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7 Extra cases to study important uncertainties

7.2 Extra wind-power cases

Devendo falar de professores, detenhamo-nos, antes, na consideração de alguns dos principais aspectos históricos em que se basearam as práticas educativas, ao longo dos séculos, ou seja, desde a idade média, em que se podem encontrar remotas formas de educação. A partir do conhecimento e, sobretudo, do questionamento dessas noções históricas, pode-se compreender melhor a atual tendência de educação das crianças e os aspectos que queremos relacionar às possibilidades preventivas voltadas ao ensino dessas crianças.

Se hoje podemos entrever trabalhos educativos voltados para faixas etárias bem definidas, sabemos que a escola permaneceu indiferente à distinção das idades de seus alunos, durante muitos anos, porque não era propriamente destinada às crianças, sobretudo na Idade Média. Além da questão relativa às idades dos estudantes, também se modificaram consideravelmente os interesses político- econômicos subjacentes na educação, fatos que, aliás, nunca deveriam deixar de ser considerados, em qualquer análise crítica.

Na Idade Média, a escola preocupava-se com a formação técnica, visando à formação de clérigos. Como nos relatou ARIÈS (1981), os colégios eram asilos para

crianças pobres, no século XII, nas quais não se ensinava. Escolarmente, foi só a partir do século XV que as comunidades se tornaram institutos de ensino, deixando de atender apenas a uma minoria de clérigos letrados para expandir-se junto a leigos, nobres e burgueses, e, em alguns casos mesmo, para chegar a famílias mais populares. O colégio tornou-se uma entidade fundamental na sociedade (e, evidentemente, fiel aos seus objetivos naquele momento histórico), com disciplina rígida e classes numerosas, dentro do sistema do antigo regime de educação.

No século XV (ARIÈS, op. cit.), a população escolar passou a ser dividida

conforme a sua capacidade e colocada sob a tutela de um mesmo mestre, num mesmo ambiente. Essa é pois, a origem das classes escolares. Todavia, as idades dos alunos não tinham relação direta com a sua presença em uma determinada sala de aula. Prestava-se mais atenção ao grau de desenvolvimento dos alunos do que às suas idades. “No início do século XVII, a classe não possuía a homogeneidade

demográfica que a caracteriza desde o fim do século XIX” (ARIÈS, op. cit., p. 113).

Como se sabe, através dos séculos, as idades que, por assim dizer, marcavam o início e o fim da infância, também se alteraram bastante. No século XVII, por exemplo, o término da primeira infância dava-se quando, por volta dos 5-6 anos de idade, o menino, deixando sua ama ou sua mãe, podia ingressar nos estudos. Mas as crianças conviviam com adolescentes e adultos, nas mesmas classes. As idades para o começo da vida escolar sofreram novas alterações e este ingresso se dava quando os alunos eram mais velhos, nos séculos seguintes. Apenas no século XIX, com uma pedagogia nova, que previa classes menos numerosas e mais homogêneas, passou a haver maior correspondência, entre a idade do aluno e sua classe.

Também aspectos relacionados à disciplina dos alunos, nas escolas, mudaram muito ao longo dos anos, sofrendo influências várias. A disciplina humilhante, o uso de chicote a critério do mestre, vigiu durante o século XV. Mas aos alunos adultos não se aplicavam os mesmos métodos e castigos que sofriam as

crianças. Sobretudo se privilegiavam os adultos provenientes de famílias com melhores condições sociais: para estes, não eram severos os castigos; o que atestava, desde então, o desrespeito pelas classes menos favorecidas. Ao contrário dos adultos de classes privilegiadas, as crianças e jovens de qualquer classe social, inclusive os mais ricos, eram submetidos a um regime de surras e constantes humilhações. Posteriormente, já no século seguinte, os adultos também passaram a ser submetidos aos mesmos métodos extremamente rigorosos.

Foi mais ou menos por volta de 1763 que a opinião pública francesa, aspirando e respirando os primeiros ares das transformações revolucionárias que viriam, manifestou repúdio a tais métodos disciplinares, alegando que a infância não era uma época servil e que a criança não deveria ser humilhada. Fora dado início ao movimento pelo respeito e pelos direitos da infância. Por volta de 1700 (ARIÈS, 1981),

alguns colégios passaram a optar por métodos que suprimiam os castigos corporais, relaxando a antiga disciplina escolar e atribuindo um novo significado ao período da infância.

A criança passava então, a ser educada gradativamente, para as responsabilidades futuras da vida adulta. Tal tendência imperou, sobremaneira, no século XIX. Entretanto, não se tratava de nenhum momento de admirável democracia, pois que convém lembrar que a maioria das meninas não recebia educação acadêmica: para elas não se ia além do aprendizado das “prendas domésticas”, ou seja, não freqüentavam colégios, não se investia em sua educação, como na dos meninos.

E assim, a compreensão do sentido do que era infância, de quais seriam os direitos das crianças, foi se alterando ao longo dos séculos até lograr que se optasse pelo respeito que elas merecem, inclusive sem distinção de sexo. Os diversos modelos educativos das escolas infantis, atualmente, partem desses princípios.

Hoje, pode-se programar, para as crianças, trabalhos de formação com objetivo, inclusive, de educação preventiva voltada para ações que possam reduzir vulnerabilidades, e venham a agir de forma preventiva à compulsão de alguns

comportamentos, como nos aspectos relacionados ao uso de risco de drogas e às complicações que podem advir das suas escolhas sexuais. Foram grandes mudanças ao longo da história, que não podem ser menosprezadas, mas que devem ser aproveitadas para a implementação dos trabalhos de cunho preventivo, nas áreas temáticas citadas.

Parece-nos importante alertar que se devem propor trabalhos preventivos específicos para as diferentes idades, respeitando-se as peculiaridades características de cada faixa etária. Isto é, os temas de trabalho de educação preventiva, por meio de ações redutoras de vulnerabilidades, devem ser abordados de formas distintas, por exemplo, quando se trabalha com crianças, ou quando tais ações são voltadas a jovens ou adultos. Compreende-se, porém, que as categorias de idades são formações sociais que, por serem historicamente constituídas, mudam conforme a época e o momento histórico e seus interesses.

O que define alguém como criança? O que distingue a criança de um jovem? Essas são algumas das indagações que se apresentam constantemente e que trazem implicações, diretas ou indiretas, na educação. Em termos legais, atualmente tem-se, no país, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que define a adolescência como o período que vai dos doze aos dezoito anos de idade. Antes disso, portanto, seria o período da infância (zero a doze anos). Mas as ciências humanas e, dentre elas, a psicologia, têm outras categorias menos rígidas de definição das etapas da vida. Realmente é quase impossível estabelecer fronteiras estanques entre o que é ser criança, pré-adolescente, adolescente etc. Pode-se dizer, por exemplo, que há muitos adultos que possuem posturas típicas da infância, que não apresentam maturidade correspondente ao período de vida em que estão inseridos. Há muitos “impostos” que são cobrados ao longo de toda a vida dos adultos que podem estar relacionados à eternização da infância, como numa maldição humana pelo não crescimento. Não são apenas as características das mudanças físicas, típicas da puberdade, que assim, tão simplesmente, irão explicar ou marcar esses limites. Muito além da definição biológica das características físicas da puberdade, vai a abordagem psicológica de hoje, ao levar em conta o aspecto

emocional, o social, a cultura etc. É perfeitamente possível afirmar que a infância não termina exatamente aos doze anos de idade, como define a Lei.

Assim sendo, as atividades de educação preventiva voltadas às crianças não devem considerar, exclusivamente, as suas faixas etárias. É importante que o grupo de crianças com o qual se desenvolve o projeto preventivo seja bem conhecido. Somente dessa forma, poderá ser respeitada a característica daquele grupo, sua maturidade, condição de acompanhar cognitivamente as informações e, sobretudo, a possibilidade de assimilar os comportamentos preventivos. Portanto, não é possível, nem aconselhável, que um mesmo projeto seja aplicado em duas populações distintas, sem que ele seja reestruturado conforme as características do público alvo.

Tudo isso é fator essencial para o andamento de um trabalho preventivo. Sendo assim, devemos nos deter e dar maior ênfase à formação de professores no desempenho do papel de educação preventiva, junto ao público infantil.