1. Impuesto sobre estancias turísticas (IET) en la actualidad
1.2. Explicación y funcionamiento del impuesto
Nos últimos anos a cartografia tem saído do controle das poderosas elites que exercem a dominação sobre ela, devido o avanço tecnológico e a criação de novos softwares de mapeamento, fazendo com que a confecção de mapas saísse das mãos dos especialistas (CRAMPTON; KRYGIER, 2008).
A cartografia pode ser entendida de quatro formas: primeiro como sendo a construção de mapas que têm a ver com a penetração e orientação, identificação das rotas para o interior, pontos de referência considerados críticos nestas rotas e colocação de símbolos que sugerem a existência de riquezas; a segunda como a territorialização ou delimitação do traçado do Estado, definindo as propriedades dentro dele; a terceira como a da criação de jurisdições administrativas para facilitar o controle centralizado sobre o território nacional e seus domínios e o quarto como um mapa de zoneamento, prescrevendo utilizações para o território (ACSELRAD, 2008).
Para Lévy (2008), o locus de produção da cartografia é societal, pois ele concerne ao mesmo tempo, o conhecimento teórico e a vida cotidiana, a linguagem e a tecnologia, o econômico e o político.
A metodologia da cartografia envolve uma série de procedimentos que possibilitem a identificação/construção de várias visões, que chamamos de perspectivas ou comunidades em um campo particular de debate. Assim, os mapas tentam representar a percepção do pesquisador/cartógrafo de um fenômeno, onde a representação visual influencia o processo de identificação dessas perspectivas(TELLO; GOROSTIAGA, 2009).
Para os autores Torres, Gaona e Corredor (2012) e Gorayeb e Meireles (2014) os mapas são representações concretas do espaço físico e social, são o retrato de uma comunidade, de um povo, dos moradores de uma determinada localidade. Desse modo, os mapas podem ser construídos a partir da visão de grupos distintos (crianças, idosos, mães, pescadores, agricultores, artesãos, professores e agentes de saúde), por exemplo, fazendo com que um mapa só faça sentido quando lido em conexão com o contexto sócio histórico em que foi construído.
A partir dos anos 1990, muitas iniciativas de cartografia se propuseram a incluir populações locais nos processos de produção de mapas, envolvendo diversas
instituições tais como agências governamentais, ONG, organizações indígenas, organismos multilaterais e de cooperação internacional, fundações privadas, universidades, entre outras (ACSELRAD; COLI, 2008).
Desta forma, o “mapeamento participativo” tornou-se um requisito dos manuais das agências multilaterais, bem como a “participação comunitária”. Assim, para implantar projetos, programas e planos é necessário que a “população local” se manifeste por meio de audiências e consultas públicas, quanto aos trabalhos de intervenção (ALMEIDA; FARIAS JÚNIOR, 2013)
Algumas ferramentas e métodos participativos utilizados na prática e difundidos internacionalmente, são descritos por Corbett et al. (2006):
Cartografia efêmera: Este método muito básico envolve o traço de mapas no chão. Os participantes utilizam matérias-primas, tais como terra, seixos, gravetos e folhas para representar a paisagem física e cultural.
A cartografia de esboço é um método ligeiramente mais elaborado. Esboça- se um mapa com base na observação ou memória. Não conta com medidas exatas, tais como escala consistente ou referências geográficas. Normalmente envolve o desenho de símbolos em folhas grandes de papel para representar as características da paisagem.
A cartografia de escala é um método de produção de mapas mais sofisticado, que visa a gerar dados de referências geográficas. Isso permite o desenvolvimento de mapas de escala relativamente exata e com referências geográficas que podem ser comparadas diretamente com outros mapas. A Modelagem 3D integra os conhecimentos geográficos com os dados de
elevação, produzindo modelos de relevo tridimensionais autônomos, de escala e com referências geográficas.
As fotos-mapas são impressões de fotografias aéreas (ortofotografias) que são corrigidas geometricamente e dotadas de referências geográficas. Os mapas de ortofotografias constituem uma fonte de dados precisos, obtidos por sondagem remota, que podem ser utilizados para projetos cartográficos comunitários de grande escala.
Os Sistemas de Posicionamento Global (GPS) atualmente são mais acessíveis e o uso deles tem se ampliado rapidamente entre as ONG e as organizações comunitárias. O GPS é um sistema de posicionamento que
utiliza satélites para indicar ao usuário sua posição exata usando um sistema de coordenadas conhecidas tal como latitude e longitude.
Os sistemas multimídia de informações vinculados a mapas são similares às tecnologias de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), mas são de compreensão e controle mais fáceis. Os conhecimentos locais são documentados por membros da comunidade por meio de vídeos digitais, fotografias digitais e textos escritos armazenados em computadores e administrados e comunicados com a interface de um mapa interativo, digital. O SIG é um sistema computadorizado projetado para coletar, armazenar,
gerenciar e analisar as informações com referências sobre espaços geográficos e dados associados de atributo. Utiliza-se cada vez mais a tecnologia SIG para explorar as questões de interesse para as comunidades. A conversão da cartografia clássica para um processo participativo da cartografia social pode ajudar a sistematizar os conhecimentos e relatar conflitos e injustiças (TORRES; GAONA; CORREDOR, 2012), pois a cartografia social constitui-se como um ramo da ciência cartográfica que trabalha de forma crítica e participativa, com a demarcação e a caracterização espacial de territórios em disputa, de grande interesse socioambiental, econômico e cultural, com vínculos ancestrais e simbólicos (GORAYEB; MEIRELES, 2014).
A cartografia social pode ser entendida como uma metodologia de pesquisa participativa e colaborativa que convida à reflexão, organização e ação entorno de um espaço físico e social específico, buscando a representação dos fenômenos sociais por meio de mapas que registram e estruturam uma multiplicidade de perspectivas ou formas de ver estes fenômenos (TELLO; GOROSTIAGA, 2009; TORRES; GAONA; CORREDOR; 2012).
O desafio da cartografia social consiste em garantir que as práticas e os conhecimentos sobre o espaço físico e social possam ser organizados para os exercícios de conhecimento, organização e resistência que as comunidades se comprometem (LOBATÓN, 2009). Uma forma de se obter isso é por meio do uso e legitimação dos mapas como materiais de apoio em processos judiciais que algumas dessas comunidades são forçadas a realizar, a fim de defender sua permanência e ter uma vida digna em seus territórios, uma vez que, os mapas são considerados um conjunto específico de assertivas de poder e conhecimento (CRAMPTON; KRYGIER,
2008; TORRES; GAONA; CORREDOR, 2012). O Quadro 3 mostra um comparativo entre a cartografia social e a cartografia convencional.
Quadro 3 – Comparação entre cartografia social e a cartografia convencional
Elemento de
comparação Cartografia social (cartesiana ou não) Cartografia convencional (cartesiana) Território
Representa as variáveis importantes de cada território a partir de um autoconhecimento da comunidade que participa.
Representa o que desde a modernidade se defini como prioridade para a definição do Estado-nação.
Método
Procedimentos qualitativos onde a comunidade é o principal ator. Entre eles estão os benefícios da linguagem oral e representação simbólica.
O uso de instrumentos rígidos para obter certas informações e metodologias estatísticas.
Posição
política Há uma clara intenção e postura política.
Há uma objetividade aparente e imparcialidade dos dados é assumida.
Interesse- poder
Um processo no qual se reconhece os interesses da comunidade como um motor de processos sociais. Assim, é cobrada a consciência do poder de autodeterminação e transformação territorial.
É levado em conta apenas o interesse institucional ou corporativo.
Representação do espaço
Combinação do espaço percebido, concebido e vivido. Representações das relações (fortalecimento das redes, fluxos) que compõem um território.
Representação do espaço percebido (Euclidiano), onde prevalece o georreferenciamento.
Metodologia
Métodos qualitativos e participativos que permitem à comunidade e aos especialistas: na elaboração conjunta dos mapas, por meio do conhecimento coletivo; o ambiente cultural, que é mediado pelas necessidades da comunidade e o potencial da região que se quer representar.
Métodos quantitativos. Grupo de “especialistas”. Representam os interesses da instituição e do estado.
Tempo de execução
A utilização de métodos qualitativos leva a um trabalho mais demorado, porém com resultados menos exclusivos.
Existem procedimentos padrão que são facilmente sistematizados.
Sistematização
A sistematização está emergindo. É necessário implantar algum sistema de documentação da informação coletada.
Continua trabalhando na sofisticação do software e sistematização das políticas. Escala Definido pelo nível de participação. Escalas geralmente detalhadas. Nível de agregação. Várias escalas e níveis de generalização.
Fonte: Adaptado de Lobatón (2009)
O mapeamento participativo surge de uma ambiguidade, pois utiliza o conhecimento espacial e ambiental das comunidades locais, tornando possível que
as suas reivindicações sobre os seus recursos e território sejam elaboradas e interpretadas por um mesmo coletivo, além de permitir que os seus membros tenham um controle sobre o conhecimento dos recursos locais, porém, sua realização mostra-se dependente da estrutura de poder na qual ele se instaura (HERLIHY; KNAPP, 2003; FOX et al., 2008; ACSELRAD; COLI, 2008; MILAGRES, 2011).
Além disso, o mapeamento participativo com base nas comunidades é visto como uma estratégia para a capacitação e o fortalecimento das comunidades locais, ajudando no controle, na organização e na criação de estratégias comunitárias, bem como transmitindo as visões locais ao exterior (ACSELRAD, 2008; FOX et al., 2008). Na elaboração do caderno de atingidos pela hidrelétrica de Tucuruí do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, coordenado por Almeida e Marin (2014), foram realizadas reuniões com os atingidos pela UHE de Tucuruí e a Aldeia Akrãtikatêjê, a fim de confeccionar mapas com os seus conhecimentos, observando por meio de suas falas os direitos violados no passado e as novas violações com a segunda etapa. Desta forma, a cartografia social busca trabalhar o conhecimento tradicional juntamente com o científico.
Os mapas sociais são representações do espaço, a partir da visão das pessoas que moram num território, nos quais apresentam a forma como vivem e trabalham, os espaços simbólicos e afetivos (ACSELRAD, 2014). No mapeamento social, as comunidades representam o seu mundo a seu modo, onde o mapa não é algo fechado, mas um processo permanente de construção (GORAYEB, 2014).
A partir de 1990, iniciou-se uma série de experiências de mapeamento com comunidades que vivem na região de abrangência do Programa Grande Carajás (PGC), e em 2004 criou-se um projeto, com financiamento da Fundação Ford, denominado Nova Cartografia Social dos Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, sendo que quando se refere à região amazônica, assume o nome de Nova Cartografia Social da Amazônia, tendo como objetivo produzir interpretações da problemática social, econômica e ecológica da região, a partir das experiências dos atores sociais envolvidos (ACSELRAD; COLI, 2008).
O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) incentiva povos e comunidades tradicionais da região a produzirem sua autocartografia. Assim, o material elaborado tem um maior conhecimento sobre o processo de ocupação
dessa região, bem como uma maior ênfase e um novo instrumento para o fortalecimento dos movimentos sociais que nela existem (GORAYEB, 2014).
A professora Rosa Acevedo Amorin, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), explica que os grupos sociais (mulheres quebradeiras de coco, ribeirinhos, homossexuais, quilombolas, indígenas, entre tantos outros) dificilmente conseguem visualizar na cartografia oficial seu território e suas demandas, pois há um vazio de informação sobre estes grupos, suas histórias, suas experiências, suas formas de trabalho e seus modos de existência coletiva (UFPA, [s.d.]).
A “nova cartografia social” se encontra para além das narrativas de pretensão histórica, que insistem no primado da continuidade com o passado, e se coaduna com o presente das ações políticas, produzindo elementos de uma descrição etnográfica que não implica automaticamente num tempo linear, que abrange componentes ecológicos, descrevendo a relação de cada comunidade com as florestas e os recursos hídricos, e estabelece clivagens que apontam para uma diversidade cultural (ALMEIDA et al., 2015).
O apoio da cartografia social neste trabalho surge de forma a adensar o conhecimento da região em estudo, por meio da interpretação que os moradores do lago fazem do seu modo de vida e de como eles se veem inseridos na dinâmica dessa região.
Na próxima seção será retratada a ferramenta denominada IAD framework de Elionor Ostrom, o qual demonstra um quadro para análise de problemas complexos, como o estudo da vulnerabilidade hídrica causada por empreendimentos hidrelétricos na Amazônia. Esta framework é composta por três elementos: as variáveis exógenas, uma arena ação e as interações que geram produtos e resultados.