OCUPACIÓN HOTELERA PEGUERA VERANO 2004-2015 (%)
EXPOSICION DE RESULTADOS DE LAS ENTREVISTAS
A decisão de investir em um projeto, seja ele implantar uma unidade produtiva, aumentar a produção ou inovar um processo produtivo, depende de sua viabilidade. O estudo da viabilidade verifica se o projeto irá trazer retorno suficiente que compense o investimento. Assim, na averiguação da viabilidade de um projeto se analisa a relação entre os benefícios gerados e os custos imputados.
Na teoria keynesiana a eficiência marginal do capital e a taxa de juros determinam os investimentos. Assim, a decisão de quanto e aonde investir dependerá do conhecimento prévio da eficiência marginal dos vários capitais e da taxa de juros de mercado. Keynes (1985, p. 101) define eficiência marginal como:
[...] sendo a taxa de desconto que tornaria o valor presente do fluxo de anuidades das rendas esperadas desse capital, durante toda a sua existência, exatamente igual ao seu preço de oferta. Isto nos dá as eficiências marginais dos diferentes tipos de bens de capital. A mais alta destas eficiências marginais pode, então, ser considerada como a eficiência marginal do capital em geral.
Assim, segundo o autor, eficiência marginal do capital refere-se à taxa de retorno esperada do dinheiro investido, ou seja, depende da expectativa de receita e do preço de oferta do bem de capital. O empresário fará investimentos produtivos até o momento em que a taxa de lucros for superior à taxa de juros bancários.
Já a taxa de juros será determinada pela preferência pela liquidez e a quantidade de moeda em circulação. A taxa de juros é a recompensa pela aceitação do risco do empréstimo e não pela
19 Mas, segundo Clay (2004), muitos gastos poderiam ser diminuídos com a adoção. Na verdade, pode ser também que o custo de adoção de BPA seja eliminado pelo menor gasto em outros fatores como adubação.
espera per si (KEYNES, 1985). Dessa maneira, Keynes afirma que o volume de investimento dependerá do risco do empresário e do risco do emprestador.
O risco do empresário diz respeito à dúvida que o mesmo tem se conseguirá o retorno que espera e relaciona-se com a eficiência margina do capital. Já o risco do emprestador trata da dúvida do emprestador de não receber o que fora emprestado e refere-se à taxa de juros. O segundo tipo de risco não existirá se quem toma emprestado e quem empresta for a mesma pessoa (KEYNES, 1985).
Para Keynes o elemento primordial na determinação do investimento não é a taxa de juros, mas sim a eficiência marginal do capital. A expectativa que o investimento seja rentável será o motivador, irá determinar a “propensão a investir”. Neste sentindo, foram criados instrumentos para averiguar a eficiência marginal do capital. Mais precisamente, estes instrumentos são utilizados na avaliação da viabilidade de projetos. Dessa forma, como já fora dito anteriormente, o estudo de viabilidade tem o objetivo de avaliar a relação entre os benefícios e os custos gerados por um investimento.
E “os verdadeiros benefícios e custos do projeto dependem do ponto de vista em que se situa o avaliador” (BUARQUE, 1984, p. 136). Dessa maneira, o projeto pode ser analisado do ponto de vista financeiro e do ponto de vista econômico.
A análise de projetos do ponto de vista econômico, segundo Abecassis e Cabral (2000, p. 99), é aquela que verifica “as decisões dos efeitos de um investimento sobre a economia de um país, uma região ou um setor de atividade”. Também conhecida como análise social ou análise custos/benefícios este tipo de avaliação tem como motivador a verificação dos efeitos de um investimento sobre a coletividade, os custos e os benefícios para todos os agentes (empresas, famílias, administração e exterior)
A avaliação financeira ou empresarial é utilizada em termos microecômicos, para averiguar os reflexos de um investimento sobre um agente, o empresário. A motivação para a análise do projeto tem relação direta com o patrimônio do investidor. Para a determinação se deve ou não se realizar o projeto se compara as receitas e as despesas incorridas neste empreendimento por toda a sua vida útil (ABECASSIS; CABRAL, 2000; BUARQUE, 1984).
Há diferentes formas de analisar um projeto, à luz da teoria keynesiana os instrumentos utilizados são o da Rentabilidade Simples, o do Valor Presente Líquido (VPL) e o da Taxa Interna de Retorno (TIR) (ABECASSIS; CABRAL, 2000; SAUL, 1995 apud GRASEL, 1999).
Os dois últimos são considerados as melhores ferramentas e também são os mais utilizados pelos empresários brasileiros.
Na análise de rentabilidade simples verifica-se o lucro médio em relação ao investimento (r= L/I). A grande vantagem dessa ferramenta é que é de fácil mensuração, conhecendo as receitas e os custos de um projeto pode-se calcular a rentabilidade simples. A desvantagem deste instrumento fica por conta da suposição de que o quadro financeiro de uma empresa é sempre o mesmo, ou seja, não considera a variável tempo no investimento (ABECASSIS; CABRAL, 2000).
O critério do Valor Presente Líquido (VPL) “refere-se ao montante de dinheiro em que um investimento se transformará ao longo de determinado período” (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2000, p. 108). Ao contrário da análise de rentabilidade simples, o fator tempo é considerado na análise de VPL, por isso este instrumento é considerado um dos melhores e mais próximo da realidade. O VPL é representado pela seguinte fórmula:
Onde correspondem às receitas líquidas do empreendimento; já representam as despesas anuais do empreendimento; equivalem aos investimentos anuais; corresponde à taxa de juros ou a taxa de desconto do capital e é o valor residual.
O capitalista investirá no projeto se o VPL for positivo. Se houver mais de um projeto em que o VPL apareça positivo, o empresário deve optar por aquele de maior Valor Presente Líquido. Entretanto, havendo projetos em que as incertezas sobre o futuro sejam muitas, o uso de VPL é limitado. Nesses casos, Abecassis e Cabral (2000) recomendam o uso de recursos complementares. Uma das maneiras de contornar este problema seria através da aplicação da análise de sensibilidade, onde se testa os resultados conforme a variação de um parâmetro.
Por fim, o último critério citado trata-se da Taxa Interna de Retorno (TIR) e refere-se a um critério complementar ao VPL. Normalmente, é utilizada quando se desconhece a taxa de desconto ou a taxa de juros. Segundo Ross, Westerfield e Jordan (2000, p. 223) “a TIR de um investimento é a taxa exigida de retorno que, quando utilizada como taxa de desconto, resulta em
VPL igual a zero”. Dessa maneira, o cálculo da TIR é expresso pela mesma fórmula do VPL, com uma única diferença, é que no lugar do VPL se coloca o zero:
A TIR serve para comparar diversos projetos entre si. A escolha sobre qual investir, dependerá do resultado da TIR. O investimento mais atraente será aquele que apresentar a maior taxa de juros. O método para o cálculo da TIR é através de tentativa e erro, ou seja, utiliza-se de aproximações sucessivas até se chegar a melhor taxa. O principal problema com a TIR relaciona- se aos “fluxos de caixa não convencionais”. Nesses casos a resposta sobre qual o melhor projeto pode ser confusa, pois existem mais de uma taxa onde o VPL é igual a zero. Assim, recomenda- se o uso apenas do VPL (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2000).
Este trabalho analisa a viabilidade financeira das boas práticas. Baseado na teoria keynesiana, acredita-se que um produtor decidirá adotar boas práticas se o valor de mercado do investimento for maior que o seu custo. A fim de checar a viabilidade das BPA, foram utilizadas as três ferramentas aqui apresentadas.
4 A ATIVIDADE AGROPECUÁRIA NO NORDESTE DO MATO GROSSO
Neste capítulo são apresentadas as características da área de estudo, das propriedades, dos fazendeiros e da atividade em si. A descrição dos proprietários, propriedades e da atividade foi realizada com base na análise de dados coletados em campo de 40 fazendas localizadas na região de estudo, sendo 20 pecuaristas e 20 sojicultoras. Já a apresentação da área de estudo foi realizada a partir de dados secundários. Esta primeira análise tem por objetivo dar fundamento às análises que farão parte do capítulo três deste trabalho.