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EXPERIMENT AL

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Vários encontros foram realizados para as entrevistas em datas e locais negociados com cada entrevistado e foi levada em consideração sua disponibilidade de tempo, de espaço e compromisso profissionais e sociais.

As entrevistas tiveram um roteiro planejado, mas não fechado, pois consideramos importante que o professor se coloque a sua maneira para fazer sua narração. Procuramos, assim, criar um ambiente agradável e de confiança, favorecido pela empatia e imaginação para revirar a memória e trazer à mente lembranças e visões de si e de seu trabalho como professor, de seu projeto de vida, vivências e experiências de formação no Projeto Parceladas, na escola, cursos de aperfeiçoamento ou de especialização e outros ambientes que contribuíram na constituição identitária de cada dos indivíduos, do professor.

O professor Gilson deu sua entrevista em sua casa na cidade de Sinop- MT, distante 570 Km distante de Cuiabá. Ele marcou o dia e o horário para conceder a entrevista e propôs que fosse ao feriado de abril de 2007 para que pudéssemos conversar melhor sobre seu trabalho. A entrevista não foi feita de imediato, pois o professor me convidou para ir a sua biblioteca e lá pude conhecer os textos que ele escreveu ou estava escrevendo (todos relacionados à formação do professor de Matemática e desenvolvimento profissional) e, ainda, as leituras que vem fazendo nessas áreas. Como ele mesmo disse, sua condição de coordenador pedagógico do curso de Matemática tornava essas questões presentes no seu dia-a-dia de trabalho.

A professora Jussara me recebeu, em abril de 2007, em casa na cidade de Barra dos Bugres-MT, distante 180 Km de Cuiabá. Em sua biblioteca, ela foi revelando sua atuação como professora, fazendo questão de destacar sua preferência pelo trabalho com Geometria, enfatizando ainda que tem a preocupação de sempre preparar as aulas com atividades para além do conteúdo e da resolução de exercícios, oferecendo aos alunos atividades desenvolvidas em laboratório. Seu mais recente trabalho, fora da escola, foi desenvolvido em

projetos de formação de professores indígenas66. A professora mostrou fotos das

atividades nesse projeto e explicou como seu trabalho foi desenvolvido e também apresentou seus artigos que foram publicados a partir desse trabalho com os índios.

O professor Vila foi entrevistado na cidade Santa Teresinha-MT. Cidade há 1600 Km de Cuiabá. O contato com o professor foi intermediado por seus ex- alunos que eram licenciandos das Parceladas de 2007. O professor preferiu que a entrevista fosse feita às margens do Rio Araguaia. Segundo ele, o rio lhe traz lembranças significativas que influenciaram sua decisão de ser professor de Matemática, além da influência de outros professores. Por ocasião da entrevista estava acontecendo um festival cultural e o professor Vila estava participando dele com um trabalho sobre preservação ambiental que seus alunos estavam desenvolvendo. A entrevista começou às 7 horas da manhã. Durou um pouco mais de uma hora e aconteceu em julho de 2007.

As entrevistas com as professoras Cássia e Elisabete aconteceram na escola onde trabalham em janeiro de 2008 na cidade de Luciara-MT, distante 1500 Km de Cuiabá. O contato com as professoras foi facilitado, também, pelos seus ex-alunos. A entrevista durou, em média cinqüenta minutos. As duas professoras estavam em pleno período de trabalho. O semestre 2009/1 estava sendo discutidos pela equipe de professores e as duas professoras estavam iniciando, naquela semana, suas novas funções na escola e resolveram socializar com os colegas o que estavam pensando fazer. A primeira estava assumindo a coordenação pedagógica da escola e a segunda, estava assumindo os trabalhos de orientação das atividades de pesquisa dos alunos do CEAD. A escola, onde trabalham, é a única que oferece os níveis de ensino Fundamental e Médio na cidade.

Os cinco professores de Matemática selecionados para essa pesquisa permitiram que possamos, de maneira mais específica, saber quem é esse

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66

Estes projetos foram criados pelo Governo do Mato Grosso, sendo que ficou sob a responsabilidade da UNEMAT sua implementação e teve suporte financeira da UNESCO. O outro, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação e financiamento do Estado. Ambos foram concluídos em 2007.

professor formado pelas Parceladas e o papel dessa licenciatura no processo de constituição de sua identidade profissional docente.

A seguir, serão apresentados os sujeitos da pesquisa.

5.3.1.1 Os sujeitos da pesquisa

Os quadros que se seguem são uma tentativa de traçar uma identificação de cada sujeito entrevistado, contendo informações fechadas, como idade, estado civil, tempo de magistério, níveis e séries nas quais lecionam período de trabalho, continuação dos estudos (Especialização, Nivelamento e Mestrado) com o objetivo de conhecer um pouco mais os circunscritores da identidade desses professores selecionados.

Quadro nº 5.2. Idade dos egressos entrevistados/turma –1997.

Gilson Vila Jussara Cássia Elisabete

36 43 51 45 43

casado casado casada casada casada

Bahia Santa Catarina Tocantins São Paulo Mato Grosso

Fonte: Entrevista com egressos, em 2007 e 2008.

Necessariamente, a diferença de idade não indica maior ou menor tempo de experiência no magistério, mas que licenciandos de idades bem variadas estavam atuando sem a devida habilitação. A idade dessas pessoas variava de 20 anos, ainda em idade escolar, passando pela idade de 29 anos, sem uma habilitação até 35 anos. Esta situação repetia-se com os demais colegas de cursos nas Parceladas, comprovado por um levantamento feito pelo Projeto Parceladas em 2002 (DOCUMENTO Q. 1.12).

A seguir, os dados do quadro abaixo trazem uma caracterização resumida da formação acadêmica dos sujeitos da pesquisa. O objetivo foi indicar que os egressos, além da graduação, continuaram estudando, investindo na carreira do magistério, seja para continuar na educação básica ou entrar na educação superior, como poderá visto nos quadros seguintes:

Quadro nº 5.3. Caracterização dos egressos entrevistados – Matemática – 1997. Formação acadêmica Egresso Graduação Instituição Ano conclusão Especialização Instituição conclusão Mestrado Instituição conclusão Ensino Médio Ano

conclusão Fundamental Ensino

Gilson Matemática UNEMAT (Parceladas) 1997 Álgebra Unicamp 2005 Formação de professores UFMT 2002 Propedêutico Escola pública Projeto Inajá 1987 1984 Escolar pública Vila Matemática UNEMAT (Parceladas) 1997 Educação Matemática UNEMAT 2005 _ Propedêutico Escola pública 1987 Escola 1983 pública Jussara Matemática UNEMAT (Parceladas) 1997 História da Matemática UNESP UNEMAT 2003 _ Propedêutico Projeto Inajá 1987 1977 Projeto Inajá Elisabete 1- Química PUC/SP 2- Matemática UNEMAT (Parceladas) 1997 Educação Matemática UNEMAT 2005 _ Propedêutico Escola pública 1990 Escolar 1987 pública Cássia Matemática UNEMAT (Parceladas) 1997 Educação Matemática UNEMAT 2005 _ Propedêutico Escola particular 1989 1986 Escola Particular

Fonte: Secretaria do Projeto Parceladas-2008 e do CEAD67-2009 e entrevistas. Levantamento feito por Josimar de Sousa.

Os professores Jussara e Gilson, fizeram educação básica no Projeto Inajá I e II. A professora Cássia já era formada em Filosofia quando veio morar no Mato Grosso e fez seus estudos básicos em escola particular em São Paulo68. Os

professores Gilson, Vila e Elisabete fizeram a educação básica em escola pública. Vila chega ao Mato Grosso com a formação básica já concluída.

Os dados do quadro abaixo apresentam resumidamente a experiência profissional vivenciada pelos sujeitos da pesquisa, cujos objetivos foram trazer um perfil profissional relacionado aos níveis em que atuaram profissionalmente:

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67

CEAD – Centro de Formação de Professores a Distância, sua sede regional é na cidade de Vila Rica.

68

O Ensino Médio chega à região do Araguaia no final da década de 1980 e só nas cidades principais, segundo informação do coordenador Borges. Como já dito, projetos alternativos “supriam” esta falta.

Quadro nº 5.4. experiência profissional dos sujeitos – Matemática – 1997.

E X P E R I Ê N C I A P R O F I S S I O N A L

Educação básica/outros Ensino superior

Egresso Tempo de trabalho

Educação

Infantil Fundamental Ensino Ensino Médio outros Bacharel Licenciatura.

Gilson 15 anos - 12 anos 12 anos

Projeto Inajá, coordenador pedagógico UFMT UNEMAT - 7 anos (como professor)

Vila 15 anos 01 15 anos 15 anos

Secretário de Educação. Diretor escolar Coordenador escolar - -

Jussara 22 anos 04 anos 14 anos 14 anos

Projeto Inajá, Projeto Hayiô,

Projeto Parceladas

- -

Elisabete 18 anos - 18 anos - Orientadora no

CEAD - -

Cássia 17 anos 10 anos 15 anos 02 anos

Coordenadora escolar - 01 ano (Como orientadora e professora)

Fonte: Secretaria do Projeto Parceladas-2008 e do CEAD-2009 e entrevistas. Levantamento feito por Josimar de Sousa.

Os professores Vila e Cássia sempre trabalharam em dois turnos e em uma única escola de Ensino Médio das cidades onde moram. A professora Elisabete divide seu tempo de trabalho entre as escolas de Ensino Fundamental e de Médio. As professoras Jussara e Cássia atuaram, também, como monitoras de disciplinas nos cursos de Licenciaturas das Parceladas em outros núcleos pedagógicos. O professor Gilson é o único que trabalha na universidade e a professora Cássia é a única com mais de uma formação acadêmica e trabalha, também, como Agente Pastoral da Igreja Católica. Atualmente, a professora Jussara trabalha em uma única escola de Ensino Médio onde passou a residir. O tempo de experiência profissional apresenta uma variação de 14 a 20 anos nos níveis da Educação Infantil e Ensino Fundamental e Médio.

O professor Vila deu aulas de Educação Física e Ciências para crianças no início da carreira docente. A professora Cássia deu aulas de Química logo que chegou à Luciara-MT

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