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6.1 Explanation to MatLab-code
O método do GM permite muitos avanços no atendimento a essa população, princi- palmente no âmbito das instituições públicas. Mas, o mais importante, é que viabiliza uma necessidade amplamente apoiada por estudiosos dos adolescentes que cometeram ofensa sexual (Hengeller, Chapman, Borduin, Schewe & McCart, 2009; Marshall, 2001;
Oliver, 2007; Zankman & Bonomo, 2004) que é a atenção à família desses sujeitos. Es- ses autores preconizam que o atendimento ao adolescente não pode se dar dissociado de sua família, sob pena do surgimento de recidivas do ato violento.
O primeiro encontro, com o tema da proteção, ajudou a problematizar os modelos pa- rentais de educação, facilitando a reconstrução familiar de novas regras, como não cau- sar dano / não fazer o mal (Fishman, 1996). O segundo e o terceiro encontros (sexu- alidade e fantasias) ajudaram os pais a reconhecerem o desenvolvimento psicossexual dos adolescentes, e possibilitaram aos adolescentes a reflexão de como eles expressam a própria sexualidade. A partir dessa reflexão, foi possível direcionar o desenvolvimento de uma expressão sexual que respeite as crianças e que busque momentos, espaços e pessoas próximas de sua idade e do seu desenvolvimento psíquico. O quarto encontro (violência é um crime) ajudou os pais, novamente, a refletir sobre os instrumentos uti- lizados para estabelecer hierarquia, autoridade, regras e valores. Este encontro também possibilitou aos adolescentes tomarem consciência de seus atos violentos, e que estes atos possuem raízes em diversas origens (individual, família, escola e sociedade). Além disso, foi possível mostrar a eles a importância de se responsabilizarem pelas atitudes cometidas diante da criança e da família. O quinto e o sexto encontros destinados ao procedimento do Genograma ajudaram as famílias a compreenderem o ciclo familiar, a herança familiar e fenômenos como a repetição da violência. E o último encontro ajudou as famílias a projetarem um futuro consciente e planejado e cooperarem com os adolescentes na expectativa de exercerem uma sexualidade satisfatória com namoros futuros.
O GM configurou-se como um espaço no qual as crianças tiveram voz para expressarem seus sentimentos, seus desejos de maior proteção e trocas de afeto; os adolescentes tiveram um momento legítimo para expressarem suas necessidades, seus arrependi- mentos, suas esperanças e firmarem novos compromissos com as famílias; e os pais e as mães tiveram a oportunidade de expressarem seus sentimentos de amor, de faze- rem exigências plausíveis e de propor novas regras familiares. Em outras palavras, o GM possibilitou novas organizações familiares com o compromisso de buscar relações familiares saudáveis e de evitar os padrões disfuncionais. Mas o principal potencial do GM é que esta proposta é condizente com o contexto e a dinâmica da saúde pública. Em outras palavras, o GM oferece uma prática social de saúde para um problema legíti-
mo de saúde pública (abuso sexual), produzindo respostas que toda uma coletividade é atendida direta e indiretamente.
Em relação aos limites, precisamos avançar na avaliação de risco de repetição do com- portamento violento de cada adolescente, com o objetivo de identificar detalhes do de- senvolvimento psicológico, familiar e sexual. Infere-se que uma avaliação dessa natu- reza pode apresentar outras informações relevantes e esclarecedoras da impulsividade sexual dos adolescentes. Essa avaliação mais acurada vai permitir que, ao final do GM, se tenha melhor noção da possibilidade de recidiva do ato violento, e a necessidade de encaminhamento para atendimento individualizado.
Dois desafios aqui se colocam em relevo. O primeiro é que uma boa parte dos ado- lescentes enfocados no GM apresentou demandas de desenvolvimento de habilidades sociais, mais especificamente na área de relacionamentos afetivo-sexuais. Sugere-se que um momento para o desenvolvimento dessas habilidades no GM pode ajudar o ado- lescente a direcionar a sua sexualidade de acordo com os padrões e regras sociais, bem como melhorar sua competência social. O outro desafio beneficia os pais. A maioria deles concordou que é necessário utilizar outros recursos para educar, porém não sa- bem como usar outros métodos, uma vez que eles têm domínio apenas do recurso da violência. Precisamos pensar em, durante o atendimento, a adoção de um momento destinado, aos pais, para desenvolvimento de estratégias educacionais construtivas.
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