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A realização deste documento indica uma vez mais a utilidade da metodologia Seis Sigma no setor dos serviços, mais detalhadamente nos procedimentos laboratoriais. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica exaustiva com rigor e credibilidade, de forma a possuir um conjunto de informações que suporte o presente documento.

A implementação bem sucedida e o crescente interesse organizacional no Seis Sigma foi expandindo nos últimos anos. Fatores que influenciam o sucesso dos projetos Seis Sigma incluem o envolvimento organizacional, gestão de projetos, mudança cultural e a formação contínua. Compreender as principais características, obstáculos e deficiências do Seis Sigma oferece oportunidades aos profissionais para melhor implementar projetos Seis Sigma.

Os aspetos estatísticos do Seis Sigma devem complementar as perspetivas de negócio e os desafios da organização em implementar projetos Seis Sigma com sucesso. No entanto, o Seis Sigma nas organizações ainda tem margem para melhorias. As mudanças culturais exigem tempo e compromisso antes de serem fortemente implementadas na organização. Os princípios eficazes do Seis Sigma são mais propensos a ter sucesso através do refinamento da cultura organizacional de uma forma contínua.

A longo prazo, é provável que o Seis Sigma se mantenha como uma das principais iniciativas para melhoria de processos. O foco principal deve ser a melhoria do desempenho global de gestão, não apenas identificar e reduzir defeitos como perspetiva meramente estatística.

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Segundo Kwak & Anbari (2006), profissionais da área da qualidade estão a tentar integrar o Seis Sigma com outras práticas de gestão já existentes, de modo a torná-lo um método ainda mais atraente para as organizações de variados setores. Por exemplo a integração e comparação dos princípios e características do Seis Sigma com a Gestão da Qualidade Total, a filosofia Lean Thinking e os referenciais normativos como a ISO 9001, fazem parte de um conjunto de relações e de sinergias entre o Seis Sigma e um conjunto relevante de práticas de gestão da qualidade que têm o objetivo de facilitar e sistematizar a integração do Seis Sigma numa organização.

No caso do PNAEQ nenhum projeto Seis Sigma tinha sido anteriormente implementado. O caso de estudo deste documento veio capitalizar uma base de conhecimentos relativos à aplicação desta metodologia que eram anteriormente desconhecidos.

Neste caso de estudo verificou-se a existência de ganhos a nível do valor Sigma. No início do caso de estudo, nomeadamente na fase de Measure, foi determinada a média do nível Sigma (2010 a 2012), com valores de 2,9 Sigma e 2,0 Sigma para folato e vitamina B12, respetivamente. Proposto na declaração do projeto um nível Sigma futuro, para ambos os parâmetros, de 3,5 Sigma, pode-se concluir que para o parâmetro vitamina B12 a meta foi atingida, mas para o parâmetro folato não. Ou seja, no teste piloto da fase de Improve, foram obtidos níveis Sigma de 3,3 Sigma e 3,6 Sigma para o parâmetro folato e vitamina B12, respetivamente, existindo ganhos de 0,4 Sigma e 1,6 Sigma para cada um dos parâmetros. É importante referir que apenas uma ação de melhoria foi implementada. Caso ocorra a implementação de outra ação de melhoria, segundo a ordem de prioridades determinada pelo método AHP, eventualmente o nível Sigma irá obter ganhos mais acrescidos que o verificado. Consequentemente, quanto mais ações de melhoria forem possíveis de ser implementadas, mais expectável será o aumento do nível Sigma.

Uma das limitações do trabalho realizado foi o pouco tempo disponível para a implementação total do ciclo DMAIC. Seria importante prosseguir com um estudo mais extenso onde as últimas duas fases do ciclo fossem totalmente executadas e monitorizadas.

O ciclo DMAIC é, como o próprio nome indica, contínuo. Sempre que se percorrem as cinco fases e se chega à fase final, este deve ser reiniciado de modo a garantir a melhoria contínua do serviço através da aplicação do Seis Sigma em outros projetos. Relativamente ao caso de estudo, para além das ações realizadas neste projeto, seria desejável de tempos a tempos, voltar a implementar projetos Seis Sigma, para assim permitir um aumento do nível Sigma de uma forma contínua e progressiva, nomeadamente do programa de Endocrinologia.

Foi considerado que este projeto Seis Sigma é importante para os seus clientes externos, os laboratórios clínicos, mas também de grande utilidade para o próprio PNAEQ. Para os laboratórios clínicos porque com o resultado final do trabalho será possível analisarem recomendações e um plano de ação que permite a redução da variabilidade dos seus resultados em relação ao universo de comparação. Para o PNAEQ porque, através da divulgação destes resultados por publicações, congressos e trabalhos de grupos, os resultados interlaboratoriais nacionais serão comparados com outros resultados internacionais.

Relativamente às conclusões finais da aplicação do ciclo DMAIC, reconhece-se que a utilização de procedimentos, métodos e até mesmo equipamentos, reagentes e calibradores diferentes afetam os resultados interlaboratoriais. Como tal, a prática de escolher livremente os instrumentos, reagentes e calibradores pode precisar daqui para a frente de ser equilibrada com as políticas da qualidade exigidas pelos próprios laboratórios clínicos. Os fabricantes devem assumir a responsabilidade de definir a rastreabilidade dos seus produtos, permitindo aos laboratórios trabalhar com procedimentos mais comparáveis.

Variados autores consideram o problema da rastreabilidade dos calibradores a causa maior para a inexatidão interlaboratorial (Dybkaer, 2003; Jansen, 2000; Panteghini, 2009; Panteghini

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& Forest, 2005; Ricós, et al., 1999). Com este caso de estudo foi possível constatar a falta de informação disponível aquando a escolha dos calibradores dos equipamentos presentes em laboratório clínico. Foi reconhecido que uma abordagem insuficiente sobre calibração, devido à falta de rastreabilidade dos resultados de padrões certificados, é uma das principais causas para a fraca uniformização dos resultados laboratoriais.

Outras questões importantes relativas à implementação de uma abordagem metrológica correta, para harmonização dos resultados deve ser melhorada. Em primeiro lugar, uma definição clara no nível de incerteza associado ao calibrador assim como o nível na cadeia de rastreabilidade deve estar presente no folheto informativo. Além disso, a comunidade científica deve estar ciente que a ausência de especificações para a validação das calibrações rastreáveis metrologicamente pode resultar numa zona cinzenta em relação à importância da rastreabilidade esperada pelos fabricantes e laboratórios clínicos.