2.2. Fødselsutfall
2.2.1. Fødselsvekt
Na década de 1960 a região Nordeste suscitava a expansão das redes telefônicas, uma vez que o processo de urbanização das cidades se encontrava em crescimento vertiginoso e o nível econômico da população era melhor em relação à décadas passadas, em torno de US$ 180, com 2,8 telefones para cada 100 habitantes. Enquanto cidades do sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo apresentavam uma renda de US$500 e US$600 e em ritmo de crescimento. Assim, aumentava a demanda por pessoal de nível médio e operador para atender a quatro setores respectivamente: redes urbanas, redes interurbanas, sistema TELENORDESTE e sistema básico.
Outro fator igualmente importante para impulsionar a demanda por técnicos em nível médio em telecomunicação seria a aplicação de recursos do IV Plano Diretor, fomentados pelos artigos 34/18 e por projetos de ampliação de redes urbanas. O país como um todo dispunha de 110.000 linhas com um quadro de quase nenhuma oferta de trabalhadores qualificados. De acordo com a análise feita pelos elaboradores do projeto de criação da ETER:
Considerando que cada 3.000 linhas envolvem necessariamente o concurso de dois técnicos de nível médio e oito operadores; somente estas 2 empresas demandarão, nos próximos cinco anos, aproximadamente 31 técnicos de nível médio e 123 operadores (1/4). É lícito afirmar-se que, nos próximos cinco anos, fortaleza, João Pessoa, Campina Grande, Maceió, São Luís, Teresina, Natal e diversas cidades interioranas, demandarão, nos próximos cinco anos, cerca de 50.000 novas linhas, o que representa, em termos de mão- de- obra qualificada, cerca de 34 técnicos de nível médio e 136 operadores (1/4) (PROJETO DE CURSO DE ELETRÔNICA E TELECOMUNICAÇÕES, 1972,P.37).
Assim, percebemos nas pesquisas feitas em periódicos das décadas de 1960/1970, como demonstrado na Revista Cruzeiro (1968), a franca expansão da rede de telefonia em toda Paraíba e especificamente em Campina Grande, tanto em nível urbano como interurbano.
Conforme registrado no encarte Comunicação, da referida revista, o Sr. Williams de Souza Arruda, ao assumir a prefeitura de Campina Grande, analisou que, com base nos incentivos fiscais criados pelo governo federal e fornecidos pela SUDENE, Campina Grande faria jus à reportagem que difundia: “Campina Grande, Capital Econômica da Paraíba” (REVISTA O CRUZEIRO, 23/11/1968). Imagem do município compartilhada pelos campinenses e espalhada por todo o país, marcando os anos de 1960 como o período do progresso econômico fundamentado pela industrialização.
Nesse cenário de incentivos e expansão industrial nesta cidade, conforme tratado no segundo capítulo deste trabalho, Campina, considerada centro de convergência de todo interior nordestino, seria beneficiada com recursos advindos da SUDENE, cabendo à cidade criar infraestrutura para absorver as novas indústrias a serem instaladas.
Neste processo de expansão da rede industrial planificada nesta cidade, destacam-se as Telecomunicações de Campina Grande S/A (Telingra)39 criada pelo Decreto-Lei Municipal Nº 63/65, de 13 de dezembro de 1965. A partir desse instrumento legal o antigo Serviço de Telefonia Municipal foi transformado em sociedade de economia mista, no intuito de trazer para Campina o melhor e mais moderno sistema de aparelhagem em telefonia existente até então. A Telingra tinha o próprio município como seu maior acionista com NCr$ 2.260.000,00 (dois milhões, duzentos e sessenta mil cruzeiros novos), tendo como primeira diretoria os senhores Ramos Colaço e Raimundo de Mello Luz, respectivamente diretor-presidente e diretor comercial, eleitos para conduzir a empresa por quatro anos.
Logo ao ser instalada, a Telingra criou 70 (setenta) novos empregos diretos, ampliando a demanda ao longo dos anos e requerendo mão de obra especializada para atender as funções específicas. O plano imediato seria a ampliação da rede de telefonia em Campina Grande, logo nesta década, conforme demonstrado a seguir:
Além desse objetivo teria o da elevação do número de linhas, de 1.500 para 3.000, a fim de poder atender a demanda local. Foi adquirida pela Ericson do Brasil S/A uma estação do tipo Cross-Bar para as 3.000 linhas, contratada com a LACAZE & PISÃO a substituição de toda Rêde de Transmissão considerada imprestável; ainda com os próprios recursos municipais foi construído o prédio – sede e mais as instalações atuais orientadas pela Ericson e consideradas excelentes (REVISTA O CRUZEIRO, 23/11/1968, p. 85).
39 [...] A Telingra não possuía compromisso pela compra de todo o seu novo equipamento, de suas novas linhas,
de seu prédio e de suas instalações. Tudo realizado com recursos próprios do município, pois era propósito do Prefeito que a Telingra fosse inaugurada sem obrigações a pagar a terceiros, como realmente foi feito (REVISTA O CRUZEIRO, 23/11/1968, p.85).
Nesta matéria compreendemos como se deu a expansão das telecomunicações em Campina Grande. Este fato foi um acontecimento histórico impulsionador para a criação do curso técnico em Telecomunicações pela Escola Técnica Redentorista, sete anos após a criação da Telingra.
A estação de Cross-Bar, fornecido à Telingra pela Eickson S/A, favorece os serviços daquela empresa na expansão da rede de telefonia em Campina Grande. Essa aparelhagem foi instalada no edifício próprio da empresa, localizado no centro da cidade e construído com recursos municipais. Uma iniciativa que se traduzia em infraestrutura para a fertilização do progresso econômico que estava associado à expansão industrial.
Em comemoração ao 3º Aniversário de atuação no Estado da Paraíba, os jornais da cidade e do Estado registram, no mês de dezembro de 1977, a contribuição da TELPA no progresso do Estado e de Campina Grande. É mostrado que a Telebrás chega à Paraíba em 1973 quando a antiga TELINGRA termina o processo de incorporação da antiga ETP, passando a denominar-se de Telecomunicações da Paraíba S/A-(TELPA).
De 1973 a 1976 a TELPA expandiu os serviços de telefonia na Paraíba de 9.500 terminais telefônicos, instalados desde 1936 quando chegou o primeiro serviço comercial na capital para 38.000 terminais, um acréscimo de 400% no total. Segundo registro em matéria jornalística (JORNAL DIÁRIO DA BORBOREMA, 13/12/1977: p.3) essa expansão deu-se em termos quantitativo e qualitativo, alcançando 62 localidades em nível Estadual. Sendo que João Pessoa, Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras receberam tratamento diferenciado por serem as principais cidades paraibanas.
Ainda nesta matéria é ressaltado o apoio do governo Federal e Estadual na expansão dos serviços da TELPA em toda Paraíba, representando elemento importante no desenvolvimento de Campina Grande. Uma vez que ocorreu a ativação do DDD e DDI, assim como do aumento de 500 para 7.000 terminais em três anos de atuação.
A sua expansão compreende o aumento considerável de trabalhadores especializados que de 740 em 1974 passa para 850 em dezembro de 1977. Esta demanda era para instalar os serviços interurbanos como torres, antenas, rádios, multiplexes; infraestrutura compreendida em estradas de acesso, força, como outros serviços, absorvendo grande soma de recursos para sua viabilidade. Por isto, se constata o aumento do capital social integralizado da empresa que, em 1974, era de 88.300.000.00 passando para Cr$ 243.200.000.00 em dezembro de 1977. O fragmento abaixo evidencia o plano de expansão no Estado, registrado em nota do Jornal A União (1975):
Paraíba terá 50 milhões para Telecomunicações
Dentro do Plano de expansão do sistema de telecomunicação do Nordeste, que conta com a intervenção da Telebrás e a sexta que o Banco do Nordeste aprova em menos de dois meses, a Paraíba foi contemplada com 50 milhões de cruzeiros, seguindo-se Sergipe com 45 milhões, Ceará com 200 milhões, Bahia com 100 milhões, Alagoas com 75 milhões, Minas Gerais com 100 milhões e o Maranhão com 12 milhões, perfazendo um total da ordem de 532 milhões de cruzeiros (JORNAL A UNIÃO 30/09/1975: p.5).
Apesar da efervescência dos movimentos feministas em nível nacional, quando as mulheres reivindicavam o seu reconhecimento enquanto cidadãs brasileiras, as controvérsias apresentadas entre políticos de partidos diferentes silenciavam em relação às especificidades femininas, ficando estas questões às margens “das grandes” e “mais importantes” problemáticas relacionadas ao crescimento urbano e econômico da cidade. Percebemos nas propagandas, artigos e manchetes jornalísticas que divulgavam a expansão da telefonia como expressão de modernidade, relacionada ao crescimento econômico, mostrando a transição da TELINGRA , TELPA e TELEMAR.
As manchetes jornalísticas, os livros pesquisados contam as histórias da cidade, a partir do olhar generalista e sexista, esquecendo as pessoas comuns, as múltiplas trajetórias de mulheres e homens consumidores da cidade que participaram de maneiras diferentes desse processo. Os marcadores da configuração histórica de criação da ETER assinalam uma história estruturante da cidade, focalizando grandes acontecimentos de ordem econômica, política e religiosa, silenciando a participação feminina em tais acontecimentos, encontrada em registros de situações religiosas e educacionais, aparecendo ainda como coadjuvantes de cenas que tinham os homens como protagonistas.