no mercado de trabalho, as quais incidem em sua atuação como músico. É exemplo de referência musical profissional a fala: “orquestra era o que eu desejava fazer quando comecei a estudar viola. Queria tocar em orquestra. Hoje eu tenho horror!”

(V) Autorreferência emocional: será definida como todo pensamento, opinião ou sentimento relacionado a questões interiores, as quais se reportem ao próprio sujeito. É exemplo de autorreferência emocional a fala: “foi bom falar abertamente sobre os meus sentimentos em relação à música e à minha profissão. Me fez pensar mais a respeito e definir para mim mesma”.

(VI) Autorreferência musical: será definida como todo pensamento ou sentimento relacionados a questões relacionais interiores focadas na música. É exemplo de autorreferência musical a fala: “eu quero cantar”.

(VII) Autorreferência musical profissional: será definida como todo pensamento, opinião ou sentimento do sujeito relacionado especificamente a sua prática e experiência no mercado de trabalho. É exemplo de autorreferência musical profissional a fala: “eu me sinto cansada de fazer o que faço”.

(VIII) Aspirações: será definida como todo pensamento, opinião ou sentimento relacionado a desejos pessoais ou profissionais projetados para o futuro. É exemplo de aspiraçõesa fala: “meu futuro é ser diplomata e tocar apenas por hobbie”.

(IX) Autocobrança: será definida como todo pensamento, opinião ou sentimento relacionado a exigências específicas do próprio sujeito a si mesmo como músico. É exemplo de autocobrança a fala: “eu me esforço para ser mais disciplinada”.

(X) Frustração: será definida como uma ação idealizada por Violet a qual deixou de acontecer compatibilizado com um sentimento de insatisfação, de vazio subjetivo derivado da ação frustrada. Exemplo de frustração seria: “[...] Eu me esforcei demais, eu gastei a minha juventude, deixei de fazer coisas que poderia ter feito bem, para me dedicar a uma profissão que não me dá o reconhecimento e o retorno devido [...]”. Na medida em que alguém se esforça, almeja um determinado resultado; no momento em que o resultado não corresponde ao esforço, tem-se uma ação frustrada, que só avançou até a metade.

(XI) Alterreferência musical: Por alterreferência musical defino todo pensamento, opinião ou sentimento dirigido a outrem. É exemplo de alterreferência musical a fala: “tocar um instrumento é ter que estar provando aos outros o tempo todo que você é capaz”.

(XII) Altercobrança: será definida como todo pensamento, opinião ou sentimento relacionado a exigências específicas musicais do próprio sujeito em relação a outrem. É exemplo de altercobrança a fala: “Ninguém nunca me disse que eu tinha futuro como instrumentista”.

Muitos dos indicadores se apresentaram dentro de circunstâncias complexas como, por exemplo, “tocar um instrumento é ter que estar provando aos outros o tempo todo que você é capaz” e “tocar pode ser muito prazeroso”. Ao mesmo tempo em que tocar inclui provar a capacidade, a habilidade no instrumento perante um ouvinte, situação supostamente desconfortável, inclui igualmente ter prazer, situação supostamente confortável. As duas colocações não são contraditórias, no entanto incompatíveis, já que

em uma circunstância de conforto, a violista encontrará uma situação favorável ao prazer; de outro modo, se exposta a uma circunstância de cobrança, por exemplo, na presença de uma platéia exigente, terá seu prazer refreado já que estará ocupada em demonstrar suas habilidades no instrumento. Daí a justificativa para que favorabilidade também seja um grupo semântico subjetivo e, portanto apresentado como uma categoria investigativa, totalizando desta feita, 13 grupos semânticos subjetivos.

(XIII) Favorabilidade: Por favorabilidade defino a repercussão do pensamento, opinião, sentimento, atividade no sentimento de satisfação pessoal da violista. Diz respeito a todas as categorias.

O quadro anterior permitiu tornar visíveis novos ângulos de grupos semânticos subjetivos, justificados pelas seguintes razões:

As categorias referências musicais (pessoal, familiar, pedagógica e profissional) possuem em sua definição características em comum - atividades, pensamentos e sentimentos da violista dirigidas aos setores mencionados – de modo que, por tal afinidade, se constituirão como sub-categorias de uma única categoria, ora nomeada de ênfases referentes musicais.

As categorias autorreferências (emocional, familiar, pedagógica e profissional), aspirações, autocobrança, frustração possuem em sua definição características em comum – ações, pensamentos e sentimentos da violista voltados para si mesma – de modo que, por tal afinidade, se constituirão como sub-categorias de uma única categoria, ora nomeada de ênfases autorreferentes.

As categorias alterreferências e altercobrança possuem em sua definição características em comum – pensamentos, opiniões e sentimentos da violista voltados a outrem – de modo que, por tal afinidade, se constituirão como sub-categorias de uma única categoria, ora nomeada de ênfases alterreferentes.

A categoria favorabilidade se posiciona transversal às categorias acima e portanto tomará sozinha a denominação ênfase favorabilidade.

Por ênfase entendo a organização de subgrupos semânticos subjetivos afins. Ênfase 1: referências musicais: pessoal, familiar, pedagógica, profissional.

Ênfase 2: autorreferências: emocional, musical, musical profissional, aspirações, autocobrança, frustração.

Ênfase 3: alterreferência musical, altercobrança. Ênfase 4: favorabilidade

Considerando os focos de tensão nas ênfases e a comunicabilidade entre as mesmas, é possível começar a traçar um perfil subjetivo que postula um sentido mais global da configuração da violista.

Embora tocar seja muito prazeroso para Violet, a viola sempre se apresentou como um desafio, um sofrimento em sua prática musical. Não houveram empreendimentos pedagógicos suficientes que a auxiliassem a se sentir melhor ou a lidar melhor com as dificuldades da aprendizagem do instrumento ou da carreira. Pelo contrário, há grande destaque na fala da violista para vivências pedagógicas desfavoráveis. Conduzida dentro de uma subjetividade desfavorável para a música, Violet tornou-se uma profissional frustrada por se sentir limitada em um universo musical pouco acolhedor.

Sentindo-se devedora permanente de características pessoais e profissionais adequadas para um ser-músico ideal, Violet se esforçou e se empenhou em tentar assumir um modelo de ser-músico que incluia, no mínimo, uma devoção sacerdotal: “Quem me dera que eu tivesse tido disciplina, perseverança, auto-estima e determinação para me preparar quando eu tinha tempo”; “Eu queria saber como se sentem as pessoas que sempre foram felizes dentro da música. Queria ter essa sensação pelo menos por um dia”.

De o momento em que Violet não conseguiu ser feliz musicalmente, passou a aspirar a outras possibilidades profissionais - “Meu futuro é ser diplomata”; “Eu desejo ser feliz profissionalmente, acreditar que o que faço é útil para alguém” - e igualmente a uma condição mais favorável a sua musicalidade:

Com a música quero tocar com amigos... Tenho amigos que me estimulam, que talvez tenham problemas parecidos com os meus, onde eu posso me sentir acolhida e compreendida.

Diante da leitura acima elaborada foi possível deduzir das ênfases a existência de uma relação historicamente encadeada que evidencia a trama histórica subjetiva que acompanhou a vida da violista. Por meio de um organograma denominado Encadeamento Configurador Subjetivo Musical é possível visualizar a idéia da trama evidenciada.

ENCADEAMENTO CONFIGURADOR SUBJETIVO MUSICAL