O local foi inicialmente ocupado pela Redistil Indústria Química Ltda, no ano de 1981. Os produtos fabricados eram piridina anidra, dieloxalato, acetato de etila, 4- amino-N-2-tiozolil-benzeno-sulfonamida e solventes regenerados por destilação (CETESB, 1997).
No ano de 1985, a indústria química Sulfabrás S/A foi instalada no mesmo local. Passou a produzir acetopiruvato de metila, 5-metil-3-carboxiamidoxazol (carboxiamido), 3-amino-5-metil-isoxazol (3-amino) e dentre os solventes utilizados durante o processo, estão o 1,2 dicloroetano e o tolueno (Aquino, 2000).
Os solventes utilizados por ambas as indústrias eram reutilizados após passarem por colunas de destilação. As águas residuais deste processo passavam por um tacho de evaporação com objetivo de concentrar os efluentes. Em seguida, os efluentes gerados eram infiltrados em dois poços presentes no local (CETESB, 1997).
Em novembro de 1985 foram detectados odores em poços de abastecimento nos arredores da área de infiltração. Análises químicas realizadas em amostras coletadas em poços próximos a indústria indicaram contaminação da água subterrânea. Posteriormente, foram efetuadas análises químicas nos resíduos infiltrados com vistas à caracterização de sua composição química, cujos resultados permitiram a correlação com as substâncias contaminantes presentes nas águas subterrâneas (CETESB, 1997).
Em fevereiro de 1988, foi encerrado o processo de infiltração de resíduos por meio de poços de infiltração. O saldo deste processo foi a contaminação das águas
ÁREA DE ESTUDOS 41 subterrâneas tanto nas dependências da empresa quanto nos arredores e do solo no entorno dos poços de infiltração (ANEXO III) (CETESB, 1997).
Figura 4.1 – Mapa de localização
Após constatação de abandono da área por parte dos responsáveis, em junho de 1990, a CETESB passou a estudar a área por meio de análises químicas de amostras coletadas em poços de monitoramento instalados pela Sulfabrás e medições do nível da água subterrânea (ANEXO 2). Neste período foram iniciados levantamentos de campo por meio de métodos geofísicos, posteriormente retomados em 1998 para nova avaliação da área (Aquino, 2000).
Atualmente, os prédios em condições de uso estão sendo habitados por famílias, que armazenam sucatas e materiais recicláveis na área (Foto 4.1).
ÁREA DE ESTUDOS 42
Foto 4.1 – Vista parcial da área da antiga Industria Sulfabrás
4.3-FISIOGRAFIA
O município de Araras está localizado na bacia hidrográfica do rio Mogi-Guaçu, sendo a drenagem mais próxima localizada a 1400m sentido NW.
A região possui basicamente duas formas de relevo:
- Colinas amplas com topos extensos a aplainados, vertentes com perfis retilínios a convexos. Possui baixa densidade de drenagens, de padrão subdentrítico, encaixadas em vales abertos, com planícies aluvionares interiores restritas e presença eventual de lagoas perenes e intermitentes (IPT, 1981).
- Morrotes alongados e espigões com predomínio de interflúvios sem orientação preferencial, topos angulosos a achatados e vertentes ravinadas com perfis retilínios. Densidade de drenagens média a alta em vales fechados e com padrão dendrítico (IPT, 1981).
O clima da região é do tipo Cwa, subtropical, seco no inverno e chuvoso no verão, segundo a classificação de Koppen,. Apresenta temperatura anual média de 20ºC, sendo que no mês de janeiro a esta temperatura é de 22,5ºC e no mês de julho a média é de 16,5ºC (Brino, 1973).
ÁREA DE ESTUDOS 43 A pluviosidade média anual para a região de Araras está entre 1400 e 1350mm. No verão, é de 560mm, no outono, entre 170 e 180mm, no inverno, é de 136mm e na primavera, a média está entre 500 e 520mm. (Zavatini & Cano, 1993).
4.4 -PEDOLOGIA
Os solos presentes na área de estudos são produto de alteração de siltitos pertencentes à Formação Tatuí. A descrição geológica de sondagens à percussão realizadas na área de estudos e adjacências indica um solo argiloso, que varia de argilo- arenoso nos níveis superiores e silto-argiloso nos níveis inferiores (ANEXO I).
Segundo Oliveira et. al., (1981), a área de estudos está situada sobre Latossolo Vermelho Escuro álico A moderado, com textura argilosa, predominantemente distrófico ou álico. Este solo apresenta horizonte A moderado, estrutura granular pequena fraca a moderada, consistência friável ou muito friável quando úmido, ligeiramente plástica a ligeiramente pegajosa quando molhado. O horizonte B apresenta textura média argilosa ou muito argilosa, estrutura subangular média fraca, consistência friável a muito friável quando úmido, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso quando molhado.
Durante os trabalhos de campo, foram executados 6 furos de trado com profundidade de 4m, ao redor da área de estudos. As descrições feitas a partir destes furos indicam a presença de dois tipos de solo:
- Latossolo Vermelho Escuro álico A antrópico, textura média argilosa. Caracterizado por horizonte A antrópico, estrutura granular e de forma subordinada prismas e blocos, consistência macia quando seco e muito friável quando úmido, não plástico quando molhado, ligeiramente pegajoso a pegajoso quando molhado e com faixa de transição clara. O horizonte B apresenta textura argilosa, estrutura em blocos, consistência macia a dura quando seco e friável a muito friável quando úmido, plástico quando molhado, pegajoso quando molhado, com faixa de transição abrupta a gradual.
- Cambissolo Vermelho Escuro álico, A antrópico, textura média argilosa. Caracterizado por horizonte A antrópico, estrutura granular e de forma subordinada prismas, consistência dura quando seco e firme quando úmido, plástico quando molhado, ligeiramente pegajoso quando molhado, com faixa de transição clara. Apresenta horizonte de transição A/B com presença de cútans,
ÁREA DE ESTUDOS 44 com faixa de transição abrupta. A porção superior do horizonte B apresenta concreções ferruginosas e muitos cútans. O horizonte B apresenta textura argilosa, estrutura em primas no topo e em blocos sentido a base, consistência macia quando seco e muito friável quando úmida, muito plástico quando molhado, pegajoso quando molhado.