A.7 Synergies with other international frameworks
21. Extent to which engagement for safeguarding ICH is enhanced among stakeholders
As cidades estão cada vez maiores e a tendência verificada é a de se intensificar a formação de megalópoles. Há, então, a necessidade de se entender a relação dessas grandes conurbações urbanas e a economia. Para isso, é fundamental compreender porque essas cidades são cada vez maiores. Como foi apresentado, a aglomeração urbana apresenta vantagens – forças de atração – e desvantagens – forças de desaglomeração. É o equilíbrio dessas forças o que define o tamanho ótimo das cidades.
Segundo a teoria desenvolvida por Lösch o tamanho da cidade estaria diretamente relacionado ao tamanho de seu mercado e de seus produtos. Já o tamanho do mercado estaria limitado pelas economias de escala e pelos custos de transporte das mercadorias. É de se esperar que exista uma relação positiva entre
crescimento e tamanho da cidade e dos mercados, nos quais incrementos nos retornos de escala podem gerar especialização, aumento de capital humano e externalidades positivas. (WHEELER, 2003).
Os rendimentos dos trabalhadores são maiores em cidades grandes quando comparados ao percebido em cidades menores (ALONSO, 1970; FUCHS, 1967; HOCH, 1972; IZRAELI, 1973). Para compreender, então, o tamanho das cidades SEGAL (1976) desenvolveu seu estudo com objetivo de identificar a existência de economias de escala no rendimento nas concentrações urbanas. Segal (1976) afirma que o melhor modelo para análises sobre as diferenças entre cidades é o agregado, baseado no teorema de agregação de Hicks. Com base no modelo de produção agregada é que se responderá a questão relativa ao rendimento de trabalhadores em cidades de tamanhos diferentes. Com base nesse modelo o autor chegou às seguintes explicações para a renda dos trabalhadores das cidades:
a) a relação capital/trabalho aumenta com o tamanho da cidade. Salários mais altos compensam as deseconomias;
b) retornos crescentes de escala existem no tamanho da cidade ; e
c) [e mais provável] pequenas e grandes cidades apresentam a mesma função de produção (os mesmos coeficientes para capital e trabalho), mas há um efeito multiplicador conforme o tipo de cidade.
Segal (1976) verificou, entretanto, que quanto à produtividade não há diferença entre retorno de escala quanto ao tamanho das cidades, o que ocorre são ganhos do efeito aglomeração. Apesar de afirmar que o tamanho das cidades é impulsionado pelos ganhos de aglomeração, o estudo não os mensurou. Não foram consideradas outras externalidades que não os ganhos de escala. Assim, apesar da relevância do estudo ele pouco nos ajuda a entender as forças que interagem e definem o tamanho de uma cidade.
Thisse (2011) afirma que a proposta de Henderson (1974b) sobre o tamanho ótimo das cidades é a mais refinada ao descrever como surgiram os diferentes tipos e tamanhos de cidade, bem como a hierarquia entre elas. Na explicação de Henderson, em cada cidade aparece novamente a tensão entre duas forças. De um lado estão as economias externas associadas ao agrupamento de empresas no centro da cidade. De outro lado, existem as deseconomias geradas pela necessidade de se deslocar ao centro de uma cidade maior ou menor.
Assim, em equilíbrio, cada cidade possui um tamanho bem definido, que depende do tipo de empresa que ela acomoda. Como as cidades variam em sua composição industrial, elas têm tamanhos diferentes porque as indústrias diferem nas economias externas que elas conseguem produzir e, com isso, as facilidades oferecidas nessas cidades também se diferem (THISSE, 2011).
O trabalho desenvolvido por Henderson (1974 b)é, de fato, uma maximização das funções de produção e utilidade de uma cidade representativa. Incluindo elementos como importação de recursos naturais, mão-de- obra, salários, poluição (quantitativa), economias de escala e tributos de internalização das externalidades – precificação - o autor chega a uma conclusão bastante distinta daquela defendida pela análise econômica tradicional.
O problema de Henderson (1974b): firmas produzem e exportam bens em uma cidade. A produção precisa da importação de um recurso poluente que gera externalidades negativas para outras firmas e famílias da cidade. Qual seria o impacto da precificação da poluição, ou seja, qual o efeito no tamanho da cidade se o consumo do insumo poluidor fosse desincentivado?
A conclusão de Henderson (1974b): a precificação das externalidades promoverá uma reordenação da produção (realocação dos fatores de produção). Dentro da cidade haverá redução do consumo do bem poluidor e da produção do bem que o utiliza como insumo, mas aumento da produção de outros bens internamente. A redução da poluição e a produção de outros bens mais do que compensariam a redução da produção do poluidor. Assim, o bem estar dos moradores aumentaria e, por isso, a imigração aumentaria promovendo aumento no tamanho da cidade.
A proposição de Henderson (1974b) é oposta a idéia de que as grandes cidades são maiores do que deveriam ser. Ao incorporar a internalização das externalidades negativas o resultado obtido foi um aumento de qualidade de vida e, como reflexo, o incentivo a residência de novos moradores. Apesar de destoar da análise tradicional, as idéias de Henderson (1974b) vem ganhando adeptos nos últimos anos. Glaeser (2007) e Thisse (2011) são dois deles. Esses autores apresentam trabalhos que defendem que a melhor alocação dos recursos é obtida em grandes aglomerações. Porém, o que nos interessa nesses trabalhos é o fato de que ambos argumentam que ganhos financeiros e alocativos, mas também em termos ambientais para a cidade.
Considerando que a hipótese a ser testada neste trabalho é a de que cidades maiores apresentam maiores benefícios ambientais que as pequenas, o trabalho motivador será apresentado resumidamente em seqüência.
3.3.1. Are compact cities environmentally friendly?
Gaigne e Thisse (2011) afirmam que quando consideramos que a estrutura das cidades pode ser do tipo monocêntrica ou policêntrica fica mais evidente a relação existente entre densidade e desempenho ambiental. Isso porque mudanças na densidade populacional afetam os rendimentos e salários de forma que firmas e trabalhadores são incentivados a realocar recursos em um novo padrão de aglomeração. Assim, o que se objetiva no trabalho é mostrar que políticas de incentivo a descentralização das cidades são eficientes (descentralização dentro da própria cidade com a criação de pólos), pois reduzem a poluição e aumentam o bem estar social. Para desenvolver essa análise foi usado o sistema de transportes para se ter uma mensuração do custo ambiental e financeiro de grandes e pequenas cidades.
Os autores afirmam que o problema das analises tradicionais feitas sobre o tamanho ótimo das cidades é que os modelos apresentam duas falhas substanciais: (1) a localização das firmas e das pessoas é utilizada como dada, variável exógena quando na verdade é endógena e determinada por preços, salários e retornos determinados pelo mercado; e (2) a análise feita para cidades individualmente (cidade por cidade) sem considerar a mobilidade espacial dos fatores de produção. Tomando em conta esses dois fatores o trabalho defende a idéia de que cidades policêntricas são mais eficientes do ponto de vista ambiental se comparadas com cidades compactas.
Este é o diferencial do trabalho apresentado: a mobilidade dos fatores. Gaigne e Thise (2011)buscam no trabalho o efeito do aumento de densidade populacional sobre o meio ambiente quando tanto firmas quanto trabalhadores podem se movimentar livremente entre cidades (ou dentro de uma cidade policêntrica). O transporte utilizado nesta locomoção é encarado como uma das grandes falhas de mercado e gerador de perda de peso morto para a sociedade associada a essa imperfeição.
A análise feita considera a existência de um trade-off: de um lado a aglomeração diminui a poluição pelo transporte de mercadorias entre cidades, de outro lado a aglomeração aumenta a poluição pelo aumento de distancia para deslocamento das pessoas até seus trabalhos. Os dois são afetados pela densidade populacional e pelo nível de renda das aglomerações que são influenciados pelo efeito aglomeração. O modelo apresentado no artigo considera: duas cidades, mobilidade dos fatores, três bens primários (trabalho, terra e numerário), distancia entre cidades (ou centros) e uma indústria. Além disso, o modelo permite que a cidade seja do tipo monocêntrica ou policêntrica. O resultado encontrado pelos autores é, como dito anteriormente, que cidades grandes e policêntricas são mais “verdes” do que as cidades compactas.