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4. PROJECT DEVELOPMENT ANALYSIS

4.1 Exploring ideas

Ao chegarmos ao final deste trabalho voltaremos a alguns pontos e conceitos fulcrais desenvolvidos ao longo dos capítulos da dissertação, mostrando as relações entre eles e construindo uma análise que sintetize as principais questões levantadas pela pesquisa, ao mesmo tempo em que buscaremos mostrar mais claramente as relações entre memória, patrimônio e cultura histórica, enumerando exemplos retirados do próprio universo estudado ao longo do trabalho.

No que se refere ao boom patrimonial apontado por Hartog no final do século XX, consideramos que, em certa medida, isso foi importante, pois acreditamos que através desse novo olhar lançado ao patrimônio cultural iniciando na Europa e espalhado pelo mundo, foi possível a tomada de conhecimento, por parte de segmentos organizados da sociedade, do patrimônio existente também em pequenas cidades como é o caso de Cajazeiras.

Entendemos que o Patrimônio Histórico, além de se configurar nas majestosas construções existentes no velho continente, ou nas arquiteturas do barroco colonial brasileiro, também é constituído por aquelas que estão nos pequenos centros urbanos e possuem um significado tanto para as memórias, quanto para a história local. Assim, a ascensão e valorização das memórias, parciais, setoriais, particulares, ligadas ao patrimônio – que atualmente é reconhecido nas suas esferas material e imaterial – serve de fundamento para a construção de histórias de grupos particulares, com base nas memórias preservadas, em detrimento da concepção de uma história/ memória nacional dominante.

Contudo, em nossa análise vimos que isso só é possível a partir de aplicação de políticas públicas e de educação patrimonial, que visem a promover a inclusão social da comunidade do entorno desse patrimônio, por meio de atividades culturais com vistas a uma exploração sustentável desses bens, pois o acervo cultural e patrimonial de uma comunidade pode ser representativo de seus valores, mas é preciso que essa comunidade participe de todo o processo de sua constituição.

Tomando por base essas discussões observamos, ainda, que a falta de envolvimento da população de Cajazeiras de uma maneira geral com o patrimônio histórico local, se deve, ao fato de, além de esse patrimônio privilegiar um determinado segmento social de uma condição socioeconômica mais elevada, a inexistência de políticas públicas, também compromete a divulgação desse patrimônio como parte da história local. Acreditamos que uma ampla participação dos diferentes sujeitos sociais na eleição/preservação desse

patrimônio, possibilitaria aos próprios indivíduos, não apenas conhecerem essa história, mas se posicionarem de maneira crítica e reflexiva diante da mesma. A partir disso, compreenderiam sua inserção no meio social do qual fazem parte, bem como o patrimônio histórico que o cerca. Ao contrário disso, a distância existente entre a comunidade e os bens culturais que possui revela, em certa medida, a própria desigualdade existente em diversos níveis: social, cultural, econômico.

Compreendemos ainda que é nesse sentido que o patrimônio histórico se torna parte de uma cultura histórica nos termos em que Neves (1999) defende como a identidade social de um povo sendo que essa identidade seria/é adquirida pelo conhecimento da história de sua comunidade, mas não somente como acúmulo de conhecimento, mas também para compreender seu papel no meio social que o cerca, pois se acredita que a preservação do Patrimônio Histórico e a criação de políticas públicas de educação patrimonial são ações significativas para a construção de uma cultura histórica local, ao mesmo tempo em que desenvolvem na comunidade social uma cultura de preservação.

Ainda de acordo com Neves, a memória é determinante para que tanto os indivíduos como a própria comunidade consigam instituir a imagem que possuem de si mesmos. Nessa acepção, concorda-se ainda com Halbwachs, quando afirma que a memória também necessita da existência de um meio material no qual conserve as lembranças reconstruídas no inconsciente de cada sujeito. A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão, em determinado momento, à disposição no conjunto de representações que povoam a consciência atual (BOSI, 1994, p. 55). Desse modo, pode-se dizer que o patrimônio histórico e cultural, sendo um substrato para a memória, é também um fenômeno considerável para a construção e difusão de uma determinada cultura histórica.

Assim sendo, a preservação de um patrimônio histórico também deve ser importante para o indivíduo se afirmar enquanto cidadão participativo de sua comunidade e da cultura nela existente, e a Educação Patrimonial, nesse sentido, seria uma maneira de redirecionar o imaginário social e político para a valorização desse patrimônio como parte da história e cultura histórica locais.

Mesmo entendendo que a aplicação da Educação Patrimonial, como disciplina escolar, pode não ser garantia de um total sucesso no que se refere à preservação de um patrimônio histórico, pois como afirma Barbosa (2005) isso vai depender também da maneira como essa metodologia vai ser trabalhada em sala de aula, acreditamos que ela seria uma maneira eficiente de promover os bens patrimoniais junto aos alunos, “pois se espera que esses jovens

estudantes se transformem em agentes multiplicadores e atuem, como tal, nas suas escolas, famílias e comunidades” (GOMINHO FILHO, 2006, p. 142-143).

Dessa forma, defendemos também que, para se preservar um acervo patrimonial, se faz necessário, além de políticas, a parceria entre os vários segmentos organizados da sociedade, a exemplo de órgãos como secretarias de educação e cultura, universidades, prefeitura, e se possível com a criação de um órgão municipal específico para tratar das questões patrimoniais perante as instâncias estadual e federal que são as que detêm o poder de ação no que se refere à proteção/ preservação do patrimônio tombado. Assim sendo as pedras da cidade devem /podem ser conservadas como parte de um acervo de memórias sustentadas pelo próprio patrimônio histórico.

Nesse sentido, é importante ressaltar que nossa abordagem com relação à cidade e modernidade se deu por compreendermos, segundo o pensamento de Simão (2006), que foi a partir do processo do avanço da industrialização que se iniciaram, no mundo, as transformações que modificaram o perfil social e urbano das cidades, levando a uma aceleração sem precedentes no que se refere à edificação de novas construções e a demolição de antigas, o que levou também ao desencadeamento das ações em torno da proteção do patrimônio arquitetônico antigo. Ainda no século XIX, as teorias de preservação foram responsáveis por espalharem pelo resto do mundo a preocupação com o seu patrimônio histórico edificado.

Ainda sobre esse ponto cabe retomarmos a discussão de que, na virada do século XIX para XX, a grande evolução urbana vivenciada, sobretudo nas metrópoles europeias, também foi sentida nas pequenas urbes como é o caso de Cajazeiras, onde seus habitantes almejaram e concretizaram a conquista dos signos do moderno, como identifica Mariano (2010): luz elétrica, o trem, o automóvel, o cinema, os jornais, o telefone, o futebol, e, de maneira especial, as construções arquitetônicas que, seguindo os padrões artísticos da época, foram edificadas com capricho e riqueza de detalhes que evidenciavam/evidenciam o poder social e econômico de seus antigos proprietários.

Diante desse processo de crescimento e modernização das cidades no inicio do século XX, no Brasil também se inauguraram, ainda na década de 1930, as políticas culturais de preservação patrimonial que foram avançando ao longo das décadas seguintes e seguindo o próprio ritmo dos regimes políticos que foram se sucedendo no país. Consideramos que esta análise foi importante para percebermos a maneira como as políticas culturais foram avançando no que diz respeito à compreensão e preservação patrimonial no Brasil e que mesmo que na atualidade ainda faltem políticas públicas e/ ou a ineficácia de algumas delas

comprometa uma preservação sustentável do patrimônio histórico, elas podem ser consideradas grandes conquistas. Consideramos o reconhecimento do patrimônio imaterial ou intangível um dos aspectos mais importantes.

Buscamos ainda, por intermédio da realização de um levantamento fotográfico, apresentar parte do acervo arquitetônico de Cajazeiras, historiando cada um dos bens apresentados e mostrando aspectos de sua atual situação. E, com a realização de entrevistas realizadas com algumas pessoas representativas de determinados segmentos da sociedade no campo nas esferas pública e privada, buscamos analisar em que medida existe uma preocupação por parte desses indivíduos com relação ao patrimônio histórico tombado pelo IPHAEP na cidade de Cajazeiras.

O que constatamos foi que os cidadãos entrevistados possuem considerável interesse com relação à proteção do patrimônio arquitetônico e histórico em Cajazeiras, embora não se possa afirmar isso sobre a sociedade em geral. Diante dessa realidade acreditamos que nossos entrevistados também podem ser apontados como potenciais aliados na divulgação desse patrimônio. Isso poderá ser realizado por meio de ações que visem parcerias entre instituições públicas e privadas, a fim de desenvolver políticas que, de algum modo, incentivem os proprietários a manter seus imóveis dentro do contexto patrimonial a que pertencem. Acreditamos que incentivos por meio de abatimento de tributos municipais sejam relevantes, tanto para os proprietários como para empresas que vierem a ajudar na manutenção, preservação e salvaguarda desses bens.

Em outra medida, defendemos a criação de um órgão municipal que complemente, atuando de maneira mais ágil, as atribuições do IPHAEP, na fiscalização e proteção dos bens tombados e, sobretudo, a aplicação da Educação Patrimonial como política pública, por acreditarmos que, através dessa disciplina, seja possível conseguir resultados positivos no que concerne a uma sustentabilidade do patrimônio, atribuindo ao mesmo um novo significado para a população local no que se refere ao sentimento de pertença. Dessa maneira, entendemos que patrimônio histórico não deve ser entendido como antiguidade morta a nos falar de um passado construído por uma elite econômica e social extinta, mas, ao contrário, ser uma ponte ao passado com vistas a um futuro sustentável e participativo. Assim sendo, acreditamos que a partir desse entendimento será possível, através do conhecimento do patrimônio histórico, refletir de forma crítica sobre a sociedade em que vivemos.

Diante do exposto, enfatizamos que as discussões apresentadas ao longo desta dissertação buscaram apresentar de maneira panorâmica, os temas propostos e discutidos em cada um de seus capítulos, onde procuramos traçar, em linhas gerais, as relações entre

memória, patrimônio e cultura histórica. Destacamos também que este não é o final dessa pesquisa, mas sim, o indício de que novas trajetórias estão abertas aos pesquisadores que queiram aprofundar essa temática. Um caminho que apontamos e achamos relevante talvez, seja por meio de um trabalho mais aprofundado de História Oral, analisar as memórias de um número maior de pessoas dos vários segmentos da sociedade cajazeirense acerca de como interpretam o patrimônio histórico aqui analisado.

Por fim, queremos dizer que este é primeiro trabalho acadêmico da cidade que se ocupou da questão do Patrimônio Histórico, buscando fazer uma relação desse com a história e a memória locais, mas acredito que novos estudos sobre esta temática poderão/ deverão ser realizados, visto que o conhecimento aqui produzido não tem por objetivo ser o único nem o último: novas questões poderão ser levantadas e novas fontes podem ser encontradas, o que possibilitará um amadurecimento desse conhecimento. Estamos conscientes de que lacunas podem não ter sido preenchidas. Contudo, ao longo do percurso da pesquisa e escrita da dissertação, buscamos responder às questões que, a nosso ver, eram/são pertinentes.

6 – REFERÊNCIAS

6.1 – Livros

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________. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Parte IV – Ciências Humanas e suas tecnologias. Brasília: MEC, 1999.

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3).

6.2 – Artigos

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