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Fármacos moduladores selectivos de los receptores

4.1 – LOCAL E SUJEITOS DA PESQUISA

Desenvolvi o presente estudo em uma escola estadual de ensino fundamental de Belém do Pará. A escola foi fundada no dia 20 de abril de 1965 e fica localizada no bairro de Marambaia. A escola funciona em três turnos (manhã, tarde e noite) sendo uma escola pequena que possui apenas seis salas e um total de 600 alunos estavam matriculados no ano letivo de 2005.

Nesta escola, o turno da noite funciona apenas com a Educação de Jovens e Adultos – EJA – (antigo supletivo), composta por uma turma de primeira etapa (correspondente à 1ª e a 2ª séries do ensino fundamental regular), uma turma de segunda etapa (correspondente à 3ª e a 4ª séries), duas turmas (A e B) de terceira etapa (correspondente à 5ª e a 6ª séries) e duas turmas (A e B) de quarta etapa (correspondente à 7ª e a 8ª séries do ensino fundamental regular).

Realizei a pesquisa com meus alunos das turmas de 3ª etapa, pois o conteúdo a ser trabalhado, segundo a grade curricular, deve ser ministrado para esta etapa. Inicialmente a pesquisa estava sendo realizada nas duas turmas (A e B), mas devido o tempo exigido para o término da mesma e principalmente por constatar uma grande evasão escolar na turma (A) a análise das interações foi direcionada somente para a turma (B).

Realizei a coleta dos dados iniciais nos meses de agosto e setembro de 2005. Venho trabalhando na referida escola com a EJA desde o ano de 2004, com as duas turmas de 3ª etapa e as duas turmas de 4ª etapa.

4.2 – COLETA DOS DADOS

Realizei a coleta dos dados iniciais através de dois pré-testes (apêndice, 01 e 02). No pré-teste 01 inclui algumas questões que inquiriam os alunos sobre: profissão, sexo, idade, pretensão futura, horário de trabalho, tempo sem estudar e outras. Em seguida, criei duas questões abertas sobre o conceito de competição.

A turma analisada estava composta, inicialmente (primeiro semestre de 2005), por 36 alunos. Depois, no curso do período letivo, 13 alunos desta turma, desistiram. Participaram do pré-teste 01 um total de 21 sujeitos dos quais 11 são do sexo feminino e 10 são do sexo masculino. Os identifiquei pela letra P de pupilo, por ser a forma, carinhosa, como costumo me referir aos mesmos, seguida do respectivo número de chamada. Dois alunos faltaram ao pré-teste 01.

Juntamente com o pré-teste 01, que mencionei anteriormente, foi aplicado um questionário analisado a partir das respostas dos 21 alunos que responderam ao pré-teste 01.

Ao perguntar sobre a principal ocupação dos alunos, sete estudantes responderam que não trabalhavam, dois eram autônomos, quatro eram domésticas, e houve apenas uma ocorrência para as profissões: gráfico, segurança, motorista de ônibus, vendedor, manicure, feirante e serviços gerais, uma das alunas é aposentada.

Ao perguntar se já haviam parado de estudar, 14 disseram que sim, sendo que o mínimo foi de um ano e o máximo de 40 anos. A média de idade entre eles era de 23,86 anos, sendo que o aluno mais novo tinha 15 anos e a aluna mais idosa tinha 68 anos de idade.

Quando perguntei sobre a pretensão futura desses sujeitos, eles responderam referindo principalmente ao aspecto profissional. Pois as respostas que surgiram estavam de acordo com a profissão almejada por eles, tais como: ser ator, economista, enfermeiro, motorista, professor de educação física, médico, jogador de futebol e jornalista. Contudo alguns estudantes responderam que queriam passar de

ano, ser um bom estudante, trabalhar para sustentar-se, fazer um curso superior, ser milionário, acabar os estudos e um estudante disse não ter pretensão futura.

Quando perguntei o porque de freqüentarem o ensino noturno, três disseram que não conseguiram vaga no ensino diurno, quatro pretendiam trabalhar de dia e um respondeu que estudava a noite por opção. Os demais estavam trabalhando.

Constatei, a partir das respostas dos alunos, que uma causa provável da dificuldade de aprendizagem dos alunos em estudo consiste no fato de que a maioria parou de estudar, o que é um dado típico nos estudos que envolvem a Educação de Jovens e Adultos (PICONEZ, 2003).

Por último, entendo que a jornada de trabalho, de oito horas diárias que a maioria dos sujeitos desta pesquisa está submetido, lhes tira a disponibilidade de tempo adequado para dedicarem aos estudos (PICONEZ, 2003).

No primeiro momento desta pesquisa, na aula do dia 25 de Agosto de 2005, realizei o pré-teste 01. Os estudantes construíram individualmente suas respostas escritas. O objetivo era entender qual a idéia que os alunos possuíam de competição, sem associar diretamente com as interações entre os seres vivos. Assim, perguntei a eles na primeira questão aberta: O que é competição para você? E na segunda: Cite exemplos de competição.

A categorização dos conceitos prévios sobre competição estão no QUADRO 1 (p. 67) e foram obtidos a partir das respostas dos estudantes às questões abertas do pré-teste 01.

Após a análise dos conceitos prévios que os estudantes manifestaram no pré-teste 01, constatei que as idéias manifestadas foram deduzidas das relações humanas. O que implica dizer que esses indivíduos, ao tentarem responder ao primeiro instrumento de coleta de dados, construíram suas respostas fazendo uso direto dos conhecimentos e experiências do cotidiano com as pessoas.

Tal fato conduziu-me à elaboração de uma segunda atividade de coleta, antes das aulas de interações ecológicas, com a finalidade de apresentar aos estudantes por meio de imagens de vídeo, eventos competitivos (competição intra- específica e interespecífica) existentes entre os seres vivos (animal e vegetal).

Neste contexto, elaborei um segundo instrumento de coleta, denominado pré-teste 02, no qual os alunos voltaram a construir individualmente suas respostas escritas. O pré-teste 02 foi aplicado na aula do dia 08 de Setembro de 2005 e foi estruturado com 05 questões abertas. As quatro primeiras foram respondidas a partir de cenas que exibiam competição entre seres vivos (animais e vegetais) e a última questão inquiria se havia relação entre as cenas exibidas.

Participaram do pré-teste 02, 22 estudantes, também, identificados pela letra P seguido do respectivo número de chamada. 20 estudantes participaram dos dois processos de coleta de dados iniciais (pois um aluno que participou do pré-teste 01 não participou do pré-teste 02 e os dois alunos que não participaram do pré-teste 01 compareceram ao pré-teste 02) e destes 16 participaram de todas as etapas do presente estudo.

Para a análise final das atividades dessa pesquisa considerei os relatos dos 16 estudantes que completaram todas as etapas dessa pesquisa, dos quais nove são do sexo feminino e sete do sexo masculino.

A partir das informações apresentadas pelos estudantes nos pré-testes (01 e 02) compreendi a noção do conceito de competição no pensamento dos alunos da turma em estudo, antes das aulas de Interações Ecológicas; o que me permitiu elaborar juntamente com o orientador e o co-orientador as etapas finais dessa pesquisa.

As etapas subseqüentes ao pré-teste 02 foram organizadas em sete momentos distintos: estudos prévios (quatro aulas de três tempos cada, sobre o tema interações ecológicas), demonstração/exibição de um vídeo sobre diversas relações entre os seres vivos (uma aula de três tempos), em grupos espontâneos, isto é, os alunos escolheram os componentes para formar os grupos (uma aula de

três tempos), em grupos recombinados, ou seja, reorganizei os componentes dos grupos espontâneos e formei novos grupos os quais denominei de grupos recombinados (uma aula de três tempos), apresentação das respostas dos grupos recombinados (uma aula de três tempos), aula sobre competição (aula final com os 16 alunos que participaram de todas as etapas desse estudo) e os pós-testes (01 e 02). As duas etapas finais (aula sobre competição e os pós-testes) foram realizadas no mesmo dia.

No primeiro momento, subseqüente ao pré-teste 02, realizei as aulas de interações ecológicas que serviram como estudos prévios (ver plano de aula 1, apêndice 3) ao da interação ecológica competição. Nestas aulas, procurei acostumar a turma com as gravações para minimizar a inibição que essa tarefa costuma causar. Assim as aulas de interações ecológicas foram realizadas nos dias 15, 22 e 29 de setembro de 2005 e no dia 06 de outubro do mesmo ano. Enfatizo que a interação ecológica competição (intra e interespecífica) foi a última interação a ser discutida com os alunos.

No segundo momento, exibi um vídeo, que durou aproximadamente 50 minutos. Organizei o vídeo a partir da coleção A Vida em Família dos Animais produzida pela revista seleções (1999); a qual é composta de três vídeos com tempo de duração de, aproximadamente, 57 minutos cujos títulos são: os milagres do início da vida, as aventuras da infância e o caminho para a independência.

O objetivo da exibição desse documentário era ajudar os alunos a relacionar o conteúdo curricular com suas concepções cotidianas. Após o vídeo conversei com os alunos sobre o conteúdo do vídeo e questionei sobre os tipos de interações ecológicas que eles observaram e, sobre o que havia sido interessante nas cenas para eles.

No terceiro momento orientei os alunos que se organizassem em grupos e que eles poderiam escolher no máximo quatro componentes para cada grupo. Assim, os alunos formaram quatro grupos de forma espontânea (sendo dois grupos com quatro componentes e dois grupos com três componentes) e uma dupla.

Após a formação dos grupos espontâneos, as fichas com as respostas escritas individuais do pré-teste 02, foram devolvidas para os alunos (com a finalidade de lembrar o aluno de sua resposta inicial escrita facilitando a interação entre eles). As quatro cenas do pré-teste 02 foram novamente exibidas. Após a reapresentação, de cada cena, dediquei um tempo para que os estudantes respondessem cada questão. Por último, os estudantes responderam a questão 05 que inquiria: comparando todas os episódios do vídeo assistido, você acha que existe alguma semelhança entre essas relações? Por que? (ver pré-teste 02, apêndice 2).

Durante o quarto momento, os estudantes refizeram as questões do pré- teste 02, mas desta vez formando cinco novos grupos (sendo quatro grupos com três componentes e um grupo com quatro) por mim (re)organizados os quais denominei de grupos recombinados. Os alunos foram (re)organizados de acordo com a heterogeneidade de conhecimentos, apresentados em suas respostas, e da homogeneidade de participação nos debates. Ou seja, procurei aproximar os alunos com pensamentos diferentes e os mais tímidos daqueles que eram mais participativos nos debates.

No quinto momento os componentes de cada grupo recombinado apresentaram oralmente, aos outros grupos, o conjunto de respostas (construídas durante o quarto momento) para as questões inquiridas no pré-teste 02.

Após a análise das respostas dos grupos recombinados, realizei uma aula sobre o conceito de competição (sexto momento), a qual denominei de aula final, na qual discuti com os alunos os argumentos que eles apresentaram em suas respostas escritas iniciais e em suas respostas nos respectivos grupos espontâneos e recombinados.

No sétimo momento, os estudantes responderam individualmente as questões dos pós-testes (02 e 01, respectivamente, para manter a seqüência) as quais foram confeccionadas, estruturalmente iguais as questões dos pré-testes 01 e 02.

As respostas obtidas durante os pré-testes foram confrontadas com aquelas advindas dos pós-testes com a finalidade de elucidar a possível ocorrência de evolução conceitual, por parte dos estudantes, após as intervenções metodológicas.

Ressalto que em todas as atividades em classe a ênfase foi o diálogo embora em determinados momentos o discurso de autoridade tenha sido utilizado com a intenção de (des)construir conceitos já internalizados pelos alunos e, que tomei conhecimento da seqüência de atividades metodológica envolvendo grupos espontâneos e recombinados (COSTA, 2005).

Nosso planejamento (pesquisador e orientador) apontava para a possibilidade de que, após a compreensão das interações ecológicas; os estudantes conseguissem generalizar o conceito de competição, e distinguir entre competição intra-específica e interespecífica e, quem sabe chegassem à compreensão de que o termo interações desarmônicas não pode ser aceito dentro de uma visão que avalie as relações ecológicas existentes entre os seres vivos, além de sua perspectiva imediata.

Durante o processo de ensino e aprendizagem, busquei transferir para os alunos a responsabilidade pelo uso das idéias científicas e dar suporte à internalização ajudando, desta forma, no desenvolvimento dos conceitos científicos de interações ecológicas (em especial, o conceito de competição ecológica).

Quero enfatizar que todas as aulas após o pré-teste 02 foram registradas (em áudio e vídeo), com o auxílio de três gravadores pequenos (da marca SONY e modelo TCM – 323) e uma filmadora portátil (da mesma marca). Assim sorteei entre os cinco grupos espontâneos a filmadora e os três gravadores, o grupo B ficou sem gravador, mas sempre que o grupo C terminava suas interações eu utilizava o gravador que estava com eles para gravar minhas interações com o grupo B. Repeti esse procedimento de sorteio com os grupos recombinados.

As aulas sobre competição foram transcritas e analisadas microgeneticamente a partir de uma perspectiva histórico-cultural e semiótica dos processos psicológicos humanos (GOÉS, 2000).

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