Experiments & Results
5.1 Experiment on evolutionary settings in the simu- simu-lator
Para tornar possível a caracterização dos indivíduos que são seguidos na Unidade de DP, optei por efectuar uma colheita de informação analisando os registos de Enfermagem dos doentes. Antes de efectuar este procedimento, solicitei autorização à enfermeira chefe, de forma a não violar nenhum dos princípios éticos a ter em conta, nomeadamente, o princípio ético do Consentimento Livre e Esclarecido. Utilizei o método de colheita de dados “registos e dados disponíveis” (POLIT e HUNGLER, 1995). Para tornar a colheita sistemática defini à partida um guião de colheita de dados. Os dados foram recolhidos e tratados garantindo todas as precauções necessárias para proteger os intervenientes, neste caso os enfermeiros que realizaram os registos de enfermagem e os doentes implicados nos mesmos. Em suma, foi garantido o direito ao Anonimato, e não foram recolhidas informações que possibilitem a identificação dos intervenientes. Tive também em conta o direito à Confidencialidade, utilizando os dados recolhidos exclusivamente para a caracterização dos doentes seguidos na unidade de DP. A colheita teve lugar no dia 30/01/2012.
Através da análise efectuada tive a oportunidade de constatar que, na data em que foi realizada a colheita, se encontram 33 doentes integrados no programa de DP, 27 do sexo masculino e 6 do sexo feminino.
Gráfico I. Distribuição por género dos doentes integrados no programa de DP do Hospital Onde Desempenho Funções
a 30/01/2012
Em relação à distribuição etária, as classes predominantes são dos 56 aos 65 anos e dos 66 aos 75 anos, com 7 e 12 indivíduos respectivamente. O doente mais novo tem 20 anos de idade e o mais velho 85 anos de idade, sendo a média de idades de 62,3 anos.
27
6 Masculino
41
Gráfico II. Distribuição por faixa etária dos doentes integrados no programa de DP do Hospital Onde Desempenho
Funções a 30/01/2012
Dos 33 doentes em programa de DP inscritos na unidade, 5 realizam DP manual (DPCA) enquanto 28 realizam DP automatizada (DPA).
Relativamente ao tempo em os doentes estão em programa de DP, verificou-se que o tempo médio é de 28,03 meses. O doente mais antigo inscrito no programa encontra-se em DP há 70 meses, enquanto o mais recente encontra-se há 1 mês.
Achei igualmente importante saber quem era o responsável por realizar a TSFR, se o próprio indivíduo, se o convivente significativo ou outro profissional. Pude constatar que 21 doentes são responsáveis pelo seu autocuidado (63,64% agentes de autocuidado) e que os restantes 12 necessitam da colaboração de outra pessoa (36,36% dependem de um agente de cuidado). Destes 12, um encontra-se instituído em Lar, sendo os enfermeiros da instituição responsáveis pelos cuidados em DP, os restantes 11 têm familiares conviventes como agentes de cuidado (cônjuges, filhos, netos e noras).
Gráfico III. Distribuição dos doentes integrados no programa de DP do Hospital Onde Desempenho Funções segundo a
autonomia para realizar a TSFR
Relativamente à evolução do número total de doentes inscritos no programa ao longo do tempo, verificou-se uma evolução crescente até ao ano de 2008. Em 2010 ocorreu um decréscimo acentuado que praticamente se manteve durante o ano de 2011.
1 3 1 3 7 12 6 0 0 5 10 15 16-25 26-35 36-45 46-55 56-65 66-75 76-86 86-95 21 11 1 12 Agentes de autocuidado Dependentes de cuidados de Familiares Dependentes de cuidados de Enfermeiros de Lar
42
Gráfico IV. Distribuição por ano do número total de doentes inscritos a 31 de Dezembro na Unidade de DP do Hospital
Onde Desempenho Funções.
Em 2011 deram entrada no Programa de DP 12 doentes. Saíram um total de 11 doentes: 7 foram transferidos para HD (4 por diálise inadequada/falência de UF, 2 por infecção – peritonite e 1 por não aderir à técnica), 3 foram submetidos a transplante renal e 1 faleceu.
Gráfico V. Distribuição dos doentes pelo motivo que os levou a sair do programa de DP do Hospital Onde
Desempenho Funções no ano de 2011
Segundo a EDTNA/ERCA (2007) uma das competências que os enfermeiros em DP devem apresentar está relacionada com o suporte na transferência da pessoa com DRCT em programa de DP para a HD. A análise do gráfico acima, que apresenta o motivo da saída do programa de DP, justifica a necessidade do desenvolvimento dessa competência específica, dado que, a maior parte dos doentes que saíram do programa foram transferidos para a HD.
A peritonite, em particular, tem sido apontada como a principal complicação da DP, sendo também a principal causa de falência da técnica, hospitalização, podendo inclusivamente levar à morte (KAM-TAO et al., 2010; BENDER, BERNARDINI & PIRAINO, 2006). A análise do gráfico acima também mostra que as complicações infecciosas são das principais responsáveis pela descontinuidade desta técnica na unidade onde desempenho funções.
Posto isto, considero de igual forma pertinente perceber qual o histórico da infecção no grupo em questão. 17 21 24 24 31 40 40 31 32 0 20 40 60 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Total de Doentes em 31 de Dezembro por Ano
4
3 1 2
1 Diálise Inadequada / Falência de UF
Transplante Renal Óbito
Infeção
43
Gráfico VI. Número de peritonites confirmadas nos anos de 2009, 2010 e 2011 na Unidade de DP do Hospital Onde
Desempenho Funções.
No ano de 2010 houve um aumento do número de peritonites, em comparação com o ano de 2009. Segundo as Guidelines da International Society for Peritoneal Dyalisis (2010), a incidência de peritonite não deve ser superior a 1 episódio cada 18 meses, que equivale a 0,67 episódio por cada doente por ano. No ano 2011 ocorreram um total de 10 peritonites, equivalente a 0,29 episódios por doente.ano (Dados apresentados no relatório anual de actividades da unidade de DP do hospital onde exerço funções, 2011)
Gráfico VII. Evolução da taxa de peritonites da Unidade de DP do Hospital Onde Desempenho Funções ao longo do
tempo.
A análise do gráfico apresentado acima permite verificar que só nos anos de 2004 e 2005 é que a incidência de peritonites esteve acima das recomendações das Guidelines (2010). Em 2011 verificou-se a incidência mais baixa que a unidade já registou desde o inicio do seu funcionamento.
Relativamente à infecção do orifício de saída do cateter, outra das infecções mais frequentes em DP, confirmaram-se um total de 14 durante o ano de 2011. Segundo os dados apresentados no relatório anual de actividades da unidade de DP do HODF (2011), a incidência foi de 0,42 episódios.doente.ano, ligeiramente inferior ao ano de 2010, que foi de 0,46.
11 15 10 2009 2010 2011 Peritonites Confirmadas 0,47 0,7 0,8 0,59 0,405 0,35 0,4 0,43 0,29 0 0,5 1 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
44
Gráfico VIII. Distribuição do número de infecções do OSC de DP do Hospital Onde Desempenho Funções ao longo
dos meses no ano de 2010 e 2011
Apesar de se ter verificado uma diminuição da incidência tanto das peritonites como das infecções do OSC, as complicações infecciosas são sempre uma preocupação para a equipa de saúde da unidade onde exerço funções.