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Experiment 2: Performance in Windy and Wavy Conditions

5.5 Experimental Results

5.5.2 Experiment 2: Performance in Windy and Wavy Conditions

Vanessa iniciou a aula dizendo para os alunos que eles construiriam um dado, o que seria fácil para eles, considerando que haviam construído os presentes para os pais, as caixas na forma de prisma de base hexagonal ou pentagonal. Aproveitou o momento para dizer que os alunos deveriam apresentar ao Sarquis os comentários que já haviam feito sobre como os pais reagiram aos presentes. Sarquis acatou a sugestão dizendo que gostaria de ouvir esses comentários. Vários alunos então relataram como seus pais haviam recebido os presentes, destacando principalmente a surpresa de saberem que seus filhos os haviam produzido e a satisfação demonstrada quando brincaram com o jogo. Esses relatos e comentários que se seguiram duraram sete minutos. Vanessa então retomou a descrição da atividade do dia com o diálogo transcrito abaixo.

Episódio 1:

01. Vanessa: Nós vamos começar a deduzir como vai ser a construção do nosso dado. Nós vamos desenhar aqui no quadro umas cinco maneiras né? ((Olhando para Sarquis, que desenha no quadro uma planificação correta e não retribui o olhar)). Umas cinco planificações de... Uma delas é a correta para a gente fazer o nosso cubo. As outras... vocês vão testar qual delas...tem que testar todas elas até vocês chegarem na correta. Primeiro, vocês podem estar visualizando, olhando... vamos imaginar primeiro como seria o nosso dado. O nosso dado vai ter a forma do quê?

02. Alunos em coro: do cubo.

03. Vanessa: Do cubo. Então tá. Quantos lados tem esse cubo? 04. Alunos em coro: Seis.

05. Vanessa: Seis. Então, nós temos que imag... pela planificação, vocês vão estar observando como que eu vou conseguir fechar o meu dado e vou ter os meus seis lados, né? Como que eu vou conseguir estar fechando isso aí. Então, o Sarquis vai desenhar no quadro algumas das... algumas planificações e vocês vão estar desenhando em uma folha... que eu vou botar na mesa de vocês... pode desenhar pequeno, depois recortar... e tentar ver qual delas

vai chegar no nosso dado. ((Sarquis desenha a segunda planificação, desta vez errada, composta de seis quadrados alinhados)).

06. Aluno 1: eu já sei.

07. Aluno 2: não vou desenhar não, eu já sei. 08. Aluno 3: nem precisa desenhar não.

09. Vanessa: Calma ((retira-se para pegar as folhas onde as crianças farão seus desenhos. Enquanto isso, várias crianças, comentando os 2 desenhos, dizem que já sabem qual vai ser a planificação do dado e qual não vai ser)).

Vanessa parece procurar uma melhor maneira de apresentar a atividade enquanto vai falando. As pausas em sua fala dão a impressão de que ela vai, aos poucos, elaborando a idéia. Como esse início não havia sido planejado, ela decide que Sarquis deve desenhar cinco planificações e, dentre elas, apenas uma correta (turno 01). No entanto, não obtém uma aprovação de Sarquis, que permanece voltado para o quadro desenhando. Então apresenta algumas perguntas com respostas óbvias aos alunos como se quisesse ganhar tempo para organizar melhor as idéias (turnos 02, 03 e 04).

Quando retoma a descrição da atividade, já não define quantas planificações serão desenhadas no quadro pelos professores. No entanto, adianta a explicação dizendo que vai colocar folhas em branco sobre as carteiras para que os alunos façam seus desenhos. Além disso, anuncia que deverão fazer desenhos pequenos e recortá-los (turno 05).

A diferença entre os dois primeiros desenhos é considerada óbvia por alguns alunos, que se manifestam prontamente (turnos 06, 07 e 08). Ao pedir calma, Vanessa, parece insistir que os alunos façam os desenhos em suas folhas antes de tirar suas conclusões e sai para tomar a devida providência.

Nos gestos de Vanessa e Sarquis evidencia-se uma primeira tensão entre os dois professores. Propositalmente, Sarquis não retribuiu o olhar a Vanessa (turno 01). Ele não concordou com a proposta inicial da professora e manifestou essa discordância pela omissão da retribuição do olhar. Talvez por perceber essa discordância, Vanessa tenha deixado espaço para que o início fosse conduzido de maneira diferente, quando trocou a indicação de cinco planificações a serem desenhadas pelos professores para “algumas” (turno 05). Sarquis desenhou as duas primeiras planificações visando uma percepção mais imediata dos alunos de que uma resultava em cubo e a outra não (Figura 11). Não pretendia alongar o trabalho dos

professores, mas deixar mais tempo para que os alunos fizessem suas próprias investigações. Por isso, não concordou em fazer cinco desenhos como queria Vanessa.

Figura 11: os dois primeiros desenhos que Sarquis fez no quadro

Com sua saída de cena, para apanhar as folhas em branco, Vanessa cedeu espaço para que Sarquis ocupasse a posição central e acrescentasse suas propostas às explicações que ela havia dado. Ele iniciou perguntando aos alunos como eles tinham certeza de que não seria possível fazer um cubo com a primeira planificação. Alguns explicaram que, na primeira planificação não constavam a parte de cima e a parte de baixo (que permitiriam o fechamento) do cubo. Então Sarquis tomou uma folha de papel, faz um desenho e foi recortando. Com esse gesto, procurou dar um modelo para os alunos de como fazer as investigações.

Fez ainda um terceiro desenho no quadro, desta vez com duas linhas, uma sobre a outra, cada uma de três quadrados. No seu entendimento, aquela não era uma planificação obviamente errada, o que indicava a necessidade de ser testada de alguma forma. Enquanto recortava seu desenho, anunciou que havia 11 planificações possíveis e que os alunos teriam por tarefa tentar descobri-las. Também disse que deveriam registrar todas as tentativas de planificação que não fossem corretas. Para esclarecer melhor o registro pretendido, fez um desenho representando uma folha de papel e traçou uma linha dividindo essa folha ao meio. Orientou os alunos no sentido de desenharem as planificações corretas de um lado e as não- corretas do outro. Vanessa aproveitou o ensejo para dizer que, mais tarde, os alunos iriam transpor para seus cadernos os desenhos dessas folhas. Esse aviso ela ainda reforçou duas vezes durante a aula, o que demonstra sua atenção constante à necessidade de registrar os conteúdos lecionados nos cadernos. Como já foi relatado, essa era uma maneira de manter os pais sempre informados do que se passava na sala de aula.

Nesse ponto, os professores deram por encerrada a explicação e determinaram que os alunos deveriam por mãos à obra. Vanessa foi ao quadro de giz, no caminho enquanto estava distribuindo folhas para as crianças e enumerou as três planificações desenhadas. Assim, estabeleceu uma ordem no quadro e na atividade, evidentemente. Até aí haviam se passado 15 minutos desde o início da aula.